quinta-feira, 4 de junho de 2020

UMBANDA

A Umbanda é uma religião brasileira, que sintetiza vários elementos das religiões africanas e cristãs, porém sem ser definida por eles. Formada no início do século XX no sudeste do Brasil a partir da síntese com movimentos religiosos como o Candomblé, o Catolicismo e o Espiritismo. É considerada uma "religião brasileira por excelência" com um sincretismo que combina o Catolicismo, a tradição dos orixás africanos e os espíritos de origem indígena.
A religião surgiu no território que hoje faz parte do município de de São GonçaloRio de Janeiro.
O dia 15 de novembro, já considerado pelos adeptos como a data do surgimento da Umbanda, foi oficializado no Brasil em 18 de maio de 2012 pela Lei 12.644.
Em 8 de novembro de 2016, após estudos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a Umbanda foi incluída na lista de patrimônios imateriais, por meio de decreto.

 ETIMOLOGIA 
"Umbanda" ou "embanda" são oriundos da língua quimbunda de Angola, significando "magia", "arte de curar". Há também a suposição de uma origem em um mantra na língua adâmica cujo significado seria "conjunto das leis divinas" ou "deus ao nosso lado".
Também era conhecida a palavra "mbanda" significando “a arte de curar” ou “o culto pelo qual o sacerdote curava”, sendo que "mbanda" quer dizer “o Além, onde moram os espíritos”.
Após o Congresso de 1941, declarou-se que "umbanda" vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como "o limite no ilimitado", "Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante". 

HISTÓRIA
Por volta de 1907/1908 (15 de novembro de 1908), um jovem chamado Zélio Fernandino de Morais, prestes a ingressar na Marinha, passou a apresentar comportamento estranho que a família chamou de "ataques". O jovem tinha a postura de um velho dizendo coisas incompreensíveis, em outros momentos se comportava como um felino. Após ter sido examinado por um médico, este aconselhou a família a levá-lo a um padre, mas Zélio foi levado a um centro espírita. Assim, no dia 15 de novembro, Zélio foi convidado a se sentar à mesa da sessão na Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza.
Incorporou um espírito, se levantou durante a sessão e foi até o jardim para buscar uma flor e colocá-la no centro da mesa, contrariando a regra de não poder abandonar a mesa uma vez iniciada a sessão. Em seguida, Zélio incorporou espíritos que se apresentavam como negros escravos e índios. O diretor dos trabalhos alertou os espíritos sobre seu atraso espiritual, convidando-os a sair da sessão quando uma força tomou conta de Zélio e disse:
Por que repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Será por causa de suas origens sociais e da cor?
Ao ser indagado por um médium ele respondeu:
Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O que você vê em mim são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria, fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como Caboclo brasileiro.
A respeito de sua missão, assim anunciou:
Se julgam atrasados esses espíritos dos negros e dos índios, devo dizer que amanhã estarei na casa deste aparelho para dar início a um culto em que esses negros e esses índios poderão dar a sua mensagem e assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem o meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminho fechado para mim.
No dia seguinte, na residência da família de Zélio, na Rua Floriano Peixoto, nº. 30, no bairro Neves, reuniram-se os membros da Federação Espírita, visando comprovar a veracidade do que havia sido declarado pelo jovem. Novamente incorporou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, que declarou que os velhos espíritos de negros escravos e índios de nossa terra poderiam trabalhar em auxílio do seus irmãos encarnados, não importando a cor, raça ou posição social. Assim, neste dia fundou o primeiro terreiro de umbanda chamado de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.
O espírito estabeleceu normas como a prática de caridade, cuja base se fundamentaria no Evangelho de Cristo e seu nome "Allabanda", substituído por "Aumbanda", e posteriormente se popularizando como "Umbanda".
No ano de 1918, fundaram-se sete tendas para a propagação da Umbanda: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia, Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, Tenda Espírita Santa Bárbara, Tenda Espírita São Pedro, Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge e Tenda Espírita São Gerônimo. Até a morte de Zélio em 1975, mais de 10.000 templos foram fundados além destes iniciais.
Em 1939 com o objetivo de acabar com polêmicas e na tentativa de uma unificação foi criada a União Espírita de Umbanda do Brasil. A partir desse momento, somente as práticas que seguiam os fundamentos propostos pelo Caboclo Sete Encruzilhadas passaram a ser consideradas como umbandistas.
Em 1940, o escritor Woodrow Wilson da Matta e Silva apresentou a Umbanda como ciência e filosofia, criando então a Escola Iniciática da Corrente Astral do Aumbhandan, a "Umbanda Esotérica" na Tenda Umbandista Oriental, em Itacuruçá, no Rio de Janeiro.
Mesmo após as tentativas de unificação, nas décadas de 40, 50 e 60 ainda existiam inúmeros terreiros no Rio de Janeiro não vinculados à União Espírita de Umbanda do Brasil, principalmente por discordarem das normativas propostas pela federação e por serem consideradas atividades isoladas. Estes terreiros realizavam práticas ritualistas sob a denominação de Umbanda, por exemplo a Tenda Espírita Fé, Esperança e Caridade e Pai Luiz D'Ângelo, praticante do segmento Umbanda de Almas e Angola.
Em 1941 a UEUB organizou sua primeira conferência, o I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda como forma de tentar definir e codificar a Umbanda como uma religião em direito próprio e como uma religião que une todas as religiões, raças e nacionalidades. A conferência também promoveu uma dissociação das tradições afro-brasileira. Os participantes concordaram em fazer uso das obras de Allan Kardec como fundação doutrinária da Umbanda, ao mesmo tempo que se dissociavam das outras tradições religiosas afro-brasileiras. Ainda assim, os espíritos fundadores da Umbanda, os Caboclos e os Preto Velhos ainda foram mantidos como espíritos altamente evoluídos.
Em termos gerais, os participantes do Congresso se esforçaram em legitimar a Umbanda como uma religião altamente evoluída, por exemplo, afirmando que a Umbanda já existia como uma religião organizada há bilhões de anos,[carece de fontes] estando então à frente de todas as outras religiões. Como parte desses esforços em definir a Umbanda como uma religião original e altamente evoluída, os participantes procuraram remover suas raízes africanas e afro-brasileiras, rastreando a origem da Umbanda até o Oriente,[carece de fontes] de onde supostamente se espalhara para Lemúria e subsequentemente para a África. No continente africano, a Umbanda teria se degenerado em fetichismo, e nessa forma foi trazida ao Brasil pelos escravos. A influência africana na Umbanda não foi de todo rejeitada. No entanto, a sua importância sofreu devido a percepções de corrupção da tradição religiosa original, como uma fase de retrocesso em sua evolução; a Umbanda foi exposta ao barbarismo na forma de costumes vulgares e praticada por pessoas com "costumes rudes e defeitos psicológicos e étnicos" Outra forma de lidar com o caráter africano da Umbanda foi exposto na compreensão que se originou na África, porém na África Oriental (Egito), sendo então da parte mais "civilizada" do continente.
Um dos objetivos da conferência foi então rastrear as raízes "genuínas" da Umbanda até o Oriente; a invenção das raízes orientais juntamente com a rejeição das africanas, foi refletida na definição do termo "umbanda", que é de outro modo geralmente acreditado ser derivada do idioma Banto. Declarou-se que "umbanda" vinha das palavras do sânscrito aum e bhanda, termos que foram traduzidos como "o limite no ilimitado", "Princípio divino, luz radiante, a fonte da vida eterna, evolução constante".[12][11].
A partir da década de 1950, os setores mais humildes da população umbandista composta por negros e mulatos começaram a contestar o distanciamento da Umbanda das práticas africanas. A "umbanda branca" se opunha à tendência de recuperar os valores africanos presentes na religiosidade popular.
O segundo congresso ocorreu em 1961 evidenciando o crescimento da religião que teve sua imagem reconstruída pela imprensa, milhares de devotos compareceram ao Maracanãzinho com representantes de vários estados e a presença de políticos municipais e estaduais. O jornal O Estado de S. Paulo noticiou a realização do congresso no Rio de Janeiro afirmando que a "preocupação central do Congresso parece ser a elaboração de um código que orientará a feitura de uma Carta Sinódica da Umbanda". No mesmo ano, o jornal Diário de S. Paulo publicou uma grande reportagem com o título "Saravá meu Pai Xangô, Saravá Mamãe Oxum", onde o jornalista descreve uma "sessão assistida pelos repórteres a convite do deputado gaúcho Moab Caldas".
No terceiro congresso realizado em 1973 a Umbanda afirmou-se em definitivo como uma religião expressiva no campo das atividades assistenciais, além dos centros onde ocorriam as atividades espirituais, a religião contava com escolas, creches, ambulatórios etc articuladas em torno da missão de promover a caridade e a ajuda.
Na década de 1980 a Umbanda teve seu auge ao ser declarada como religião de muitas personalidades como os cantores Clara NunesDorival CaymmiVinícius de MoraesBaden PowellBezerra da SilvaRaul SeixasMartinho da Vila entre outros.
Na década de 1990 a Umbanda e outras religiões de matrizes africanas foram alvo do crescente neopentecostalismo brasileiro. Em 2003, foi fundada a Faculdade de Teologia Umbandista (FTU), mantida pela Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino[35] fundada em 1970 por Francisco Rivas Neto, na Água Funda, São Paulo.

