terça-feira, 22 de setembro de 2020

A TRISTEZA DOS ORIXÁS

Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que traz em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…

Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo. Realmente o Sol tinha se escondido nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu-se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram-se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.
Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

- Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? – ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.
- Desculpe, sabe, ando meio ocupado – Respondeu um triste Ogum.
- Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.
- É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles… Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.

Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.

Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não viam nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não viam em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.
Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que se utilizava de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer-se dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam-se do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso se torna uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.

Isso magoava Ogum. Como magoava:

- Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Olorum. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá-la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando-a em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição.

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não aguentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava-se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam ser tão temida e mal compreendida pelos homens.

Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo se via o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que se irradia de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica aquela que recolhe todas as almas que se perderam na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem-se disso…

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.

Faziam isso em respeito a Ogum e Omulu, dois Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios. Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Olorum, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxossi queria ser reverenciado como aquele que, com flechas douradas de conhecimento, rasga as trevas da ignorância. Egunitá apagou seu fogo encantador, afinal, ninguém se lembrava da chama que intensifica a fé e a espiritualidade. Apenas daquele que devora e destrói. Os vícios dos outros, é claro.

Um a um, todos foram despindo-se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.

Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.

Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam-se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!

E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram-se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Inúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando-o a figura do Diabo:

- Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! – Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.
Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:
Espere! – pensou Iemanjá! – Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.

E logo Iemanjá colocou-se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou-se na frente de todos. Trazia seu opaxorô, o cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu-se de sua roupa sagrada, pra igualar-se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:

- Olorum manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam-nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…

Quando Oxalá calou-se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros se juntariam nesse ideal. E aquilo os alegrou tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram-se em amor e compaixão pela humanidade.

Em Aruanda, os caboclos, pretos-velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram-se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.

Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…

Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.

Miríades de espíritos foram retirados do baixo-astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.

Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou-se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.

Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem-se disso.

E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem-se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.
Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.

Lembrem-se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado. Honremo-los. Sejam de luz, assim como Eles!




domingo, 20 de setembro de 2020

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA AINDA É DESAFIO A CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA

O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião é crime inafiançável e imprescritível.

A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou mesmo a quem não segue uma religião. É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana.

O agressor costuma usar palavras ofensivas ao se referir ao grupo religioso atacado e aos elementos, divindades e hábitos da religião. Há casos em que o agressor desmoraliza símbolos religiosos, destruindo imagens, roupas e objetos ritualísticos. Em situações extremas, a intolerância religiosa pode se tornar uma perseguição.

Crítica não é o mesmo que intolerância. O direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio, é assegurado pelas liberdades de opinião e expressão. Mas, no acesso ao trabalho, à escola, à moradia, a órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião. Isso também se aplica a transporte público, estabelecimentos comerciais e lugares públicos, como bancos, hospitais e restaurantes.

Ainda assim, o problema é frequente no país. Algumas denúncias se referem à destruição de imagens de orixás do candomblé ou de santos católicos. Ficou famoso no Brasil o então pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Sérgio Von Helder, que, em 1995, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em rede nacional de TV. Há também casos de testemunhas de Jeová que são processadas por não aceitarem que parentes recebam doações de sangue, de adventistas do Sétimo Dia a quem não são dadas alternativas quando não trabalham ou não fazem prova escolar no sábado e de medidas judiciais que impedem sacrifício de animais em ritos religiosos.

Em janeiro, a TV Bandeirantes foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo por desrespeito à liberdade de crenças porque, em julho de 2010, exibiu comentários do apresentador José Luiz Datena relacionando um crime bárbaro à “ausência de Deus”. “Um sujeito que é ateu não tem limites. É por isso que a gente vê esses crimes aí”, afirmou o apresentador. A emissora foi condenada a exibir em rede nacional, no mesmo programa, esclarecimentos sobre diversidade religiosa e liberdade de crença.
Recentemente têm provocado reações algumas ­declarações do presidente da Comissão de Direitos Humanos eMinorias da Câmara, Marco Feliciano (PSC-SP). Pastor evangélico, ele escreveu no Twitter que africanos sãodescendentes de um “ancestral amaldiçoado por Noé” e que sobre a África repousam maldições como paganismo, misérias, doenças e fome. A presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, senadora Ana Rita (PT-ES), se manifestou a respeito.

— São declarações e atitudes que instigam o preconceito, o racismo, a homofobia e a intolerância. Todas absolutamente incompatíveis e inadequadas para a finalidade do Legislativo — disse.
A quantidade de denúncias de intolerância religiosa recebidas pelo Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República cresceu mais de sete vezes em 2012 em relação a 2011, um aumento de 626%. A própria secretaria destaca, no entanto, que o salto de 15 para 109 casos registrados no período não representa a real dimensão do problema, porque o serviço telefônico gratuito da secretaria não possui um módulo específico para receber esse tipo de queixa. Ou seja, muitos casos não chegam ao conhecimento do poder público. A maior parte das denúncias é apresentada às polícias ou órgãos estaduais de proteção dos direitos humanos e não há nenhuma instituição responsável por contabilizar os dados nacionais.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir) também não possui dados específicos sobre violações ao direito de livre crença religiosa. No entanto, o ouvidor do órgão, Carlos Alberto Silva Junior, diz que o número de denúncias de atos violentos contra povos tradicionais (comunidades ciganas, quilombolas, indígenas e os professantes das religiões e cultos de matriz africana) relatadas à Seppir também cresceu entre 2011 e 2012.

Muitas agressões são cometidas pela internet. Segundo a associação ­SaferNet, em 2012, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos ­ recebeu 494 ­ denúncias de intolerância religiosa praticadas em perfis do Facebook. O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, foram 247.554 denúncias ­anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância religiosa.

A tendência é de queda: de 2.430 páginas em 2006 para 1.453 em 2012. Mas a tendência não significa que o número de casos reportados de intolerância religiosa tenha diminuído. “Uma das razões é a classificação feita pelo usuário. Mesmo páginas reportadas por possuir conteúdo racista, antissemita ou homofóbico têm, também, conteúdo referente à intolerância religiosa”, explica Thiago Tavares, coordenador da central.

Os dados foram ­divulgados pela Agência Brasil este ano no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro. A data foi instituída em 2007 pela Lei 11.635, em homenagem a Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, do terreiro Axé ­Abassá de Ogum, de Salvador. A religiosa do candomblé sofreu um enfarte após ver sua foto no jornal ­evangélico Folha Universal, com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a indenizar os herdeiros da sacerdotisa.

A ministra da Seppir, Luiza Bairros, disse, nas comemorações de 21 de janeiro, que os ataques a religiões de matriz africana chegaram a um nível insuportável. “O pior não é apenas o grande número, mas a gravidade dos casos. São agressões físicas, ameaças de depredação de casas e comunidades. Não se trata apenas de uma ­disputa religiosa, mas também de uma disputa por valores civilizatórios”, disse.
Na ocasião, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República lançou um comitê de combate à intolerância religiosa. A iniciativa pretende promover o direito ao livre exercício das práticas religiosas e auxiliar na elaboração de políticas de afirmação da liberdade religiosa, do respeito à diversidade de culto e da opção de não ter religião.

O comitê terá 20 integrantes, sendo 15 deles representantes da sociedade civil com atuação na promoção da diversidade religiosa. Ainda sem data definida para começar efetivamente a funcionar, o comitê depende de um edital que selecionará os integrantes.

O Brasil é um país laico. Isso significa que não há uma religião oficial e que o Estado deve manter-se imparcial no tocante às religiões. Porém, sendo um país de maioria cristã, práticas religiosas africanas foram duramente perseguidas pelas delegacias de costumes até a década de 1960.
No período colonial, as leis puniam com penas corporais as pessoas que discordassem da religião imposta pelos escravizadores. Decreto de 1832 obrigava os escravos a se converterem à religião oficial. Um indivíduo acusado de feitiçaria era castigado com pena de morte. Com a proclamação da República, foi abolida a regra da religião oficial, mas o primeiro Código Penal republicano tratava como crimes o espiritismo e o curandeirismo.

