domingo, 2 de junho de 2019

O PIUNGA E A PENA DO SACI

Como eu disse, o Piunga tomou uma das três penas do Saci, quando este se descuidou, e correu para casa, indo esconder aquela pena dentro de sua caixa de tralhas. O Saci tentou alcançá-lo, mas a aproximação de Serafim, o Fimfim do Piunga, afastou-o.
Uma semana se passou sem que o garoto encantado voltasse a dar as caras. Enquanto isto, meu maninho continuava grudado no Serafim, que lhe enchia a cabecinha com as histórias do interior do Brasil. Mamãe não gostava muito daquilo, pois o Piunga passou a viver com a cabeça no mundo da Lua, como dizia ela. Mas as histórias tornavam meu maninho muito criativo. Ele não dava nenhuma bola para o computador nem para a internet. Adorava muito mais ouvir as histórias do Serafim, principalmente à noite, quando deitava sua cabecinha no colo do matuto para ouvi-lo contar as histórias. Piunga olhava para o céu estrelado e dormia ouvindo seu Fimfim narrando contos de príncipes e princesas. Laís e eu também gostávamos muito daquelas histórias e não dispensávamos os contos no início da noite. Papai sempre levava o Piunga para sua caminha depois que ele roncava firme agarrado num sonho qualquer que a internet jamais lhe daria.
Naquela noite a Laís acordou com alguma coisa estranha dentro do quarto. Ergueu-se atenta e ficou prestando atenção  nas sombras que pareciam mover-se à luz fraca e fantasmagórica da lua que entrava pela janela aberta. Sim, alguma coisa estava ali dentro. Laís abriu o mosquiteiro e desceu da cama, cautelosa. Podia ser alguma cobra que entrara sorrateira no seu quarto e minha irmã tinha um medo danado de cobras. Pegando a lanterna ela vasculhou o chão do quarto, mas não viu nada de anormal. Então, pé-ante-pé foi até à janela e ali deu de cara com o Saci. Ele estava pitando um cigarro de palha e segurava na outra mão uma das bonecas da mana. Justamente a Barbie pela qual ela era apaixonada.
– Hei, quem é você, moleque? – Estrilou a Laís, esquecendo-se do medo e tentando tomar das mãos do Saci sua boneca predileta.
– Me dá minha boneca, seu peste. Não sabe que é feio roubar? Pior ainda: não sabe que não se deve entrar no quarto de alguém sem licença para isto? Dá cá minha boneca, diabo!
Todos os esforços da mana foram inúteis, pois o Saci era bem mais rápido que ela. Ele saltou da janela e lhe gritou:
– Vem cá! Se conseguir me alcançar eu lhe dou sua boneca. Vem, quero ver se é capaz de me pegar!
A Laís era bem maior que o Saci e pensou que seria fácil agarrar o menino arteiro. Sem pensar duas vezes, saltou a janela e correu atrás do encantado. E correu, e correu e correu até se sentir cansada. Foi então que viu que estava muito longe de casa. Estava dentro de uma estranha mata, muito verde, muito densa… E se lembrou do que o Piunga tinha contado sobre a mata encantada do Saci, quando lá estivera. Seu coração disparou e a mana tentou voltar por onde tinha vindo, mas o caminho havia desaparecido. Laís gritou por mamãe, por papai, por mim, pelo Chico, pelo Fimfim e não recebeu nenhuma resposta. Com o coração aos pulos mergulhou no cipoal buscando uma saída, mas quanto mais andava, mais se enroscava nos cipós.
Desesperada, Laís começou a chorar.
O dia  amanheceu e todos estranhamos a ausência da mana na mesa do café matinal. Mamãe comentou, preocupada:
– Será que minha filha passou mal?
– Por que pergunta isto? – estranhou papai, sustando o pedaço de bolo que levava à boca.
–  Laís sempre foi gulosa e sempre foi a primeira a se sentar à mesa, pela manhã. Não é estranho que até agora não tenha vindo ter conosco?
– Vai lá no quarto ver se ela está sentindo alguma coisa – Sugeriu papai e mamãe não esperou que ele repetisse a sugestão. Mas  não demorou a retornar com ar alarmado.
– Álvaro, nossa filha não  está no quarto. Ela não é de sair assim, sem tomar o desjejum.
Papai gritou pelo Serafim e lhe contou que Laís tinha saído muito cedo. Pediu-lhe que desse uma volta pelas redondezas para descobrir seu paradeiro. Mamãe, agoniada, tinha perdido o apetite e eu, também. Só o Piunga e o Chico comeram com vontade. O Chico era um moleque de rua que meus pais tinham adotado quando da aventura do rapto do Piunga. Desde aquele dia que o moleque era como se fosse nosso irmão. Era tão arteiro quanto o Piunga, de quem era companheiro inseparável. Mas tendo sido moleque de rua, não acreditava muito em contos de carochina.  No entanto, desde quando nos tínhamos enrolado com o Lobisomem, que o Piunga chamava de Lobis, que ele andava meio balançado com sua descrença.
Mal  acabaram de sair da mesa e o Piunga puxou  o Chico pelo braço e correu com ele para fora de casa. Quando estavam longe, ele se voltou para seu companheiro e disse:
– Eu sei quem levou a Laís.
– É? E por que não disse isto à sua mãe? Ela está aflita…
– É porque não posso. A culpa foi minha. Eu tomei uma das penas do braço  do Saci. Aí, ele levou a Laís.
– E você viu quando o Saci fez isto?
– Ver, não vi. Mas ouvi a Laís brigando com alguém. Alguém que tinha pegado a boneca da mana. E Laís não é sonâmbula, logo, tinha de estar discutindo com um moleque – foi assim que eu ouvi ela dizer. E quem é moleque aqui, senão o Saci?
– Hum… Acho melhor a gente falar com o Fimfim. Ele vai saber o que…
– Não! O Fimfim, não. Ele vai correndo falar com meus  pais. Eu prefiro que nós dois vamos libertar a Laís.
– Mas Piunga, como é que vamos fazer isto?
– Todos nós temos um anjo de guarda, Chico. Até você tem um. A gente encontra o Saci, ele nos leva para a floresta encantada e nossos anjos de guarda nos ajudam a fugir de lá. Como o meu já fez daquela vez, quando eu queria capturar meu lobis, lembra? Foi meu anjo de guarda que me tirou da floresta encantada.
– Piunga, eu não quero nem saber de floresta encantada. Estou muito bem aqui…
O redemoinho chegou de surpresa e o moleque Saci saltou dele rapidinho. Chico arregalou os olhos. O garoto encantado não era nada parecido com aquele que lhe tinham descrito, lá nas ruas de Sampa. Não era preto. Não fumava cachimbo. Não tinha barrete vermelho na cabeça. Não tinha uma só perna nem tinha o pé para trás. Era normal. Normalíssimo. Um menino simpático, só com um olhar maldoso na face. No resto, era igualzinho a qualquer molecote índio.
– CADÊ MINHA IRMÃ! – Gritou o Piunga tão logo viu o Saci.
– E eu sei lá! – Respondeu o garoto maroto, dando de ombros e se afastando de meu mano que tentava segurá-lo.
– Sabe, sim. Eu vi quando você esteve aqui ontem à noite e pegou a boneca dela. Anda, devolve a Laís.
– Vai devolver minha pena?
–  Não!
– Então, fica sem sua irmã.
Naquele momento o Serafim se aproximou. O Saci sentiu  seus passos e sumiu dentro do redemoinho. Mal o pé-de-vento se foi, e o Fimfim  chegou  até os dois traquinas.
– Quem estava aqui cum vancês?
– O Saci – gritou o Chico, afobado, para contrariedade do Piunga.
– Vancê  o viu? – Perguntou  o Serafim, desconfiado.
– Vi, sim. E ele não é nada do que eu pensava, Fimfim.
– Eu sei, eu sei. E… Ele tá co’ a minina Laís, nun tá?
–  Tá, sim, tá sim – gritou o  Chico, recebendo um pisão no pé, dado pelo  Piunga que o olhava com raiva.
– Ih! – Exclamou  Serafim, levando a mão à carapinha branca. – Num vai sê fáci dá a nutíça aos pais de vancês. 
– Não vai falar nada com eles, Fimfim – gritou Piunga, adiantando-se ao Chico. – Eu vou buscar a Laís lá na floresta encantada. Prometo.
– Ô minino, num se brinca com o muleque Saci, nhor não. Ele pode…
– Eu  sei o que ele pode, Fimfim. Já estive lá na floresta dele, se esqueceu? E voltei. Mesmo que digam que ninguém volta de lá, eu voltei. E vou fazer a Laís voltar também, com a ajuda do Chico.
– Minha ajuda uma ova!!! – gritou o Chico recuando para se distanciar do mano. – Eu já  disse que não  quero nada com  o tal de Saci. E depois do que vi aqui é que quero mais distância dele. Não conta comigo, não, Piunga. Eu acho melhor a gente ir contar aos seus pais.  Eles saberão o que fazer. Afinal,  são gente grande.
– Gente grande é burra, Chico. Eles não  sabem  nada de gente encantada. Nós  é que devemos ir atrás da Laís e você vai comigo. Não se discute… 
Naquele momento o pé-de-vento voltou e antes que alguém pudesse fazer alguma coisa envolveu o Chico num funil de poeira. Quando passou, o nosso moleque de rua tinha sumido…