CRENÇAS E PRÁTICAS
Pai Zezinho de Ogum, pai de santo do terreiro Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda, a primeira instituição cadastrada no mapa de terreiros de Umbanda do Rio de Janeiro.
Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda, no Estácio, que foi a primeira instituição cadastrada no mapa de terreiros de Umbanda da cidade do Rio de Janeiro
A influência africana na Umbanda foi interpretada como um "mal necessário" que apenas serviu para explicar sua chegada e desenvolvimento no Brasil. O "branqueamento" das origens da Umbanda foi expresso em termos como "umbanda pura", "umbanda limpa", "umbanda branca" e "umbanda de linha branca" no sentido de "magia branca". Estes termos contrastavam com "magia negra" e "linha negra" associados com o mal. Além disso, uma divisão de espíritos foi estabelecida entre os "da direita", o bem, e os "da esquerda", o mal. A única instância de identificação positiva com a influência africana na Umbanda relacionava-se com os Pretos Velhos e com o continente africano ser reconhecido como um continente heroico e sofredor.
A Umbanda pode ter várias vertentes com práticas diversas, nomeadas de diferentes formas como Umbanda Tradicional, Primado de Umbanda, Umbanda de Nação ou Umbanda Mista, Umbandomblé, Umbanda Esotérica, Umbanda Astrológica, Umbanda Sagrada, Umbanda da Magia Divina, Umbanda Omolocô, Umbanda Crística, etc. Essas diferentes vertentes partilham o culto a entidades ancestrais e a espíritos associados a divindades diversas, que podem pertencer ao Catolicismo, a cultos africanos, hindus, árabes entre outros. Apesar de diferentes vertentes existem alguns conceitos encontrados que são comum a todas, sendo estes: 
Um deus único e onipresente, chamado Olorum ou Zambi.
Crença nas Divindades ou orixás
Crença na existência de Guias ou entidades espirituais
A imortalidade da alma
Lei de causa e efeito pela qual os umbandistas pagam o Bem recebido com o bem e o Mal com a justiça divina.
Também se fundamentam na obediência aos ensinamentos básicos dos valores humanos, como a fraternidade, a caridade e o respeito ao próximo. Além desses preceitos também estão a necessidade da prática mediúnica como por exemplo servindo de "aparelho" (o medium) para viabilizar a comunicação entre espíritos e orixás com os seres humanos.
RITOS
Os rituais da Umbanda visam evocar o orixá ancestral e toda sua hierarquia composta por Orixás menores, Guias e Protetores. Os rituais não têm forma ou modo definido de modo que variam de casa para casa e estão subordinados às decisões de cada Pai-de-santo e cada entidade protetora do terreiro.
O local onde se dá as celebrações e o atendimento do público é geralmente uma casa denominada por tenda que contém um terreiro e um salão apropriado para sessões.
Alguns termos e rituais comumente mencionados:
Giras, é como são chamadas as sessões onde se reúnem os espíritos de várias categorias, as giras podem ser festivas, de trabalho ou de treinamento.
Bater cabeça, é como é chamado o ato de prostração, a reverência dada ao chefe do terreiro, por exemplo. O contexto desse gesto varia de terreiro para terreiro, sendo unânime que seja feito antes da defumação.
Defumação, é usada para purificar o ambiente, através do seu aroma desfaz no ambiente todo o negativo expulsando os espíritos trevosos.
Passe, é o gesto de imposição de mãos presente também no kardecismo.
Pontos riscados são diagramas desenhados no chão como ângulos, retas, símbolos representativos, desenhos geométricos, pontos cardeais, etc representando a assinatura do Guia.
Pontos cantados são as músicas e cantos entoados como forma de louvor ou invocação.
Oferendas são a prática de dispor comida ritual e objetos específicos nos templos ou locais ao ar livre, em dias e para fins especiais. As oferendas são agradecimentos aos Guias e Orixás. As vertentes com mais influência dos cultos africanos como a Umbanda de Nação se utiliza de ebós que são para finalidades próprias como reequilibrar aspectos da vida da pessoa, porém, diferente de alguns cultos africanos, a Umbanda não se utiliza do sacrifício de animais.
Descarrego é o nome dado a rituais para limpeza espiritual ou livrar-se de cargas negativas, podem ser banhos com ervas especiais como a GuinéEspada-de-ogun etc ou rituais como a Roda de fogo" que usa pólvora.
Batismo, como ocorre em muitas outras religiões, só pode ser realizado por líderes religiosos, no caso o Babalorixá ou a Iyalorixá.
ENTIDADES
Os espíritos (entidades) que trabalham na Umbanda são organizados em linhas e falanges (legiões) de uma forma quase militar. Cada linha está sob a direção de uma deidade africana ou Orixá ou Orisha, enquanto os nomes e configurações exatas variam dentro da Umbanda, eles são em sua maioria compostos a partir de divisões étnicas, por exemplo, "Povo de Moçambique", "Legião de Tupi-Guarani". Em geral, os espíritos nos rituais da Umbanda se enquadram nas seguintes categorias:
Caboclos, espíritos indígenas, como o Sete Encruzilhadas
Pretos Velhos, os espíritos de velhos escravos brasileiros
Exus, mensageiros dos orixás; entidades mais próximas dos humanos, protegendo as suas estradas, caminhos. Praticam unicamente o bem. Se vierem para o mal, não são Exus, nem Umbanda.
Pomba Giras, entidades da linha da esquerda com hierarquia própria, erroneamente colocadas como femininas de Exu.
Todas os acima são chamados de "espíritos de luz" porque trabalham para o bem, há também os espíritos banidos da Umbanda que são ditos trabalharem para o lado obscuro, dentro da Quiumbanda, um tipo de oposto negativo da Umbanda.
HINO
Originalmente com o título de Refletiu a Luz Divina, a letra escrita por José Manoel Alves, foi musicada por Dalmo da Trindade Reis, maestro tenente do Grande Conjunto da Policia Militar do Rio de Janeiro.  No Segundo Congresso Nacional de Umbanda, em 1961 no Rio de Janeiro, a música foi aclamada e oficialmente reconhecida como o Hino da Umbanda e hoje é cantada por milhares de umbandistas pelo mundo. Existem Relatos nunca comprovados de que J M ALves fosse cego, porém não existe registro real de tal fato e fotografias da época até o mostram com óculos, porém sem nenhum indicio de deficiência grave, mesmo porque JM ALves era militar lotado na cidade de São Paulo onde se aposentou com a patente de capitão.