A lei penal atual, aprovada em 1940, manteve os crimes de charlatanismo e curandeirismo.
Até 1976, havia uma lei na Bahia que obrigava os templos das religiões de origem africana a se cadastrarem na delegacia de polícia mais próxima. Na Paraíba, uma lei aprovada em 1966 obrigava sacerdotes e sacerdotisas dessas religiões a se submeterem a exame de sanidade mental, por meio de laudo psiquiátrico.

Muitas mudanças ocorreram até 1988, quando a Constituição federal passou a garantir o tratamento igualitário a todos os seres humanos, quaisquer que sejam suas crenças.
O texto constitucional estabelece que a liberdade de crença é inviolável, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos. Determina ainda que os locais de culto e as liturgias sejam protegidos por lei.

Já a Lei 9.459, de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso. O crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) e imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo).

Uma pesquisa mundial feita em 2009 e 2010 indicou o aumento da intolerância religiosa. Segundo o Instituto Pew Research Center, com sede nos Estados Unidos, 5,2 bilhões de pessoas (75% da população mundial ) vivem em locais com restrições a crenças.

No período, passou de 31% para 37% a proporção de países com nível elevado ou muito alto de restrições. Entre os países com as maiores restrições governamentais (leis, políticas e ações para limitar práticas religiosas), estavam Egito, Indonésia, Arábia Saudita, Afeganistão, China, Rússia e outros que somaram 6,6 pontos ou mais em um índice de máximo 10. Os que mais sofrem são os que pertencem a minorias religiosas. O Brasil aparece, junto com Austrália, Japão e Argentina, em nível baixo, entre os países com 0 a 2,3 pontos, o que denota bom nível de liberdade religiosa.

Mesmo nos países com nível moderado ou baixo de restrições, houve aumento da intolerância. Na Suíça, foi proibida a construção de novos minaretes (torres em mesquitas). O aumento dessas restrições foi atribuído a fatores como crescimento de crimes e violência motivada por ódio religioso.

Entre as propostas em tramitação no Congresso para combater a intolerância religiosa, está o PLC 160/2009, que dispõe sobre as garantias e os direitos fundamentais ao livre exercício da crença, à proteção aos locais de cultos religiosos e liturgias, e à liberdade de ensino religioso, buscando regulamentar a Constituição. O projeto, do deputado George Hilton (PRB-MG), está na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS). O relator, Eduardo Suplicy (PT-SP), propôs uma audiência, ainda não agendada, para debater o texto.

O assunto vem sendo discutido também no âmbito da proposta de reforma do Código Penal, tema de comissão especial do Senado. Um grupo de juristas preparou o anteprojeto, posteriormente apresentado como projeto (PLS 236/2012) por José Sarney (PMDB-AP). A intolerância religiosa está relacionada a assuntos do Código, como os crimes contra os direitos humanos e os que podem ser praticados pela internet.






O QUE É QUIMBANDA OU KIBANDA

A Quimbanda ou Kimbanda não é simplesmente mais uma das linhas existentes dentro dos cultos afro-brasileiros, suas influências não são somente Bantu, Nagô e Yorubá, também abrangem em larga escala vários aspectos da Religião Indígena, Católica,  o Espiritismo moderno, a alquimia, o estudo da natureza fundamental da realidade e Correntes Orientais.

É importante lembrar que o sincretismo entre Exu e o Diabo existe, salvaguardando várias confusões ao verificar que atualmente muitas pessoas pensam que a Quimbanda é um culto satanista, tendo aquele sentimento de dualidade aonde as pessoas vêem o bem e o mal em uma luta eterna confundindo a figura do Diabo com tudo de ruim sem lembrar que Ele já teve seu martírio e foi vencido por Deus que é Quem determina o espectro e a liberdade de suas ações desde o princípio dos tempos.

O conceito de polaridades, positiva e negativa não se encaixa no plano material, aonde não quer dizer o mesmo que atitudes, positiva e negativa, principalmente tratando-se de energia pura. É como disse o sábio preto velho Pai Maneco, falando da importância dos Exus, apontou uma lâmpada e disse: “Aquela é resultado do perfeito encontro entre o positivo e o negativo”.

É bom deixar claro também que o Exu da Quimbanda não é o mesmo Exu do Candomblé aonde ele é um Orixá menor da cultura Yorubá, o Exu da Quimbanda é geralmente um Egum sendo que na maioria dos casos é a Alma de alguém que pertenceu ao culto, conscientemente ou não, e agora trabalha como mensageiro dos Orixás, como Exu, mais ou menos o mesmo que ocorre em outras Linhas e Bandas dedicadas a algum Orixá, por exemplo como na Linha de Ogum trabalham Espíritos de Índios e Negros que em vida foram guerreiros, usaram espada e de alguma forma pertenceram ao culto, como sabemos que Seu Ogum Sete Espadas e Ogum Sete Ponteiras do Mar não são o mesmo que o Orixá maior Ogum.

Os Espíritos, Exus, com os quais estamos tratando tiveram em sua maioria encarnações aqui na Terra em finais do século XIX e princípios a meados do século XX, daí vêm as suas vestimentas e a forma de seu comportamento.

Ainda na questão do sincretismo é muito importante frisar que os autores que até hoje discorreram sobre o assunto usaram um organograma básico para apresentar o que muitos pensam ser a verdadeira organização hierárquica da Quimbanda mas é somente a cópia de um livro antigo de evocação e cultos diabólicos da cultura ocidental que fala sobre os demônios, suas hierarquias e poderes, o “Grimorium Verum”.

Considerando que este livro já existia muito antes do descobrimento do Brasil e que a Quimbanda como conhecemos é uma religião brasileira afirmo que é errado basear-se neste organograma como base para estudarmos este assunto porém não devemos esquecê-lo pois os Exus, como nós, tiveram já várias encarnações, alguns inclusive viveram nos primórdios da nossa civilização como por exemplo Exu Tata Caveira que foi um Sacerdote no Egito antigo ou inda mais longe Exu Caveira que a 30.000 anos atrás era um nômade bruxo e curandeiro, outrora estes Espíritos já trabalharam no plano astral nesta mesma Linha e alguns até ajudaram a escrever o “Grimorium”.

A Umbanda não vive sem a Quimbanda, como a árvore não vive sem a copa ou sem a raiz, então com base em estudos e prática na Quimbanda podemos afirmar que o culto como o conhecemos é o mesmo praticado na maior parte dos Terreiros de Umbanda do Brasil que para obterem equilíbrio em seus trabalhos cultuam as Sete Linhas da Umbanda e as Sete Linhas da Quimbanda, desta forma podemos discorrer aqui sobre o assunto de uma forma mais ampla e que leve a implementar os atuais conhecimentos sobre os Exus.

Quimbanda não é sinônimo de satanismo e de jeito nenhum pode ser ligada a obscuridade, é apenas um termo usado no Espiritismo é uma forma de estar na vanguarda do Espiritismo e da magia trabalhando a espiritualidade como um todo, uma ferramenta destinada a evolução espiritual através do poder e dos conselhos destes nossos guias protetores, os Exus, que tanto nos auxiliam nas horas de aflição.

Embora não devamos julgar sabemos sim que lamentavelmente existem pessoas inescrupulosas e de má índole que usam a magia da Quimbanda para a prática do mal mas isto é culpa exclusiva do homem e não das entidades, não podemos culpar o veneno por matar e sim aquele que o utiliza como arma, não podemos culpar o Exu por fazer o que lhe é pedido mas sim quem se aproveitou deste contato espiritual para pedir que praticasse o mal. Nunca podemos esquecer da imutável Lei do Karma, tudo o que você fizer volta pra você.