UMBANDA...

A Umbanda acredita que os Orixás não tiveram vida corpórea na terra; mas são a representação da energia, força oriunda da natureza, e é tal força que auxilia os seres humanos nas dificuldades do dia a dia. Na Umbanda, os orixás também não incorporam (diferentemente do Candomblé), o que se vê é a manifestação dos Falangeiros dos Orixás, que são os Guias ou Entidades que trabalham sob ordens de um determinado Orixá. Cada pessoa recebe a influência de um Orixá, que será seu protetor por toda a vida.

OXALÁ
Oxalá é o maior Orixá da Umbanda, estando abaixo apenas de Olorum, Deus Supremo. Foi criado a partir do ar, que havia no início dos tempos, e das primeiras águas, pelo mesmo Deus Supremo, Olorum. Representado por uma estrela de cinco pontas, é sincretizado como Jesus Cristo e representa a paz e a fé. Na umbanda, sua tarefa foi a de criação do ser humano. Ele envia vibrações que estimulam a fé individual, assim como irradiações que geram sentimentos de religiosidade. É aquele que determina o fim da vida de cada ser humano, é o momento de partir em paz. Representa o amor, bondade, pureza espiritual, e tudo aquilo que indica positividade.

FILHOS DE OXALÁ
Os filhos deste orixá são pessoas responsáveis, calmas, tranquilas, até mesmo nos momentos mais difíceis. São pessoas amáveis e pensativas. Marcam sua presença por onde passam, pois possuem a aura de autoridade e poder de Oxalá.

Cores: branco e cristalino
Habitat: praia deserta ou colina
Data comemorativa: 25 de dezembro
Dia da semana: sexta-feira
Ervas: Camomila, Cravo, Coentro, Arruda, Erva Cidreira, dentre outras
Signo: Aquário
Cores da Guia: contas brancas, leitosas ou de cristal
Saudação: Êpa Êpa Babá!

OXUM
Pedras CachoeiraPedras Cachoeira Oxum é a Orixá que domina as mulheres, orixá da fertilidade, do amor e do ouro. Protetora das gestantes e da juventude, é a senhora das águas doces. Representa a beleza e a pureza, a moral e o modelo de mãe. Muitas vezes é evocada em prol da limpeza fluídica dos seguidores e do ambiente dos templos. Segundo a Umbanda, ela é o exemplo de mãe que nunca desampara seus filhos e ajuda a qualquer pessoa.

FILHOS DE OXUM
Os filhos de Oxum amam espelhos (a figura de Oxum carrega um espelho na mão), jóias, ouro e se mostram sempre de forma impecável. Tratam as pessoas com um carinho maternal e são muito sentimentais e românticos. O próprio lar é o lugar preferido dos filhos de Oxum.
Cores: azul ou amarelo ouro
Habitat: cachoeira, rios e lagos
Data comemorativa: 08 de dezembro
Dia da semana: sábado
Ervas: Camomila, Gengibre, Erva Cidreira, dentre outras
Signo: Câncer
Cores da Guia: contas de cristal azul claro
Saudação: Ora iêiê ô!

