quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

ADOLESCENTE DIANTE DA FAMÍLIA

Incontestavelmente, o lar é o melhor educandário, o mais eficiente, porque as lições aí ministradas são vivas e impressionáveis, carregadas de emoção e força. A família, por isso mesmo, é o conjunto de seres que se unem pela consanguinidade para um empreendimento superior, no qual são investidos valores inestimáveis que se conjugam em prol dos resultados felizes que devem ser conseguidos ao largo dos anos, graças ao relacionamento entre pais e filhos, irmãos e parentes.
Nem sempre, porém, a família é constituída por Espíritos afins, afetivos, compreensivos e fraternos.
Na maioria das vezes a família é formada para auxiliar os equivocados a se recuperarem dos erros morais, a repararem danos que forem causados em outras tentativas nas quais malograram.
Assim, pois, há famílias-bênção e famílias-provação. As primeiras são aquelas que reúnem os Espíritos que se identificam nos ideais do lar, na compreensão dos deveres, na busca do crescimento moral, beneficiando-se pela harmonia frequente e pela fraternidade habitual. As outras são caracterizadas pelos conflitos que se apresentam desde cedo, nas animosidades entre os seus membros, nas disputas alucinadas, nos conflitos contínuos, nas revoltas sem descanso.
Amantes que se corromperam, e se abandonaram, renascem na condição de pais e filhos, a fim de alterarem um comportamento afetivo e sublimarem as aspirações; inimigos que se atiraram em duelos políticos, religiosos, afetivos, esgrimindo armas e ferindo-se, matando-se, retornam quase sempre na mesma consanguinidade, a fim de superarem as antipatias remanescentes; traidores de ontem agora se refugiam ao lado das vítimas para conseguirem o seu perdão, vestindo a indumentária do parentesco próximo, porque ninguém foge dos seus atos. Onde vai o ser, defronta-se com a sua realidade que se pode apresentar alterada, porém, no âmago, é ele próprio.
A família, desse modo, é o laboratório moral para as experiências da evolução, que caldeia os sentimentos e trabalha as emoções, proporcionando oportunidade de equilíbrio, desde que o amor seja aceito como o grande equacionador dos desafios e das dificuldades.
Invariavelmente, por falta de estrutura espiritual e desconhecimento da Lei das reencarnações, as pessoas que se reencontram na família, quase sempre, dão vazão aos seus sentimentos e, ao invés de retificar os negativos, mais os fixam nos painéis do inconsciente, gerando novas aversões que complicam o quadro do relacionamento fraternal.
Às vezes, a afetividade como a animosidade são detectadas desde o período da gestação, predispondo os pais à aceitação ou à rejeição do ser em formação, que lhes ouve as expressões de carinho ou lhes sente as vibrações inamistosas, que se irão converter em conflitos psicológicos na infância e na adolescência, gerando distúrbios para toda a existência porvindoura.
Renasce-se, portanto, no lar, na família de que se tem necessidade, e nem sempre naquela que se gostaria ou que se merece, a fim de progredir e limar as imperfeições com o buril da fraternidade que a convivência propicia e dignifica.
Em razão disso, o adolescente experimenta na família esses choques emocionais ou se sente atraído pelas vibrações positivas, de acordo com os vínculos anteriores que mantém com o grupo no qual se encontra comprometido. Essa aceitação ou repulsão irá afetar de maneira muito significativa o seu comportamento atual, exigindo, quando negativa, terapia especializada e grande esforço do paciente, a fim de ajustar-se à sociedade, que lhe parecerá sempre um reflexo do que viveu no ninho doméstico,
A família equilibrada, isto é, estruturada com respeito e amor, é fundamental para uma sociedade justa e feliz. No entanto, a família começa quando os parceiros se resolvem unir sexualmente, amparados ou não pelo beneplácito das Leis que regem as Nações, respeitando-se mutuamente e compreendendo que, a partir do momento em que nascem os filhos, uma grande, profunda e significativa modificação se deverá dar na estrutura do relacionamento, que agora terá como meta a harmonia e a felicidade do grupo, longe do egoísmo e do interesse imediatista de cada qual.
Infelizmente, não é o que ocorre, e disso resulta uma sociedade juvenil desorganizada, revoltada, agressiva, desinteressada, cínica ou depressiva, deambulando pelos rumos torpes das drogas, da violência, do crime, do desvario sexual...
Os pais devem unir-se, mesmo quando em dificuldade no relacionamento pessoal, a fim de oferecerem segurança psicojlógica e física à progênie.
Essa tarefa desafiadora é de grande valia para o conjunto social, mas não tem sido exercida com a elevação que exige, em razão da imaturidade dos indivíduos que se buscam para os prazeres, nos quais há uma predominância marcante de egoísmo, com altas doses de insensatez, desamor e apatia de um pelo outro ser com quem se vive, quando as ocorrências não lhes parecem agradáveis ou interessantes.
Os divórcios e as separações, legais ou não, enxameiam, multiplicam-se em altas estatísticas de indiferença pela família, produzindo as tristes gerações dos órfãos de pais vivos e desinteressados, agravando a economia moral da sociedade, que lhes sofre o dano do desequilíbrio crescente.
O adolescente, em um lar desajustado, naturalmente experimenta as conseqüências nefastas dos fenômenos de agressividade e luta que ali têm lugar, escondendo as próprias emoções ou dando-lhes largas nos vícios, a fim de sobreviver, carregado de amargura e asfixiado pelo desamor.
Apesar dessa situação, cabe ao adolescente em formação de personalidade, compreender a conjuntura na qual se encontra localizado, aceitando o desafio e compadecendo-se dos genitores e demais familiares envolvidos na luta infeliz, como sendo seres enfermos, que estão longe da cura ou se negam a terapia da transformação moral.
É, sem dúvida, o mais pesado desafio que enfrenta o jovem, pagar esse elevado ônus, que é entender aqueles que deveriam fazê-lo, ajudar aqueles que, mais velhos e, portanto, mais experientes, tinham por tarefa compreendê-lo e orientá-lo.
O lar é o grande formador do caráter do educando. Muitas vezes, no entanto, lares infelizes, nos quais as pugnas por nonadas se fazem cruentas e constantes, não chegam a perturbar adolescentes equilibrados, porque são Espíritos saudáveis e ali se encontram para resgatar, mas também para educar os pais, servir de exemplo para os irmãos e demais familiares. Não seja, pois, de estranhar, os exemplos históricos de homens e mulheres notáveis que nasceram em lares modestos, em meios agressivos, em famílias degeneradas, e superaram os limites, as dificuldades impostas, conseguindo atingir as metas para as quais reencarnaram.
Quando o espírito da dignidade humana viger nos adultos, que se facultarão amadurecer os compromissos da progenitura, haverá uma mudança radical nas paisagens da família, iniciando-se a época da verdadeira fraternidade.
Quando o sexo for exercido com responsabilidade e não agressivamente, quando os indivíduos compreenderem que o prazer cobra um preço, e este, na união sexual, mesmo com os cuidados dos preservativos, é a fecundação, haverá uma mudança real no comportamento geral, abrindo espaço para a adolescência bem orientada na família em equilíbrio.
Seja, porém, qual for o lar no qual se encontre o adolescente, terá ele campo para a compreensão da fragilidade dos pais e dos irmãos, para avaliação dos seus méritos. Se não for compreendido ou amado, esforce-se para amar e compreender, tendo em vista que é devedor dos genitores, que poderiam haver interrompido a gravidez, e, no entanto, não o fizeram.
Assim, o adolescente tem, para com a família, uma dívida de carinho, mesmo quando essa não se dê conta do imenso débito que tem para com o jovem em formação. Nesse tentame, o de compreender e desculpar, orando, o adolescente contará com o auxílio divino que nunca falta e a proteção dos seus Guias Espirituais, que são responsáveis pela sua nova experiência reencarnatória.
Harmonia e paz.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

