quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

As Fases de Maturidade Espiritual do Médium Umbandista

Se descobrir médium nem sempre é algo tranquilo, na grande maioria dos casos a pessoa começa a se sentir a cereja no cesto de laranjas,  tudo começa com o despertar consciencial, a pessoa começa a se sentir diferente em alguns ambientes, no contato com algumas pessoas, uns começam a ouvir vozes como se alguém tivesse murmurando no seu ouvido, outros começam a ver espíritos que vem e vão, outros a pressentir acontecimentos bem antes mesmo de acontecerem, poderia aqui numerar vários sintomas.
Quando esses sintomas vão se tornando mais ostensivos, a pessoa se nasceu em um berço espírita tudo fica mais fácil se não vai ter que ir buscar ajuda, uma dose de eletricidade acima do normal e descontrolada queima tudo dentro de casa, e uma mediunidade desequilibrada, sem acompanhamento provoca um estrago semelhante. Vários caminhos podem conduzir esse médium até que chegue numa casa espírita ou Umbandista, mas aqui vamos focar no médium Umbandista.
Lembremos que a mediunidade nos foi dada, como lenitivo, aprendizado e reforma, uma oportunidade para que através da prática da caridade e amor ao próximo poderemos nos curar a nós mesmos de nossas mazelas e resgates a serem cumpridos. Que essa trajetória seja antes de mais nada um auto descobrimento de nosso próprio EU.
A ANSIEDADE: Ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração, e outras alterações associadas à disfunção do sistema nervoso autônomo .
O médium quando chega na casa espírita no terreiro, fica  ali na assistência muitas vezes fica angustiado, olha para um lado, olha para o outro, cruza as mãos, as pernas, não tem posição que o acomode, os médiuns vão passando por ele, o coração dele parece que vai sair pela boca, ele está tão ansioso que não quer perder um detalhe, observa tudo no terreiro, se perguntarem a ele quem pintou tal quadro no terreiro é capaz de dar o nome do pintor e até a data (rsrsrs), quando começa a gira então seu coração não está mais dentro do seu peito está ali pulando no chão como uma bolinha.
Nessa ansiedade toda, no transcorrer da gira, começa a se sentir estranho, mãos que suam, uns sentem um pouco de sonolência, tontura, o corpo que não para de tremer, arrepios que gelam, e ai vem o medo do desconhecido, e fica pensando o que vai acontecer agora comigo?
doação: 
Logo é direcionado a estar passando para o passe onde poderá entrar em contato direto com o guia, suas pernas tremem, o guia já sabe o que ele está sentindo, já pega em suas mãos e o conforta, e as sensações vão se acalmando, na realidade se equilibrando entrando na frequência da energia do guia atuante, e começa a vir uma sensação confortável de paz.
É muito importante que o médium relaxe sua mente e corpo nesse momento, enquanto o guia está na aplicação do passe o consulente pode tranquilamente ir fazendo suas preces, ajudando ainda mais em toda troca energética, não se cobre tanto nesse processo, tenha tranquilidade, se concentre nas preces e orações, entrando na sintonia energética.
Infelizmente alguns processos não estão sendo realizados de forma adequada em alguns terreiros, muitos médiuns estão sendo introduzidos dentro de uma corrente espiritual sem antes passar por tratamentos e preparos adequados, e essa fase de equilíbrio é extremamente necessária para quando ele for de fato começar seu despertar consciencial (desenvolvimento mediúnico), um médium, eu costumo falar que ele deve passar por processos de higienização mental e corporal, assistir algumas palestras doutrinadoras, fazer limpezas energéticas com banhos e passes, para que ele fique o máximo em equilíbrio quando de fato for colocar sua roupa branca.
Equilíbrio gera harmonização e sintonia.
Passando por esse processo, ele futuramente será convidado pelo guia chefe a estar ingressando na corrente espiritual daquela egregora.
Na minha humilde opinião como sacerdotisa acho de suma importância conscientizá-lo primeiramente de sua posição dentro da casa. Dentre doutrinas e regras frisaremos as três questões abaixo:
Ele será um instrumento da caridade dos espíritos na terra, e não o próprio guia encarnado. Essa colocação vocês irão entender mais a frente o porque dela.
Ser médium não implica ter comunicação num estalar de dedos, com os espíritos quando bem entender e como entender, os espíritos superiores não estarão a sua disposição para o café da manhã se é que me entendem. Lembrando que nossos guias e mentores tem tarefas importantes e cruciais espirituais e não estarão a nossa disposição para motivos fúteis.
O bom médium não é aquele que tem maior facilidade com os espíritos, mas sim aquele que trabalha sua reforma moral e se sintoniza com os bons espíritos. Isso é primordial, um trabalho diário de conscientização e harmonização consciencial que todo médium deveria ter.
Lembremos também que no transcorrer de nossa trajetória mediúnica passaremos por processos que irão nos transformar como pessoas, porque estaremos em estágios de aprendizado contínuo de reforma íntima e espiritual.
Então vejam que o trabalho mediúnico não é para o outro somente, é principalmente para nós mesmos, nos enriquecendo com os ensinamentos e experiências e nos tornando pessoas melhores. O MÉDIUM SERÁ O GRANDE INSTRUMENTO DE RESGATE DE ALMAS, MAS A ALMA MAIOR A SER RESGATA É A SUA PRÓPRIA. FRISE-SE.
O DESLUMBRAMENTO:  Tenho observado esse aspecto como um grande problema hoje em dia, porque muitas vezes vem associado com a fantasia. O médium deslumbrado é aquele que não fala de outra coisa a não ser sobre os “seus” guias (SEUS?), sobre o terreiro, tudo para ele é algo fantástico, paranormal, se ouve um barulho diferente é o guia caminhando pela casa, se sonha é aviso, se acontece alguma coisa no serviço de errado, são espíritos nefastos querendo obsediá-lo, alguns médiuns nesse estágio inventam histórias que realmente acabam se tornando engraçadas de tão fantasiosas que são, já vi médiuns dizendo que foi plantar uma planta e seu caboclo estava ali todo sujo de terra escolhendo as sementes, outros que seu cosme vinha acordá-lo para trabalhar, outro que sua pombogira escolhia quem a pessoa deveria ou não namorar e ter um relacionamento, fora as supostas vidências, sensacionalistas, eu vi meu Ogum cavalgando com seu cavalo no meu quintal, você caro irmão (ã), poderá pensar … brincadeira né, infelizmente não é não, e se for alimentado tais deslumbramentos e ilusões o médium pode se caminhar para um fanatismo religioso, então o assunto é sério. Grande partes dessas supostas histórias são falsas, mas o médium acredita tão piamente no que criou em sua mente que para ele são reais.
O médium quando começa a dar tais sinais comportamentais, o dirigente responsável deve trazê-lo de volta a realidade, com doutrina e um bom diálogo, porque muitas vezes o médium age assim porque quer se sentir especial, isso é muito típico de médiuns novos, que querem mostrar aos irmãos de santo e ao dirigente o quanto seus guias são fortes e quanto sua mediunidade está aflorada e ostensiva. Um dirigente experiente lida com essas posturas com propriedade, mas deve tomar cuidado para que esse médium não se torne um problema perante seus outros irmãos de corrente, virando uma onda de fatos inusitados onde um tem algo mais sensacionalista para contar que o outro ou até mesmo virando motivo de chacota e piada. Nossos guias estão muitas vezes a nosso redor sim, mas cuidado para que a realidade não ceda lugar a histórias fantasiosas.
Uma outra observação, não utilizem o nome de seus guias para pendengas pessoais, não é bacana nem no mundo físico tais posturas imagina perante o mundo espiritual. Vamos ter condutas mais amadurecidas e responsáveis quando formos usar o nome de nossos guias e entidades. Eles merecem esse RESPEITO.
AMADURECIMENTO ESPIRITUAL, é extremamente necessário, para que esse médium também não vire motivo de chacota, deboche, não passe a ser desacreditado. Porque esse deslumbramento quando não coibido de forma correta, gera aqueles médiuns que não podem estar em um momento social, que acabam por fantasiar presenças espirituais onde não existem e pior alguns extremamente sugestionados acabam fingindo estar acoplados com espíritos em momentos não propícios como festas e eventos, é muito triste ver um médium se comportando assim, mas triste ainda é trazê-lo a realidade e perceber o desapontamento e a vergonha quando a ficha cai e o médium percebe que não fez um papel muito bacana. Detalhe, um guia sabe perfeitamente onde trabalhar e quando acoplar em seu médium não subestimem a INTELIGÊNCIA E SABEDORIA DE UM GUIA IDÔNEO.
“Apesar de você aparecer em forma terrena, sua essência é pura consciência. Você é o guardião destemido da Luz Divina.” RUMI: 
O médium com o tempo ele vai se centrando, vai se amadurecendo, e com o tempo passa a se sintonizar com mais perfeição com seus guias, até chegar numa etapa que já pode ser trabalhado mais efetivamente como um médium de trabalho ou médium passista.
Neste momento,  emoções controversas começam a surgir.
Fé, Amor e Evolução: Passe espírita” e o “passe Umbandista”: 