Existe muita confusão a respeito do termo Macumba e acho importante esclarecer isto, este nome deriva do Banto “ma-quiumba” que quer dizer espíritos da noite, também este nome era usado no sul do país para definir mulheres negras no tempo da escravidão, por isso o uso do nome ainda hoje é usado de forma preconceituosa por pessoas ignorantes a respeito do assunto.

A Macumba pelo que sabemos é o mais primitivo culto sincretista do Brasil e originou-se na região sul dada a sua maior predominância da nação Banto, é desta nação que descendem a maior parte dos cultos afro-brasileiros com influências da Igreja Católica, Indígenas e das nações do Congo, Angola e Nagô.

A principal razão do culto ser denominado como Macumba foi justamente por motivo de os rituais serem realizados à noite em razão de os trabalhos serem feitos com Eguns e porque durante o dia os negros trabalhavam sem descanso, vem daí a interpretação errada do ritual pelos leigos, os negros que praticavam a Maquiumba ou como ficou conhecida Macumba eram geralmente menosprezados, perjuriados e mal interpretados pelos que os escravizaram em razão de sua fé.

A Igreja também condenava estes cultos com influências indígenas ou africanas dizendo que praticavam beberagens e até orgias. É verdade que as entidades bebem e até pitam e que as curimbas, danças, as vezes são bastante sensuais mas venhamos e convenhamos que entre isto e orgias e beberagem há uma grande diferença.

Quando os grupos de nações começaram a procurar e a valorizar mais a sua natureza e identidade cultural é que a Macumba se dividiu, surgiu então o Candomblé de Angola, o Candomblé do Congo, o Candomblé de Caboclo ou dos Encantados e o Catimbó, no final do século XIX surgiu a Macumba Urbana que tinha participação de brancos pobres e descendentes de escravos, finalmente no inicio do século XX surgiram a Umbanda e a Quimbanda com uma forte influência do Espiritismo e com o sincretismo religioso.

A formação da Quimbanda teve uma forte influência dos escravos e índios que sincretizaram Exu com o Diabo por este ser “inimigo dos brancos” e por não aceitarem os Santos Católicos, identificando-se assim mais uma vez com o Diabo. Com o advento da Umbanda começou o trabalho de Quimbanda em Terreiros de Umbanda o que deu sustentação firme aos trabalhos com os, “Compadres”, Exus e assim formatou-se o atual culto da Quimbanda.

Na verdade pode-se dizer que a Quimbanda como a conhecemos atualmente nasceu juntamente com a Umbanda em 15 de novembro de 1908 pois uma Linha completa o outra formando esta força que nos da vida e este reino cheio de luz.

A Quimbanda esta organizada hierarquicamente em sete grandes reinos, as Sete Linhas da Quimbanda, sendo que na Quimbanda também é Oxalá quem manda, o Sr. Omolu é o Rei,  coroado por Oxalá, este delega os poderes aos Exus Chefes de Falange:

1.    Linha das Encruzilhadas: Exu Tiriri
2.    Linha dos Cruzeiros: Exu Meia Noite
3.    Linha das Matas: Exu Arranca Toco
4.    Linha da Calunga Pequena (cemitérios): Exu Caveira
5.    Linha das Almas: Exu Tranca Ruas das Almas
6.    Linha da Lira: Exu Sete Liras
7.   Linha da Calunga Grande (praia): Exu do Lodo

É importante lembrar que quando o Exu, qualquer um Deles, estiver incorporado no Pai de Santo, no dirigente dos trabalhos, Ele esta trabalhando com a Coroa e por este motivo é o Chefe dos trabalhos da Gira de Quimbanda tendo liberdade de movimento entre os Reinos através do contato com os outros Exus presentes no trabalho. Trabalhar com os, “compadres”, Exus requer muito respeito e consideração por parte dos dirigentes, médiuns e consulentes pois são Entidades muito poderosas, de muito Axé.



 

 

 

 

terça-feira, 18 de agosto de 2020

SER MÉDIUM UMBANDISTA

 Ser médium, de forma geral, é uma grande dádiva que nos é concedida por Deus, sempre no sentido do nosso aprimoramento espiritual.

O importante, como afirmam os amigos espirituais, não é ser médium, é ser um bom médium.

Ser um bom médium é, certamente, estar em sintonia o mais perfeitamente possível com os planos do Cristo Jesus na ação de redimir e conduzir as pessoas à uma vivência real da sua existência, que é a de ascender, destruindo a ignorância, mãe da superstição e crendice, para uma vida em conformidade com o Plano de Deus para o ser humano, encontrar-se, encontrando Deus em si, para encontrar a felicidade tão almejada e inata em todos.

Não existe possibilidade de ser um bom médium se não se adota como regras essenciais de sua vivência mediúnica o estudo e a disciplina.

O conhecimento desmitifica o mediunismo, e mostra o quão natural é o processo mediúnico; a disciplina facilita o afastamento do excesso de animismo e assenta o médium na humildade.

Mediunidade não é fenômeno sobrenatural ou mágico, é o uso natural do aparelho físico do médium, a partir do consentimento do mesmo, para que juntos possam, médium e guia, espalhar a palavra de conforto, ensinamento, e de ajuda através das manipulações energéticas, sempre no sentido de mostrar a grande misericórdia de Deus e a necessidade de reforma íntima, de aprimoramento moral, para se conquistar a real paz e alegria, que é a felicidade almejada, mesmo que inconscientemente.

Ora, se oferecemos o nosso aparelho físico para ser usado pelos amigos desencarnados é preciso que o aparelhemos, para que possa ser hábil e apto às comunicações dos Guias e Mentores.

Ilusão mentirosa pensar que o guia faz tudo sozinho, pois a mediunidade psicofônica (incorporação) é uma mediunidade de efeito intelectual, ou seja, é realizada na intelectualidade do médium, no uso de seu cérebro físico como receptor, decodificador e transmissor das mensagens espirituais.

Não havendo códigos doutrinários, evangélicos, racionais formados pelo conhecimento adquirido, o médium será deficiente na possibilidade de decodificar intelectualmente as mensagens doutrinárias e evangélicas dos Guias e, pior, em se tratando de médium fantasista e supersticioso, essas mensagens serão fonadas cheias de deturpações e vícios supersticiosos de propriedade do medianeiro.

Se o trabalho mediúnico é feito a dois, médium – guia, a contribuição do médium será um fracasso no que concerne ao plano critico de esclarecimento e elevação mental e espiritual, através do mecanismo mediúnico.

Não existe milagre na mediunidade, mas um evento natural de ligação mental entre o medianeiro e o irmão espiritual a se comunicar, seja através da palavra, dos gestos ou das manifestações físicas.

Muitas vezes médiuns verdadeiros, mas atacados de escrúpulos, o que é outro grande erro prejudicial ao desenvolvimento mediúnico, nos falam da sua excessiva preocupação com o famoso e famigerado animismo.

Vejam bem, existe sempre animismo em qualquer tipo de mediunidade, pois o aparelho que está sendo usado é o corpo físico do médium, que está “habitado”, ligado ao espírito do mesmo.

As atuações, ideias etc., do espírito comunicante passam pela vivência, conhecimento e experiência do médium para chegarem ao mundo físico, portanto sempre haverá animismo, ou seja, a presença da “anima”, da alma do médium.

Esse, como diz Ramatis, é um animismo sadio, quando o médium é maduro, consciente da sua responsabilidade e aparelhado com conhecimentos doutrinários e evangélicos que afastem da sua memória intelectiva as sombras da ignorância, das crendices e superstições, que podem até fascinar as pessoas sem conhecimento e maturidade espiritual, mas não ajuda, não eleva, não conduz à libertação, razão da mediunidade nos Planos do Cristo.

Esse seria um animismo pernicioso e ruim.

Voltando a Ramatis, lembramos o seu ensinamento a respeito da mediunidade sem sombras de superstições e ilusões. Ele compara a mediunidade a uma xícara que contém café com leite.

O café é o médium, o leite o guia.

Ocorre a mistura, o café não é mais apenas café e o leite não mais apenas o leite, trata-se de café com leite.