OXÓSSI

Odé era um grande caçador. Certo dia, ele saiu para caçar sem antes consultar o oráculo Ifá nem cumprir os ritos necessários. Depois de algum tempo andando na floresta, encontrou uma serpente: era Oxumaré em sua forma terrestre. A cobra falou que Odé não devia matá-la; mas ele não se importou, matou-a, cortou-a em pedaços e levou para casa, onde a cozinhou e comeu; depois foi dormir. No outro dia, sua esposa Oxum encontrou-o morto, com um rastro de cobra saindo de seu corpo e indo para a mata. Oxum tanto se lamentou e chorou, que Ifá o fez renascer como Orixá, com o nome de Oxossi.
Orixá da Caça e da Fartura 
Em tempos distantes, Odùdùwa, Rei de Ifé, diante do seu Palácio Real, chefiava o seu povo na festa da colheita dos inhames. Naquele ano a colheita havia sido farta, e todos em homenagem, deram uma grande festa comemorando o acontecido, comendo inhame e bebendo vinho de palma em grande fartura. De repente, um grande pássaro, pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos, e lançando farpas de fogo, com intenção de destruir tudo que por ali existia, pelo fato de não terem oferecido uma parte da colheita as feiticeiras Ìyamì Òsóróngà. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei então mandou buscar Osotadotá, o caçador das 50 flechas, em Ilarê, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. Chamou desta vez, das terras de Moré, Osotogi, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi, convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras de Idô, Osotogum, o guardião das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança, resolveram convocar da cidade de Ireman, Òsotokànsosó, caçador de apenas uma flecha. Sua mãe, sabia que as èlèye viviam em cólera, e nada poderia ser feito para apaziguar sua fúria a não ser uma oferenda, uma vez que três dos melhores caçadores
falharam em suas tentativas. Ela foi consultar Ifá para Òsotokànsosó. Os Babalaôs disseram para ela preparar oferendas com ekùjébú (grão muito duro), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas), èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). A mãe de Òsotokànsosó fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda". Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua guarda recebendo a oferenda ofertada pela mãe do caçador, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsotokànsosó. Todos após tal ato, começaram a dançar e gritar de alegria: "Oxossi! Oxossi!" (caçador do povo). A partir desse dia todos conheceram o maior guerreiro de todas as terras, foi referenciado com honras e carrega seu título até hoje. Oxossi.
Dia 20 de janeiro comemoramos o “Dia de São Sebastião” sincretizado pela igreja católica com o orixá Oxóssi.
Oxóssi na umbanda é considerado patrono da linha dos caboclos, atuando para o bem-estar físico e espiritual dos seres humanos. Oxóssi é o orixá da caça e da fartura.
Oxóssi é patrono da linha de caboclos
Os caboclos, na umbanda, são entidades que se apresentam como indígenas e incorporam também no candomblé de caboclo.
As entidades assim denominadas que se apresentam nos terreiros de umbanda são espíritos com um alto grau espiritual de evolução.
Geralmente se utilizam de charutos, folhas, ervas diversas para provocar a descarga espiritual de seu médium e também do seu consulente. Alguns assoviam, outros bradam no ato da incorporação. Costumam ser bastante sérios nos seus conselhos. São considerados, portanto, grandes trabalhadores dos terreiros e eficientes feiticeiros do bem.

Divindade da caça que vive nas florestas. Seus principais símbolos são o arco e flecha, chamado Ofá, e um rabo de boi chamado Eruexim. Em algumas lendas aparece como irmão de Ogum e de Exú.
Oxossi é o rei de Keto, filho de Oxalá e Yemanjá, ou, nos mitos, filho de Apaoka (jaqueira). É o Orixá da caça; foi um caçador de elefantes, animal associado à realeza e aos antepassados. Diz um mito que Oxossi encontrou Iansã na floresta, sob a forma de um grande elefante, que se transformou em mulher. Casa com ela, tem muitos filhos que são abandonados e criados por Oxum.
Oxossi vive na floresta, onde moram os espíritos e está relacionado com as árvores e os antepassados. As abelhas pertencem-lhe e representam os espíritos dos antepassados femininos. Relaciona-se com os animais, cujos gritos imita a perfeição, e caçador valente e ágil, generoso, propicia a caça e protege contra o ataque das feras. Um solitário solteirão, depois que foi abandonado por Iansã e também porque na qualidade de caçador, tem que se afastar das mulheres, pois são nefastas à caça.
Está estreitamente ligado a Ogum, de quem recebeu suas armas de caçador. Ossãe apaixonou-se pela beleza de Oxossi e prendeu-o na floresta. Ogum consegue penetrar na floresta, com suas armas de ferreiro e libertá-lo. Ele esta associado, ao frio, à noite, à lua; suas plantas são refrescantes.
Em algumas caracterizações, veste-se de azul-turquesa ou de azul e vermelho. Leva um elegante chapéu de abas largas enfeitados de penas de avestruz nas cores azul e branco. Leva dois chifres de touro na cintura, um arco, uma flecha de metal dourado. Sua dança sumula o gesto de atirar flechas para a direita e para a esquerda, o ritmo é "corrido" na qual ele imita o cavaleiro que persegue a caça, deslizando devagar, às vezes pula e gira sobre si mesmo. É uma das danças mais bonitas do Candomblé.
Orixá das matas, seu habitat é a mata fechada, rei da floresta e da caça, sendo caçador domina a fauna e a flora, gera progresso e riqueza ao homem, e a manutenção do sustento, garante a alimentação em abundância, o Orixá Oxossi está associado ao Orixá Ossaê, que é a divindade das folhas medicinais e ervas usadas nos rituais de Umbanda.
Irmão de Ogum, habitualmente associa-se à figura de um caçador, passando a seus filhos algumas das principais características necessárias a essa atividade ao ar livre: concentração, atenção, determinação para atingir os objetivos e uma boa dose de paciência.
Segundo as lendas, participou também de algumas lutas, mas não da mesma maneira marcante que Ogum.
No dia-a-dia, encontramos o deus da caça no almoço, no jantar, enfim em todas as refeições, pois é ele que provê o alimento. Rege a lavoura, a agricultura, permitindo bom plantio e boa colheita para todos.
Segundo Pierre Verger, o culto a Oxossi é bastante difundido no Brasil mas praticamente esquecido na África. A hipótese do pesquisador francês é que Oxossi foi cultuado basicamente no Keto, onde chegou a receber o título de rei. Essa nação, porém foi praticamente destruída no século XIX pelas tropas do então rei do Daomé. Os filhos consagrados a Oxossi foram vendidos como escravos no Brasil, Antilhas e Cuba. Já no Brasil, o Orixá tem grande prestígio e força popular, além de um grande número de filhos.
O mito do caçador explica sua rápida aceitação no Brasil, pois identifica-se com diversos conceitos dos índios brasileiros sobre a mata ser região tipicamente povoada por espíritos de mortos, conceitos igualmente arraigados na Umbanda popular e nos Candomblés de Caboclo, um sincretismo entre os ritos africanos e os dos índios brasileiros, comuns no Norte do País.
Talvez seja por isso que, mesmo em cultos um pouco mais próximos dos ritos tradicionalistas africanos, alguns filhos de Oxossi o identifiquem não com um negro, como manda a tradição, mas com um Índio.
Oxossi é o que basta a si mesmo. A ele estiveram ligados alguns Orixás femininos, mas o maior destaque é para Oxum, com quem teria mantido um relacionamento instável, bem identificado no plano sexual, coisa importante tanto para a mãe da água doce como para o caçador, mas difícil no cotidiano, já que enquanto ela representa o luxo e a ostentação, ele é a austeridade e o despojamento.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

MAGNA CARTA, UMBANDA!

Congregamos as diferenças através do diálogo, defendemos a posição religiosa, que é de mostrar que a Umbanda é uma religião que enternece aos corações, fala às almas orienta-as, infunde coragem e jamais atemoriza. Sob a égide de Jesus, conduz o homem a Deus.
Divulgamos a Umbanda, como fonte viva de crescimento espiritual, e através dos postulados elaborados neste Congresso, ficará clara a posição da Umbanda perante a sociedade.
A “Carta Magna” é um conjunto de postulados para se transformar em ações, que tem como objetivo posicionar a todos, a religião de Umbanda em seus princípios básicos.