Quando é dado ao médium essa passagem de estágio mediúnico, logo vem outro sentimento A INSEGURANÇA, e o médium começa a pensar será que estou pronto? Será que não vou fazer asneira ou alguma bobagem? E se o meu guia falar algo que não acontecer e a pessoa vir e desacreditar nele e em mim? E se alguém desafiar meu guia?  Perguntas compreensíveis de um médium RESPONSÁVEL, que tem muito medo de errar e falhar com seus guias e com seu terreiro.
Porque um médium irresponsável, alienado, daqueles que não tem nem dois meses na corrente e já colocaram como passista, não se preocupa com isso em momento algum, para ele o importante é aparecer dar ibope. Vergonha alheia.
Essas e muitas outras perguntas caem na cabeça do médium como marretas, o dirigente vai trabalhando o médium nessa fase, quanto a segurança, motivando sempre o médium estar se preparando quanto a estudos, limpezas, energizações para que o instrumento esteja o mais afinado possível para que o bom músico possa tocá-lo.
Sabemos perfeitamente que todo esse preparo é de suma importância para um bom acoplamento, esse preparo facilita a junção energética com o espírito do guia, para que essa terceira energia seja a mais perfeita possível, sendo forte o suficiente para que o assistido tenha o melhor atendimento.
A palavra chave para essa etapa fora é claro maturidade é CONFIANÇA,  em si mesmo e em seu guia, SERIEDADE E RESPONSABILIDADE tendo plena consciência que estaremos lidando com sentimentos, vidas, e principalmente com a espiritualidade do outro, e isso é algo seríssimo. Uma palavra errada, mal colocada, pode desequilibrar a vida do consulente, então o médium deve ter muito cuidado e fazer de tudo possível para que seu acoplamento espiritual seja o mais perfeito possível.
Mas infelizmente alguns médiuns quando percebem que seus guias estão trabalhando bem, atendendo várias pessoas, começam a receber elogios quanto ao trabalho de seus guias, pessoas que vem e dizem que o guia a ajudou, que ela conseguiu uma benção etc, o médium se não se vigiar pode despertar A VAIDADE, ARROGÂNCIA, ORGULHO – o ego exacerbado pode levá-lo a achar que ele é quem está fazendo as graças acontecerem e não mais os seus guias, ou até mesmo enaltecer seus guias colocando os guias de outros irmãos e irmãs no terreiro como se tivessem abaixo dos seus, os desmerecendo, e isso é questão de tempo, gera conflitos, discórdias, fofocas, atritos, que poderiam ser facilmente evitados se tivessem sido observados por um olhar atento de um dirigente sensato e comprometido.
Outros simplesmente o fato de terem passado para passistas, se sentem SUPER IMPORTANTES, EGO INFLADO, e acabam voltando a estaca zero.
O Elogio ofertado para alguém que não tem sabedoria de o receber, é uma arma na mão do insensato. 
Tais atitudes pode levar a queda desse médium, porque seus próprios guias vendo tal comportamento podem para lhe ensinar questões de HUMILDADE  se afastar dele, e ele achando estar acoplado, passando até mesmo a mistificação, questão de tempo será desmascarado e desacreditado perante sua sociedade religiosa, mas essa e outras são as lições necessárias e duras que a espiritualidade proporciona a quem brinca com espíritos e mediunidade. E principalmente não sabe se colocar em seu devido lugar.
HUMILDADE, HUMILDADE, HUMILDADE está palavrinha tão importante e essencial na vida de um médium deveria ser bordada em seu uniforme branco, como lembrete para que o médium nunca desviasse de seu propósito primordial FÉ, AMOR, CARIDADE.
Vamos agora falar do médium comprometido, sério, aquele que se dedica de corpo e alma, no cumprimento de suas funções mediúnicas para o benefício de seu próximo, que toma seus cuidados diários para ser o melhor instrumento para seus guias.
Médiuns assim se dedicam em prol do amor ao seu próximo de corpo e alma.
Qual o médium que nunca sem querer acabou se envolvendo com o problema de um consulente? Ah… mas não pode fazer isso… Sim não pode, tem que ser evitado tal envolvimento. Mas sempre é possível? Não.
Qual foi o médium que nunca foi abordado após o trabalho por um consulente, sendo confundido até com o próprio guia? Muitos, ah mas não pode… MAS ACONTECE.
O MÉDIUM, ele não é um robô, uma máquina que não tem sentimentos, há casos que por mais que evite, ele acaba se envolvendo emocionalmente, se sensibilizando, e é nesse ponto que vamos tocar num problema muito comum, QUANDO OS MÉDIUNS SE SENTEM DEUS, o médium tem tanta fé, tanta crença em seus guias, que em algumas situações ele acha que pode consertar tudo, reformar tudo, salvar todo mundo, mas infelizmente quando isso não acontece, ELE SE FRUSTA aprendendo uma dura lição que por mais que seja um ótimo médium com excelentes guias, nem tudo ele vai conseguir ter um bom resultado, aprenderá que há leis espirituais que não podem ser rompidas, que mesmo que trabalhe muito, ore muito, nem sempre terá um bom resultado.
Aprenderá que terá situações que seus guias não irão poder intervir mesmo se tratando de si mesmo como seu instrumento, sim meus irmãos há situações que nossos guias não poderão intervir mesmo sendo para nós, porque mesmo o médium está sujeito as leis espirituais, ação e reação, causa e efeito, Semeadura, Merecimento, Retorno.
Nem sempre é fácil constatar isso não é mesmo? mas isso faz parte do trabalho de MATURIDADE ESPIRITUAL.
NÃO SOMOS DEUS, E NEM NOSSOS GUIAS O SÃO, E TODOS NÓS SOMOS INSTRUMENTOS DE UM PROPÓSITO MAIOR. MAS HÁ LIMITES ENTRE O CÉU E A TERRA, QUE SÓ DEUS PODE TRANSPOR.
Nem todas as pedras conseguiremos tirar do caminho do outro, algumas pedras serão pisadas, irão machucar os pés, mas só assim se aprende que elas podem machucar.
INGRATIDÃO:  Alguns médiuns batem no peito e dizem: “…eu sei lidar com a ingratidão…” alguns aprendem com a experiência e a maturidade, porque é um fel amargo de se beber que o outro nos oferece, mas ele só é amargo se o engolirmos, não se esqueçam.
Ingratidão nada mais é que o amor que não retornou, que não foi retribuído, que foi ignorado e esquecido.
Está ai uma das lições mais difíceis para o médium aprender em sua trajetória e saber controlar seu emocional, o de aceitar que o outro oferece o que o seu coração está cheio. Simples assim. Perdoando, esquecendo, desapegando e seguindo em frente, há ingratos mas há pessoas justamente ao contrário que tem corações transbordantes de fé, amor, gratidão e por elas já basta para seguir em frente. Se policiem, se vigiem, é fácil quando vemos a ingratidão sendo dirigida ao outro, quando ela vem em nossa direção, é ai que entra e somos testados quanto a nossa maturidade espiritual.
O homem que pratica o bem deve, pois, preparar-se para se ferir na ingratidão. Allan Kardec 
RAIVA E VINGANÇA:  aprendam essas duas não são boas conselheiras NUNCA, cuidado médiuns a quem muito  foi dado a muito será cobrado, a magia é uma faca de dois gumes, se utilizardes de seus dons para o mal, irá pagar e irá sentir o gosto amargo da Lei do Retorno. Antes de fazer qualquer coisa contra seu semelhante, contra seu inimigo, pense e priorize sua alma primeiro, ela vale mais que seu inimigo então não a perca se sintonizando no mal. Pense nisso. Quando alguém lhe fizer muito mal entregue nas mãos do Pai Maior primeiramente e verá que sua defesa será sua fé, seus guias nunca deixaram descoberto em dias de frio. Mas haja de acordo com a Lei Sagrada de Umbanda.
Não pratique o mal: 
Lembre-se que o maior escudo de um médium é ele se sintonizar nas forças da FÉ, DO AMOR E CARIDADE, se vistam com essas três roupagens, que vocês irão ver que seus inimigos nem o enxergarão, porque a luz do médium da luz cega quem está nas trevas.
VELHICE, SOLIDÃO E DESAMPARO:  Está ai uma fase difícil, quando o médium envelhece, muitas vezes já não está tão atuante, e acaba sendo esquecido pela sociedade religiosa que ele ajudou a construir. Muitos irmãos e irmãs acabam ali abandonados por seus filhos no santo, que se alimentaram de seus conhecimentos e doutrinas e hoje com seus terreiros abertos nem lembram mais de seus pais e mães no santo, e isso é muito triste. Na nossa sociedade religiosa Umbandista nossos velhos devem ser reverenciados, respeitados, mostrando  seriedade e comprometimento, respeitando nossos anciões estaremos fortalecendo nossa história, nossa egregora espiritual, nossas raízes. Não precisa de muito, eles não querem ostentação, apenas uma frase: A benção meu pai, A benção minha mãe, estava com saudades, hoje eu vim te dar um abraço e dizer o quanto Te Amo e quanto você foi importante na minha trajetória, na minha vida.
De tudo um pouco…: 
UM BOM FILHO SEMPRE SERÁ UM BOM PAI.
Espero que esse texto ajude a trazer maiores esclarecimentos aos nossos irmãos e irmãs, que os novos entendam que tudo na Umbanda são etapas, fases a serem percorridas e vencidas, não as pule, todas são necessárias e importantes, e que os mais velhos se encorajem e que tenham paciência e amor pelos mais novos.
QUANDO O MÉDIUM SE COLOCA APENAS EM SER ÚTIL A SEU PRÓXIMO, PRESTANDO A CARIDADE QUE A ESPIRITUALIDADE E MEDIUNIDADE LHE CONCEDE, SE TORNA SOLO FÉRTIL PARA A SEMEADURA E COLHEITA DE BONS FRUTOS.
Que nosso Pai Oxalá abençoe a todos.




terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O assombro da morte. Afinal, do que temos medo?


A única certeza absoluta ao ser humano vivo é que a morte lhe acontecerá.

Muito diferente de qualquer outra espécie animal. O homem é o único que tem consciência de sua finitude e muito embora, a morte seja inevitável este é um fato que assombra a maioria de nós.

O assombro da morte é uma angústia natural e que desde sempre foi motivo de reflexão, objeto comum de investigação desde a filosofia primitiva. Platão dizia que preocupar-se em morrer, é a boa via para filosofar”, pois filosofar, é um investigar da existência.
Observemos. Todos os pensadores da humanidade trataram deste tema em algum momento.
A morte portanto, é uma inquietação muito potencializada pelo fato de não haver aviso prévio de acontecer. Sabemos que é um fato, mas não sabemos quando acontecerá. Existe o medo da morte pelo medo de sentir dor. Medo do desconhecido. Medo de que as convicções que norteiam o indivíduo sobre a eternidade sejam um ledo engano ou mesmo o medo de separar-se de seus entes amados.

Desta forma vemos um exagero de tempo dedicado em preparar-se para a morte. Tentando a bem da verdade estender o prazo do viver. Não que, querer garantir a longevidade seja ruim, muito pelo contrário, mas observamos um estender sem intensidade.
Penso que ter a consciência de morte, é um privilégio para nós que somos seres sociais. Numa perspectiva espiritual cremos que quando o corpo perece, o espírito alça um novo e velho voo, retornando para o plano espiritual. Portanto cabe-nos a preocupação, sobre com que qualidade levamos a vida que vivemos.

O que se leva da vida é a vida que leva”

Antoine de Saint Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe certa vez disse que O que se leva da vida é a vida que leva”. Ao retornar para a pátria espiritual, cuide para que leve a memória de grandes e profundas experiências. É dado o sentido da vida aquelas experiências que nos tornam mais vivos e realizados. A vida portanto, é marcada por momentos de profundidade, quer sejam amargores de dor e medo, quer seja euforias de alegrias e lazer.

É importante que sinta o viver, que a vida não seja pequena, fútil e banal. Saber que a principal conquista a ser transportada além da morte, é o impacto do que a vida lhe causou e que seja bela, que tenha te oportunizado transcender. Sair deste contexto melhor do que chegou, ter deixado um mundo melhor do que encontrou.
Não levarás daqui um grão de conquistas materiais. Por isso, cuide para se sua saúde não se esvaia numa busca exacerbada de materialidade. Mesmo que a conquistas existam, cuide para que a herança não seja posterior a você, motivo de desavenças e rupturas familiares.
Certifique-se de que deixa uma lembrança viva de exemplo a ser seguido, de inspiração aos seus, aos que ficam e que gozarão de saudade terna pelo fato de ter deixado uma boa convivência.
Uma vida fútil e banal é quando o indivíduo vive para si, para seu próprio umbigo, seus próprios interesses e sua própria vaidade, é uma vida egoísta sem complementariedade.
A vida é mais bem vivida quando o indivíduo transborda de si.
Quando seu existir transcende seu ego e suas necessidades também somam-se às necessidades do outro. Quando você é capaz de interagir com o outro numa somatória de contribuição ao seu entorno e ao seu próximo, já que este lhe é percebido como sua extensão. Quando seu interesse se acrescenta ao interesse do outro e assim se estabelece relacionamentos vívidos e duradouros num compartilhamento de reciprocidade coletiva e construtiva.
É quando você não existe só para si, mas vive para o todo.
Aquele que morre é lembrado pela vida que viveu, pelo que fez e falou, então avalie como está vivendo sua vida, que lembrança quer deixar? Pelo que será lembrado?
A morte é inevitável. Assim como o pôr do sol todos os dias é inevitável e se eu não temo o pôr do sol, é quase sem sentido o medo da morte.
Viva uma vida valorosa, preocupe-se em ser importante, não famoso, mas ter importância para alguém. Que a lembrança de sua existência seja viva, quando a morte acontecer e sempre estará vivo. Viva com profundidade e intensidade.
Sinta a vida pulsar em todas experiências para que quando o pôr de sua vida acontecer, não seja assim um assombro.