Agora, a maior ou menor quantidade de café ou de leite na xícara, que seria o medianeiro, depende do médium. Da sua seriedade, maturidade, fé, confiança e conhecimentos.

A mediunidade se processa de forma natural quando, nos momentos competentes e nos lugares certos, o guia envolve o perispírito do médium com suas energias mentais e emocionais.

O perispírito do médium, como é natural, projeta esse envolvimento ao Duplo Etérico do medianeiro que, automaticamente, pelas rasuras existentes na sua tela etérica comunica essas energias mentais e emocionais ao corpo físico desse médium, mediunizando-o, ou seja, tornando-o medianeiro, instrumento comunicador das ideias e sentimentos do guia comunicante.

Nada, portanto, de sobrenatural, apenas o exercício, planejado pela espiritualidade, de trabalho conjunto pela caridade, para ajudar na ascensão da humanidade.

Outro fator importantíssimo para a realização da mediunidade com Jesus é a disciplina.

Os guias são espíritos que estão inseridos num processo evolutivo já consciente e irmanados à vivência espiritual da busca de Deus.

São profundamente disciplinados, pois a ordem e o respeito são fatores preponderantes ao bom andamento evolutivo, que afasta a interferência das sombras, onde habitam espíritos indisciplinados, motivados pela ignorância.

Sempre digo que quando há movimentos de indisciplina, desrespeito à hierarquia e à filosofia da Casa onde médium-guia trabalham, não se trata do espírito comunicante e sim da interferência do médium.

Guia não invade o livre arbítrio do médium, não cria desordens, não atrapalha a evolução dos seus aconselhados, não perde tempo com futilidades, mas aproveita todas as oportunidades, quando presentes na mediunidade do encarnado, para doutrinar, ensinar e evangelizar.

Creio ser esse o sintoma prático de uma boa incorporação.

Diz o Pai Tomé que “Umbanda não é teatro e terreiro não é tablado para apresentação de irmãos carentes, desavisados e vaidosos”.

Daí a necessidade da disciplina num Templo Umbandista.

Disciplina que ensina, que ordena e organiza o trabalho religioso de um Templo, que deve ser Igreja onde se ora, Escola onde se ensina e Hospital onde se trata.

Como existir essa bela realidade sem disciplina que organiza e favorece a organização de uma Casa dedicada ao trabalho de caridade com Jesus?

Gosto da frase de André Luiz quando diz: Caridade sem disciplina é perda de tempo.

Médium que não aceita ou não quer se adaptar à disciplina do seu Templo, não está buscando espiritualidade e o intercâmbio sadio com o plano espiritual, mas sim preencher seus problemas carenciais e emocionais com a “religião” que satisfaça aos seus desejos e caprichos.

Trata-se de mais uma máscara do ego, que só plantará mais o indivíduo na superficialidade e sentimentalismo vazio. E isso não é mediunidade com Jesus.

A mediunidade será sempre uma oportunidade dada pela misericórdia divina para que reconquistemos oportunidades perdidas em encarnações passadas, ressarcindo as dívidas contraídas com a Lei Universal pela nossa inércia e preguiça de caminhar com Jesus, nos caminhos da evolução espiritual.

Quantos médiuns continuam a se perderem nos emaranhados da vaidade, do orgulho e da ignorância, pulando de Templo em Templo, sem se estabilizarem em nenhum e sempre culpando esses Templos sem se darem a oportunidade de, humildemente, enxergarem a sua vaidade e orgulho, quando não sua preguiça em se lançar na labuta do estudo, da disciplina e do trabalho.

Lembremo-nos que: “Tolo é aquele que naufragou seus navios duas vezes e continua culpando o mar” (Publio Siro).

Emmanuel dizia a Chico ser necessário para trabalhar com ele de disciplina, disciplina e disciplina.

Pai Ventania diz ser necessário para trabalhar com ele de austeridade, austeridade e austeridade.

Ele entende austeridade como seriedade no comportamento que implica em respeito e acatamento aos preceitos disciplinares contidos no Regimento Interno, respeito e acatamento à hierarquia constituída, respeito e acatamento ao ambiente que deve ser marcado pela religiosidade e fé, na busca da interioridade e crescimento espiritual.

Ele sempre nos alerta dizendo que:

“Todas as atividades num Templo que tenha a marca da espiritualidade, inclusive na Umbanda, devem ser realizadas no espírito de silêncio, seriedade, austeridade, prece e reflexão.

Em todos os aposentos de um Templo Umbandista os médiuns de sua corrente devem agir com esse mesmo espírito, não transformando o hospital, escola e igreja, que deve ser todo o ambiente do Templo, num lugar de conversas, exterioridades e conchavos.

Não transforme nunca o seu Templo num clube de amigos ou local de encontros, na ânsia insana de saciar a carência, ainda imatura, de aceitação e afetividade, o que, sem dúvida, acarretará, mais cedo ou mais tarde, fofocas e conversas fúteis, fáceis de serem aproveitadas pelos irmãos das sombras na sua ânsia de destruir as casas sérias e comprometidas com Jesus e a Alta Espiritualidade.

Cada médium, partícipe da corrente do Templo, deve agir de forma correta em sua posição e comportamento, e assim exigir de seus companheiros comportamento adequado à seriedade e crescimento espiritual que a espiritualidade exige.

Sejam, meus filhos, médiuns austeros e idealistas na construção e conservação do seu Templo espírita, que só será real e concreto se estiver plantado na disciplina, no estudo e no trabalho.

Você é responsável pelo Templo em que militas e, não se esqueça, responderá ante a Lei pela sua atuação e comprometimento com tudo aquilo que fuja do ideal de verdadeira fé, segurança e caridade.

O Templo pertence a Jesus e à Espiritualidade, e devemos estar nele respeitando os seus verdadeiros donos e agindo de acordo com suas orientações de disciplina, piedade, oração e trabalho. (Cab. Ventania de Aruanda).

O trabalho do médium é marcado pelo amor.

Esse amor, para ser real, se expressa através da humildade, esforço e confiança no chamado para o exercício mediúnico e nunca por meio de sentimentalismos e superficialidades de quem ouve, aceita mas, na hora da prática burla essa disciplina ou age como se a mesma não fosse para ele, parece que dá uma amnésia irresponsável que, com certeza vai repercutir no todo, pois somos elos de uma mesma corrente.

O importante não é só aprender, mas utilizar os conhecimentos para lhe fornecer segurança. Não adianta o Templo oferecer cursos e aprendizados, os dirigentes se esforçarem para esclarecer e apontar o caminho da austeridade e disciplina templária, se o médium não se liberta da sua insegurança e vivências passadas de superstições, crendices, vaidades e superficialidades.

Diz um ditado conhecido que Deus não chama os capazes, mas capacita aqueles que chama, quando se deixam capacitar.

O Templo oferece conhecimento, oportunidade de exercitar a disciplina, de ter um desenvolvimento mediúnico sadio e desprovido de fantasias, mas se o médium não se deixa capacitar, ouve, mas não transforma em sabedoria esse conhecimento, no exercício de suas atividades no Templo, é inútil, continuará na imaturidade religiosa e, portanto, num exercício mediúnico não sadio.

Esse médium não contribuirá para somar na Corrente em que se encontra e diz Pai Ventania que médiuns sem maturidade, ainda infantis na sua vivência religiosa e mediúnica, não serve para trabalhar com ele, na missão que tem na construção do Templo do Cruzeiro da Luz.

Não, mediunidade não assusta, somente aos fracos, e como sabemos, a felicidade não pertence aos fracos e covardes.

E, infelizmente, quantos se apresentam como fortes e desejosos de aprender e construir, mas que fica na superficialidade do aprendizado, não criando raízes profundas de humildade e serviço. 

Vivem dizendo que estão felizes e carregam profunda tristeza e sofrimento em seus interiores. 

Vivem de fachada, de exterioridades.

Pertencer a um Templo Espírita é assumir, com o coração e a vida, a filosofia, a disciplina e o trabalho da Casa.