As propostas elaboradas não estão finalizadas; estarão dispostas para apreciação e avaliação, para traçarmos as melhores formas de abordar os temas. Nos Fóruns, realizaremos os debates, com a opinião dos presentes, para assim, todos, contribuírem.

CARTA MAGNA DA UMBANDA
A Umbanda é uma religião que crê na existência de um Deus único, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, onipotente, soberanamente justo e bom, infinito em todas as Suas perfeições.

Cremos na existência dos Sagrados Orixás, responsáveis diretos por toda a criação do universo e sustento do Planeta Terra. Não são deuses, mas sim denominações humanas para uma classe de Poderes Reinantes do Divino Criador.
Cremos na existência e comunicação mediúnica, através de medianeiros preparados para tal tarefa, em trabalhos caritativos em atendimentos fraternos dos Guias Espirituais, os Espíritos Tutelares, também conhecidos como Espíritos Santos de Deus ou Santas Almas Benditas.
Dando por verdade que a Umbanda teve contribuições positivas das religiões e/ou filosofias Espírita, Indígenas, Africanas e do Catolicismo popular, aceitando tudo o que é bom e rejeitando tudo o que não coaduna com as necessidades espirituais religiosas do conceito Umbandista. Entendendo que a Umbanda não se submete a nenhum dogma relacionado às religiões ou filosofias citadas, sendo livre de interferências.
Cremos em Jesus (Oxalá), incondicionalmente, sendo Ele o pilar central da Umbanda, pautando o aspecto doutrinário embasado nos Evangelhos (segundo Marcos, segundo Mateus, segundo João e segundo Lucas) e nos ensinamentos dos Espíritos Crísticos, os Mestres do Amor como via evolutiva para se chegar a uma espiritualidade superior.
Possui sacramentos e ritos próprios de batismo, casamento e fúnebre.
A Umbanda é uma religião de “Culto a Caridade”. Dá ênfase a simplicidade dos rituais, que permite a dedicação integral do tempo das sessões em atendimento fraterno aos que a ela recorrem. Nos atendimentos fraternos está o assistencialismo da Umbanda sempre de forma caritativa.
Cremos na existência de sítios vibratórios da Natureza (praias, matas, cachoeiras, pedreiras, montanhas, campos, lagoas, fontes, jardins, etc.), por onde os Sagrados Orixás manifestam-se vibratoriamente com mais intensidade emanando magnetismos necessários à nossa sobrevivência, e aonde vamos constantemente promovendo concentrações para refazimento energético, harmonizações e captação de energias sublimes, nos reequilibrando com as forças da Mãe Natureza. A Umbanda reverencia a Mãe Natureza, por ser nela que se encontram a mais pura manifestação Divina, e onde também iremos buscar e nos harmonizar com as forças ali reinantes, sustentadoras de toda a forma de vida planetária. Atraindo ainda forças do universo para complementar tais vibrações já existentes em nosso planeta, unindo assim poderosas forças divinizadas existentes nos planos espirituais.
Os principais ritos da Umbanda são realizados através de orações, pontos cantados, que podem ser ritmados através de instrumentos musicais. Realizando descarregos, com o uso de ervas em defumações, em banhos, em amacis, e no uso ritualístico do tabaco. Tendo ainda nos elementos minerais, formas condessadas de energias que são aproveitadas nestes ritos, tais como: pedras, cristais, metais, incluindo a energia essencial dos quatro elementos básicos da natureza.
A Umbanda atua na elevação e educação religiosa e evolução dos espíritos praticando trabalhos que visam este progresso do ser humano, direcionando a reforma intima através dos postulados de Jesus que são ensinados pelos guias espirituais que se manifestam nos templos de Umbanda.
Entende-se que a religião de Umbanda, é genuinamente brasileira, com duas características em sua origem:
Primeira:
É Milenar porque seus fundamentos são os mesmos que presidiam o reencontro com Deus desde o início da raça humana em nosso planeta.

Cósmica porque seus fundamentos culminaram com a união preconizada pelo Movimento Umbandista dos quatro pilares do conhecimento humano, que são: Filosofia, Ciência, Religião e Arte.
Evolutiva em suas manifestações, porque a Umbanda se manifesta em seu dia a dia, utilizando todos os recursos positivos existentes no ontem, no hoje e com certeza usará os que vierem no amanhã.

Crística porque os seus aspectos, princípios, postulados e finalidades estão calcados nos ensinamentos dos Mestres da Luz, principalmente no Mestre Jesus, sendo a manifestação e a vivência do Evangelho Redentor, aceitando tudo o que é bom é rejeitando tudo o que eleva e encaminha ao crescimento e desenvolvimento do ser humano.
Brasileira em suas origens. Como prática religiosa, surgiu e se desenvolve no Brasil.
Segunda:
Que foi instituída pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas através da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, em 15 de Novembro de 1908, em Neves/Niterói, anunciando pela primeira vez o termo “Umbanda”, como designativo de religião. Na mesma noite, revelou-se um Guia Espiritual, apresentando-se como Pai Antonio; era a presença de um Preto-Velho, a sacralização de um representante “africano” na Umbanda.

Umbanda é o sinônimo de prática religiosa e caritativa, não tendo cobrança pecuniária como uma de suas práticas usuais; não se permite retribuição financeira pelos atendimentos fraternos ou pelos trabalhos realizados, sejam eles quais forem. Damos de graça o que de graça recebemos. Mas, é lícito o chamamento dos médiuns e das pessoas que frequentam os Terreiros no sentido de mensalmente, contribuírem espontaneamente para a manutenção do mesmo ou para a realização de eventos de cunho religioso e assistencial aos mais necessitados. Vivemos para a Umbanda e não da Umbanda.
A Umbanda não pratica o sacrifício de animais para assentamentos magísticos, quer para homenagear Orixás, Guias Espirituais, Exus e Pombas-Gira, quer para fortificar mediunidades, ou mesmo em processos ofertatórios ou demandatórios para obtenção de favores de qualquer ordem, pois recorre às orações, Descarregos (desobsessões), ou se preciso, oferendas votivas de flores, bebidas, frutos, sucos, chás, alimentos, incensos, velas, ou seja, produtos naturais e de elevada vibração em manipulações magísticas, isentas de materiais de energia vibratória densa (sangue, ossos, carnes, etc), uma vez que um dos objetivos da Umbanda é elevar e sublimar o Espírito dos seus iniciados e assistidos, levando-os a compreender e interiorizar a Verdade de que o Espírito é superior à Matéria. A reforma íntima, fé, amor, orações são os principais fundamentos religiosos da Umbanda e suas práticas ofertatórias são isentas de materiais de baixa energia vibratória (sangue, ossos, carnes, etc.). A Oferenda votiva, além de operação magística, é também uma reverência espontânea aos Sagrados Orixás e é recomendada a sua prática aos seus fiéis.
A UMBANDA É :
DOAÇÃO, CARIDADE, COMPROMISSO, PROSPERIDADE
Doação– A Umbanda tem no voluntariado a forma de crescimento natural da religião, onde a participação se faz fundamental. É através da doação que o medianeiro aprende a valorizar seu templo e socializa-se com seus irmãos.