OGUM
Ogum ClipartOrixá guerreiro, Ogum é aquele que representa todas as batalhas da vida. Representado por São Jorge, é o orixá protetor contra as guerras e contra diversas demandas espirituais; Ogum é a força do movimento. É ele quem protege os seguidores da Umbanda e as pessoas que sofrem perseguições espirituais ou materiais. Ogum também é o senhor das estradas, é a jornada do dia a dia e sua responsabilidade é a manutenção da lei e da ordem.

FILHOS DE OGUM
Os filhos de Ogum geralmente não se mantem fixos em apenas um lugar, portando gostam de viagens, do novo, de mudanças. Apreciam a tecnologia, são curiosos e resistentes. Cheios de vontade, podem ser violentos. Sabem dar respostas de prontidão e tem grande capacidade de concentração. Coragem e franqueza são características absolutas.

Cores: vermelho e branco
Habitat: mata fechada
Data comemorativa: 23 de abril
Dia da semana: terça-feira
Ervas: Aroeira, Como Ninguém Pode, Espada de São Jorge, dentre outras
Signo: Áries
Cores da Guia: contas vermelhas
Saudação: Ogunhê!

IEMANJÁ
Orixá mais popular do Brasil, a rainha do mar é a mãe de todos os Orixás, é o trono feminino da geração, a protetora dos marinheiros, pescadores, das viagens pelo mar, e também sobre toda a flora e fauna marinhas. E além disso, atua no amparo à maternidade, rege de forma absoluta o lar e a família. Dona dos mares e oceanos, águas essas que, através de sua força, tem o papel de devolver vibrações e trabalhos, pois creem que o mar devolve tudo que nele for jogado e vibrado.

FILHOS DE IEMANJÁ
Maternais e impotentes, os filhos de Iemanjá são pessoas dignas, majestosas e fecundas. Não perdoam facilmente uma ofensa, e quando perdoam, nunca esquecem. Com o rigor de uma mãe, às vezes podem parecer arrogantes. Apreciam ambientes confortáveis e mesmo quando pobres, mantem um certo nível de sofisticação em seus lares. Amizade e companheirismo são características fundamentais.

Cores: azul claro, branco e prata
Habitat: calunga grande (mar)
Data comemorativa: 15 de agosto
Dia da semana: sexta-feira
Ervas: Trevo, Pata de Vaca, Erva Quaresma, dentre outras
Signo: Peixes
Cores da Guia: contas brancas e azul claras ou transparentes
Saudação: Odoiá!

XANGÔ
Xangô é o Orixá da justiça e da sabedoria, simboliza a lei de causa e efeito, responsável a dar a quem merece o devido castigo e a vitória aos que foram injustiçados. É quem dá solução às pendências. A maioria dos seguidores que recorrem ao Xangô são os que sofrem de injustiças, perseguições espirituais e materiais. Desse Orixá, emanam também o saber e a autoridade, é o protetor de todos que tem contato com as práticas da lei.

FILHOS DE XANGÔ
Teimosos, impulsivos e conquistadores, os filhos de Xangô dificilmente aceitam opiniões contrárias às suas e estão sempre fazendo seus julgamentos e executando suas leis. São voluntariosos, enérgicos e possuem uma elevada autoestima. São conscientes de sua importância e suas opiniões serão decisivas em qualquer discussão.


Cores: marrom
Habitat: pedreiras, grutas de pedras
Data comemorativa: 30 de setembro
Dia da semana: quarta-feira
Ervas: Folhas de Mangueira, Erva Lírio, Folhas de Limoeira, Folhas de Café, dentre outras
Signo: Leão
Cores da Guia: contas marrons
Saudação: Caô Cabecilê!

IANSÃ
Iansã é a Orixá dos ventos e das tempestades. Rainha dos raios, é responsável pelas transformações e pelo combate à feitiçarias feitas aos seus seguidores. Guerreira, é conhecida também como guardiã dos mortos, pois exerce domínio sobre os eguns. A força de sua magia afasta todas as influências do mal e negativas, pois tem o poder de anular os males e cargas de enfeitiçamento.

FILHOS DE IANSÃ
Cores: amarelo-ouro
Habitat: bambuzal
Data comemorativa: 04 de dezembro
Dia da semana: quarta-feira
Ervas: Erva de Santa Bárbara, Cordão de Frade, Açúcena, Folhas de Rosa Branca, dentre outras
Signo: Sagitário
Cores da Guia: contas amarelas
Saudação: Eparrei Oyá!

OXOSSI
Oxossi é o Orixá conhecido como senhor dos caboclos e das matas. É o caçador de almas de homens e dele emana altivez. Encoraja e dá segurança a todos seus seguidores; protetor dos animais, é conhecido por aliar sua grande força com o bom senso. Assim como Ogum, é um lutador, grande guerreiro, está sempre pronto para defender aqueles que se colocam sob sua guarda.

FILHOS DE OXOSSI
Os filhos de Oxossi são pessoas mais fechadas e reservadas. Gostam de apreciar a natureza e geralmente são muito desconfiados, mas quando confiam, são amigos para todos os momentos. São trabalhadores e conseguem manter a mesma expressão, estando felizes ou tristes, pois dificilmente exteriorizam seus sentimentos. São sempre notados, mesmo que não se esforcem para que isso aconteça.


Cores: verde
Habitat: mata fechada
Data comemorativa: 20 de janeiro
Dia da semana: quinta-feira
Ervas: Folhas de Aroeira, Folhas de Samambaia, Folhas de Palmeira, Erva Cidreira, Folhas de Laranjeira, Folhas de Maracujá, Folhas de Abacateiro, dentre outras
Signo: Touro
Cores da Guia: contas verdes
Saudação: Okê Arô!