É triste para o Dirigente de um grupo espiritualista quando ele se esforça, ensina, se doa, oferece seu tempo e amor no trabalho de fazer crescer os médiuns da sua casa em religiosidade, disciplina e serviço, e observa que determinados médiuns, embora estudem e ouçam, se mantêm na superficialidade deslizando na disciplina, na humildade, agindo de forma independente da vibração harmoniosa da Corrente.

Se o médium não entendeu, depois do Aspirantado, do período entre a Vinculação à Corrente até a Vinculação de Exu, que as normas do Templo visam a unificação, à concretização dos rituais da Umbanda, à vivência da religiosidade, é sinal que ainda está com excesso de máscaras do ego e fechou a brecha da humildade, através da qual poderá penetrar a luz do verdadeiro conhecimento e prática de intercâmbio mediúnico sadio.

Se existe uma hierarquia, que são aqueles que receberam “ordens e comando” do Guia Chefe do Templo para manter a espiritualidade e a disciplina em alta, é porque assim é na Umbanda.

Desde o Sacerdote Dirigente até os Pais, Mães Pequenos, Ogãs e Ekedis, são instrumentos nas mãos da Espiritualidade do Templo a serviço da seriedade, amor real e religiosidade do mesmo.

E, a esses irmãos que são cobrados pelo Plano Espiritual, doam seu tempo, energia e amor a serviço de seus irmãos, deve haver total respeito e acatamento, como centro de unificação e sacralização da religião, como representantes da espiritualidade responsável pelo Templo.

Eles não são Pais e Mães apenas dentro do Templo, mas em qualquer lugar em que estejam, sempre salvando-se o discernimento e respeito aos ambientes em que estivermos.

Pois o médium não é apenas umbandista no Templo e não são membros da Corrente, ou seja, da egrégora do Cruzeiro da Luz, apenas no Templo, mas em qualquer lugar em que estiverem.

Após a Vinculação, uma marca espiritual é impressa no médium. Onde estiver é vista pelo Plano Espiritual como membro dos Cavaleiros da Luz, pertencentes ao Cruzeiro da Luz.

O médium que se sente diminuído, ou que pela sua vaidade e escrúpulo, não toma a bênção aos Pais e Mães em qualquer lugar em que os encontre, com segurança e carinho, demonstrando seu respeito, amor e fidelidade à Corrente do Templo a que pertence, ainda está na superficialidade da sua vivência religiosa, principalmente como membro do Cruzeiro da Luz.

Tomar a bênção denota, com certeza, sua integração real e comprometimento destemido com o trabalho da Umbanda e do Cruzeiro da Luz.

Dizem os Mentores que na bênção dada pelos membros com “ordens e comandos”, existe “a eles a responsabilidade de abençoar e a quem pede o benefício de ser abençoado”, pois quando eles abençoam, têm o aval da espiritualidade superior da casa e, portanto, apenas canalizam para nós a benção dos Irmãos Espirituais Superiores.

Para mim é triste quando detecto médiuns do Cruzeiro da Luze encontrarem seus irmãos com cargo no seu Templo e se esquivarem de tomar a bênção, especialmente quando sinto a ponta da vaidade, do escrúpulo e da falta de fé na realidade ritualística e religiosa da Umbanda.

Principalmente quando sei e acontece que membros de outros Templos ao nos encontrarem, em qualquer lugar, seja pela internet ou na rua, logo tomam a bênção, pois sabem da importância canalizadora de energia e do ritual preceituado no Movimento Umbandista.

Para mim, médiuns que agem desse jeito, estão atrasando sua caminhada de serviço mediúnico e, pior, deixando que a vaidade e a superficialidade fale mais alto que o aprofundamento e vivência religiosa real e concreta.

Porque mediunidade é exercício religioso de doação, amor e vida.

É fácil de vivenciá-la, quando o irmão chamado a exercê-la se mune de intrepidez, humildade e comprometimento fiel.

Intrepidez para enfrentar os percalços naturais, as renúncias e a abnegação que faz desse exercício uma atividade sagrada, é o sacro ofício = sacrifício.

Humildade para aceitar a disciplina, as correções necessárias e as atividades ritualísticas de sua Casa de Trabalho.

Amando-a e assumindo-a como parte de sua vida.

Comprometimento para assumir, como sua família espiritual, a Corrente a que pertence.

A fidelidade ao Guia Chefe, ao Sacerdote-Dirigente, à Corrente composta de seus irmãos de trabalho espiritual só será realidade a partir da maturidade do médium, que se comprometerá com a mente, o coração e a vida a esse trabalho no Templo Umbandista que o acolhe, ensina e forma para uma vida religiosa e mediúnica sadia.

Comprometimento para trabalhar a sua mediunidade com uma única razão, que é a razão pela qual os guias abnegadamente assumem as formas perispirituais no movimento umbandista (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Exus), que é a de crescer, ajudando seus irmãos a crescerem espiritualmente, sendo assistidos pela misericórdia de Deus, no tratamento de suas dores e problemas.

Sim, ser médium na Umbanda é maravilhoso, é gratificante, só é necessário que entendamos que ela é uma religião disciplinada e ritualística, que é preciso ser compreendida, vivida e amada no Templo a que pertençamos.

Diz o Caboclo das Sete Encruzilhadas que “A Umbanda é uma árvore frondosa, que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los”.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

CAUSAS DA DESMOTIVAÇÃO DO MÉDIUM DE UMBANDA

Eu acredito que muitos dos que aqui lerem esse texto, já se sentiram desmotivados ou mesmo já se depararam com pessoas que por mais que tinham anos de Umbanda, numa determinada ocasião, fraquejaram e sentiram vontade de largar tudo, digo pessoas mais velhas na religião, mas não deixo como regra, porque esse tipo de sentimento não tem uma determinada época ou regra para acontecer então cabe a todos.
Às vezes a pessoa sente uma perda de energia tão grande, que ela não consegue nem acender uma vela, na realidade ela não sente vontade, ela até se inclina a fazer, mas chega na hora “H”, ela pensa agora não, depois. E nisso vai passando-se os dias. E como um vírus pestilento a desmotivação vai tomando conta.
Essa desmotivação pode ser provocada por inúmeras questões, originadas em nós mesmos (pela forma que nos enxergamos perante a vida), pelos outros (que muitas vezes nos derrotam, nos jogam para baixo), ou mesmo por ordem espiritual (assédio, obsessão).