Caridade– A ação caritativa é uma das formas da elevação do espírito. Fora da caridade não existe a compreensão da missão evolutiva do religioso de Umbanda. A caridade é a expressão máxima do aprendizado religioso em sua plenitude pelo médium de Umbanda.
Compromisso– A Umbanda tem no médium compromissado com o bem, com a verdade, com a lealdade, com a caridade, com a entrega pessoal, com o respeito, a essência do verdadeiro religioso como forma de evolução.
Prosperidade– Dizem os Espíritos: “Conquistarás tudo com o suor do teu rosto”. Ainda nos alertam: “Não venham pedir a espiritualidade, àquilo que é da sua competência”. A prosperidade se dá pela honestidade, esforço, conhecimento e trabalho individual, onde amparado por sua fé e merecimento, conquistará seus objetivos.
RACISMO
A Umbanda é uma religião brasileira e assim como seu povo que é miscigenado, existindo a representação de várias etnias. A Umbanda é o exemplo inter-etnico e responde por ela mesma, pois tem em sua base o negro o indígena e o europeu. Mostra-se como exemplo de cultura e educação, coibindo qualquer forma preconceituosa. O racismo é, antes de tudo, uma demonstração de atraso espiritual e desconhecimento das leis divinas. Aquele que diminui ou persegue o irmão pela cor da pele ou por qualquer outra característica étnica, viola o grande mandamento, síntese de toda a lei e dos profetas, “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

OPÇÃO SEXUAL
Na Umbanda todo ser humano é visto como irmão (a) espiritual, sendo aceita qualquer orientação sexual. Assim a religião entende e acolhe espíritos e não o gênero. Discriminação e preconceito, não são ensinados pelos nossos guias, entendendo que a Umbanda acolhe a todos. Encarnamos com propósitos e escolhas, sendo fundamental respeitarmos o livre arbítrio da escolha pessoal de cada indivíduo. Homossexualidade é somente questão de foro íntimo.

DROGAS
Todos que recorrem aos Terreiros de Umbanda encontrarão o lado assistencialista. O dependente químico deve ser tratado sem aspectos preconceituosos, tendo total assistência por parte da religião de Umbanda.

A Umbanda respeita a vontade do individuo em buscar e aceitar o tratamento espiritual.
Deve ser observado e respeitado nos tratamentos, o lado psicológico, o comprometimento químico e atenção espiritual para o dependente e sua família.
EUTANÁSIA / DESTANÁSIA/ ORTOTANÁSIA / SUICÍDIO / HOMICÍDIO/ ASSASSINATO
A Umbanda, por valorizar a vida, nos aspectos terreno e espiritual, entende que a passagem deve ser natural, respeitando a Lei do carma e aprendizados importantes ao Espírito.

Só o Criador através de Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência sabe o momento do desenlace carnal daquele indivíduo.
Mesmo no caso em que a morte é inevitável e em que a vida não é abreviada senão por alguns instantes, a eutanásia é sempre uma falta de resignação e de submissão à vontade do Divino Criador.
Práticas que atentam contra a vida, seja de que forma for, humana ou animal, não são aceitos pela Umbanda.
Homicídio cometido por um agente público ou profissional (segurança ou policial) no exercício de sua profissão, não possuem ônus espirituais sob tais fatos, onde o Estado passa a ser responsável. Neste caso podemos muitas vezes entender que o profissional é apenas um agente da espiritualidade executando as leis do Karma.
Distanásia do ponto de vista clínico e espiritual, não fere o conceito religioso de umbanda pelo fato de tentar prolongar a vida do ser.
Ortotanásia não fere os conceitos religiosos e espirituais, pois é a morte natural do ser sem a utilização de meios artificiais ou qualquer interferência humana.
ABORTO
A Umbanda é contra a prática do aborto.
Entende-se que a partir da concepção já existe vida, um Espírito que anseia por sua evolução.

As observações dos resgates espirituais, através dos acontecimentos, necessitam ser levados em consideração.
Há crime sempre que transgredimos a Lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja que provoca o aborto, em qualquer período da gestação, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.

Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe dela, preferível, por bom senso, manter a vida da mãe.
O aconselhamento direto com os Guias Espirituais é fundamental para que as ações sejam feitas sempre baseadas na espiritualidade.
Caso ocorra ou tenha ocorrido o aborto por decisão de qualquer natureza, a Umbanda, seguindo os postulados de Jesus Cristo, não condena e perdoa a ação.
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
A Umbanda não aceita qualquer forma de violência doméstica, atendendo aos parâmetros da legislação vigente com destaque para: Estatutos do Idoso e da Criança e do Adolescente, Leis de proteção à mulher e a Carta das Nações Unidas (ONU), onde os direitos da pessoa humana devem ser preservados, combatendo qualquer tipo de violência doméstica.

O PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE
A Umbanda defende o direito de igualdade, onde a mulher deve ocupar qualquer posição com o mesmo tratamento.
As mulheres na Umbanda estão em todos os níveis hierárquicos da religião, mostrando a toda sociedade o exemplo a ser seguido. Entendemos que a religião de Umbanda é exemplo a todos os segmentos religiosos, pois valorizamos as mulheres em seu exercício sacerdotal.

PEDOFILIA / MAUS TRATOS
A Umbanda não aceita qualquer forma de ato que atente contra a criança e o adolescente, em especial os casos de pedofilia e maus tratos, e defende que as Leis já estabelecidas devam ser aplicadas.

Pessoas que possuem desvio de conduta podem estar sendo obsidiadas, ou mesmo necessitam de acompanhamento psicológico, unido de orientação espiritual.
POSICIONAMENTO E ÉTICA EM RELAÇÃO À UMBANDA E OUTRAS RELIGIÕES
A Umbanda traz em si a base religiosa que deve ser respeitada. Amar, respeitar, não julgar, não caluniar, atuar sempre com verdade, na base do bem, da educação e da elevação.

O posicionamento ético em qualquer religião deve se basear em tais atributos, manifestado pelo verdadeiro religioso de Umbanda.
Sobre a questão inter-religiosa a Umbanda respeita todas as religiões e busca o Estado Laico, não discriminando nenhum tipo de manifestação religiosa que vise o respeito e evolução do ser humano.

Cremos na afirmação de que as religiões constituem os diversos caminhos de evolução espiritual, que conduzem a Deus.
SOBRE OS MÉDIUNS E ASSISTIDOS
Os médiuns e assistidos em geral são vistos como religiosos e devem agir como tal, acreditando em Deus, nos Orixás e Guias Espirituais, possuir os atributos da Fé, amar seu semelhante, não julgar, jamais caluniar, ser um pacificador, estar a serviço do bem e jamais utilizar o seu conhecimento de forma torpe. Estes atributos são posicionamentos éticos para todos que comungam da Fé umbandista.

CANDIDATOS A POLÍTICA NA UMBANDA
A Umbanda exige que todo candidato que se apresente dentro da religião, concorde, se comprometa e assine documento público com o compromisso de seguir a “Carta Magna de Umbanda”. Assumindo sua posição expondo em seu próprio site, blog e em suas redes sociais.

Entendendo que este documento protege a religião de oportunistas e pessoas mal intencionadas.
Para tanto, a religião deve estar apontando qualquer tipo de possível desvio de comportamento do possível representante da religião.

ENSINO RELIGIOSO
A Umbanda indica a inclusão nas matérias de filosofia, história, sociologia, antropologia, incluindo o estudo da Carta Magna de Umbanda como fonte didática e como forma de inclusão social. Assim como as demais religiões, a Umbanda passa a ter um documento que esclarece de forma objetiva, seus postulados.

CONCEITOS – UMBANDA NO MUNDO E JURÍDICOS
A Umbanda é um conjunto de leis que regem a vida e a harmonia do Universo. Como religião ou como ciência, na Umbanda, tanto na prática ritualística material como na esfera espiritual das comunidades umbandistas, só se conhece uma hierarquia: a da evolução de cada Espírito nos diversos planos da criação, e a vibratória estabelecida pelo mérito de cada um. A par do conhecimento perfeito da vida, a Umbanda aproveita o ambiente material fornecido pela vibração humana para abrir o verdadeiro caminho da sabedoria onde se aprende que a verdade ou a realidade final do Universo é imutável. Dentro da concepção de que o aproveitamento material fornecido pelo homem é força ativa indispensável à realização da Umbanda, sobre o médium é que repousa integral responsabilidade, somente excedida pela sua própria compreensão quanto à missão que lhe é, por escolha, auto- imposta. A Umbanda é uma síntese expressiva de Amor, Sabedoria, Respeito, Tolerância e Renúncia, tal qual nos deparamos através do Evangelho de Jesus e dos ensinamentos Crísticos através dos Mestres do Amor que militam a religião. O Umbandista dela se serve como meio de progresso e defesa, mas nunca como instrumento de ataque. Esta síntese de concepção atende tanto a uniformidade das comunidades Umbandistas, como diretamente fica subordinada às manifestações dos diversos planos de criação, quando emanadas de uma determinação superior, única e universal.