NATAL PARA O UMBANDISTA


O Natal em síntese é a comemoração do nascimento de Jesus, ritualizado anualmente por todos países que tiveram a dominação da Igreja Católica e/ou por católicos de todo o mundo.

Acontece que não existe evidências reais e comprovadas de quem foi este Jesus histórico, tampouco saberíamos quando este teria nascido, o certo é que é improvável uma criança nascer nesta data numa estrebaria de Israel onde o inverno é muito intenso, seria, nascer e congelar.

Sabemos que na realidade e Igreja criou esta data no ano de 374 para suprimir uma importante festa pagã de culto ao Deus Mitra, importante deidade persa e muito popular em Roma. Esta festa era denominada de Natalis Solis Invicti (“nascimento do sol invencível”).

Tudo bem, mas nada disso é importante de fato, pois na Umbanda reverenciamos, cultuamos e devotamos nossa fé em Jesus a divindade, que é sincretizado ou mesmo uma expressão do Orixá Oxalá e por conta da cultura popular e mesmo desta egrégora que se forma neste período é potencial nos voltarmos às vibrações de Pai Oxalá e Jesus o Cristo.

Então é aí que começamos a vislumbrar o sentido do Natal para o Umbandista, pois este deve ser um período de consciência e não de mero ritual comercial, como ocorre nos tempos atuais.
O ritual de trocas de presentes é muito bacana, claro! Principalmente porque é uma oportunidade de carregar o presente de sentimentos, vibrações e fazer esta troca de bons sentimentos tendo no objeto ofertado um veículo para estas vibrações.
Sendo assim entendo que para o Umbandista o Natal transcende a criação católica e está mais voltada a interagir com a atmosfera emotiva e fraterna que este período proporciona. É um momento de comungar com o sentimento de amor, de união familiar, de fraternidade. É um ato religioso de religar-se com as pessoas que nos são importantes e que nos estimulam os sentimentos mais nobres.
Imersos nesta vibração é a grande oportunidade de se harmonizar, avaliar o que é mesmo importante na vida e renovar os propósitos da sua existência no novo ciclo que logo iniciará.
Para o Umbandista o Natal é o momento em que canaliza-se a atuação intensa de Pai Oxalá, na presença mística de Jesus que traz á tona a vontade de ser e fazer o melhor de si, que sensibiliza os olhos que observa o mundo à volta com mais integração.
O Natal é o encontro com aqueles que amamos,
É a partilha do que temos de melhor em nós com aqueles que mais queremos bem,
É o reforço da nossa fé em nós mesmos e no próximo,
É a esperança renovada.
Que seja para você intenso!
Feliz Natal Umbandista!

OBS.: sei que não é possível falar na Umbanda pela Umbanda, aqui falo como Umbandista, dentro da minha perspectiva. Caso você seja Umbandista e este texto não te representa, eu entendo.









SER UMBANDISTA!

Muitas pessoas se dizem umbandistas, batem no peito, orgulhosamente dizendo a si mesmo que a Umbanda é a religião que toca e comanda seu coração.
Mas ai que está o porém e a pergunta...
O que é ser umbandista?
Uma das primeiras coisas que devemos entender é que nunca devemos ter vergonha em demonstrar, não só a nós mesmos, mas a todos nossos semelhantes que amamos incondicionalmente essa religião tão maravilhosa, tão bela, mas tão mal compreendida.
É inaceitável que um umbandista tenha vergonha de expressar seu amor pela religião, ou que tenha vergonha de ser identificado como um irmão de terreiro.
Nós umbandistas de coração devemos nos dar acima de tudo a caridade de um trabalho espiritual. Devemos saber e entender que uma casa, um terreiro, um centro de Umbanda é um local espiritual, e devemos entender que esses locais representam a bela Umbanda.

Devemos crer que temos que respeitar para sermos respeitados, ouvir para que sejamos ouvidos, é sabermos amar para que sejamos amados, e principalmente saber darmos um pouco de nós para que assim recebamos a luz divina de Deus dentro de nosso coração.

Devemos ter a percepção que a Umbanda não faz e nunca fez milagres, e termos a compreensão de quem faz é Deus, e esses milagres só quem os recebe são aqueles que realmente os mereceram.

Temos que ter a grande compreensão de que uma casa de Umbanda não é comércio de bençãos, não vende e nem dá salvação, porém oferece a ajuda para aquele que deseja encontrar um caminho de luz rumo a Deus.
O umbandista é aquele que respeita a casa que se encontra, por seu Zelador de Santo e pela própria religião de Umbanda como um todo.
O umbandista é aquele que não é dominado pela vaidade, pelo orgulho, pelo ódio, pela prepotência, pela promiscuidade. É aquele que sabe tirar suas dúvidas com seu Zelador, sabe conversar expondo tudo aquilo que deseja entender.

O umbandista deve saber que nem sempre estamos preparados, que é necessário muita dedicação, tempo e boa vontade para os trabalhos de Umbanda. Devemos entrar no terreiro sem ter hora para sairmos, ou sair apenas após o último consulente ter sido atendido.
O umbandista sabe que se deve dar liberdade aos Guias que se utilizem, quando necessário, de bebidas e fumo, mesmo se o médium não fume ou beba, e devemos confiar sempre que nossas amadas Entidades de Luz, mesmo se utilizando desses artefatos, nos deixem bem ao término das sessões.

Ser umbandista é entregar a coroa a nossos Orixás, para que assim ele me revigore com sua força, deixando-me forte o suficiente para que eu possa viver meu dia em uma luta constante em benefício dos que precisam de auxílio espiritual.
Ser umbandista é não ter medo de sofrer preconceitos por não negar o que sou, e ser o que sou com dignidade e com amor.

É sofrer por não negar o que sou e ser o que sou com dignidade, com amor e muita dedicação.

O umbandista é aquele que ama e defende sua religião, mesmo sendo chamado de louco, atrasado, ignorante, feiticeiro, e mesmo assim dedica-lhe todo carinho e amor que ela merece.
O umbandista é aquele que mesmo atacado, ofendido fisicamente, espiritualmente ou moralmente pelos hipócritas e falsos religiosos, continua mesmo assim amando a linda Umbanda.
É ser chamado de adorador das trevas, do diabo e do satanás, chamado também de servo dos encostos pelas bocas sujas e podres dos vendedores de bençãos, e mesmo assim erguer a cabeça, sorrir e seguir em frente com dignidade.

O umbandista deve ser umbandista, sempre pedindo ao Pai Maior que ele não esteja apenas sendo umbandista. É acreditar que mesmo nos piores momentos da vida, com as maiores mazelas, com as maiores decepções, mesmo estando em épocas ruins espiritualmente ou materialmente, que os Orixás e as Entidades de Luz mesmo que não possam nos tirar daquela situação por termos que passar por aquilo, estarão ali, ao nosso lado em todos os momentos nos dando ânimo, força e coragem, pois para sermos verdadeiramente umbandistas, devemos crer
nessas divindades sublimes, pois elas são a representatividade da pura essência de Deus, nosso amado Pai Maior.