Vamos refletir juntos a respeito. Muitas vezes essa desmotivação começa pela forma com que nos enxergamos perante nossa vida, pelas nossas próprias expectativas que vamos criando em torno de nós, muitas vezes o médium chega num patamar de tão necessário, diria até insuperável, que ele não se permite fracassar diante de um obstáculo, tipo: “… eu sou médium, filho de Ogum, eu tenho que conseguir ajudar tal pessoa, eu estou acima de tudo, eu nunca erro, tudo dá certo para mim…”, só que infelizmente não é bem assim, e as vezes o Médium se depara com inúmeras dificuldades na vida e obstáculos que ele vai começando a perceber que mesmo ele tendo amparo espiritual está sujeito as entrelinhas que a vida impõe, essas dificuldades poderão surgir em inúmeros aspectos e setores da vida, é no ambiente familiar, aquele filho que está andando em más companhias, e na harmonia conjugal que anda de mal a pior, é na saúde que anda mais frágil do que de costume, é a crise financeira que assola o país que lhe tirou o trabalho, os recursos para manter a sua casa e família e assim por diante, e todas essas questões vão abalando a fé daquela pessoa.
A falta de aceitação perante os obstáculos vai minando as forças, porque nem tudo depende unicamente da pessoa, as vezes os braços se cansam, doem de tanto empunhar a espada na batalha. E o guerreiro fraqueja, e pode se deixar sucumbir. As vezes a aceitação é necessária, é preciso recuar, esperar o melhor momento para continuar, contornar a situação, mas nem sempre a ansiedade deixa que isso aconteça, e quando nada se concretiza a desmotivação aparece.
O Médium começa a perceber que ajuda a muitas pessoas, mas se desmotiva quando não consegue ajudar a si mesmo. E muitas vezes isso acontece porque ele se deu um poder que não pertencia a ele, e se esquece que está aqui em uma escola, um mundo de expiações e o que tiver que passar, ninguém poderá passar por ele. A grande diferença é como ele vai se colocar perante as dificuldades, se vai se abrir a ter apoio ou não de seus guias e mentores. Às vezes é preciso se silenciar para ouvir o espiritual.
É tanto sofrimento que a pessoa vai perdendo a crença nos próprios resultados, e começa a pensar: “…vou todos os dias de gira no terreiro, cumpro minhas obrigações direitinho, e por que meu Pai acontece tanta coisa de ruim comigo? ” Com essas e outras o Médium vai perdendo a crença e a confiança na sua própria capacidade de superação, ninguém é de ferro, somos Médiuns, mas não somos os próprios Orixás que nos regem, e enxergar essa limitação ajuda a criar forças para superar as dificuldades. Porque o que causa a desmotivação é achar que não consegue mais, que não é mais capaz de realizar algo.
Essa visão é tão equivocada que vemos críticas pesadas oriundas de terceiros que dizem: “… está assim desse jeito porque é “macumbeiro”, fica mexendo com coisas de espíritos, isso é atraso de vida…”, até então nem devem ser consideradas porque são perseguições oriundas de pessoas que nem sabem o que estão falando na grande maioria das vezes, agora mais triste é ver críticas de tão forte teor vindas dos próprios irmãos de fé, que dizem: “…fulano está assim porque o terreiro onde frequenta é fraco, suas entidades e guias são fracos…”. Como se nossos guias fossem responsáveis por tudo que nos acontece, essa perseguição ignorante chega ao cúmulo do absurdo quando vemos médiuns que simplesmente sofrem calados, porque temem ser criticados, humilhados por outros irmãos de crença.
Porque lhes digo e afirmo que quem está sofrendo não quer que lhes atire pedras ou críticas, apenas uma motivação ou mesmo o apontar de um caminho, uma saída já ajuda é suficiente, ou quando mais se não puder ajudar apoie.

Uma das causas também da desmotivação é quando o médium acha que já aprendeu tudo, logo sabe de tudo, não se abre a aprender coisas novas, não se defronta perante seus próprios conhecimentos, irredutível não aceita críticas, não se dá o direito a dúvida e ao questionamento de pensar, será que tudo que sei é certo mesmo? E mesmo quando correto, não se deixa aprimorar-se.
A falta de expectativa de renovar-se e aprender no dia a dia na religião também traz desmotivação, tudo vira rotina médium muitas vezes acredita que ele não consegue fazer outras coisas, ele se bloqueia tanto que não consegue ver as esquinas que existem em sua estrada, só vê um caminho reto, sem curvas e vazio. Mas seu medo, a sua falta de crença em si mesmo não permite ver que em cada esquina dessa estrada tem alguém ali, te intuindo, te inspirando a prosseguir, porque nossos guias não podem vir e resolver e viver por nós, mas podem nos intuir, nos encaminhar e nos inspirar a uma saída, até mesmo nos inspirando a aceitação necessária para determinados momentos nos inspirando a desapegar e continuar, porque ficar ali não vai resolver muita coisa.
Quem nunca esteve numa situação e do nada recebeu um telefonema, ou cruzou com uma pessoa que a tempos não via, e bate papo aqui e bate papo ali, quando acabou percebeu que aquela pessoa havia deixado algo, a boa palavra, uma esperança, um encorajamento, as vezes nossos guias usam da boca de outras pessoas para chegar até nós.
A desmotivação muitas vezes é oriunda, pela nossa teimosia e descrença, mesmo dizendo que tem uma fé inabalável, que ama seus guias e Orixás, mas muitas vezes o médium vai pede, ora, faz sua oferenda, acende sua vela e pede muito uma determinada coisa ou quer muito um determinado resultado, e pensa:“… meu Orixá vai me dar, meu Preto Velho vai buscar para mim, meu Exu não há de me faltar..”, e de repente, “BUMM” não rolou, não deu certo, você não conseguiu, e logo vem a revolta, para que eu vou no terreiro, eu não vejo uma melhora na minha vida, eu não consigo nada de bom, eu só me lasco, ah quer saber não quero saber mais de nada de terreiro, de guias etc., e lá fica umas horinhas xingando, praguejando, revoltado. Ah e não me venha dizer que isso não acontece, porque acontece sim, a fé fraqueja, somos falíveis, e estamos bem longe da perfeição.
Só que o médium se esquece, que nem sempre aquilo que ele está pedindo é bom realmente para ele, por isso quando pedirem digam: Senhor, que eu seja abençoado com o que o senhor reservou de melhor para mim. Que seja feita a sua vontade. Muitas vezes não sabemos o que estamos pedindo, mas nossos Orixás, guias e mentores sabem.

Sabe aquela frase que diz: filho de umbanda bambeia, mas não cai, ela é bem cabível nesses momentos, mesmo diante de tanta revolta nossos guias não nos abandonam e sempre buscam nos ajudar na medida do possível que lhes é permitido, porque saibam que nem tudo eles podem intervir.
E o filho de pemba fica ali desmotivado, desanimado diante de tantas lutas e dificuldades, mas as vezes é preciso chegar no fundo poço, para olhar para o alto e ver que tem uma saída, temos nosso instinto de sobrevivência nato, a gente chora, se desespera, mas tem uma coisa ali dentro de cada um que é mais forte do que tudo, a nossa Fé. A Fé é como uma chama de uma vela que tem momentos que ela fica pequenininha quase imperceptível e tem outros que vira uma labareda de fogo imensa. E nós somos a vela e quando nossa chama ameaça de apagar vem nossos guias e nos cercam para que vento nenhum a apague.
Sabe meu irmão e minha irmã, não é vergonha as vezes fraquejar, bambear, isso acontece mesmo com os mais valorosos médiuns, medo, todo guerreiro tem perante a batalha, e o medo nem sempre é ruim, as vezes o medo nos ajuda a recuar na hora certa e descobrir a melhor estratégia para vencer. E quando sua prece não querer sair da sua boca, porque a tristeza e a dor a está impedindo, reze com a alma e com o coração, feche os olhos e converse com Deus, com seus Orixás e seus guias com seu pensamento, porque este ninguém consegue barrar.
E se sua desmotivação for ocasionada dentro do próprio terreiro, com as pessoas que ali estavam, pensa que talvez essas pessoas lhe foram colocadas para te ensinar algo, para que se auto superasse, para lhe ensinar a não cometer os mesmos erros, sobre as leis de compaixão, perdão e caridade, pense que essas pessoas lhe foram colocadas em sua vida para te ensinar a ser mais forte, e fortalecer sua fé e crença em si mesmo.
Mas, lembre-se que essas pessoas podem se dizer fazer parte da Umbanda, mas não são a Umbanda como um todo, e que dentro dessa egrégora há várias famílias e que se essa não é para você com certeza terá uma que será, porque Orixá é vento que ninguém prende, ele caminha por todos os caminhos e espaço, e onde você estiver seu Orixá irá estar com você.
Mas, há outra questão mais preocupante correlacionada com a desmotivação, é o assédio espiritual oriundo do acumulo da tristeza, depressão, quando nos desmotivamos, nos derrotamos na verdade, abrimos um canal perigoso, nossas armaduras tendem a ir ao chão, ficamos vulneráveis e desprotegidos, e alguns espíritos usam de nossa fraqueja para nos atingir.
Acabamos por nos sintonizar naquela frequência negativa, tudo fica enegrecido em torno da pessoa, parece que a esperança acabou, porque esses espíritos acabam por nos induzir e acentuar ainda mais determinados sentimentos.
Infelizmente muitos médiuns nos chegam até nós no fundo do poço, completamente vampirizados, porque cederam a essas forças nefastas, obsidiados, precisam não só da força de seus guias e mentores mas de toda uma egrégora espiritual que como um exército se prontificará a lhe salvar o espírito, resgatando sua força de viver. É por essas e outras que é tão preocupante quando vemos uma pessoa desmotivada sem vontade de viver.
A desmotivação tem levado a muitos danos e perdas, pode sim ser algo momentâneo como mencionei, algo passageiro, uma doença que após o paciente medicado com uma boa dose de motivação e encorajamento acaba rapidinho, mas como todo mal se não tiver conscientização imediata, incentivo, poderá se tornar algo muito danoso e perigoso, levando a consequências terríveis, uma dessas consequências que temos presenciado é o “suicídio”, que é a fuga, a falta de vontade de viver, é quando a pessoa usa do seu sopro para desligar o botão o laço que liga sua vida a esse mundo, é muito triste, porque se essas pessoas tivessem tido talvez a palavra certa na hora certa, muitos não teriam feito tal ato.