Refletiu a luz divina
Em todo seu esplendor
É do Reino de Oxalá
Onde há paz e amor.
Luz que refletiu na Terra
Luz que refletiu no Mar
Luz que veio de Aruanda
Para tudo iluminar
Umbanda é paz e amor
Um Mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
E a grandeza nos conduz.
Avante filhos de fé
Como a nossa lei não há
Levando ao mundo inteiro
A bandeira de Oxalá.


ORGANIZAÇÃO
Espaço físico

Vista de um Congá

A parte física de um terreiro de umbanda contém seis elementos fundamentais: 
Assentamento
Pegi ou Peji
Congá
Porteira ou Tronqueira
Cruzeiro das Almas ou Casa das Almas
HIERARQUIA
Maria da Guia, médium do terreiro Tenda Espírita Vovó Maria Conga de Aruanda
A hierarquia na Umbanda pode variar dependendo da quantidade de membros de modo que pode se dividir em um grupo administrativo e grupo espiritual além de variar de acordo com o tipo de Umbanda (de nação, Esotérica etc).
Sacerdote (Pai-de-santo) e Sacerdotisa (mãe-de-santo) : responsáveis por toda a atividade espiritual que ocorre no terreiro, como iniciar, conduzir e encerrar as giras e estabelecer as ordens e doutrinas passadas pelo astral.
Pai Pequeno e mãe pequena: responsáveis na ausência dos pai ou mãe, têm os mesmos ensinamentos e participam de todos os rituais.
Curimbeiro ou atabaqueiro: responsável por tocar e cantar os pontos cantados nas giras além do ensino a novos ogãs.
Ogã ou alabê: responsável pela curimba e instrutor dos toques de atabaques.
MÉDIUNS
Médium iniciante: médiuns que ainda não incorporam, sendo às vezes colocados como cambonos até adquirirem experiência.
Médium em desenvolvimento: médiuns em processo de desenvolvimento.
Médium de trabalho: médiuns que prestam consultas nas giras de atendimento e já passaram por todos os preceitos e obrigações (batismo, amaci e coroação).
Cambono: médium designado a auxiliar a entidade trabalhando como um intérprete entre a entidade e o consulente.

RAMIFICAÇÕES
A Umbanda possui algumas ramificações, caracterizadas por diferenças em rituais, métodos, hierarquia, etc.
Entre as vertentes mais conhecidas estão:
Umbanda tradicional: criada por Zélio Fernandino de Morais, se baseia nos princípios da caridade e da fraternidade. É fundamentada em três entidades iniciais que são os Caboclos, os Preto-Velhos e as Crianças. Esta vertente originalmente não é adepta das práticas africanas.
Umbanda de almas e angola: além da Umbanda tradicional, se utiliza de ritos africanos.
Umbanda branca ou Umbanda de mesa: voltada ao Espiritismo com doutrinas baseadas na conduta kardecista. Não trabalha diretamente com Exús, pombo-giras nem se utilizam de fumo, álcool, imagens e atabaques.[69]
Umbanda de caboclo: tem influência da cultura indígena brasileira, trabalhando com Caboclos. Não trabalha com orixás.
Umbanda omolocô: do culto africanista aos orixás aos Guias e Linhas da Umbanda.
Umbanda esotérica: seu maior difusor foi W.W. da Matta e Silva (Mestre Yapacany), considerada como um conjunto de leis divinas.[70]
Umbanda iniciática: derivada da Umbanda esotérica, foi fundada por Pai Rivas (Mestre Umbanda Yamunisiddha Arhapiagha), com influência Iniciática oriental,como uso de mantras indianos e do Sânscrito.
Umbanda popular
Umbanda de preto-velho
Umbanda traçada ou Umbandomblé

CRÍTICAS
Assim como outras religiões afro-brasileiras, a Umbanda sofreu repressão política durante a era Vargas até o início de 1950. Uma lei de 1934 colocava estas religiões sobre a jurisdição do Departamento de Tóxicos e Mistificações da polícia de modo que era preciso um registro especial para funcionarem. Durante esses anos vários grupos se mantinham na clandestinidade ou quando se registravam, procuravam omitir suas ligações ou inspirações africanas se registrando como sendo apenas "espiritistas". Essa omissão ou "desafricanização" que rejeitava as influências das religiões africanas foi estabelecida mais claramente no I Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda realizado em 1941, que definiu entre outros aspectos, que a raiz da Umbanda provinha de antigas religiões e filosofias da ÍndiaRoger Bastide argumentou que o Espiritismo "branqueia" ou "europeniza" a Umbanda, distorcendo suas raízes africanas.
No Brasil, a Umbanda e demais religiões de matrizes africanas sofrem com a intolerância religiosa,[76] sendo as religiões neopentecostais ditas Renovadas de maior intolerância em relação à Umbanda, ao Candomblé e ao Kardecismo.
Os praticantes do Candomblé criticam a Umbanda por considerá-la superficial e desconhecer os ritos mais profundos dos cultos aos Orixás, além de criticarem a Umbanda por não separar o culto dos espíritos do culto às entidades, já que o Candomblé considera os Orixás e deuses como sendo mais puros e de energia mais primordial e que, desse modo, não podem ser maculados pela energia dos espíritos que viveram na Terra.




quinta-feira, 28 de maio de 2020

NANÃ BURUKU, MATRIARCA AFRICANA E SUMA-SACERDOTISA

NANÃ, A DEUSA DA VIDA E DA MORTE

Nanã é um orixá feminino de origem daomeana, adotada da África que representa o dogbê (vida) e a doku (morte). Ela acolhe em seu ventre os ghedes (mortos) e os prepara para o leko (renascimento). Essa dualidade é representada por Nanã que personifica os pântanos. É neles que a mistura da água (vida) e da terra (morte), formando a lama, existe um portal entre as dimensões dos vivos e dos mortos. O pântano ou a lama, foi o local escolhido por Nanã para ser sua residência. Entretanto, para haver barro ou lama, tem que haver chuva, Nanã passou também a reger a chuva.