Ser umbandista é vestir o branco sem vaidade.
É não ter orgulho quando se recebe um agradecimento de alguém que você nunca viu, simplesmente porque uma de suas Entidades de Luz o ajudou a não ter orgulho.
É colocar suas guias de trabalho e sentir o peso da responsabilidade, onde muitos sentem apenas a vaidade e a ostentação.

Ser umbandista é se entregar definitivamente a caridade, chorar, sorrir, respirar, andar dentro de uma religião sem desejar nada em troca.

Ser umbandista é entender que não se deve pedir em causa própria, ter vergonha de pedir as Entidades de Luz por si mesmo, e não ter vergonha de pedir por um irmão necessitado.
É estar sempre pronto para servir a espiritualidade e auxiliar aos consulentes, seja nos terreiros, nos templos, nas casas, nas macaias, nos caminhos, ou em qualquer lugar que haja a necessidade de nosso trabalho.

É saber que ao estar incorporado não é você a estrela do terreiro, é respeitar cada momento da Entidade de Luz, seus gestos, seus atos, suas palavras.
É sentir a força do som dos Atabaques, sua vibração, sua importância, sua ação dentro da Gira e no trabalho espiritual.

Ser umbandista é sentir a satisfação de ver um consulente entrar em um terreiro chorando em desespero, e vê-lo sair mais tarde da Gira sorrindo.
É ter esperança que todos os umbandistas encontrarão a receita mágica do respeito mútuo.

Ser umbandista é ser fiel a Umbanda mesmo que outros digam que o que você faz, sua prática,sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua dedicação, seu suor e suas lágrimas, não sejam em prol de uma religião.
É saber que se deve ter atitude, que só palavras não bastam, se deve falar e fazer,pensar e ser,ser e nunca estar.

É saber que a Umbanda não vê raça, não vê cor, não vê status social, não vê poderes econômicos, não vê credo. Ela só vê caridade, ajuda, luta, justiça, cura, vê os problemas, as necessidades e a ajuda para solucionar as causas dificultosas daqueles que a procura.
Ser umbandista é entender que a Umbanda é livre, que não tem dono, não tem bispos, não tem papa, mas está em nossas vidas para nos auxiliar e a todos que a procuram.
É saber que não é você que escolheu a Umbanda, e sim que foi a Umbanda quem escolheu você.
Ser de Umbanda é amar com todas as forças essa maravilhosa religião, abençoada pelas Entidades de Luz, pelos Orixás e por Deus.

Então fale a todos que você é umbandista, mostre seu amor e sua dedicação aos Orixás e as entidades de luz.
A Umbanda é linda!



quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

CONHECENDO EXU E POMBA-GIRA

O EXU
Primeiramente há que se dizer que a forma original de Exu é humana, nada tem de partes de animais, porque os espíritos que compõe a falange de Exu são espíritos como nós. Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois olhos, enfim… São assim como nós. Foram homens e mulheres normais das mais variadas profissões. Não tem nada a ver com as imagens vendidas nas casas de artigos religiosos, com chifrinhos e rabos…
Exu não é o Diabo. Exu é entidade de luz (em evolução) com profundo conhecimento das leis magísticas e de todos os caminhos e trilhas do Astral Inferior. Na umbanda, os Exus trabalham em busca da evolução e da prática do bem, portanto ao contrário dos mitos envolto ao “Diabo” ou “Demônio”, os Compadres (Exus) trabalham para resolver os assuntos imediatos, mas nunca prejudicando alguém. Por mais humano que Exu se manifeste e se expresse, devemos sempre ter educação e respeito para nos dirigirmos mentalmente ou pessoalmente a qualquer um deles, pois são senhores Guias Espirituais que trabalham para Deus e os Divinos Orixás com caridade, responsabilidade e muitas vezes a nossa frente para nos defender e proteger de demandas e embates astrais negativos.
O Exu não é afigura grotesca, horrendas como mostram algumas estatuetas mal interpretadas. Na Umbanda, como ser humano, é idêntico a todos nós; mas sendo espírito desencarnado pode ser visto por sensitivos ou médiuns videntes ou aparece; materializado, tomando a forma que lhe convier: feia ou simpática, inclusive a de um homem viril, musculoso e bonito. Sua imagem com chifres e rabos é herança de sua identificação com o Satanás. E simplesmente um condicionamento proveniente de outras religiões. Não existe isso de que Exu tanto faz o mal como o bem e que depende de quem pede. Isso simplesmente não tem lógica. Como o Orixá iria “colocar” Exu como Guardião se ele não fosse confiável? Se ele se “vendesse” por um despacho, por cachaça, bichos, velas e outros absurdos que vemos nas encruzilhadas?
Se até uma criança sabe o que é “certo” e o que é “errado” Exu não vai saber? Exu não é idiota.
Talvez por sua semelhança conosco, os encarnados, estas entidades transmitam uma imagem de companheiros, de amigos dos mais chegados. Os Exus nas Giras de Umbanda apreciam uma boa bebida, um bom fumo, e uma conversa regada a boas gargalhadas. Deliciam-se com uma penosa (frango assado) e uma boa farofa no dendê. Os Exus conversam com seus consulentes com igualdade, são atualizados, pois nos acompanham lado-a-lado.
Por esse motivo têm a facilidade de resolver os assuntos “urgentes”, coisas que necessitam de solução imediata. O papel dos Exus é mais atuante do que se pensa. Além de serem mensageiros dos Caboclos e/ou Pretos-Velhos (depende de quem for o guia chefe do médium), ainda possuem uma destacada atuação junto a nós, pois são executores kármicos.
O que exatamente isto quer dizer? Quer dizer que se nós andarmos na linha justa, se nos habituarmos a cultivar pensamentos, sentimentos e atitudes equilibradas nosso karma será certamente reduzido ao longo da vida, e nosso amigo Exu nos ajudará em tudo. Mas, se caso assim não procedermos certamente esse mesmo amigo Exu entrará em ação, efetuando a cobrança kármica para conosco mesmos, sempre em nome da Lei Cósmica Divina. Temos que ter em mente que estes amigos nada fazem por si só.
Executam ordens de seus “chefes”, ou seja, nossos mentores espirituais. No trabalho do médium de Umbanda um desses Exus é o de frente. Exu é aquele que dá consulta e se coloca a serviço do Guia Chefe do médium. Exu tem mais luz que podemos supor, mas por amor ao Divino Criador e aos Amados Orixás serve à Luz nos campos trevosos, em combate a todos que blasfemam ou que atuam contra as Leis Divinas; Exu oculta sua luz pra poder entrar nos campos negativos em socorro ou combate; Exu verbaliza de forma humana para bem ser entendido por nós; Exu conhece e respeita as Leis Divinas, as Linhas de Trabalho e todos os médiuns que assim merecem ser tratados. Quando em função do trabalho que irá executar ou da “batalha” que irá travar Exu estuda o ambiente que irá entrar, em seguida vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda os seus “adversários”, suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão, seus medos, etc. Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater. Lembrando que Exu não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão direta de um enviado de Orixá. Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas diferentes de energia.
E detalhe importantíssimo: tudo isso sem a necessidade de sacrifícios de animais e despachos em encruzilhadas, porque quem “recebe” tudo isso é kiumba! Lembrando ainda que isso dentro do Ritual de Umbanda!
Os guardiões são os espíritos responsáveis pela disciplina e pela ordem no ambiente. Os Exus são trabalhadores que se fazem respeitar pelo caráter forte e pelas vibrações que emitem naturalmente. Eles se encontram em tarefa de auxílio.
Conhecem profundamente certas regiões do submundo astral e são temidos pela sua rigidez e disciplina. Formam, por assim dizer, a nossa força de defesa, pois lidamos, em um número imenso de vezes, com entidades perversas, espíritos de baixa vibração e verdadeiros marginais do mundo astral, que só reconhecem a força das vibrações elementares, de um magnetismo vigoroso, e personalidade forte que se impõem. Essa é a atividade dos guardiões. Sem eles, talvez, as cidades estivessem à mercê de tropas de espíritos vândalos ou nossas atividades estivessem seriamente comprometidas.
São respeitados e trabalham à sua maneira para auxiliar quanto possam. São temidos no submundo astral, porque se especializaram na manutenção da disciplina por várias e várias encarnações. A reunião de Exú ou Gira de Exu tem como finalidade descarregar os médiuns e os consulentes. Unindo suas energias eles são capazes de entrar em contato e orientar mais facilmente as almas que ainda não encontraram um caminho. Estas almas vivem entre os encarnados, prejudicando-os, obsidiando-os e até mesmo trazendo-lhes um desequilíbrio tão grande que são considerados loucos. Para este trabalho eles necessitam muito de nosso equilíbrio e de nossa energia.
Nosso equilíbrio é utilizado por eles no momento em que as entidades sofredoras se manifestarem com ódio, rancor, raiva, para que tenhamos bons pensamentos e sentirmos verdadeiro amor e harmonia para que desta maneira tocamos seus sentimentos mais puros e não as deixemos tomar conta da situação e, quem sabe, até as persuadir a mudarem de caminho libertando-se assim do encarnado ao qual está ligada; nossa energia é utilizada em casos em que estas almas estão sofrendo com o desencarne, tristes, com dores, humilhadas, desorientadas, assim eles transformam as nossas energias em fluidos balsâmicos que as ajudam, em muito, na sua recuperação.
Muitas destas almas desorientadas não conseguem nem se aproximar dos Terreiros de Umbanda, pois os Exús da Tronqueira ficam encarregados de fazerem uma triagem liberando a passagem apenas das almas que eles percebem já estarem prontas para o socorro, ou seja, prontas para seguirem um novo caminho longe do encarnado ao qual estava apegada. Este trabalho de separação é feito por eles com muito empenho e seriedade e será melhor sucedido se o encarnado der continuidade ao mesmo, pelo menos melhorando os seus pensamentos e se livrando da negatividade e do medo.
Os EXÚS são almas que riem, fazem troça, mas não brincam em serviço. Por este motivo, gostaríamos que todos, não só os médiuns, tivessem por eles o maior respeito e consideração, pois são eles os nossos guardiões e, também, da sessão de Gira, reponsabilizando-se pela limpeza dos fluidos ou energias mais pesadas. Cada pessoa que entra em uma casa de Umbanda traz consigo seu saco de lixo cheio (são seus pensamentos, suas raivas, suas desilusões…) e são os Exús os trabalhadores encarregados de juntarem todos estes sacos para descarregar, dando a cada um de nós a oportunidade de diminuirmos o nosso lixo e facilitando nossas próximas limpezas. Cada vitória nossa é para estas Almas trabalhadoras um passo no caminho do desenvolvimento. Nas sessões ritualísticas umbandistas, dificilmente um dirigente de terreiro tem força suficiente para desmanchar um trabalho de macumba, usando apenas o seu guia (ou orixás como queiram). Mesmo porque cada qual tem seu campo de ação limitado.
O preto-velho, o caboclo, por exemplo, não descem às camadas vibratórias mais densas com a finalidade de demandar com o exu, assim como o engenheiro não vai preparar argamassa ou carregar tijolos para a construção do edifício. Este o motivo pelo qual, consultamos o preto-velho ou o caboclo, percebendo tratar-se de caso pesado de magia negra, alegam ser coisa para o “compadre” resolver. Que chamem o exu da casa. Logo, cada um tem atribuições próprias dentro da área vibratória que lhe corresponde. Em alguns casos, pode o caboclo, o preto velho desmanchar trabalhos de Quimbanda, embora não seja o normal. Aos Exus de trabalho podemos pedir ajuda na solução de problemas e ajuda a outras pessoas, sempre conscientes do nosso e do merecimento alheio, sempre sob as Leis de Deus. Ao Exu Guardião devemos pedir somente auxílio nas questões pessoais, no sentido de amparo, sustentação, proteção e condução na linha reta evolutiva. A todos devemos sempre ter respeito, tratando-os com reverência, pela alcunha de senhores.
É necessário entender que na Umbanda não há matança de animal e nem trabalho de amarração. Não fazemos trabalhos para trazer a pessoa em “X” dias de volta. Fuja correndo de quem cobra por consultas ou trabalhos. Na Umbanda não existe nenhum tipo de cobrança. Lembre-se sempre: a Umbanda é Caridade!
A POMBA-GIRA
A Pomba-Gira é uma entidade espiritual de psiquismo feminino, pertencente, tanto às linhas da Umbanda como da Quimbanda. E um Exu mulher. Era invocada na Idade Média com o nome de Klepoth, como também é conhecida no Ocultismo. As Pomba-Giras adoram dançar, na maioria das vezes usam roupas coloridas, extravagantes, geralmente em tons de vermelho e preto, apreciam um bom cigarro, Champagne (em uma bela taça, lógico), a maioria delas se utilizam de rosas vermelhas em suas magias, são vaidosas, sensuais, e extremamente ligadas ao amor. Ajudam nas situações mal resolvidas do coração, que é fator predominante para se viver bem. Recebe seus presentes nas encruzilhadas em forma de “T”. Sua cor é o vermelho vivo, tanto nas velas como nas roupas e guias (colares). Adora rosas vermelhas, cor de sangue, roupas elegantes, joias e perfumes caríssimos. A Pomba-Gira comanda 7 falanges compostas de 7 legiões de Exus mulheres, cada uma das quais toma diversas identificações: Maria Padilha, Maria Molambo, Sete Saias, Sedutora, Pomba-Gira Menina, da Praia, das Almas, das Matas, etc. Algumas até adotando nomes curiosos pitorescos, como “Assanhada”, “Sirigaita”, “Provocante”, “Adúltera” e outros.
As moças, também chamadas assim de forma carinhosa por todos nós filhos de Umbanda, geralmente se manifestam na Gira dos Exus, pois são elas as companheiras dos Compadres. Cada uma do seu jeito, mas sempre com a beleza e a sensualidade estampadas em seus trejeitos. Assim são as moças, alegres, belas, e profundas conhecedoras do coração. Exu e Pomba Gira quando incorporados em seus médiuns, podem se apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. Mas mesmo na alegria não há desrespeito ou comportamentos inadequados a um templo religioso. Exu e Pomba Gira são espíritos em busca de evolução e compromissados com a espiritualidade superior. Agora, o que tem de obsessor que se faz passar por Exu e Pomba Gira não está no gibi! E a culpa é de quem? Dos médiuns invigilantes e trapaceiros! Que usam a sua mediunidade a serviço do astral inferior! São esses absurdos que fizeram com que a Umbanda e os Exus e Pomba Giras fossem tão detestados por outras religiões! Cada filho de Umbanda tem seu Exu individual e sua Pomba Gira. Cada um dos Orixás, com seus correspondentes padrões vibratórios, possui seus Exus. Vale ressaltar que a Gira de Exus e Pomba-giras são das mais concorridas pela assistência de Umbanda.