A vida está aí, linda e bela, temos inúmeros motivos para nos motivar, mas como seres humanos falíveis tendemos a sempre olhar para o lado ruim da situação, hoje em dia viver nos dias atuais onde nossos antepassados diziam é uma luta, hoje em dia está sendo uma guerra, são muitas dificuldades e obstáculos, mas temos graças a Deus e aos Orixás uma arma forte e imbatível, nossa Fé, e ela tem que ser renovada todos os dias, é em pensamentos, nas boas palavras e ações. Quando temos Fé sempre há uma luz no final do túnel a nos guiar, que nossa luz chegue na frente, derrubando todas as muralhas escuras impostas. E quando nossa Fé fraquejar, está na hora do filho de pemba, se colocar de joelhos novamente e orar. A oração aquieta e acalma nos dando condições de pensar e sempre aparece uma boa saída.
Por isso, cuidado com a desmotivação, encoraje-se, motive-se, tenha Fé que não há mal que dure para sempre. Tudo passa (Mãe Ignez).


AGONIA NA UMBANDA

O título é forte, mas o momento urge providências.

Recentemente participamos de um debate no fórum da RBU – Rede Brasileira de Umbanda, onde surgiu novamente o assunto do crescimento ou diminuição do número de praticantes da religião umbandista.

Quem é umbandista atuante e não mero frequentador de Terreiros, já teve oportunidade de participar de debates semelhantes sobre esta questão, ou já ouviu de algumas lideranças que “existem milhões de umbandistas no Brasil”.

Quando buscamos dados mais consistentes sobre o número real umbandistas e as informações obtidas não confirmam a afirmação acima, a resposta é que o método utilizado pelo IBGE no censo é errado, ou que existe muito preconceito sobre a religião e as informações são manipuladas, ou que o Umbandista é preconceituoso e se esconde atrás de outras religiões, como a Católica ou o Espiritismo.

Existem aqueles que ainda se comportam como no mito do avestruz que enterra a cabeça no chão quando se sente acuado, não querem saber de nada, se escondem e acham que a Umbanda vai muito bem, que os Orixás cuidam de tudo, que tudo é bobagem, perda de tempo e etc.

Já faz alguns anos que pesquisamos sobre esta questão, em 2002 escrevemos um texto onde fazíamos um levantamento dos dados estatísticos do IBGE de 1991 e 2000.

Em 1991 segundo dados do Censo existiam no Brasil 648.463 pessoas que se diziam praticantes de Umbanda ou Candomblé, já em 2000 este número se reduziu para 571.329 o que mostrava uma redução significante de 11,89% no número dos praticantes.

É interessante registrar que nesta época o número de praticantes do Candomblé era bem inferior ao número de praticantes da Umbanda.

Mesmo com estas informações, que consideramos seguras, técnicas e que servem de base para diversas políticas públicas, nossos irmãos umbandistas continuavam a criticar as informações e defenderem o “mito” de que existiam milhões de umbandistas no Brasil.

É incrível como as pessoas se iludem e possuem resistência a aceitar informações reais, positivas e lógicas. Quando da realização do Censo de 2010 fizemos uma verdadeira campanha com vídeos, textos, e-mails para que os Umbandistas, que por algum motivo, se escondiam atrás de outras religiões que assumissem que eram Umbandistas e não Espíritas ou Católicos.

O resultado do censo 2010 saiu e para nossa decepção, o número de umbandistas continuava a diminuir.

Quando participamos recentemente deste debate no fórum da RBU, fizemos uma pesquisa rápida no Google e localizamos um texto de 2004 do professor Antônio Flávio Pierucci com o título de “Bye bye, Brasil” – o declínio das religiões tradicionais no Censo 2000.

Antônio Flávio Pierucci faleceu em junho de 2012, era sociólogo, professor e chefe do departamento de sociologia da USP, filósofo, autor de vários livros e artigos sobre religião, pesquisador do CEPRAB e secretário geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, ou seja, uma pessoa gabaritada para estudar e falar sobre as informações fornecidas pelo IBGE.

Neste artigo, Pierucci comenta sobre a retração numérica da Umbanda, reproduzimos abaixo um pequeno trecho:

“Nos anos de 1960 era comum nos meios intelectuais, acadêmicos ou não, referir-se à Umbanda como aquela, dentre as religiosidades afro-brasileiras, que parecia ter sido feita de encomenda não só para os negros, mas “para todos os brasileiros”. The Umbanda is for All of Us é o título de um mestrado defendido na Universidade de Wisconsin pela demógrafa e socióloga paulista Maria Stella Ferreira Levy. Isso foi em 1967.

Nesse mesmo ano, precisamente em 1967, o Serviço de Estatística Demográfica, Moral e Política do Ministério da Justiça informava a quem pudesse interessar que o número de umbandistas no Brasil estava na casa dos 240 mil – 240.088, para sermos exatos – e, além disso, mostrava que os brasileiros frequentadores de centros de Umbanda estavam aumentando de forma notável naquela década, quase triplicando, visto que os registros do mesmo órgão para o ano de 1964, só três anos antes, haviam chegado à existência de apenas 93.395 umbandistas.

Pelos estudos de Lísias Nogueira Negrão, especialista no tema, a década seguinte é que assistiria, particularmente no período de 1974 a 1976, “o momento culminante do crescimento da Umbanda”, religião que se queria “afro” porém “para todos”, noutras palavras: étnica e universal.

Desde que surgiu no Rio de Janeiro na década de 1920, e já nas décadas de 1930 e 1940 começava a se disseminar pelo tecido urbano mais moderno do País, o das cidades grandes da região mais desenvolvida, o Sudeste, a Umbanda foi vista como uma religião brasileira; para alguns, a religião que melhor encarnava a tradição sincrética nacional.

A perspectiva da construção de uma identidade nacional esteve sempre à mão entre os intelectuais, pelo menos desde a República, o que desde logo favoreceu toda uma boa vontade com a Umbanda. Afirmativamente afro e marcantemente popular, ela não se fechava etnicamente em sua negritude, mas se oferecia brasileiramente a todos os brasileiros.

Pensava suas raízes como plenamente brasileiras e não simplesmente africanas. E povoava o panteão de deuses africanos, os Orixás, com suas “linhas” de espíritos desencarnados de personagens tipicamente brasileiros: índios, caboclos, baianos, boiadeiros, etc. O africanismo brasileiro em sua forma umbandista desde sempre se apresentou e se representou como uma “mistura típica”, “bem nacional”, de ingredientes de proveniência diversa, porém, resignificados como autóctones.

Isso o imunizou de qualquer pudor de embarcar nas diferentes ondas de nacionalismo cultural que se manifestariam em nossa história republicana a partir dos anos de 1930.