A Umbanda esta em vários países, levando a paz e a elevação de uma religião que defende os direitos pela igualdade, respeitando a pluralidade de cada nação. As bases da “Carta Magna de Umbanda” são os princípios seguidos por religiosos de Umbanda pelo Mundo.
A Umbanda como religião ecológica, tem em seus seguidores os defensores da Natureza. Entendemos que os Sagrados Orixás manifestam-se magneticamente com mais intensidade nos sítios vibratórios da Natureza, e aonde vamos constantemente promovendo concentrações para refazimento energético, harmonizações e captação de energias sublimes, nos reequilibrando com as forças da Mãe Natureza.
Observamos que não cabe á nenhum umbandista cultuar despachos que em sua composição vão estar animais sacrificados.
As oferendas votivas realizadas pelos umbandistas no seio da Natureza, além de simples, são, todas, efetuadas com materiais biodegradáveis, que rapidamente se incorporarão ao meio ambiente.
Do ponto de vista administrativo jurídico – A Carta Magna de Umbanda defende a necessidade de organização jurídica e administrativa, no que diz respeito a organização dos Templos e Federações.
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
A Doutrina Umbandista vê com bons olhos a doação de órgãos.
Fazemos das palavras de Chico Xavier, as nossas:
Perguntaram a Chico Xavier se os Espíritos consideram os transplantes de órgãos prática contrária às leis naturais.
Chico respondeu: “Não. Eles dizem que assim como nós aproveitamos uma peça de roupa que não tem utilidade para determinado amigo, e esse amigo, considerando a nossa penúria material, nos cede essa peça de roupa, é muito natural, aos nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com segurança e proveito”.

Mesmo que a separação entre o Espírito e o corpo não se tenha completado, a Espiritualidade dispõe de recursos para impedir impressões penosas e sofrimentos aos doadores. A doação de órgãos não é contrária às Leis da Natureza, porque beneficia, além disso, é uma oportunidade para que se desenvolvam os conhecimentos científicos, colocando-os a serviço de vários necessitados.
CREMAÇÃO
Nada aventamos fundamentalmente contra a cremação.
A cremação é legítima para todos aqueles que a desejem, desde que haja um período de, pelo menos, 72 horas de expectação para a ocorrência em qualquer forno crematório, o que poderá se verificar com o depósito de despojos humanos em ambiente frio. Esse período é necessário, pois existem sempre muitos ecos de sensibilidade entre o Espírito desencarnado e o corpo onde se extinguiu o “tônus vital”, nas primeiras horas sequentes ao desenlace, em vista dos fluidos orgânicos que ainda solicitam a alma para as sensações da existência material.

O sepultamento ou a cremação nada mais representam, para a alma, que a desagregação mais lenta ou mais rápida das estruturas entretecidas em agentes físicos, das quais se libertou.


O SEU TERREIRO É PROLONGAMENTO DE SUA CASA? AJUDE-O!

Deve haver dentro de cada um de nós, a consciência de que a nossa responsabilidade espiritual não se limita a “vestir o branco”, e participar das Sessões Espíritas. Temos que nos mostrar sempre presentes e dispostos a ajudar, colaborando ativamente e financeiramente com a manutenção do nosso Terreiro, - nosso Chão. O Chão que o acolheu! É nosso dever mantê-lo em funcionamento, levando a sério o pagamento de nossa contribuição financeira.
Sem dinheiro, mal podemos nos locomover, não conseguimos pegar um ônibus, comer, ou fazer parte de qualquer atividade social, a menos que essa entidade se auto mantenha, mas mesmo assim, para o Terreiro se manter de pé, alguém estará custeando as suas atividades e as nossas presenças. Quando um Terreiro nos abre as portas para uma sessão de culto e ou uma reunião festiva em louvação aos Orixás, ou mesmo para uma simples consulta espiritual, por mais humilde que seja o templo, esteja certo de que está havendo uma despesa para que essa atividade se realize! E, se somos recebidos gratuitamente, alguém está custeando as despesas para a realização dessa empreitada espiritual. Alguém irá pagar a conta.
A Umbanda não cobra DÍZIMO e nem “mão de obra” pelos trabalhos espirituais realizados nos Templos, que são as Casas dos Orixás, espaços simples e acolhedores, onde com os nossos pés no chão, sentimos a força e a leveza da Energia Espiritual, também constatamos ali, todo o nosso potencial de realização que emana da energia do Terreiro indo além de nossa imaginação.
O fato de não se cobrar o DÍZIMO, não significa ausência de despesas, é claro que não! Sabemos das inúmeras despesas de um Terreiro, dentre elas, luz, água, produtos de limpeza, velas, defumação, bebidas, fumo e outros materiais ritualísticos, além de encargos e cobranças relativas à legalização e contabilidade de um Terreiro!
Tudo isso, sem falarmos de pagamento de alugueres em alguns casos.
Será que o Dirigente Espiritual, o Diretor de Culto, ou Diretora de Culto, deve arcar com essas despesas a fim de fazer valer sua condição de “proprietário” do terreiro”? Serão os Diretores, os maiores beneficiados nos trabalhos espirituais realizados nos Terreiros? Não ! Não é ! O Terreiro é um espaço nosso, e sagrado, ele é um prolongamento da nossa casa. E, o Dirigente Espiritual, em sua Sublime condição de “Médium Dirigente”, ao realizar o seu Trabalho Espiritual em cumprimento de suas Atribuições Cármicas, simultaneamente, ele amenizando o “peso cármico” de cada um dos seus Filhos no Santo, seus afilhados espirituais. O Dirigente Espiritual, literalmente com os pés no chão”, humildemente, cumpre a sua nobre Missão Espiritual, ao mesmo tempo, trabalhando em prol de seu Crescimento Espiritual e de todo o grupo de médiuns e consulentes, pacientemente e generosamente, nos dedicando a maior parte do seu tempo. Por tudo isso e por todo o seu desprendimento, nos impõe o salutar dever Moral e Espiritual de ajudá-lo na condução e manutenção do nosso Templo.
Portanto, deve haver dentro de cada um de nós, a consciência de que a nossa responsabilidade espiritual não se limita a “ vestir o branco”, e participar das Sessões Espíritas. Temos que nos mostrar sempre presentes e dispostos a ajudar sempre, colaborando ativamente e financeiramente com a manutenção do nosso Terreiro, - nosso Chão. O Chão que nos acolheu! É nosso dever mantê-lo em funcionamento, levando a sério também a nossa contribuição financeira.
Na verdade, o Terreiro é uma Grande Família. O sentimento de irmandade, fraternidade, amor e respeito, reinante no seio do Terreiro, constitui a base de um Grande Elo de Corrente Espiritual. Por outro lado, todos nós temos Direitos e Deveres, temos responsabilidades e obrigações uns com os outros, essa consciência grupal faz parte de nosso trabalho espiritual. A generosidade faz parte de nossa elevada missão de Médium.
Sabemos que há muitos irmãos que só procuram o Terreiro, quando necessitam de orientação para seus problemas existenciais, como se procurassem uma clínica médica, um Analista e seu Divã. No Terreiro, ao invés do Divã, sentam no Tosco Banquinho do Preto Velho ou da Preta Velha; contam suas magoas e queixas e, resolvidos os seus conflitos, alguns passam a condição de visitantes costumeiros, e com o passar do tempo, acabam se conscientizando da importância de suas atribuições cármicas e, como Médium em desenvolvimento, passam a fazer parte daquela Família Espírita. Outros, após sanados seus problemas interiores , se ausentam até que surja outro problema. Esses Visitantes eventuais, não conhecem intimamente a importância do exercício da mediunidade, deixam para atrás a oportunidade de fazer parte do convívio daquele Terreiro. Esses visitantes ocasionais desconhecem a verdadeira importância de ser Médium!
Um Médium não fica “parado” ouvindo discursos preconcebidos, baseados em “verdades prontas”. O Médium é um Ser em Evolução Espiritual, buscando a sua própria Verdade. O Médium é um Elo na Escalada Espiritual, contribuindo em suas múltiplas manifestações mediúnicas, para o seu próprio aperfeiçoamento religioso e cultural, indiretamente e dentro de seus limites, contribuindo para o aperfeiçoamento da própria Espécie Humana.
Pense bem sobre isso!


segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

ORIXÁ YORIMÁ

ORIXÁ YORIMÁ A LINHA DE YORIMÁ NA UMBANDA - ASTROLÓGICA OS 7 ORIXÁS MENORES - Yorimá (Pais ou Pretos Velhos)
Orixá Yorimá também é de vibração original - Yori e Má que juntos significam “a essência divina em ação”. É a linha dos Pretos-Velhos. Atua no chacra básico, sua cor fluídica é o violeta, seu metal correspondente é o chumbo, seu dia da semana é sábado, seu planeta é Saturno, o elemento que manipula é o fogo e também atua nos cinco sólidos perfeitos.
Yorimá é a vibração ou linha de força espiritual, sob a qual estão situados os espíritos que podem exercer uma ação geral sobre os viventes e os encarnados. E a faixa vibratória que acolhe os magos da experiencia, da sabedoria. e o mestrado da magia envolvendo os aspectos da terapêutica natural e astral e oculta. São os senhores do cabalismo, pela ação das "rezas" de força, etc.... na umbanda, apresentam-se como espíritos de "pretos-velhos". segundo a lei do verbo, a linha de Yorimá reflete ou traduz: potência, ordem, principio permanente. Yorimá=potência da palavra da lei. Palavra reinante da lei. 
Obs.: na assimilação exterior, religiosa, aplica-se o sincretismo: ora se diz como linha dos pretos-velhos, ora como dos africanos, de São Cipriano , das Almas , (EGUNS) , etc.
YORIMÁ portanto traduz: PRINCIPIO OU POTÊNCIA REAL DA LEI.
OS 7 ORIXAS MENORES - Yorimá (Pais ou Pretos Velhos):
Os 7 Orixás menores são os que representam aqui no planeta terra, em seu plano físico o Orixá Ancestral, são eles:
· Pai Guiné
· Pai Congo de Aruanda
· Pai Arruda
· Pai Tomé
· Pai Benedito
· Pai Joaquim
· Vovó Maria Conga

Abaixo destas entidades estão os Guias, podemos citar: Pai Chico das Almas, Vovó Angolá, Pai Joaquim de Angola, Pai Congo do Mar, Vovó Joana, Vovó Cambinda da Guiné, Vovó Benedita e outros.
Logo abaixo, dentro da hierarquia sagrada, temos os Protetores, dentre eles citaremos Pai Tibúrcio, Pai Cipriano, Vovó BAHIA.
YORIMÁ é o Orixá primaz do elemental TERRA, cuja corrente cósmica vem pelo cardeal NORTE. Manipula os éteres, e dentre eles ÉTER QUÍMICO e REFLETOR. A Vibração de YORIMÁ é composta por diversas entidades que alcançaram a maturidade espiritual, através de experiências mil, sendo pois "SENHORES DAS EXPERIÊNCIAS".
Cristalizaram essa experiência em forma de evolução, orientando muito principalmente Seres Espirituais ainda inexperientes e vulneráveis aos entrechoques individuais e coletivos que atendem suas próprias necessidades kármicas individuais ou coletivas. Essas Entidades, seus ORIXÁS e GUIAS, contribuíram muito decisivamente na formação física de nosso planeta, em seus mínimos detalhes, sendo portanto "SENHORES DE NOSSA CASA PLANETÁRIA". Ajudaram na ANTROPOGÊNESE, muito contribuindo com seus conceitos adquiridos no velho - e não menos majestoso em evolução.
PLANETA SATURNO. Atualmente, sua função se prende em orientar os filhos de Fé no caminho da Fé e da evolução, alcançadas através da humildade e sabedoria. Mostram que o peso das experiências torna leve a consciência, direcionando-a a níveis superiores, aos planos mais altos da vida. Disso tratam suas mensagens quando mediunizam seus filhos de fé, e tudo feito de forma oportuna, transparente e que não traumatizem os Filhos de Fé. Adaptam seus ensinamentos aos mais diversos níveis de entendimento das humanas criaturas, sempre de forma paciente e tolerante.
São exemplos de humildade, paciência e tolerância, pois alcançaram patamares espirituais de elevadíssimo escolmas dirigem-se aos simples, humildes e desgarrados, fazendo-o com amor só alcançado por quem já renunciou ao ilusório e a si mesmo. Em se tratando de magia Etéro-Física, atuam neutralizando as baixas correntes ou cargas pesadas oriundas da baixa magia ou Magia Negra.
São Mestres neste mister e, por sua experiência profunda, não raras vezes, se misturam com as falanges negras visando combatê-las, sabotando assim as ações deletérias dos Gênios das Trevas. Ajustam e ideoplastizam (Ideoplastia é um fenômeno de transfiguração que pode acontecer durante as manifestações dos Espíritos. Quando a influência do desencarnado é muito intensa junto do campo psicossomático do médium ele poderá assumir algumas feições do comunicante) seus Corpos Astrais para se infiltrarem no submundo Astral, visando minar o poder ou mesmo esclarecer, de maneira muito inteligente e sutil, as Almas aflitas que se encontram presas nas garras de verdadeiros marginais daquele plano. São Mestres na Magia, desfazendo os efeitos etero físicos dos popularmente chamados "Trabalhos de Magia Negra", e por isso são chamados de "MANDINGUEIROS DE LUZ".
Não podemos confundi-los, é claro, com "feiticeiros", como muitos os chamam.
Esperamos ter deixado clara a distinção. Enquanto os Prepostos de Yorimá ativamente desfazem os "bozós" (feitiços, correntes de bruxaria, vodus etc..) os ditos QUIMBANDEIROS, com suas hordas, são os que fazem esses trabalhos inferiores e grosseiros que visam contundir este ou aquele indivíduo.
Nesse trabalho incessante de atuação direta tanto na Luz quanto na Sombra, incrementado a evolução, é que atuam os Orixás e Guias, orientando os protetores e seus subplanos na execução direta dessa difícil tarefa, qual seja de preservar a integridade mágico-vibratória do planeta e de seus habitantes. Essa e a função mais direta dos ditos PAIS-VELHOS ou PRETOS-VELHOS na Corrente Astral de Umbanda da Atualidade.



REFORMA ÍNTIMA

A partir da ciência de sua mediunidade e do compromisso de colocá-lo a serviço da espiritualidade, o médium deverá conscientizar-se da própria necessidade de melhorar comportamentos e atitudes no dia a dia, que automaticamente refletirão de modo positivo nos trabalhos que realizará no templo e em sua vida como um todo.
Quando alguém assume o grau de médium, dele também é exigido que purifique seu íntimo, que reformule seus antigos conceitos a respeito da religiosidade e que se porte dignamente, de acordo com o que dele esperam os orixás sagrados, que o ampararão daí em diante.
A transformação interior é o caminho correto da vida, o caminho da retidão, o caminho da fé e da vontade, o caminho da luz.
Em nossa mente e em nosso coração não deve haver separação entre mundo material e espiritual; não há tempo para a matéria e um tempo para o espírito, pois o valor da vista está na eternidade.

A qualidade de tudo é Universo de Deus.


A prática religiosa deve ser um ato sagrado o tempo todo, levando a simplicidade da vida para dentro do nosso coração e tornando sagrado o nosso mundo, as nossas ações, os nossos momentos.
Não é preciso “arranjarmos tempo” para praticar a religião, o necessário é transformarmo-nos interiormente, buscando nossa verdadeira natureza e identidade, a cada momento, expressando isso na criação de um mundo melhor.