OMULÚ
Cemitério TúmulosOrixá da saúde, atua sobre os doentes, hospitais e cemitérios. Senhor da morte e das doenças, costuma ser muito temido, porém da mesma forma que traz a doença, ele leva embora também. Muito respeitado, é um orixá exigente e grande feiticeiro. Omulú é a manifestação idosa de Obaluaiê. Os médiuns ao manifestarem a presença de Omulú, se curvam aproximando-se o máximo da terra, do chão. Representa a transformação do ser, morrer para o pequeno e renascer para o grande.

FILHOS DE OMULÚ
Os filhos de Omulú são pessimistas, autodestrutivos, fechados e até desajeitados. Costumam exibir seus sofrimentos e dores. Hipocondríacos, possuem forte resistência e prolongam os esforços. Melancólicos, depressivos e amargos, são pessoa solitárias capazes de desanimar até os mais otimistas, porém às vezes podem ser doces. Acreditam que são os únicos que sofrem e que ninguém os compreende. São lentos, porém firmes como rocha e não apresentam grandes ambições.


Cores: preto e branco
Habitat: calunga pequena (cemitério)
Data comemorativa: 16 de agosto
Dia da semana: segunda-feira
Ervas: Alfazema, Babosa, Coentro, Jenipapo, Musgo, dentre outras
Signo: Capricórnio
Cores da Guia: contas pretas e brancas
Saudação: Atotô!

NANÃ
Orixá mais velho do panteão africano, que nenhuma pesquisa conseguiu identificar suas origens. Dona da alma do fundo dos rios, lama esta que serviu para modelar os homens, é misteriosa e também possui forte relação com a morte; pois é o nascimento, a vida e a morte. Nanã é uma expressão que significa “Mãe” em diversos dialetos na África, portanto, Nanã é a mãe do destino.

FILHOS DE NANÃ
Os filhos de Nanã são calmos, gentis, benevolentes e agem como se tivessem a eternidade toda para tal. Tendem a viver do passado, gostam de crianças e gostam de educar com extrema doçura, assim como as avós. São pessoas que, tanto no aspecto físico como no aspecto psicológico aparentam ter mais idade. São teimosas e às vezes podem ser ranzinzas, porém agem com segurança e equilíbrio.


Cores: roxo
Habitat: calunga pequena (cemitério)
Data comemorativa: 26 de julho
Dia da semana: terça-feira
Ervas: Hortência, Folhas de Samambaia, dentre outras
Signo: Escorpião
Cores da Guia: contas roxas
Saudação: Saluba Nanã!



quinta-feira, 30 de maio de 2019

HISTÓRIA DE PAI JOSÉ DE ANGOLA

Em uma prosa informal, Pai José contou sua história com simplicidade, bem típica dele. Aqui está à história deste Preto Velho tão querido, transcrita por mim da maneira mais fiel possível para que todos possam compreender…
Em Angola de 1640 nasceu o Pai Jose de Angola, hoje com 371 anos de “vida”. Em sua cidade natal foi escravizado por volta dos seus 30 anos de idade e trazido ao Brasil nos chamados ‘Navios Negreiros’. 

Nesta longa viajem viu muitos amigos e conhecidos morrerem por doenças ou fraquezas e serem lançados ao mar, mas sua fé nos Orixás era o que o fortalecia. Ao chegar ao Brasil, percebeu que a língua falada aqui era a mesma de sua cidade, o português.

Como era um negro muito sadio e forte, com dentes brancos e bons, foi vendido como escravo para ser um ‘reprodutor’, pois naquela época pensavam que os negros não tinham amor, não tinham sentimentos. E assim foi trabalhar na colheita de café e
cana de açúcar em uma fazenda.

Na senzala encontrou uma linda escrava, Maria Conga, pela qual se apaixonou. Seu romance foi complicado, pois ela trabalhava na casa principal da fazenda, acompanhante da sinhazinha, filha do coronel da fazenda.

Entre o trabalho escravo nas colheitas e ser um escravo reprodutor, teve filhos incontáveis na senzala, alguns permaneceram ao passar dos anos na mesma fazenda, outros morreram ou foram vendidos.

Como sempre foi um escravo que não se conformava com a situação da escravidão porque não se conformava em viver como um animal tentou realizar várias revoluções, mas mudar a cabeça e o pensamento das pessoas sempre foi muito difícil, não tendo sucesso em seus movimentos, ficou marcado pelos capitães do mato e pelo coronel da fazenda onde era escravo.

Os escravos que estavam fracos ou doentes e que tentavam fugir eram lhes dado melancia e leite, o que supostamente faria mal aos escravos e morreriam, mas na verdade era somente uma desculpa para serem mortos pelos capitães do mato.

Mesmo quando alguns escravos conseguiram a Carta de Alforria, Pai José com aproximadamente 70 anos ainda tentou fazer mais uma revolução com filhos e outros negros da fazenda. Desta vez os escravos conseguiram fugir, indo à direção ao tão falado Quilombo de Palmares. Porém, já com a idade avançada não tinha o mesmo pique dos seus filhos que ainda o acompanhavam e os escravos que participaram desta fuga. Em muitos momentos o carregaram para que conseguisse acompanhar a fuga.

Enquanto isso os capitães do mato os perseguiam com cachorros e a cavalo para a captura dos escravos fugitivos, já que os Coronéis para manter sua fama e “estatus” não podiam deixar que qualquer escravo fugisse e/ou escapasse vivo destes feitos.
Pai José pediu aos seus companheiros para seguirem em frente e o deixarem para trás, pois só atrasaria os outros escravos, que seriam capturados e castigados. Esconde-se no meio de algumas pedras (buraco) através de uma fenda. Seu azar foi que tinha pouco tempo e ali também estava escondido um gato. Pai José contou que os escravos naquela época costumavam enganar o faro dos cachorros colocando cinzas em sua volta para enganar o cheiro, mas devido aos fatos, os cachorros acabaram seguindo o gato e seu verdadeiro faro, capturando o escravo na fenda em meio às pedras. Pai José descobriu mais tarde que um escravo capturado havia denunciado seu trajeto de fuga, provavelmente em troca de sua vida. (Pai José não demonstrou rancor ao relatar este fato e nem citou o nome do escravo).