Nanã é conhecida por vários nomes, dependendo da região e do dialeto, mas em Dahomey (hoje Benin) na cidade de Domê onde está localizado seu principal templo, ela é conhecida como Nanã Buruku . Ela está fortemente ligada ao elemento terra e é chamada de "Senhora dos Pântanos", assinalando-a como uma Grande Mãe que é responsável pelo sopro da vida e consequentemente a morte.

Nanã sempre conduz os seres humanos com muita seriedade, justiça e determinação. Seus cânticos são súplicas para que a morte seja mantida afastada e que a vida seja preservada.

Sendo a personificação da "lama" ou da "chuva", Nana está sempre no principio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das questões humanas , de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também, frequentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura (período neolítico).

MITOLOGIA

Nanã de origem daomeana, foi incorporada há séculos pela mitologia ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo do Dahomey (atual República do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.

Nesse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continuou sendo o pai de quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.

Muitas pesquisas apontam ainda que os iorubas começaram a ter um conceito de Deus Supremo antes inexistente, e que esse conceito pode ser consequência da influência dos maometanos do norte da África sobre a população negra mais próxima. Assim Nanã assume, como outros Orixás femininos, o conceito de maternidade como função principal.

É neste contexto, que Nanã apareceria como a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omulu (ou Obaluaê, orixá da varíola) e Oxumarê (orixá do arco-íris).

E teria tido uma filha, Ewá, nascida de uma relação entre Nanã e Oxóssi, ou ainda, entre Nanã e Orunmilá, conforme o mito.

NANÃ NO BRASIL

Aqui no Brasil, os escravos africanos introduziram com muito êxito suas divindades, como a Deusa Nanã, Oya, entre outras, nas religiões como o candomblé, a umbanda e o batuque. Essas religiões incluem a possessão por parte dos deuses. Quando Nanã se manifesta numa de suas iniciadas é saudada pelos gritos de Salúba!

SEUS INICIADOS

Seus sacerdotes e sacerdotisas são experientes à prática da medicina através das ervas, pois Nanã é detentora do conhecimento do uso terapêutico delas (ervas). Mas a Deusa explica ainda, que além do uso terapêutico das folhas e de alguns produtos animais, as doenças podem ter origem espiritual e portanto, requer tratamento nesse sentido. Mas, qualquer que seja a origem da doença, se a pessoa enferma recorrer à Nanã, obterá o remédio curador.

Muitas mulheres recorrem à essa Deusa quando não conseguem engravidar e Nanã ensina prontamente a mistura de ervas que deve tomar, assim como os "ebós" e oferendas que devem ser feitos. Caso sejam atendidas, é costume na África, em homenagem à Deusa, acrescentar ao nome da criança a palavra "nanã". Todos seus sacerdotes e sacerdotisas também usam na frente do nome esse prefixo.
O culto de iniciação dos "filhos" de Nanã requer uma série de cuidados especiais, tanto aqui no Brasil como na África. Durante um período é necessário abster-se de sexo, bebidas alcoólicas, qualquer tipo de droga ou vício, pelo menos por 2 meses antes. Nesse período são realizados vários "ebós" na casa do santo.

Na África as mulheres menstruadas são impedidas de entrar em seu templo ou fazer comida de santo. Nanã fala que a bogami (menstruação) é um sangue impuro e diz para as mulheres não cozinharem para seus maridos quando estiverem menstruadas. Aqui vemos claramente traços de um período muito arcaico (neolítico) em que o sangue da menstruação ainda era considerado impuro.

NANÃ E HÉCATE

Nanã é também uma Deusa da Lua Escura que muito se assemelha a Hécate nas funções de regente dos processos misteriosos da vida e da morte, das passagens difíceis da vida e da entrada nos caminhos árduos da transformação. A nível psíquico, essas passagens não podem ser eliminadas do curso normal da vida.

Nanã, assim como Hécate é a Deusa Terra primordial que dá nascimento às sementes e acolhe em seu seio os mortos. Tanto pode dar vida como a morte, sequências da mesma realidade. É ainda, Dona da sabedoria e da justiça, que vem da natureza e a sua lei é implacável.

Nanã o Orixá feminino mais velho do panteão, pelo que é altamente respeitada. Veste-se de branco e azul. Suas contas são de louça branca com riscos azuis. Traz na mão o Ibiri, seu cetro, que é feito com palitos de dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. O sincretismo de Nanã com Sant'Ana, avó maternal de Jesus, e padroeira dos professores, reforça a impressão de que ela é muito antiga e que sua chegada ao Brasil foi anterior à dos Yorubas.

A Deusa tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura. Os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, também pertencem a Nana.
Entretanto, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nana é o "grão", pois ela possui o domínio da agricultura e todo "grão" tem que morrer para germinar.

MITOLOGIA
LENDA 1 (Mitologia Fon)

Na mitologia Fon, Nanã Buruku (ou Buluku) que deu nascimento ao gêmeos: Lisa e Mawu. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos. Eles eclipsaram várias vezes e tiveram no total sete casais de gêmeos (sempre um masculino e o outro feminino).

Mawu e Lisa chamaram seu filhos e os enviaram à Terra como os primeiros habitantes e para que esses os ajudassem a governar a Terra, deram a cada um uma atribuição. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.

Com o nascimento desses filhos, Nana criou a dualidade que daria o equilíbrio ao mundo e aos seres viventes.

Mawu é o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão. Já Lisa é o princípio masculino, o julgador, a impaciência, a força cósmica que castiga os homens errados e os corrige, a seriedade. Ele está sempre atento para que as leis de Mawu sejam cumpridas.

Os fons, ao chegarem no Brasil, eram chamados de "Jejes", implantaram aqui o seu culto, baseado na rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Sua entrada no em nosso país ocorreu em meados do século XVII.

Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).

Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.

NANÃ BURUKU

Nanã Buruku está associada com as Onze Energias cósmicas e é íntima delas compreendidas ma religião da Umbanda. É denominada como a "Avó de todos os Orixás". Nada acontece sem que ela tenha conhecimento, sempre presente, desde a criação incessante do universo até o desenrolar contínuo da atividade existencial de todos os seres e elementos que compõem o organismo vivo do nosso planeta. Soma-se com outras Energias para, juntas, comporem a forma mais sutil e perspicaz orixá: Oxumaré que personifica a curva do arco-íris.

Na Umbanda, Nanã é configurada pelos fiéis e "filhos de cabeça" como sendo fisicamente uma senhora sempre curvada pelo peso das eras e cujo rosto nunca é visto, porque está sempre encoberto. Sua imagem está projetada na figura de um devoto que canta e dança em seu louvor, mimeticamente, como se embalasse uma criança. Outras vezes com as mãos juntas como se socasse um pilão. Sua postura em muito se parece com o orixá Omolu com o qual parte e reparte suas próprias vibrações preferenciais e idiossincrásicas.

É conhecida também por: Bukuú (Togo), Naná Buluku (Benin, ex-Daomé), Borokô (candomblés de caboclo), Tobossi (fantiashanti), Kerê-Kerê (Angola e Congo) e mais as variantes Naná, Nanã, Nanã Buruquê, Buruku, Ananburuquê, Anaburuku, Naná Buku, Naná Brukung e, na língua yoruba como Nanã Buruiku.

LENDA 2

Dizem que quando Olorum, o ser Supremo, encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Oxalá tentou vários caminhos.

Tentou fazer o Homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o Homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o Homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.

Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o Homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixás povoou a terra.

Mas tem um dia que o homem tem que morrer.
O seu corpo tem que voltar a terra, voltar a natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo, mas quer de volta no final tudo o que é seu.
Essa lenda descreve a natureza de Nanã como a Grande Mãe de onde tudo nasce e tudo retorna.

LENDA 3

Essa terceira lenda conta que Nanã foi conquistar o reino de Oxalá e acabou sendo conquistada por ele. Entretanto, o deus amava muito sua esposa, Iemanjá, e jamais se envolveria com Nanã. Essa então, o embriagou e o seduziu, engravidando. Desse ato adúltero nasceu Obaluiaê, uma criança muito feia e deformada que foi abandonada no mar. Iemanjá o encontrou meio morto e todo mordido pelos peixes e o cuidou até que ficasse curado. Para esconder as cicatrizes que permaneceram em seu corpo, ele foi coberto de palha. Assim cresceu Obaluaiê, sempre coberto por palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sempre sério e até mal-humorado.

Um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu às pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas, expulsaram-no da aldeia e não lhe deram nada. Obaluaiê, triste e angustiado saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas.

Durante este tempo os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca. Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse. Então homens o alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu caminho.

Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas da casa. Neste momento Iansã, a Deusa dos ventos, o viu nesta situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e virilidade E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê e Iansã-Balé se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, evitando desgraças aconteçam aos homens.

Essa lena nos aconselha a nunca negar auxílio, qualquer que seja, às pessoas que nos procuram. Além disso, nos diz para termos esperança, pois "não há mal que sempre dure.." e sempre há um recomeço, mesmo após um grande e penoso sofrimento.

LENDA 4

"Nanã era esposa de Ogum e ocupava o cargo de juíza no Daomé. Só julgava os homens, sendo muito respeitada pelas mulheres que eram consideradas Deusas.
Ela morava numa bela casa com jardim. Quando alguém apresentava alguma reclamação sobre seu marido, ela amarrava a pessoa numa arvore e pediu aos eguns para assustá-la.

Certa noite, Iansã reclamou de Ogum e ele foi amarrado no jardim. A noite, conseguiu escapulir e foi falar com ifá. A situação não podia continuar e, assim, ficou acertado que oxalá tiraria os poderes de Nanã. Ele se aproximou e ofereceu a ela suco de igbin, um tipo de caramujo. Ao beber o preparado, Nanã adormeceu. Oxalá então vestiu-se de mulher e, imitando o jeito de Nanã, pediu aos Eguns que fossem embora de seu jardim para sempre.

Quando Nanã acordou e percebeu o que Oxalá tinha feito, obrigou-o a tomar o mesmo preparado de igbin e seduziu o orixá. Oxalá saiu correndo e contou para Ogum o que havia acontecido. Indignado, este cortou relações com Nanã. E é por isso que nas oferendas a Nanã não é usado nenhum objeto de metal.

Uma outra lenda registra que, numa reunião, os orixás aclamaram ogum como o mais importante deles e que Nanã, não se conformando em ser derrotada por ele, assumiu que não mais usaria os utensílios de metal criados pelo orixá guerreiro (escudos e lanças de guerra, facas e setas para caça e pesca). Por isso, que ela não aceita oferendas em que apresentem objetos de metal."

Essa lenda, vem de encontro à tese de alguns historiadores que afirmam que a Deusa Nanã é anterior a Idade do Ferro.

DISPUTA ENTRE NANÃ BURUKU E OGUM
(Segundo Pierre Verger)

"Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda sempre à frente dos outros Imalés.

Um dia eles vão a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre os seus poderes. Eles falam muito sobre Obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam muito sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exu:

-"Ah! É um importante mensageiro!"

Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem:

-"É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!"

Nanã Buruku contesta, então:

-"Não digam isso. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?"

Os demais orixás respondem:

-"É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar os animais".

Nanã concluiu que não renderá homenagem a Ogum.

-"Porque não haverá um outro Imalé mais importante?"

Ogum diz:

-"Ah!Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça."

Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem por muito tempo.

Ogum perguntando:

-"Você pretende que seja dispensável?"

Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes.

Ogum diz então:

"Muito bem! Você vai saber que sou indispensável para todas as coisas".

Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ele não utilizará, absolutamente nada, fabricado por Ogum e, ainda assim, poderá tudo realizar.

Ogum questiona:

-"Como você o fará? Você não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos".

Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para esquartejá-lo. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não se pode utilizar faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã".

(Lenda retirada do livro "Lendas Africanas dos Orixás" de Pierre Fatumbi Verger, págs. 62-64.)

DEUSA DA VIDA, DA MORTE E DO RENASCIMENTO

Nanã é uma Deusa que se inseri no período Neolítico ou até antes dele, onde não existe distinção alguma entre a Deusa que atrai a vida e a que atrai a morte, mas ambas se experimentam como uma unidade, através da Grande Mãe que engloba a totalidade da vida e da morte. A Deusa transforma a experiência da morte em como o renascimento à outra dimensão.

O período Neolítico foi uma fase de descobrimentos e o resultado disso foi uma nova relação com o universo. Foi nesse tempo que a humanidade compreendeu e passou a participar dos misteriosos processos de crescimento. Com a compreensão que certas sementes podiam ser convertidas em trigo e depois transformados em pão, e que certos animais vivendo perto das casas, poderia prover-lhes de leite, carne, surgiu um novo espírito que cooperação consciente entre os seres humanos e seu mundo. A vida do cosmos se converteu em uma história que incluía o homem como um de seus personagens.

Os povos deste período não puderam de realizar uma analogia de suas vidas com as das sementes que, plantadas na terra, incubavam e voltavam a emergir como grão verde ou dourado. Os rituais que evocavam o nascimento, que chorava a morte e que celebravam o renascimento da raiz mostra o quanto era vital essa analogia para a imaginação humana, pois situava a regeneração como o núcleo da vida. A fonte secreta da vida estava agora escondida nas profundezas da Terra (Útero da Deusa). Os seres humanos agora nascem dela, se alimentam dela e são acolhidos por ela.

As inumeráveis formas de cerâmica neolítica revelam o alcance imaginativo dos povos, que refletiam sobre o mistério do nascimento associando-o ao mais amplo mistério do nascimento de toda a vida mediante o "Corpo" da Deusa. As imagens da Deusa a mostram como o portal ou umbral através da qual penetra vida ou abandona esse mundo.

Toda a Grande Mãe, segundo Carl Jung, personifica o nosso inconsciente, portanto, um aspecto gerador, protetor e positivo, apesar do seu lado devorador e negativo. Todo o tipo de medo, como o medo da morte, do desconhecido, do novo, está ligado ao medo do inconsciente. O inconsciente, como a Grande Mãe, é a fonte primordial da criação, mas se o fascínio dela for forte demais, ela é o poder oculto que, em certas ocasiões, impede o livre desenvolvimento da comunicação normal. Mas, se encararmos essa realidade básica, podemos desistir de sermos tão agradáveis aos imperativos ideais do mundo patriarcal e atingirmos uma base sólida, de onde tudo isso parece irrelevante.