Apesar da incensada “brasilidade” da Umbanda, apesar do desejado impacto demográfico que aos olhos dos estudiosos sua recepção mereceria ter para ela assim consolidar-se no concerto (multi)cultural das religiões em nosso País, ela começou a entrar em refluxo já na década de 1980. É o que informa Lísias Negrão. E desde então, ao que tudo indica, não parou mais de encolher aos poucos, recolhendo-se pouco a pouco, em sua fragilidade e modéstia.
Se analisarmos os números dos três últimos censos demográficos as porcentagens referentes aos principais conjuntos religiosos, comparece neste artigo antes de tudo pela informação agregada que fornece a respeito das religiões afro-brasileiras.

Impactados pelas diminutas cifras com que tanto a Umbanda quanto o Candomblé se mostram no censo 2000, vemos agora que a perda de seguidores no conjunto dos cultos afro-brasileiros é lenta, gradual e contínua nas duas últimas décadas do século XX.

Dos 0,57% de brasileiros que declaravam pertencer à Umbanda ou ao candomblé em 1980, apenas 0,44% o fazem em 1991 e em 2000 ainda menos: 0,34%.

A partir de 1991, quando o IBGE passou a separar a Umbanda do Candomblé, tornou-se possível discernir qual das duas está perdendo terreno: é a Umbanda, que cai de 541.518 em 1991 para 432.001 seguidores em 2000 (uma perda superior a cem mil adeptos), enquanto o Candomblé, no mesmo período cresce de 106.957 para 139.329 participantes (um acréscimo superior a trinta mil adeptos).

Confirmamos pelo artigo do professor Pierucci o que já tínhamos afirmado em 2002, o número oficial de umbandistas vem caindo gradativamente e para nós que somos umbandistas, que sabemos da beleza e da profundidade de conhecimentos e espiritualidade que esta religião possui, não podemos ficar inertes neste momento.

É preciso chamar mais uma vez os verdadeiros umbandistas a reflexão e a uma tomada de posição.
Vale destacar, do que foi apresentado acima, alguns questões para reflexão e possível mobilização por partes dos interessados, que neste caso somos todos nós umbandistas.

a) Enquanto o número de adeptos das religiões afro-brasileiras e católica diminui, o número de adeptos das religiões protestantes aumenta, da mesma forma que aumentam o número dos que não possuem religião e dos espíritas.

Qual o motivo que estaria afastando as pessoas das religiões ditas afro-brasileiras, neste caso representadas pelo Candomblé e pela Umbanda?
O que estaria motivando as pessoas a seguirem os protestantes, os Espíritas ou deixarem de ter uma religião (o que não significa serem ateus).
Esta reflexão seria interessante, pois poderíamos encontrar um caminho para estimular novos adeptos à religião de Umbanda e da mesma forma repensarmos algumas características da Umbanda.

b) Outra questão importante é registrar que no último Censo, o número de umbandistas diminuiu, enquanto o número de praticantes do Candomblé teve um pequeno aumento.

Qualquer um percebe que aumentou muito nos últimos anos os chamados Umbandomblés, que infelizmente acabam misturando fundamentos de religiões totalmente diferentes, gerando, em nossa humilde opinião, um monstro sem pés ou cabeças.

Particularmente acreditamos que este pequeno crescimento do número de adeptos do Candomblé foi em função do aumento das casas de Umbandomblé.

O que motivaria uma pessoa que segue uma religião a procurar outra e ainda querer continuar na antiga?
Seria a falta de fé nos seus guias e protetores?
Seria a falta de conhecimento sobre sua religião?
Seriam interesses financeiros, pois todos sabem que na Umbanda somente se pratica o amparo espiritual de forma gratuita, enquanto no Candomblé existem varias formas de cobranças, através de ebós, trabalhos diversos, jogos de búzios, etc.

Em 2007 fizemos uma reunião no Núcleo Mata Verde e recebemos a presença de alguns Babás de Umbanda e Candomblé onde tive a oportunidade de conversar com alguns.

Fiquei estarrecido com o que ouvi. Ao perguntar se o Pai comandava um Terreiro de Umbanda ou de Candomblé recebi de alguns a resposta: Sou de Candomblé mas também “toco” Umbanda. (particularmente não gosto desta expressão “toco Umbanda”)

Ao perguntar qual o motivo de fazer esta mistura respondiam “o povo gosta”, ou outra resposta muito comum, fiquei com alguns problemas e precisei me fortalecer no Candomblé.

Outra resposta muito comum era que “o Santo pediu” para ir para o Candomblé, mas acabei “carregando meu Caboclo e meus Exus” e agora preciso cuidar deles.

Aqui encontramos três questões importantes:

1) Não se deve seguir uma religião porque o povo gosta, da mesma forma que não se segue uma religião para atrair pessoas para cobrar, para viver financeiramente da fé e da carência humana. Na Umbanda cada Dirigente possui sua profissão, seja ela qual for.

2) É um absurdo você passar por uma fase difícil em sua vida, e neste momento, que você necessita provar a sua fé, no momento que você precisa mostrar sua “firmeza”, você vai procurar outra religião por achar mais forte que a sua e se submeter a outra pessoa. Lembramos que estamos nos referindo aos Dirigentes de Tendas e Terreiros de Umbanda e não a simples participantes ou médiuns iniciantes.

3) Outra questão absurda é você deixar de ser umbandista, ir para o Candomblé e “levar” seus Guias e protetores, e o pior de tudo, ter que cuidar dos seus guias. Ora meus irmãos, não somos nós que cuidamos dos nossos guias, são eles é que cuidam de nós. Com toda certeza esta pessoa que não tem fé na Lei da Umbanda e abandona seus Guias e Protetores, Caboclos e Pretos Velhos, não está levando Guia algum para o Candomblé. Com toda certeza está “levando” um punhado de obsessores ou Kiumbas, que se fazem passar por Caboclos ou Pretos Velhos. Melhor seria dizer que está sendo conduzida por Kiumbas.

4) Quero tocar em mais uma questão delicada que exige cuidado dos Umbandistas. Infelizmente existe no meio das religiões Afro-brasileiras, um movimento político que quer a todo custo relacionar a intolerância religiosa com o preconceito racial e também mobilizar os umbandistas para a questão da homossexualidade ou homoafetividade.

São questões sociais importantes, questões ligadas as liberdades individuas que devem ser discutidas, mas de forma adequada, independentes de religião e nunca relacionando a Umbanda com estas questões.
A Umbanda ensina e nos mostra uma vida espiritualizada, universalista, muito acima de questões materiais, de raças ou preferências sexuais.
Com toda certeza, estes movimentos radicais de minorias estão prejudicando, muito mais que ajudando no fortalecimento da Umbanda.

5) A última questão que acho importante para uma reflexão é a independência da Umbanda de outras religiões ditas de “Matriz Africana”.

Particularmente acredito que para fortalecemos a Umbanda é necessário urgentemente buscarmos a nossa individualidade como religião.
Já mencionei acima que existem diferenças enormes entre culto de Nação e Umbanda.

Culto de Nação tem como característica principal a questão cultural, a preservação da cultura africana, a tradição de um povo, dos seus valores, a valorização dos negros, o que deve ser assim e deve ter o apoio de todos nós brasileiros.

Já a Umbanda é uma religião de origem brasileira, universalista, não vinculada a nenhuma raça e aberta a todos.
Trabalhamos com espíritos que se manifestam em falanges de várias nacionalidades e características, e não somente do povo africano.
O próprio conceito de Orixá que é a parcela africana na Umbanda, é interpretado e cultuado na Umbanda de maneira bem diferente do Candomblé ou do culto original africano.

Já passou da hora de termos federações que sejam somente de umbandistas, que se preocupem somente com questões e interesses umbandistas e outras federações que sejam somente de Candomblé ou Nação e que se preocupem com questões que sejam somente do Candomblé.

Não é possível colocar na mesma mesa assuntos de ambas religiões, pois todos sabemos que existem fundamentos totalmente diferentes e com toda a certeza irão contrariar uma ou outra parte.

Em momentos que se façam necessários poderemos juntar forças, mas que cada uma tenha sua individualidade.



JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...