Na fazenda os feitores como castigo, amarraram-no em uma pedra por sete dias e sete noites ao tempo. Seu castigo pela fuga e por acharem que ele era o principal incentivador da revolução e fuga foi muito severo, cortaram pedaços de seu corpo, como dois dedos das mãos e recebeu muitas chibatadas, ficou sem nada para comer ou beber. Os feitores tinham a intenção que o escravo contasse onde estavam escondidos os outros escravos fugitivos. Mesmo com a severa punição, o Preto Velho não desistiu de sua vida nem dedurou os outros escravos, principalmente pela fé em Oxalá, na natureza e pela ajuda de Maria Conga, sua companheira, que nas madrugadas levava para seu querido preto uma ‘canja aguada’ com restos de comida que conseguia na fazenda.

Como os feitores tinham certeza que o escravo era o revolucionário que havia comandado a fuga, com a ordem do ‘sinhozinho’ Pai José foi liberto, para morrer ou com a intenção de que os outros escravos fugitivos o encontrassem, acabando com a fuga e a revolução. Naquela época os feitores precisavam capturar todos os escravos fugitivos vivos ou mortos para mostrar a sociedade e continuar com sua força, fama, liderança e com suas fazendas. Após os escravos fugitivos serem capturados e muitas vezes mortos, seus corpos eram expostos à sociedade e em seguida jogados no manto.

Pai José muito debilitado pelo massacre em seu corpo e pela franqueza, saiu por trás de uma casa muito antiga e em uma emboscada encontrou uma cumbuca cheia de bolachas (ele descreveu-as como as nossas atuais bolachas de natal), como a fome
estava grande, não pensou e as comeu, e cada vez que comia mais uma bolacha queria comer mais, chegou a comer toda a cumbuca (as bolachas estavam envenenadas) e em seguida foi se sentindo muito mal, com dores fortes no peito até que sua respiração parou, findando assim a vida terrena do escravo Pai José de Angola.

No final de nossa prosa, Pai José falou sobre seu nome, disse que naquele tempo não havia nomes diferentes como os de hoje em dia e sim muitos Antônios, Josés e Marias; assim existiam vários escravos com o mesmo nome e o seu é Pai José de Angola.

Disse finalizando e com pressa de “ir embora” que se no passado não existissem os escravos, não teríamos hoje a nossa religião Umbanda.

Pai José de Angola.



HISTÓRIA DE UMA PRINCESA BANTU

CONHEÇA A VIDA DA ESCRAVA ANASTÁCIA


Escrava Anastácia (Pompeu, 12 de maio de 1740, data e local de morte incertos) é uma personalidade religiosa de devoção popular brasileira, adorada informalmente pela realização de supostos milagres. A própria existência da Escrava Anastácia é colocada em dúvida pelos estudiosos do assunto, já que não existem provas materiais da mesma.
seu culto foi iniciado em 1968 (Ano Internacional dos Direitos Humanos decretado pelas Nações Unidas), quando numa exposição da Igreja do Rosário do Rio de Janeiro em homenagem aos 90 anos da Abolição, foi exposto um desenho de Étienne Victor Arago representando uma escrava do século XVIII que usava máscara de ferro (método empregado nas minas de ouro para impedir que os escravos engolissem o metal).
No imaginário popular, a Escrava Anastácia foi sentenciada a usar a máscara por um senhor de escravos despeitado com a recusa de Anastácia em manter relações sexuais com ele. A máscara seria retirada apenas para que ela fizesse as refeições, e a escrava terminou por morrer de maus-tratos, em data ignorada.

 ESCRAVA ANASTÁCIA 

Nos meios que militam as lideranças negras, femininas ou masculinas, é comentado muito sobre quem foi e como teria sido a vida e a história da Escrava Anastácia, que muitas comunidades religiosas afro-brasileiras, particularmente, as ligadas à religião católica apostólica romana, gostariam de propor a sua Santidade, o Papa, para que fosse beatificada ou santificada, dentro dos preceitos e dos ritos canónicos que regem este histórico e delicadíssimo processo.
Pelo pouco que se sabe desta grande mártir negra, que foi uma das inúmeras vítimas do regime de escravidão, no Brasil, em virtude da escassez de dados disponíveis a seu respeito, pode-se dizer, porém, que o seu calvário teve início em 9 de abril de 1740, por ocasião da chegada na Cidade do Rio de Janeiro de um navio negreiro de nome “Madalena”, que vinha da África com carregamento de 112 negros Bantus, originários do Congo, para serem vendidos como escravos nesse País.
Entre esta centena de negros capturados na sua terra natal, vinha, também, toda uma família real, de “Galanga”, que era liderada por um negro, que mais tarde se tornaria famoso, conhecido pelo nome de “Chico-Rei”, em razão da sua ousada atuação no circuito aurífero da região que tinha por centro a Cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Delmira, Mãe de Anastácia, era uma jovem formosa e muito atraente pelos seus encantos pessoais, e, por ser muito jovem, ainda no cais do porto, foi arrematada por uns mil réis. Indefesa, esta donzela acabou por ser violada, ficando grávida de um homem branco, motivo pelo qual Anastácia, a sua filha, possuía “olhos azuis”, cujo nascimento se verificou em “Pompeu”, em 12 de maio, no centro-oeste mineiro.
Antes do nascimento de “Anastácia”, a sua Mãe “Delmira” teria vivido, algum tempo, no Estado da Bahia, onde ajudou muitos escravos, fugitivos da brutalidade, a irem em busca da liberdade. A história se repete. Anastácia, por ser muito bonita, acabou também, sacrificada pela paixão bestial de um dos filhos de um feitor, não sem antes haver resistido fortemente o quanto pode a tais assédios, depois de ferozmente perseguida e torturada, a violência sexual aconteceu. Apesar de toda a circunstância adversa, Anastácia não deixou de sustentar a sua costumeira altivez e dignidade, sem jamais permitir que lhe tocassem, o que provocou o ódio dos brancos dominadores, que resolvem castigá-la ainda mais colocando-lhe no rosto uma máscara de ferro, que só era retirada na hora de se alimentar, suportando este instrumento de supremo suplício por longos anos da sua dolorosa, mas heroica existência.
As mulheres e as filhas dos senhores de escravos eram as que mais incentivavam a manutenção de tal máscara, porque morriam de inveja e de ciúmes da beleza da “Negra Anastácia”. (Onde o seu espírito, combate a inveja, ciúmes e a injustiça). Anastácia já muito doente e debilitada, é levada para o Rio de Janeiro onde vem a falecer, sendo que os seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário que, destruída por um incêndio, não teve como evitar a destruição também dos poucos documentos que poderiam nos oferecer melhores e maiores informações referente à “Escrava Anastácia” — “A Santa” (assim, é venerada dentro da Religião Afro-Brasileira), além da imagem que a história ou a lenda deixou em volta do seu nome e na sua postura de mártir e heroína, ao mesmo tempo.
Descrita como uma das mais importantes figuras femininas da história negra, Escrava Anastácia é venerada como santa e heroína em várias regiões do Brasil. De acordo com a crença popular, a Escrava Anastácia continua a operar milagres. 