É preciso purificar o corpo físico e o coração…

Purificação do corpo
A purificação do corpo implica comportamento limpo, claro e aberto, dar carinho e servir aos outros, fazendo de nós um modelo a ser seguido.
Significa não ir à busca do prazer da gula, não falar palavras fúteis, desrespeitosas ou sobre os erros dos outros; não promover discórdias; mas sim, incentivar as pessoas a fazerem as coisas certas; falar palavras reconciliadoras; ser educado, amoroso, suave, delicado, afável, e benevolente; não falar alto e grosseiramente. Implica, ainda, o consumo de alimentos depurativos do sangue e curativos e a suspensão de vícios e maus hábitos.
Nos dias de trabalho estamos para Deus. Certos cuidados são exigidos: não ter relação sexual por pelo menos 24 horas antes; não ingerir bebida alcoólica e/ou outras substâncias prejudiciais a saúde , sejam elas legais ou ilegais; evitar o consumo de carne de qualquer espécie (principalmente carnes vermelhas).
A alimentação deve ser leve, pois refeições pesadas ou picantes demais trazem distúrbios orgânicos e energéticos que desvirtuam o trabalho do médium, interferem na concentração e despertam emoções mais densas.
O excesso de alimentação produz odores desagradáveis pelos poros, pela saída dos pulmões e do estomago.
O álcool e outras substâncias tóxicas conturbam os centros nervosos, entorpecendo a mente, anulando a percepção extra-sensorial e alternado certas funções psíquicas. Também abrem o campo mediúnico às vibrações negativas e estimulam o emocional dos médiuns.
Os procedimentos de resguardo visam desobstruir os pontos de captação de energias e afinizar a vibração do médium em seus padrão pessoal.
Quanto mais puro em suas energias, mais facilmente o médium sintonizará, vibratoriamente, as irradiações dos orixás e isto, se feito continuamente, se expressará na saúde do médium, tornando-o menos suscetível às doenças.

Purificação do coração
A purificação do coração, enquanto fonte de consciência do ser humano, ocorre com a preservação do pensamento limpo e sem defeito.

Para isso, devemos desenvolver a sinceridade, o respeito, a humildade, a gratidão, a harmonia, o contentamento, a misericórdia, a compaixão, a abnegação e o perdão, no entanto sem aplacar o sentimento de revolta contra as injustiças e a miséria.
Este mundo transitório da matéria deve ser entendido como uma dádiva, para podermos enxergar nossa verdadeira dimensão e caminhar para a comunhão com a consciência divina.
Em nossa prática do dia-a-dia, temos de ser, nós mesmos, uma fonte de luz.
O ciclo reencarnacionista é uma das vias de evolução, sob irradiação dos sagrados orixás, na qual todo e qualquer espírito tem a possibilidade de percorrer um caminho de infinito aperfeiçoamento, tanto no plano material, quanto no plano espiritual.
O sentido da vida está em ajudarmos no equilíbrio de nossos semelhantes.
Aqueles que se tornaram conhecedores da Lei e já conquistaram seu equilíbrio buscam a essência do Criador nas coisas mais simples; sacrificam-se pelos semelhantes, sem nada esperar em troca; preocupam-se em não depredar a natureza. Integram-se por inteiro ao ancestral místico, sabendo que tudo é parte do mesmo corpo de Olorum.
A nós umbandistas, cabe purificar o nosso íntimo, renovar a religiosidade e a fé nos sagrados orixás, no nosso meio humano, sofrido e desencantado com tantas injustiças sociais.
Temos que lidar, simultaneamente, como o nosso íntimo e com o nosso meio, sem nos dissociarmos de nada ou de ninguém a nossa volta.
É fundamental que conquistemos os dons, as virtudes e a harmonia para o nosso planeta, retornando à simplicidade de cultuar Deus, de sermos responsáveis pela vida e auxiliares do nosso Divino Criador.
Se essa for a prática cotidiana na vida do médium, torná-lo-á inacessível aos espíritos trevosos e às vibrações negativas(Fonte: Manual Doutrinário. Ritualístico e Comportamental Umbandista).
Que as bençãos de Oxalá, cubra todos nós!




sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

RITUAIS E CAMARINHAS AFRO O QUE SÃO E COMO SÃO...

A Camarinha é um ritual de iniciação, de vivência, de aprendizado, de assentamento, e de transmissão de poder na Umbanda. Ela representa sempre uma evolução espiritual pela força ritualística de que é investida. As pessoas leigas e as desavisadas costumam achar que a Camarinha é um mistério, um dogma.
Mas não é verdade, pois todo umbandista, independente do seu grau hierárquico tanto na comunidade a que pertence como na Umbanda de uma maneira geral, tem direito a “entrar em camarinha” sempre que for necessário por força dos rituais ou por circunstâncias da vida.
Na Umbanda, os mistérios são revelados na medida em que o ser humano adepto vai evoluindo no seu entendimento das coisas, na sua personalidade e na sua índole. Não é somente o médium que faz camarinha. Todos os adeptos de um Templo “precisam” entrar em Camarinha para um aprendizado mais refinado e um pouco diferenciado entre os diversos grupos comunitários.
Cada ser humano tem o seu “momento certo” para querer aprender e para aprender, uma vez que o seu aprendizado depende fundamentalmente e decididamente de sua única vontade.
Muitas vezes a pessoa que está do seu lado numa comunidade pode ainda não estar preparada para entender certas verdades que, se para uns “está na cara”, talvez para esta pessoa ainda seja muito complicado tomar conhecimento da profundidade desta verdade, pois a sua mente de certo não aceitaria por não entende-la, provocando nesta pessoa transtornos que venham interferir no seu destino (o que seria terrível para ela e para quem provocar este estado de consciência que interfira negativamente na vida da pessoa) e portanto na sua atual encarnação.
Os mistérios não são proibidos na Umbanda. Muito pelo contrário. Apenas é preciso respeitar o grau de entendimento das pessoas. Qualquer informação pode ser dada em diversos níveis de entendimento.
Portanto, todos têm o direito de aprender tudo o que quiserem saber.
Cabe aos mais esclarecidos procurar descer ao nível de entendimento dos menos esclarecidos para poder ajudá-los a entender aquilo que querem saber sobre a religião.
A Camarinha é o melhor momento para se aprender “as coisas de Deus”.
Nela existe todo um ambiente propício preparado através de rituais místicos onde a mente pode se elevar e penetrar no mundo sobrenatural e, através da Luz Espiritual, alcançar seus objetivos de aprendizado e aperfeiçoamento da pessoa.
Lembre-se sempre que, aquilo que é fácil e racional para você poderá ser difícil e inteligível para outro. Não seja um caçador de adeptos para a religião que você gosta e entende. Seja apenas você mesmo, com um comportamento exemplar, sincero humano, feliz e competente nas suas atitudes, que certamente alguém que estiver desarmonizado, sofrendo na vida vai tentar imita-lo ou pedir sua ajuda. Aí sim, é chegada a hora de agir e ajudar.
Como existem pessoas com grau de entendimento diferente uns dos outros, é claro que os ensinamentos místicos e religiosos ou sagrados deverão ser ensinados de acordo com o grau de entendimento das pessoas. Para se transmitir os ensinamentos para grupos de pessoas, costuma-se utilizar os seguintes eventos para a comunidade: Palestras onde a linguagem dos ensinamentos costuma ser de entendimento popular (se o grau dos assistentes for heterogêneo), Cursos de Disciplinas místicas em diversos níveis e Camarinhas também em diversos níveis. Portanto não se trata de descriminação já que, como os aprendizados (e os ensinamentos) são evolutivos, todos inclusive os que começam pelos níveis mais inferiores, podem alcançar os níveis mais superiores. Por isto as Camarinhas são diferentes.
A Camarinha, a Palestra e o Curso são recursos necessários para que uma comunidade possa atender a todos os níveis de entendimento no seu meio, na revelação dos “mistérios da Criação” ou do sobrenatural. São diferentes não só pelo nível dos participantes como também e principalmente porque cada um dos participantes é diferente dos demais e vice versa.
Com isto, apesar de serem os assuntos culturais e ritualísticos ensinados a um grupo, os mesmos assuntos ensinados em outras Camarinhas de outros grupos, o entendimento do grupo será semelhante, mas não igual ao dos demais grupos porque o intelecto individual das pessoas do grupo faz a diferença. É como numa escola onde você vai passando de série no seu aprendizado, mas os novos que vierem a aprender a mesma coisa certamente aprenderão de forma diferente.
Isto quer dizer que uma Camarinha nunca é igual à outra.
A Camarinha é um ritual, e como tal possui começo meio e fim.
Portanto é um procedimento técnico que possui uma sequência lógica.