Agora já podemos começar a mudar nossos conceitos de Exú e Pomba Gira. Então, vamos ver os Exús como aqueles lixeiros alegres que passam pelas ruas recolhendo toda a “sujeira”. Vêm com brincadeiras e algazarras, mas fazem um trabalho enorme em benefício da sociedade, que, diga-se de passagem, é muito pouco reconhecido. E as Pomba-Giras seriam as “margaridas” mulheres que trabalham também na limpeza das ruas de nossa cidade, exercendo a sua profissão com presteza e determinação. Assim como devemos ter um conceito mais respeitoso do Exú, devemos também dedicar mais respeito aos trabalhos das Pombas Giras, deixando de encará-las como mulheres vulgares e da vida, que só vêm “para arranjar casamento” ou o que é pior, para desfazer casamentos… Isto é uma coisa absurda e vulgar… O trabalho da Pomba Gira é sério. É também um trabalho de descarrego, de limpeza, de união entre as pessoas. De abertura dos caminhos da vida, seja do ponto de vista material, mental ou espiritual.
Esses lixos são: nossos pensamentos e atos negativos, a sociedade desigual, perversa e preconceituosa, nossas emoções negativas e egoísta se sobrepondo a nossa capacidade de amar.
Por isso devemos respeitar ao máximo o trabalho dos Exús, levando-os a sério e não os desrespeitando e nem os menosprezando.
O EXU
Primeiramente há que se dizer que a forma original de Exu é humana, nada tem de partes de animais, porque os espíritos que compõe a falange de Exu são espíritos como nós. Então Exu tem dois braços, duas pernas, uma cabeça, dois olhos, enfim… São assim como nós. Foram homens e mulheres normais das mais variadas profissões. Não tem nada a ver com as imagens vendidas nas casas de artigos religiosos, com chifrinhos e rabos…
Exu não é o Diabo. Exu é entidade de luz (em evolução) com profundo conhecimento das leis magísticas e de todos os caminhos e trilhas do Astral Inferior. Na umbanda, os Exus trabalham em busca da evolução e da prática do bem, portanto ao contrário dos mitos envolto ao “Diabo” ou “Demônio”, os Compadres (Exus) trabalham para resolver os assuntos imediatos, mas nunca prejudicando alguém. Por mais humano que Exu se manifeste e se expresse, devemos sempre ter educação e respeito para nos dirigirmos mentalmente ou pessoalmente a qualquer um deles, pois são senhores Guias Espirituais que trabalham para Deus e os Divinos Orixás com caridade, responsabilidade e muitas vezes a nossa frente para nos defender e proteger de demandas e embates astrais negativos.
O Exu não é afigura grotesca, horrendas como mostram algumas estatuetas mal interpretadas. Na Umbanda, como ser humano, é idêntico a todos nós; mas sendo espírito desencarnado pode ser visto por sensitivos ou médiuns videntes ou aparece; materializado, tomando a forma que lhe convier: feia ou simpática, inclusive a de um homem viril, musculoso e bonito. Sua imagem com chifres e rabos é herança de sua identificação com o Satanás. E simplesmente um condicionamento proveniente de outras religiões. Não existe isso de que Exu tanto faz o mal como o bem e que depende de quem pede. Isso simplesmente não tem lógica. Como o Orixá iria “colocar” Exu como Guardião se ele não fosse confiável? Se ele se “vendesse” por um despacho, por cachaça, bichos, velas e outros absurdos que vemos nas encruzilhadas?
Se até uma criança sabe o que é “certo” e o que é “errado” Exu não vai saber? Exu não é idiota.
Talvez por sua semelhança conosco, os encarnados, estas entidades transmitam uma imagem de companheiros, de amigos dos mais chegados. Os Exus nas Giras de Umbanda apreciam uma boa bebida, um bom fumo, e uma conversa regada a boas gargalhadas. Deliciam-se com uma penosa (frango assado) e uma boa farofa no dendê. Os Exus conversam com seus consulentes com igualdade, são atualizados, pois nos acompanham lado-a-lado.
Por esse motivo têm a facilidade de resolver os assuntos “urgentes”, coisas que necessitam de solução imediata. O papel dos Exus é mais atuante do que se pensa. Além de serem mensageiros dos Caboclos e/ou Pretos-Velhos (depende de quem for o guia chefe do médium), ainda possuem uma destacada atuação junto a nós, pois são executores kármicos.
O que exatamente isto quer dizer? Quer dizer que se nós andarmos na linha justa, se nos habituarmos a cultivar pensamentos, sentimentos e atitudes equilibradas nosso karma será certamente reduzido ao longo da vida, e nosso amigo Exu nos ajudará em tudo. Mas, se caso assim não procedermos certamente esse mesmo amigo Exu entrará em ação, efetuando a cobrança kármica para conosco mesmos, sempre em nome da Lei Cósmica Divina. Temos que ter em mente que estes amigos nada fazem por si só.
Executam ordens de seus “chefes”, ou seja, nossos mentores espirituais. No trabalho do médium de Umbanda um desses Exus é o de frente. Exu é aquele que dá consulta e se coloca a serviço do Guia Chefe do médium. Exu tem mais luz que podemos supor, mas por amor ao Divino Criador e aos Amados Orixás serve à Luz nos campos trevosos, em combate a todos que blasfemam ou que atuam contra as Leis Divinas; Exu oculta sua luz pra poder entrar nos campos negativos em socorro ou combate; Exu verbaliza de forma humana para bem ser entendido por nós; Exu conhece e respeita as Leis Divinas, as Linhas de Trabalho e todos os médiuns que assim merecem ser tratados. Quando em função do trabalho que irá executar ou da “batalha” que irá travar Exu estuda o ambiente que irá entrar, em seguida vibrando numa faixa bem acima do meio que irá adentrar, estuda os seus “adversários”, suas intenções, seus planos, seus graus de compreensão, seus medos, etc. Estabelece uma estratégia e assume a configuração que irá atingir o ponto fraco da maioria do grupo que irá combater. Lembrando que Exu não trabalha sozinho, isso é feito em agrupamentos sob a supervisão direta de um enviado de Orixá. Com isto vemos outra capacidade de Exu, vibrar em faixas diferentes de energia.
E detalhe importantíssimo: tudo isso sem a necessidade de sacrifícios de animais e despachos em encruzilhadas, porque quem “recebe” tudo isso é kiumba! Lembrando ainda que isso dentro do Ritual de Umbanda!
Os guardiões são os espíritos responsáveis pela disciplina e pela ordem no ambiente. Os Exus são trabalhadores que se fazem respeitar pelo caráter forte e pelas vibrações que emitem naturalmente. Eles se encontram em tarefa de auxílio.
Conhecem profundamente certas regiões do submundo astral e são temidos pela sua rigidez e disciplina. Formam, por assim dizer, a nossa força de defesa, pois lidamos, em um número imenso de vezes, com entidades perversas, espíritos de baixa vibração e verdadeiros marginais do mundo astral, que só reconhecem a força das vibrações elementares, de um magnetismo vigoroso, e personalidade forte que se impõem. Essa é a atividade dos guardiões. Sem eles, talvez, as cidades estivessem à mercê de tropas de espíritos vândalos ou nossas atividades estivessem seriamente comprometidas.
São respeitados e trabalham à sua maneira para auxiliar quanto possam. São temidos no submundo astral, porque se especializaram na manutenção da disciplina por várias e várias encarnações. A reunião de Exú ou Gira de Exu tem como finalidade descarregar os médiuns e os consulentes. Unindo suas energias eles são capazes de entrar em contato e orientar mais facilmente as almas que ainda não encontraram um caminho. Estas almas vivem entre os encarnados, prejudicando-os, obsidiando-os e até mesmo trazendo-lhes um desequilíbrio tão grande que são considerados loucos. Para este trabalho eles necessitam muito de nosso equilíbrio e de nossa energia.
Nosso equilíbrio é utilizado por eles no momento em que as entidades sofredoras se manifestarem com ódio, rancor, raiva, para que tenhamos bons pensamentos e sentirmos verdadeiro amor e harmonia para que desta maneira tocamos seus sentimentos mais puros e não as deixemos tomar conta da situação e, quem sabe, até as persuadir a mudarem de caminho libertando-se assim do encarnado ao qual está ligada; nossa energia é utilizada em casos em que estas almas estão sofrendo com o desencarne, tristes, com dores, humilhadas, desorientadas, assim eles transformam as nossas energias em fluidos balsâmicos que as ajudam, em muito, na sua recuperação.
Muitas destas almas desorientadas não conseguem nem se aproximar dos Terreiros de Umbanda, pois os Exús da Tronqueira ficam encarregados de fazerem uma triagem liberando a passagem apenas das almas que eles percebem já estarem prontas para o socorro, ou seja, prontas para seguirem um novo caminho longe do encarnado ao qual estava apegada. Este trabalho de separação é feito por eles com muito empenho e seriedade e será melhor sucedido se o encarnado der continuidade ao mesmo, pelo menos melhorando os seus pensamentos e se livrando da negatividade e do medo.
Os EXÚS são almas que riem, fazem troça, mas não brincam em serviço. Por este motivo, gostaríamos que todos, não só os médiuns, tivessem por eles o maior respeito e consideração, pois são eles os nossos guardiões e, também, da sessão de Gira, reponsabilizando-se pela limpeza dos fluidos ou energias mais pesadas. Cada pessoa que entra em uma casa de Umbanda traz consigo seu saco de lixo cheio (são seus pensamentos, suas raivas, suas desilusões…) e são os Exús os trabalhadores encarregados de juntarem todos estes sacos para descarregar, dando a cada um de nós a oportunidade de diminuirmos o nosso lixo e facilitando nossas próximas limpezas. Cada vitória nossa é para estas Almas trabalhadoras um passo no caminho do desenvolvimento. Nas sessões ritualísticas umbandistas, dificilmente um dirigente de terreiro tem força suficiente para desmanchar um trabalho de macumba, usando apenas o seu guia (ou orixás como queiram). Mesmo porque cada qual tem seu campo de ação limitado.
O preto-velho, o caboclo, por exemplo, não descem às camadas vibratórias mais densas com a finalidade de demandar com o Exu, assim como o engenheiro não vai preparar argamassa ou carregar tijolos para a construção do edifício. Este o motivo pelo qual, consultamos o preto-velho ou o caboclo, percebendo tratar-se de caso pesado de magia negra, alegam ser coisa para o “compadre” resolver. Que chamem o Exu da casa. Logo, cada um tem atribuições próprias dentro da área vibratória que lhe corresponde. Em alguns casos, pode o caboclo, o preto velho desmanchar trabalhos de Quimbanda, embora não seja o normal. Aos Exus de trabalho podemos pedir ajuda na solução de problemas e ajuda a outras pessoas, sempre conscientes do nosso e do merecimento alheio, sempre sob as Leis de Deus. Ao Exu Guardião devemos pedir somente auxílio nas questões pessoais, no sentido de amparo, sustentação, proteção e condução na linha reta evolutiva. A todos devemos sempre ter respeito, tratando-os com reverência, pela alcunha de senhores.
É necessário entender que na Umbanda não há matança de animal e nem trabalho de amarração. Não fazemos trabalhos para trazer a pessoa em “X” dias de volta. Fuja correndo de quem cobra por consultas ou trabalhos. Na Umbanda não existe nenhum tipo de cobrança. Lembre-se sempre: a Umbanda é Caridade!
A POMBA-GIRA