UMA PRINCESA BANTU 

Versão extraída do livro ”Anastácia escrava e mártir negra”, de António Alves Teixeira (neto) da editora Eco.
Descoberto que foi o Brasil, em 1500 vieram logo os primeiros colonizadores e os governantes, necessário se fazia, desde então o desenvolvimento da terra, especialmente a lavoura. Daí o terem vindo os célebres Navios Negreiros aprisionando os pobres negros africanos, para aqui serem entregues como escravos e vendidos. Eram os infelizes negros oriundos da Guine, Congo e Angola. Entre eles vieram Anastácia uma princesa Bantu, destacando-se pelo seu porte altivo, pela perfeição dos traços fisionómicos e a sua juventude.
Era bonita de dentes brancos e lábios sensuais, olhos azuis onde se notava sempre uma lágrima a rolar silenciosa. Pelos seus dotes físicos, presume-se tenha sido aia de uma família nobre que ao regressar a Portugal, a teria vendido a um rico senhor de Engenho. Pelo seu novo dono, foi ela levada para uma fazenda perto da Corte, onde a sua vida sofreu uma brutal transformação. Cobiçada pelos homens, invejada pelas mulheres, foi amada e respeitada pelos seus irmãos na dor, escravos como ela própria bem como pelos velhos que nela sempre encontraram a conselheira amiga e alguém que tinha “poderes” de cura para os males da alma e corpo.
Serena, submissa aos algozes até morrer, sempre viveu ela. Chamavam-na Anastácia, pois, não tinha documentos de identificação, por ela deixados na pátria distante. Trabalhava durante o dia na lavoura, certo dia veio a vontade de provar um torrão-de-açúcar. Foi vista pelo malvado do feitor que, chamando-a de ladra, colocou-lhe uma mordaça na boca. Esse castigo era infame e chamara a atenção da Sinhá Moça, vaidosa e ciumenta que ao notar a beleza da escrava, teve receio que o seu esposo por ela se apaixonasse, mandou colocar uma gargantilha de ferro.
Coisas do destino o filho do fazendeiro cai doente sem que ninguém consiga curar, em desespero recorrem a escrava Anastácia e pedem a sua cura, o qual se realiza para o espanto de todos. Não resistindo por muito tempo a tortura que lhe fora imposta tão selvaticamente, pouco depois a escrava falecida, com gangrena, muito embora trazida para o Rio de Janeiro para ser tratada. O feitor e a Sinhá Moça se sentiram arrependidos por um sentimento tão forte, que lhe foi permitido o velório na capelinha da fazenda. O seu senhor, também levado pelo remorso, providenciou-lhe um enterro como escrava liberta depois de morta. Foi sepultada na Igreja construída pelos seus irmãos de dor e acompanhada por dezenas de escravos.

ESCRAVATURA EM PORTUGAL

Na época anterior à formação de Portugal como reino existe registo da prática de escravatura pelos Romanos, pelos Visigodos e durante o Al-Andaluz a escravidão dos cristãos capturados e dos Saqaliba. Depois da independência de Portugal tem-se conhecimento de ataques de piratas normandos a vilas costeiras, das razias que Piratas da Barbária faziam entre a população costeira e das ilhas. As vilas ficavam geralmente desertas e a população era vendida no mercado de escravos do norte de África. Havia chefes corsários que vinham do norte de África até à península que eram elches, “renegados” da fé cristã ou mouriscos capturados que mudavam de “lado”. Os prisioneiros de guerra capturados na península tornavam-se escravos. Só em 6 de julho de 1810 com a assinatura do primeiro tratado luso-argelino de tréguas e resgate, confirmado em 1813, com a assinatura do Tratado de Paz, acabou a razia nas vilas costeiras de Portugal e captura de portugueses para a escravatura no norte de África. Antes de 1415, através do resgate de cativos portugueses fizeram-se os primeiros contactos com comércio de escravos na cidade de Ceuta.
Resgatar familiares era obrigação cuja falta de cumprimento poderia originar pesadas penas. As igrejas mantinham caixinhas de peditório para resgate dos cativos. Crianças e mulheres tinham prioridade de serem resgatadas. Quando em 1415 Portugal conquistou Ceuta havia aí um importante centro comercial onde confluíam rotas de escravos trazidos da África subsariana por comerciantes beduínos. A conquista de Ceuta pelos portugueses, levou os traficantes de escravos a desviar as suas rotas de comércio para outras cidades. Ceuta perdeu então importância comercial, mas tornou-se importante ponto estratégico-militar de vigilância ao comércio de outras mercadorias entre as costas europeias do Atlântico e a península itálica.
Com a presença portuguesa no ocidente do Norte de África, o comércio de escravos não mais recuperou a importância que havia tido sob o domínio muçulmano. Os portugueses, nas viagens que fizeram ao longo da costa na direção do sul de África, contactaram também aí com o comércio de escravos. O primeiro lote de escravos africanos transportados para Portugal foram os que a tripulação do navegador Antão Gonçalves comprou na costa do Argüim (hoje Mauritânia) em 1441. Quando, passado cerca de meio século, os primeiros Portugueses começaram a chegar à Guiné, contactaram também com o tráfico negreiro aí existente, mas nessa altura o objetivo dos portugueses era já a Índia das especiarias.
O desenvolvimento do comércio de escravos, com envolvimento de portugueses, só veio a acontecer no século XVII em competição com holandeses, ingleses e franceses, vindo a ter o seu auge no Século XVIII com o comércio dos escravos africanos para o Brasil. No entanto, o corpo legislativo emanado das chancelarias régias portuguesas é abundante em diplomas destinados a reprimir a escravatura e a proteger os indígenas: provisões de D. João II, de 5 de abril e 11 de junho de 1492, e alvarás de 18 de julho e 10 de dezembro de 1493; a célebre lei de 20 de março de 1570 sobre “a liberdade dos gentios das terras do Brasil, e mais Conquistas”, a provisão de 20 de setembro de 1570, onde o rei D. Sebastião ordena que “Portugues algum nam possa resgatar nem catiuar Iapão, e sendo caso, que resgatem, ou catiuem alguns dos ditos Iapões, os que assim forem resgatados, ou catiuos, ficaram livres…”.
Os alvarás de 5 de junho de 1605, de 3 de julho de 1609, e o alvará com força de lei de 8 de maio de 1758, vão no mesmo sentido. No século XVIII foi, aliás, Portugal a tomar a dianteira na abolição da escravatura. Decorria o Reinado de D. José I quando, em 12 de fevereiro de 1761, esta foi abolida pelo Marquês de Pombal no Reino/Metrópole e na Índia. No Século XIX, em 1836, o tráfico de escravos foi abolido em todo o Império. Os primeiros escravos a serem libertados foram os do estado, por decreto de 1854, mais tarde, os das Igrejas, pelo decreto de 1856. Com a lei de 25 de fevereiro de 1869 proclamou-se a abolição da escravatura em todo o Império Português, até ao termo definitivo de 1878.