A DIFUSÃO DA DEUSA NEGRA

Dos tempos pré-históricos, em torno de trinta mil anos antes da era cristã, provém a Vênus negra de Lespugue, entalhada numa presa de mamute, agora preservada no Musée de l"Homme, em Paris. Por ser anterior a uma época em que não existia conhecimento algum de agricultura, ela é mais do que Terra, ela é a própria Vida.

Em Tindari, na costa do Mediterrâneo no leste da Sicília, uma estátua negra da Nossa Senhora possui a inscrição: "nigra sum sed formoso", ou seja, "Sou negra, porém formosa",do Cântico de Salomão 1,5. A Virgem Negra também é encontrada na França, na Espanha, na Suíça e na Polônia. Não poderia portanto ser essa Nossa Senhora negra a mais antiga das imagens da Deusa?

Há historiadores que postulam que da figura da Deusa Negra procedem todas as demais.Apesar de que a humanidade surgiu no noroeste da África, é possível que os temas dominantes que se repetem nos mitos e nos rituais de todo o mundo só se desenvolveram quando os povoadores já haviam trasladado à outras regiões.

Historiadores negros do século XX, como John G. Jackson, afirmam que os povos africanos da costa foram consumados marinheiros e exploradores que levaram à Ásia, Europa, América e Oceania a cultura matriarcal da Deusa. Portanto, as virgens negras presentes na Europa, que são interpretadas como representantes da "lua escura" ou ainda, uma "escura faceta" psicológica da Deusa, não são mais do que vestígios da época em a Deusa era realmente negra.

É inegável a vastíssima contribuição da cultura africana na cultura, na religião e nos costumes aqui do Brasil. Nada mais fácil sentir esse contribuição no que tange as religiões que hoje são afro-brasileiras. Deusas como Iemanjá, Iansã, Oxum, Nanã entre muitas outras também importantes, são muito populares em nosso meio, mas sempre é bom acrescentarmos um pouco mais de conhecimento sobre elas.

Sem nos atermos em questionamentos religiosos, essas Deusas Mães, estão presentes e ativas em nossas vidas, para não nos deixar esquecer que o melhor dos caminhos é o do coração e o da fé. Todas elas simbolizam a força maior, a fagulha divina dentro de nós, a energia que flui nos próprios processos da vida e do viver. Esse conceito da Deusa como processo de vida conduz a outro aspecto da espiritualidade feminina contemporânea, observado entre muitos grupos e indivíduos. Trata-se do sentido da conexão direta com a vida. Muitos são os que pensam que não estamos no topo da natureza, e sim, "somos" a natureza. Esse senso de Unidade, aflora constantemente em conversas e escritos. Isso nos ajuda a compreender que aquilo que poderíamos considerar simplesmente como compaixão ou apoio ou simpatia é o resultado do sentir, intuitivo, dessa ligação direta com a unidade. Essa sensação de Unidade com toda a vida leva muitas mulheres, de forma bastante natural, a uma compreensão direta do motivo pelo qual o sexismo, o racismo e outros "ismos" que criam uma sensação de separação, de "nós e os outros", realmente não fazem sentido.


segunda-feira, 18 de maio de 2020

LOGUNEDÉ

Sem sombra de dúvida Logunedé é depois do orixá Bará o orixá que carrega consigo mais preconceitos e falta de conhecimento por parte dos adeptos e iniciados no culto.
Logunedé é tido como andrógeno, patrono dos homossexuais, orixá iorubano, tendo como elemento terra e água dominando rios, cachoeiras e matas.
É considerado orixá "métametá", em ioruba, méta significa "três" e métametá traduz-se a melhor guiza como: três ao mesmo tempo.
Apesar da sua história, é preciso esclarecer que Logunedé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um Orixá do sexo masculino.
A sua dualidade dá-se à nível de manifestação de energia comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum, e em outras, sério e solitário como Odé.
Logunedé congregando a natureza do pai: Odé Erinlè e da mãe Oxum Opandá e congregando a natureza sua, própria.
Um encantador, realizador de prodígios, protetor dos navegantes de água doce, caçadores e protetor dos amores duradouros.
Grande feiticeiro.
Veste saiote amarelo e um pano [ojá] azul-turquesa amarrado ao ombro, cruzado com outro cor branca, também pode usar na cabeça um capacete dourado com plumas azul, amarela, branca e verde. Lógico que a forma de manifestação varia muito considerando a região, cultura e educação dos zeladores, a maneira colocada acima é folclórica, tradicional e repassada a título de conhecimento geral.
Usa damatá e abebé de latão, carrega couraça, capanga e um berrante.
Suas contas são de miçangas leitosas.
AZUIS: mistério, prudência, respeito aos mais velhos.
AMARELO: luz da riqueza.
VERDE: alegria, prudência.
BRANCA: temperança, paciência.
Sua influência é marcante, mistura jovialidade e irresponsabilidade.
Logunedé sabe ser rude e doce ao mesmo tempo.

Logunedé, também é um guerreiro entre os orixás.
Surge como divindade dentro do runcó, camarinha, onde é feito a junção Odé com Oxum, passando este a ser mensageiro e protetor dos dotes de Oxum.
Caçador habilidoso, em terra firme se alimenta de caça e, submerso se alimenta de peixe.
É portanto, uma divindade que domina o poder da mutação e transforma-se no que quiser.
Simultaneamente caçador e pescador, Logunedé é o herdeiro dos axés de Oxum e Odé que se fundem e se mesclam como mistério da criação, trata-se de um orixá que tem a graça, a meiguice e a faceirice de Oxum e à expansão, firmeza e paciência de Odé.
Se Oxum confere a Logunedé axés sobre a sexualidade, a maternidade, a pesca e a prosperidade, Odé lhe passa os axés da fartura, da caça, da habilidade, do conhecimento, e também da resignação, para isso lembramos o dito popular: um dia da caça e outra do caçador... desesperar, por que?
Essa característica de unir o feminino de Oxum ao masculino de Odé, muitas vezes o leva a ser representado como uma criança, um menino pequeno ou adolescente, formando mais uma trindade sagrada na História das religiões.
Com Logunedé, completa-se o triângulo iorubá pai, mãe e filho, egípcia Ísis, Osíris e Hórus, hindu, e tantas outras da antiguidade e que também se repete na trilogia católica, Pai, Mãe e Espírito Santo.
De culto diferenciado, é um Orixá de extremo bom gosto.
Seus objetos devem permanecer junto aos assentos de Oxum ou Odé, dependendo de sua feitura, e sempre quando agradado devemos agradar sua mãe.
Tem predileção ao dourado, é um Orixá muito vaidoso, é considerado o mais elegante de todos.

Mitologia
Logunedé, Logun Edé, lógunèdè, Ólòlún Ode, é o orixá da riqueza e da fartura, filho de Oxum e Odé, deus da guerra e da água.
É, sem dúvida, um dos mais bonitos orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das principais características dos seus pais.
Quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade
Apesar de sua história, é preciso esclarecer que Logun Edé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade se dá em nível comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum e em outras, sério e solitário como Odé.