O CONTEÚDO DA CAMARINHA

Como ritual que é a Camarinha representa um caminho para se atingir uma meta. A meta é a Evolução em busca da Perfeição Espiritual.
Como a busca da perfeição é longa, o caminho se divide em etapas.
Assim, cada Camarinha é uma etapa de um longo caminho. Como a Camarinha é um ritual, ela é executada dentro de determinados padrões. Por exemplo, ela precisa começar pelos valores mais densos e ir caminhando na direção dos mais sutis. Como ela é uma “vivencia”, uma experimentação dos valores de uma dada ação, a mais importante de todas as ações certamente é o renascer para um novo estado de consciência. Ora, para você renascer precisa logicamente de estar morto.
Como o renascer a que nos referimos é o conhecimento do mundo sobrenatural, então você não tem que morrer de fato, mas sim sair da materialidade para penetrar no Mundo sutil. Ao atravessar o Portal entre o que é material e o que é sutil, você acaba por se transformar, e esta transformação é o novo estado de consciência em relação aos mistérios da criação.
Nesta caminhada sobrenatural quem viaja é a mente, mas quem padece é o corpo.
O ser encarnado toma ciência do destino (Odu) que ele mesmo escolheu e vai buscar as respostas para suas dúvidas e para suas mazelas no conhecimento pleno de si mesmo. A Camarinha é uma viagem ao interior do próprio Eu, pois é nele que se encontra a Centelha Divina. Vamos agora definir a Camarinha através de rituais e disciplinas.
Como já foi dito, ela possui início meio e fim.
O Início representa uma parada, uma encruzilhada para onde convergem todos os caminhos. Uma reflexão. É no Mundo denso, energeticamente negativo, que vamos deixar as vestes virtuais velhas (o invólucro da materialidade), rasgadas (atitudes equivocadas, perdidas, desperdiçadas), despojar-se das vaidades, desejos e sentimentos fúteis e quebrar o ego e enfrentar os medos. Como um Filho Pródigo, abandonamos o “passado terreno” (as conquistas daquilo que é “Irreal”, que não se leva depois da morte), nos limpamos e recomeçamos num mundo novo onde as conquistas são “Reais” (Aquilo que levamos depois da morte).
O Meio é o recomeço, a busca das origens primordiais. A vivência de todas as conquistas espirituais (a reconquista daquilo que é Real, as conquistas espirituais). Dentro da sequência lógica, é a evolução rumo ao nosso karma original (Causal), a busca da casa do Pai.
O Fim, que na verdade é apenas o fim do ritual, é na verdade o começo da evolução primordial que buscamos por nosso próprio arbítrio. É o reencontro com o Pai. No procedimento técnico da Camarinha temos, nas três etapas (Princípio, meio e fim) ensinamentos de ritual, disciplina e práticas ritualísticas. Os ensinamentos ou disciplina de entendimento referem-se ao autoconhecimento e aos esclarecimentos de magia. Os rituais constituem-se de práticas, vivências, aplicação, e a conquista de sentir o mundo sobrenatural (transe anímico).
Como o Ritual (procedimento) só se transmite em ambiente propício e oralmente por tradição, em sinal de respeito não ensinaremos aqui nenhum ritual.
Ensinar rituais de magia a pessoas não preparadas especificamente para aprender e praticar, é a mesma coisa que colocar uma arma de fogo carregada nas mãos de uma criança inocente. Não que o Ritual seja uma arma.
Não é isto que estamos querendo dizer. Estamos apenas tentando demonstrar o quanto é perigoso um conhecimento que pode interferir no arbítrio das pessoas, ser usado por quem não sabe manuseá-lo.
Os Rituais são segredos de sacerdócio.
Por isto não confunda segredo com mistério.
O mistério é para ser descoberto e o segredo é para ser guardado.
Mas, como é nossa obrigação ensinar, diremos apenas no que se refere a rituais, que “querer é poder, e poder é saber querer fazer”.
Para bom entendedor, meia palavra basta.
Quanto às Disciplinas a serem ensinadas nas vivências ritualísticas, diremos que cada grau de Camarinha possui o seu “currículo” próprio, adequado e que pode variar de Templo para Templo, dependendo da orientação superior do Guia Chefe.
As Camarinhas são normalmente divididas em graus de aprendizado compatíveis com a evolução da pessoa.



Por isto existem Camarinhas de Anjo de Guarda, que serve para todos os iniciantes e assistentes ou membros da coletividade (esta Camarinha representa o Primeiro Sacramento da Umbanda que é o Batismo, embora não seja o Sacramento propriamente dito já que para isto existe um ritual específico); Camarinhas de Harmonização psicossomática (alma e corpo) para todos os membros da comunidade, que servem para harmonizar a vida das pessoas para enfrentar as vivências do dia-a-dia; Camarinhas de Bori de Caboclo para médiuns e também para membros da coletividade que quiserem evoluir mais profundamente nos mistérios da criação, pois esta camarinha é um dos Sete Sacramentos da Umbanda (Equivalente à Crisma dos católicos); Camarinha de Casamento que é um dos Sete Sacramentos, específica para quem quer casa nos rituais da Umbanda; Camarinha de Primeiro Ano de Santo que é mais um Sacramento da Umbanda, equivalente a Confissão dos católicos; as Camarinhas de Segundo, Terceiro, Quarto, Quinto e Sexto anos de Santo são “reforços” sacramentais que permitem a depuração da evolução rumo ao próximo Sacramento, já que efetua o junto de cada Santo que compõe a “Vida Espiritual” e a presente encarnação do médium; a Camarinha de Sétimo Ano de Santo é também conhecida como Camarinha de “Junto” onde o (a) Iaô alcança o grau de Sacerdócio ao receber o Sacramento que é equivalente à Comunhão dos católicos. É a obrigação onde o médium sacerdote recebe o “Deká” ou o Poder de abrir seu próprio Templo; após o “Junto” seguem-se Camarinhas de reforço, vivência, prática real, levantamento e harmonização até os 21 Anos de Santo onde o médium recebe o grau definitivo de SACERDOTE com o título de Babalaô, Babalorixá, Ialaô ou Ialorixá e o Mestrado, que é mais um dos Sete sacramentos da Umbanda, semelhante à Ordenação dos católicos.
Podem existir outros tipos de Camarinhas dependendo do Sacerdote Chefe de um Templo junto com seu Guia Chefe.
Em alguns Templos Umbandistas, o Sacerdote ou a Sacerdotisa costumam seguir os princípios das Camarinhas de formação sacerdotal para os médiuns da casa e, para os assistentes, a Camarinha de Anjo da Guarda.
Segundo os Dirigentes, os ensinamentos prestados fazem parte do “Currículo” dos médiuns que receberam o “Deká” na Camarinha do “Junto”.
Entretanto não são proibidos a ninguém. Quem quiser conhecê-los tem toda a liberdade de procurar as fontes corretas de ensino que estão dentro do próprio Templo (Como, por exemplo, as Bibliotecas ou o Centro Cultural dos Templos).
Conversando com alguns sacerdotes, para eles é importante que cada um busque o seu desenvolvimento e não fique preso a ninguém ou esperando que caia do céu.
Ainda segundo eles, não existe a preocupação de que alguém aprenda algo que está “fora do seu tempo”, porque o tempo de cada um é conquistado pela força de seu próprio Livre Arbítrio.
A cultura não faz mal a ninguém. Principalmente a Cultura Umbandista.
Os segredos ritualísticos de que esta matéria faz parte são dados somente a quem de direito. Parte destes segredos (e não mistérios) estão embutidos nesta matéria. Quem os conhece observa como é mais fácil desenvolve-los quando se possui a Cultura dos ensinamentos tradicionais que o Tempo lhes lega.





JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...