A única certeza absoluta ao ser humano vivo é que a morte lhe acontecerá.
Muito diferente de qualquer outra espécie animal. O homem é o único que tem consciência de sua finitude e muito embora, a morte seja inevitável este é um fato que assombra a maioria de nós.
O
assombro da morte é uma angústia natural e que desde sempre foi
motivo de reflexão, objeto comum de investigação desde a filosofia
primitiva. Platão dizia que “preocupar-se
em morrer, é a boa via para filosofar”,
pois filosofar, é um investigar da existência.
Observemos.
Todos os pensadores da humanidade trataram deste tema em algum
momento.
A
morte portanto, é uma inquietação muito potencializada pelo fato
de não haver aviso prévio de acontecer. Sabemos que é um fato, mas
não sabemos quando acontecerá. Existe o medo da morte pelo medo de
sentir dor. Medo do desconhecido. Medo de que as convicções que
norteiam o indivíduo sobre a eternidade sejam um ledo engano ou
mesmo o medo de separar-se de seus entes amados.
Desta
forma vemos um exagero de tempo dedicado em preparar-se para a morte.
Tentando a bem da verdade estender o prazo do viver. Não que, querer
garantir a longevidade seja ruim, muito pelo contrário, mas
observamos um estender sem intensidade.
Penso
que ter a consciência de morte, é um privilégio para nós que
somos seres sociais. Numa perspectiva espiritual cremos que quando o
corpo perece, o espírito alça um novo e velho voo, retornando para
o plano espiritual. Portanto cabe-nos a preocupação, sobre com que
qualidade levamos a vida que vivemos.
“O que se leva da vida é a vida que leva”
Antoine
de Saint Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe certa vez disse
que “O
que se leva da vida é a vida que leva”.
Ao retornar para a pátria espiritual, cuide para que leve a memória
de grandes e profundas experiências. É dado o sentido da vida
aquelas experiências que nos tornam mais vivos e realizados. A vida
portanto, é marcada por momentos de profundidade, quer sejam
amargores de dor e medo, quer seja euforias de alegrias e lazer.
É
importante que sinta o viver, que a vida não seja pequena, fútil e
banal. Saber que a principal conquista a ser transportada além da
morte, é o impacto do que a vida lhe causou e que seja bela, que
tenha te oportunizado transcender. Sair deste contexto melhor do que
chegou, ter deixado um mundo melhor do que encontrou.
Não
levarás daqui um grão de conquistas materiais. Por isso, cuide para
se sua saúde não se esvaia numa busca exacerbada de materialidade.
Mesmo que a conquistas existam, cuide para que a herança não seja
posterior a você, motivo de desavenças e rupturas familiares.
Certifique-se
de que deixa uma lembrança viva de exemplo a ser seguido, de
inspiração aos seus, aos que ficam e que gozarão de saudade terna
pelo fato de ter deixado uma boa convivência.
Uma
vida fútil e banal é quando o indivíduo vive para si, para seu
próprio umbigo, seus próprios interesses e sua própria vaidade, é
uma vida egoísta sem complementariedade.
A
vida é mais bem vivida quando o indivíduo transborda de si.
Quando
seu existir transcende seu ego e suas necessidades também somam-se
às necessidades do outro. Quando você é capaz de interagir com o
outro numa somatória de contribuição ao seu entorno e ao seu
próximo, já que este lhe é percebido como sua extensão. Quando
seu interesse se acrescenta ao interesse do outro e assim se
estabelece relacionamentos vívidos e duradouros num compartilhamento
de reciprocidade coletiva e construtiva.
É
quando você não existe só para si, mas vive para o todo.
Aquele
que morre é lembrado pela vida que viveu, pelo que fez e falou,
então avalie como está vivendo sua vida, que lembrança quer
deixar? Pelo que será lembrado?
A
morte é inevitável. Assim como o pôr do sol todos os dias é
inevitável e se eu não temo o pôr do sol, é quase sem sentido o
medo da morte.
Viva
uma vida valorosa, preocupe-se em ser importante, não famoso, mas
ter importância para alguém. Que a lembrança de sua existência
seja viva, quando a morte acontecer e sempre estará vivo. Viva com
profundidade e intensidade.
Sinta
a vida pulsar em todas experiências para que quando o pôr de sua
vida acontecer, não seja assim um assombro.

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