Logunedé é um orixá de contradições, nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do inesperado.
No entanto, existem outras versões acerca de sua filiação. Se na maioria dos mitos, Logunedé surge como filho de Oxum e Odé, tendo ele três irmãos: Odé Ifá, ligado ao ar, afilhado de Oxalá; Odé Issambô, ligado às plantas, afilhado de Ossaim e Odé Ilê, afilhado de Bará, em outros mitos, um pouco mais raros, aparece como filho de Ogun e Iansã.
Há, ainda, histórias que contam a lenda de Logunedé como filho desses quatro Orixás, apresentando-o como uma representação dos Orixás gêmeos, Ibeji.
Na Nigéria, a cidade de Logunedé chama-se Ilesa e é uma das mais ricas e prósperas da África, mas o seu culto na região está em via de extinção. Para recuperar um pouco de sua história é preciso voltar à sua cidade, onde encontram-se seu palácio e seus principais sacerdotes.

Na África negra, dizem que Logunedé seria na verdade Ólòlún Ode, o guerreiro caçador, o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de Oxóssi.
E se observarmos a cantiga de Odé, veremos que expressão Omo odé, ou seja, filho do caçador, é constante, podendo interferir na lógica nas histórias contadas pelos africanos.
Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé
O filho do caçador é o senhor,
Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé.
O filho o caçador é o senhor.

Todavia, não podemos desconsiderar o processo cultural que deu origem ao Candomblé e as diferenças fundamentais que existem entre os cultos aos orixás no Brasil e na África.
O Candomblé atual no Brasil, é um resumo de toda a África mística.
Muitos deuses que na África mantinham a sua autonomia, no Brasil foram reunidos em um único orixá e divididos em diversas qualidades.

Oxum Yéyé Ipondá e Odé Erinlé são, respectivamente, as qualidades de Oxum e Odé que se consideram os pais de Logunedé.
Há quem diga na África que Logunedé é, na verdade, uma altiva versão masculina da própria Oxum:
Lógunèdé? Òsun ni!
Logunedé? Ele é Oxum!
Quanto a ligação dele com Odé temos:

Silêncio!
Permaneçam em silêncio,
Ele é o caçador.
Senhor orixá afogue-me, não me fira,
Afogue-me com o entendimento do culto,
Orixá caçador das florestas.
Aquele que só usa uma flecha
E que jamais erra.
Somos filhos de Erinlé,
Somos filhos daquele que mata a caça.
Caçador das florestas
Que foi o primeiro a obter riquezas,
O primeiro a tornar-se rico,
Pai, caçador das florestas,
Seu arco e sua flecha
Originam-se da mais alta tradição.

A história revela que Odé, feliz pelo filho vindouro, declarou a Oxum o seu amor e pediu a ela posse do menino:
-Oxum, por amor a você, quero que Logunedé fique comigo, vou ensiná-lo a caçar. Comigo ele aprenderá os segredo da floresta.

Mas Oxum também amava Logunedé e por maior que fosse seu amor por Odé ela não poderia separar-se de seu filho.
Obatalá interferiu declarando :

- Logunedé viverá seis meses com sua mãe e seis meses com o seu pai, comerá do peixe e da caça.
De Oxum, sua mãe, Logunedé herdou o lado belo e vaidoso, pois Oxum lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada.
De Erinlé, seu pai, herdou o dom da caça pois Erinlé é da família dos Odé e seu símbolo é o ofá, a lança de caça e o ogue.
Mas se, em várias tradições, ele é considerado um orixá masculino, em algumas é confundido com a homossexualidade ou a bissexualidade, o que ocorre quando se interpreta ao pé da letra o mito que afirma viver Logunedé seis meses como homem e seis meses como mulher.

Logunedé está encantado nos pequenos animais, como o coelho, o porquinho-da-índia e os pequenos pássaros, no mato baixo, nas matas pouco densas e principalmente nos rios, sua morada predileta.
Está ligado às artes de pintar, esculpir, escrever, dançar, cantar como o seu pai Odé e ligado ao banho, pois também é filho de Oxum, deusas das águas doces.
Existem templos para Logunedé em Ilesa, seu lugar de origem, onde em alguns itans é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada a de um leopardo. Casado com três esposas.

ARQUÉTIPO
As características dos filhos e filhas de Logunedé é marcada por eles se sentirem presos numa armadilha do destino como mostra as diversas lendas.
São extremamente sensíveis a dor e ao sofrimento, que lhes dão, a sensação de que o mundo está de cabeça para baixo ou pernas para o ar.
Os filhos de Logunedé embora façam amigos com facilidades, não se envolvem profundamente com eles.
Podem ser masculinos ou femininos, eles sentem grande orgulho de sua beleza, de seu corpo.
Trato social fácil, bem humorados, calmos, educados.
Ambiciosos, dão muito valor ao conforto material.
Tendem a paixão pelo debate, e as vezes falam e discutem sem parar, principalmente sobre coisas que lhes agradam.
Mas não raro precisam se isolar, interiorizar-se.
Nessa fase, seu interesse pelo ocultismo e pela religião se sobressai.
Otimistas os filhos de Logunedé perseguem seus objetivos com precisão e procuram gastar energia em coisas que gostam.
Mas são como camaleão, costumam mudar de personalidade e de atitudes como quem muda de roupa.
Traços físicos harmoniosos, estatura mediana a alta, cabeça bem feita, rosto oval proporcional ao corpo, olhos de gato, que atraem e repelem ao mesmo tempo, nariz bem feito, bons dentes, voz agradável, tendência a engordar.
São pessoas de extremo charme e carisma, possuindo muitos amigos e admiradores.
Sentem imensa compaixão pelas pessoas que sofrem, sempre tentando ajudá-las.
A sinceridade é a maior virtude, porém irritam-se com muita facilidade.
Basta serem contrariados e sua fúria aparece, muitas vezes perdendo o controle de suas ações, custando muito a se acalmarem.
São perfeccionistas, querendo tudo ao seu modo. Não admitem erros de outras pessoas.
Agem por impulso, aproveitando ao máximo tudo o que a vida lhes oferece.
São muito curiosos e espertos. Geralmente, quando crianças, adoram desmontar seus brinquedos para ver como são feitos.
Na fase adulta, têm o dom de captar o íntimo das pessoas.
Os filhos de Logunedé têm muito interesse em aprender e viver novas experiências, assim como o orixá, adaptam-se a todo tipo de ambiente e sabem como agir em cada situação.
Machucam-se com facilidade as extremidades, mãos, pés e cabeça.
Desembaraçados, move-se com graça, elegância e refinamento.
Ciumentos e sedutores chamam a atenção de qualquer um. Super imaginativo destacam-se nas artes em geral, como música, teatro e dança.
São admirados por sua suavidade, inteligência e sensibilidade.
Estão sempre elogiando as pessoas e cercado de bons amigos.
Realmente sabem viver e aproveitar a vida, também disposto a deixarem que os outros vivam.
Estão sempre de bom astral, otimismo é a sua palavra chave.
Vontade firme e autoconfiança quase narcisista.
Embora possam assumir exteriormente um ar de indiferença às opiniões dos outros, na verdade se sentem abalados quando criticados.
São ternos com seus entes, mas poderão ser impiedosos com estranhos.
Apreciam o conforto material e colocarão seus desejos em primeiro lugar.
Ambiciosos, sempre alcançam seus objetivos.
Tem certa facilidade em aprender qualquer coisa e tendência a falar mais de um idioma.
Ser incomodado é algo que os aborrece, pois são atenciosos, modestos, corteses e gostam que os outros sejam assim também.
Detestam que conversem em tom alto ou digam grosserias. Sempre se esforçam para serem delicados, mesmo com o seu pior inimigo.