A Pomba-Gira é uma entidade espiritual de psiquismo feminino, pertencente, tanto às linhas da Umbanda como da Quimbanda. E um exu mulher. Era invocada na Idade Média com o nome de Klepoth, como também é conhecida no Ocultismo. As Pomba-Giras adoram dançar, na maioria das vezes usam roupas coloridas, extravagantes, geralmente em tons de vermelho e preto, apreciam um bom cigarro, Champagne (em uma bela taça, lógico), a maioria delas se utilizam de rosas vermelhas em suas magias, são vaidosas, sensuais, e extremamente ligadas ao amor. Ajudam nas situações mal resolvidas do coração, que é fator predominante para se viver bem. Recebe seus presentes nas encruzilhadas em forma de “T”. Sua cor é o vermelho vivo, tanto nas velas como nas roupas e guias (colares). Adora rosas vermelhas, cor de sangue, roupas elegantes, joias e perfumes caríssimos. A Pomba-Gira comanda 7 falanges compostas de 7 legiões de Exus mulheres, cada uma das quais toma diversas identificações: Maria Padilha, Maria Molambo, Sete Saias, Sedutora, Pomba-Gira Menina, da Praia, das Almas, das Matas, etc. Algumas até adotando nomes curiosos pitorescos, como “Assanhada”, “Sirigaita”, “Provocante”, “Adúltera” e outros.
As moças, também chamadas assim de forma carinhosa por todos nós filhos de Umbanda, geralmente se manifestam na Gira dos Exus, pois são elas as companheiras dos Compadres. Cada uma do seu jeito, mas sempre com a beleza e a sensualidade estampadas em seus trejeitos. Assim são as moças, alegres, belas, e profundas conhecedoras do coração. Exu e Pomba Gira quando incorporados em seus médiuns, podem se apresentar de duas maneiras básicas: alegres ou sérios. Mas mesmo na alegria não há desrespeito ou comportamentos inadequados a um templo religioso. Exu e Pomba Gira são espíritos em busca de evolução e compromissados com a espiritualidade superior. Agora, o que tem de obsessor que se faz passar por Exu e Pomba Gira não está no gibi! E a culpa é de quem? Dos médiuns invigilantes e trapaceiros! Que usam a sua mediunidade a serviço do astral inferior! São esses absurdos que fizeram com que a Umbanda e os Exus e Pomba Giras fossem tão detestados por outras religiões! Cada filho de Umbanda tem seu Exu individual e sua Pomba Gira. Cada um dos Orixás, com seus correspondentes padrões vibratórios, possui seus Exus. Vale ressaltar que a Gira de Exus e Pomba-giras são das mais concorridas pela assistência de Umbanda.
Agora já podemos começar a mudar nossos conceitos de Exú e Pomba Gira. Então, vamos ver os Exús como aqueles lixeiros alegres que passam pelas ruas recolhendo toda a “sujeira”. Vêm com brincadeiras e algazarras, mas fazem um trabalho enorme em benefício da sociedade, que, diga-se de passagem, é muito pouco reconhecido. E as Pomba-Giras seriam as “margaridas” mulheres que trabalham também na limpeza das ruas de nossa cidade, exercendo a sua profissão com presteza e determinação. Assim como devemos ter um conceito mais respeitoso do Exú, devemos também dedicar mais respeito aos trabalhos das Pombas Giras, deixando de encará-las como mulheres vulgares e da vida, que só vêm “para arranjar casamento” ou o que é pior, para desfazer casamentos… Isto é uma coisa absurda e vulgar… O trabalho da Pomba Gira é sério. É também um trabalho de descarrego, de limpeza, de união entre as pessoas. De abertura dos caminhos da vida, seja do ponto de vista material, mental ou espiritual.
Esses lixos são: nossos pensamentos e atos negativos, a sociedade desigual, perversa e preconceituosa, nossas emoções negativas e egoísta se sobrepondo a nossa capacidade de amar.
Por isso devemos respeitar ao máximo o trabalho dos Exús, levando-os a sério e não os desrespeitando e nem os menosprezando.


JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...