DESCOBRINDO O SEU ORIXÁ!

Membros da família Yorimá, consulentes e outros, nos procuram com dúvidas disso ou aquilo sobre a religião, tem uma dúvida, talvez a mais perguntada dentre várias, seja por irmãos que se desenvolvem em terreiros, seja por pessoas curiosas, seja por pessoas de outras religiões, enfim, por qualquer tipo de pessoa que nos contactam para entender um pouco mais sobre a nossa amada Umbanda, e essa pergunta é: Como faço para saber meu Orixá de Coroa, ou Ori, ou mesmo ainda de Cabeça?


Dentre essas pessoas, muitas delas já vem com uma resposta predefinida, ou porque alguém olhou para ela e disse que você é filho de tal Orixá, ou que a pessoa tem afinidade por tal Orixá, e dai já é filho desse Orixá, ou mesmo ainda que alguém pegou sua data de nascimento e daí disse que seu Pai de Coroa era tal, sua Mãe de Ori tal Orixá. Mas infelizmente, a verdade não é tão simples assim.

Acreditando que seu Orixá de Coroa seja aquele que alguém lhe disse sem ter buscado essas informações de uma maneira correta, ou que você buscou em sites que lhe prometem uma informação verdadeira sobre esse fato, ou mesmo se você acreditou que por sua data de nascimento já está com a resposta de quais são seus Orixás, melhor rever tudo isso, mesmo se tem uma paixão pelo Orixá informado. Claro que esse carinho pelos Orixás não tem porque mudar, mas acreditar que o que você tem esse amor seja seu Pai ou Mãe de cabeça é um erro que pode deixar algumas marcas grandiosas em sua vida espiritual.

Portanto não custa nada saber a verdade de uma forma expressiva e sem rodeios, saber de verdade quem são nossos Orixás de Coroa, e mesmo assim, amar todos os Orixás, sempre respeitando cada um como assim nos compete.

Antes de tudo frisemos que já ouvimos várias pessoas falando que seu Orixá é tal, visto em um jogo de Búzios. Em sendo assim perguntamos: E os outros Orixás, quais são?

Normalmente a pessoa fica sem resposta, pois isso não foi dito por quem lhe fez o Jogo de Búzios.

Então vamos iniciar assim: todos nós temos três Orixás na Coroa, que tem que ser apresentados como o Pai, a Mãe e o Terceiro Santo de nosso Ori. Na junção desses três Orixás se forma o triângulo da Coroa, sendo em cada vértice um Orixá, tendo a base composta do Pai e a Mãe de sua Coroa, e na ponta seu Terceiro Santo. Imaginemos um triângulo na qual as vértices da base desse triângulo entrelacem as fontes, se interligando por uma linha imaginária entre eles, e mais duas linhas subindo em diagonal até o topo da cabeça, bem no centro, parte conhecida como coronário, se fechando em um só ponto, que seria a vértice superior do triângulo, que nesse caso seria o ponto do Terceiro Santo da Coroa, portanto se em um jogo de Búzios não for dito e especificado esses três Orixás, certamente esse jogador não está preparado para fazer um jogo sério e honesto para demonstração dos Orixás da Coroa de alguém.

Como foi dito acima muitas pessoas pregam que daria para verificar os Orixás através da data de nascimento, mas essa colocação é errônea, pois os Orixás são determinados no momento da concepção, ou seja, no mesmo instante em que o óvulo da mãe está sendo inseminado.

Os Orixás são forças da natureza que vibram tanto abaixo da atmosfera quanto acima dela. Essas forças giram de forma diagonal na camada terrestre, fazendo assim que volte e meia uma força dessas vibre com a outra ao passarem no mesmo ponto, e isso com a rotação terrestre faz com que essas forças se encontrem em diversos pontos de tempo e de espaço uma com as outras.

Explicando melhor, essas forças são chamadas de Orixás, vamos imaginar que em um certo ponto qualquer do planeta, e em certo momento qualquer do tempo, nesse giro de força e dentro da rotação do planeta, se encontre os Orixás Ogum, Oxum e Xangô, e nesse mesmo instante o óvulo de uma mulher esteja sendo inseminado, no momento exato dessa inseminação, ou seja na concepção de um novo ser, está sendo designado o Pai, a Mãe e o Terceiro Santo desse novo ser, que nesse exemplo dado seria Ogum, Oxum e Xangô. No caso não determinado em qual posição do triângulo da Coroa ficariam, pois isso dependeria do grau de irradiação e tempo de vibração de cada um dos Orixás no momento de concepção do novo ser.