Títulos

EDÈ APANAN - Come com Bará e Odé. Seus fundamentos estão em sua mãe de criação, Onira, sem ela Logunedé não caminha.
EDÈ LOKÓ - Tem fundamento com Baraaá.

ORIKIS

Orikis ou itãs (Itans) são orações faladas e não cantadas. Ori (Cabeça) Kì (Saudação).... São formas poéticas de agradar e reconhecer a potencialidade do orixá conforme sua essência.
Ganagana bi ninu elomi ninu
Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente
A se okùn soro èsinsin
É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga
Tima li ehin yeye re
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe
Okansoso gudugu
Ele é sozinho, ele é muito bonito
Oda di ohùn
Até a voz dele é agradável
O ko ele pé li aiya
Não se coloca as mãos sobre o seu peito
Ala aiya rere fi owó kan
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas
Ajoji de órun idi agban
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro
Ajongolo Okunrin
Homem esbelto
Apari o kilo òkò tímotímo
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente
O ri gbá té sùn li egan
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta
O tó bi won ti ji re re
Acordá-lo bem é o suficiente
A ri gbamu ojiji
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Okansoso Orunmila a wa kan mà dahun
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
O je oruko bi Soponna /
Ele tem um nome como Soponna /
Soro pe on Soponna e nià hun
É difícil alguém mau chamar-se Soponna
Odulugbese gun ogi órun
Devedor que faz pouco caso
Odolugbese arin here here
Devedor que anda rebolando displicentemente
Olori buruku o fi ori já igi odiolodi
Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça
O fi igbegbe lù igi Ijebu
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu
O fi igbegbe lú gbegbe meje
Ele quebrou sete papos com o seu papo
Orogun olu gbegbe o fun oya li o
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)
Odelesirin ni ki o wá on sila kerepa
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada
Agbopa sùn kakaka
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente
Oda bi odundun
Ele é fresco como a folha de odundun
Jojo bi agbo
Altivo como o carneiro
Elewa ejela
Pessoa amável anteontem
O gbewo li ogun o da ara nu bi ole
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso
O gbewo li ogun o kan omo aje niku
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos
A li bilibi ilebe
Ele veste boas roupas
O ti igi soro soro o fibu oju adiju
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro
Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão
O já ile onile bó ti re lehin
Ele destroi a casa de um outro e com o material cobre a sua
A li oju tiri tiri
Ele tem olhos muito aguçados
O rí saka aje o dì lebe
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa
O je owú baludi
Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente
O kó koriko lehin
Ele recolhe as ervas atrás
O kó araman lehin
Ele recolhe as ervas atrás
O se hupa hupa li ode olode lo
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro
Òjo pá gbodogi ró woro woro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído
O pà oruru si ile odikeji
Ele mata o malfeitor na casa de um outro
O kó ara si ile ibi ati nyimusi
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz
Ole yo li ero
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes
O dara de eyin oju
Ele é belo até nos olhos
Okunrin sembeluju
Homem muito belo
Ogbe gururu si obè olori
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe
A mò ona oko ko n ló
Ele conhece o caminho runsun redenreden
A mo ona runsun rdenreden
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá
O duro ti olobi kò rà je
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer
Rere gbe adie ti on ti iye
O gavião pega o frango com as penas
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /
O bá enia jà o rerin sún
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente
O se adibo o rin ngoro yo
Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu
Ogola okun kò ka olugege li òrùn
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo
Olugege jeun si okurú ofun
O papudo come no inchaço de sua garganta
O já gebe si orún eni li oni
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui
O dahun agan li ohun kankan
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis
O kun nukuwa ninu rere
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça
Ale rese owuro rese / Ere meji be rese
Duas vezes assim coisa sagrada
Koro bi eni lo
Rápido como alguém que parte
Arieri ewo ala
A proibição do pássaro branco é o pano branco
Ala opa fari
Ele mexe os braços fantasiosamente
Oko Ahotomi
Marido de Ahotomi
Oko Fegbejoloro
Marido de Fegbejoloro
Oko Onikunoro
Marido de Onikunoro
Oko Adapatila
Marido de Adapatila
Soso li owuro o ji gini mu òrún
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço
Rederede fe o ja kùnle ki agbo
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro
Oko Ameri èru jeje oko Ameri
Marido de Ameri que dá medo
Ekùn o bi awo fini
Leopardo de pele bonita
Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade
O wi be se be
Assim ele diz e assim ele faz
Sakoto abi ara fini
Orgulhoso que possui um corpo muito belo.


FRASE DE IMPACTO: Ològún , fihòn awo / Funfun lóni,ni òla / Ó yióó filhòn dúdú .> Logun, mostra a pele que desejar, se mostrar pele clara hoje, amanhã mostrará pele escura.

AFINIDADE > Comunicação, inteligência, comércio, artes.
ANIMAL > Peixe, raposa.
ANIMAL VOTIVO > Camaleão e pavão.
ARQUÉTIPO > Altruístas, abnegados, sinceros, simpáticos, tensos, austeros, possuem senso de coletividade, calmos, desprendidos, inconstantes, vaidoso e sonhadores.
ASTRO > Mercúrio.
ATIVIDADE > Caça e Pesca.
COMIDA > Odá, tatu, angolista, peixe, axoxó, omulucum, mandioca assada .
COR > Azul turquesa e o amarelo ouro.
DATA > 19 de abril.
DIA DA SEMANA > Quinta e sexta-feira.
DOENÇAS > Raquitismo, enxaqueca.
DOMÍNIOS > Riqueza, fartura e beleza.
ELEMENTO > Água -, terra+.
EMBLEMA > Ofá e abebé, cinco flechas em um mesmo arco que apontam para cima e oito folhas variadas.
FERRAMENTA > ofá em metal amarelo ogê ,um tipo de chifre de boi que é usado para emitir um som chamado Olugboohun , cuja tradução é O Senhor escuta minha voz, o Iru Kere ,cetro com rabo de cavalo, boi ou búfalo, que ele usa para manejar os espíritos da floresta.
FLORES > Lírios, rosas amarelas, palma, girassol e todas as flores miudinhas.
FOLHAS > Oripepê e todas as folhas de Odé e Oxum.
FRUTA > Melão, laranja, coco, ameixa amarela, manga, banana-maçã, mamão.
METAL > Cobre, ouro, latão, mercúrio, bronze .
NATUREZA > Instável, oscilante, dual.
NÚMERO > 04, 08, 16.
ODU QUE REGE > Obará e Osé.
PARTE DO CORPO > Aparelho respiratório, genital e nervoso, antebraço, braço, cabelo do corpo e pulmão, todo o rosto, o baixo ventre, o baço, às vezes o coração; patrono do ventre, da terceira visão e da circulação sangüínea.
PEDRAS > Topázio e turquesa.

PERFUME > Lavanda.
PLANTA > Salsa, malva, lavanda, verbena e as mesmas de Odé e Oxum.
REGIÃO DA ÁFRICA > Ilesá.
REPRESENTAÇÃO > Cavalo marinho.
SAUDAÇÃO > Logun ô akofá! ou Loci loci Logun!
SINCRETISMO > São Miguel Arcanjo.
SÍMBOLOS> Balança, ofá, abebè e cavalo-marinho.
TOQUE > Jexá e barravento.

JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...