Especificamos esses detalhes para que possam entender que a verificação dos Orixás de Coroa é algo extremamente complexo, sério e que está fora da inteligência humana, portanto é algo que só pode ser visto através de forças divinas como Entidades de Luz ou Jogo de Búzios (que também são respostas de forças divinas como Entidades e Orixás). Não devemos confiar em palavras de vaidade de pessoas que dizem saber seus Orixás sem uma colocação divina.

Frisemos outra colocação muito importante também a quem busca entendimento sobre Pai e Mãe de Coroa. Ouvimos pessoas dizerem que tal Exú, ou Pombo Gira, ou Caboclo, ou Preto Velho ou qualquer Entidade é Pai ou Mãe de sua Coroa, pois assim foi dito em tal Terreiro por tal Entidade. Isso também é um erro grandioso, primeiro porque Pai ou Mãe de nossa Coroa são Orixás, e Caboclos, Exús, Pombo Giras, Pretos Velhos, enfim, todas essas divindades são Entidades de Luz. Entidades de Luz trabalhadoras pela caridade, que vem ou não, em incorporação em um médium desenvolvido mediunicamente e espiritualmente, para fazer seus trabalhos de auxiliar a quem necessita, e eles estão ali por determinação do Pai Maior (Zambi ou Deus) e também pelos Orixás.

E quem rege nossa Coroa, sendo Pai, Mãe e Terceiro Santo, são os Orixás (Oxalá, Ogum, Xangô, Oxossi, Obaluaiê/Omulú, Oxum, Iansã, Iemanjá, Nanã Buruquê), e as Entidades de Luz estão extremamente cientes dessa forma de colocação, portanto nenhuma dessas Entidades de Luz diria a uma pessoa que tal Entidade fosse Pai ou Mãe de Coroa, se já ouviram isso em alguma casa de Umbanda vindo de algum médium se dizendo estar incorporado, ou esse médium não estava em um bom dia,
ou estava tomado pela vaidade, ou simplesmente mistificando e tentando enganar o consulente, mas jamais estaria com uma Entidade de Luz em em sua incorporação.

Bem, as três formas existentes de sabermos nossos Orixás de Coroa, isso claro se for autorizado a nos dizer e que esteja dentro do tempo de nos informar é da seguinte maneira:

Poderá ser em um jogo de Búzios, e esse jogo deverá ser feito com um jogador de extrema honestidade, que esteja preparado para tal trabalho. Digo honesto pois muitas pessoas se dizem jogadores de Búzios, mas infelizmente são charlatões, e se utilizam da nomenclatura "Pai de Santo Jogador" para absurdas cobranças em dinheiro, inventando, induzindo, mentindo a seus consulentes, e assim poder tirar mais dinheiro de uma forma extremamente desonesta, com uma agravante um tanto maior que é fazer o consulente crer que um possível Orixá rege sua Coroa, mesmo sem a certeza plena desse fato. Frisando que dessa forma o consulente deverá estar presente no momento do jogo de Búzios, portanto dessa maneira não teria como ser feito a distância como é pregado por muitas pessoas mal informadas.

Outra forma correta de ser mostrado os Orixás de Coroa é por um Zelador de Santo preparado mediunicamente, através do desenvolvimento do médium que deseja saber seus Orixás. Essa forma o médium em questão deverá fazer parte de uma casa de Umbanda como filho, deverá estar em desenvolvimento mediúnico e espiritual sobre o comando desse Zelador de Santo, e essa demonstração é feita através das informações dadas por Entidades de Luz como Pretos Velhos ou Caboclos, incorporados na Coroa do Zelador de Santo. Normalmente essas Entidades são Mentoras do Zelador, e podem ver esses Orixás através dos Búzios ou do modo de trabalho de cada uma dessas Entidades. Quando são feitos outros tipos de trabalhos para essa verificação, como verificação na água, na fumaça do cachimbo ou charuto, na própria cabeça do médium (analisando pontos da coroa que determinam os Orixás), normalmente após é feito o jogo de Búzios para a confirmação. É claro que como lógica o consulente que deseja saber sobre os Orixás de Coroa deve estar presente no momento dessas colocações.

A terceira forma de verificação dos Orixás de um consulente pode ser feita através de um Mentor de uma casa de Umbanda, incorporado na Coroa do Zelador dessa casa, e é feita através de um jogo de Búzios, mesmo sem a presença física do consulente que deseja saber sobre seus Orixás de Ori.

Esse caso é bem mais raro, e é só feito se o médium consulente estiver com uma extrema vibração dos Orixás, e após uma imantação sugerida pelo Mentor da casa, que está se buscando as respostas para esse consulente.

Normalmente essas imantações podem ser com banhos de ervas, velas de cores diversas, defumadores variados, nos dias e tempo determinado pelo Mentor que irá fazer o jogo de Búzios a distância, tudo isso dentro da autorização dos próprios Orixás a serem revelados. Esse tempo de imantação vai depender do grau de mediunidade, da verdadeira vontade em saber quais Orixás fazem parte da Coroa, da vibração de cada Orixá no Ori do Médium consulente, além da autorização a ser feito isso, claro.

Finalizando, gostariámos de frisar bem que de forma nenhuma teremos o prazer de saber nossos amados Orixás de Coroa de outra forma, nunca devemos deixar-nos enganar por pessoas de má fé, se dizendo Zeladores de Santo, e inventando Pais e Mães de Coroa somente por desejar mostrar algo, e desse algo fazer cobranças absurdas em dinheiro, ou apenas para demonstrar que pode fazê-lo, e assim nessa
enganação demonstrar poder, elevando a vaidade e o próprio ego.

Ter certeza dos Orixás de sua Coroa é algo maravilhoso. Vamos amar a todos os Orixás, mas os que estão tomando conta de seu Ori, demonstrando muitas vezes a personalidade que lhes acompanham, dando proteção e caminhos ao filho amado e um sinal de extremo respeito. Portanto não se deixem enganar para não desrespeitar nunca seus Orixás de Coroa.


SALVE TODOS OS ORIXÁS!





JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...