O objetivo desse blog, não é dar explicações teóricas sobre a Umbanda. Cada terreiro tem a sua própria raiz, a sua própria história, e é isto que pretendemos mostrar um pouco aqui... a Nossa Raiz, a nossa História. Desejamos divulgar apenas a Umbanda o Candomblé e não a nós mesmos.
terça-feira, 22 de setembro de 2020
A TRISTEZA DOS ORIXÁS
domingo, 20 de setembro de 2020
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA AINDA É DESAFIO A CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA
O direito de criticar dogmas e encaminhamentos é assegurado como liberdade de expressão, mas atitudes agressivas, ofensas e tratamento diferenciado a alguém em função de crença ou de não ter religião é crime inafiançável e imprescritível.
A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a crenças e práticas religiosas ou mesmo a quem não segue uma religião. É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana.
O agressor costuma usar palavras ofensivas ao se referir ao grupo religioso atacado e aos elementos, divindades e hábitos da religião. Há casos em que o agressor desmoraliza símbolos religiosos, destruindo imagens, roupas e objetos ritualísticos. Em situações extremas, a intolerância religiosa pode se tornar uma perseguição.
Crítica não é o mesmo que intolerância. O direito de criticar encaminhamentos e dogmas de uma religião, desde que isso seja feito sem desrespeito ou ódio, é assegurado pelas liberdades de opinião e expressão. Mas, no acesso ao trabalho, à escola, à moradia, a órgãos públicos ou privados, não se admite tratamento diferente em função da crença ou religião. Isso também se aplica a transporte público, estabelecimentos comerciais e lugares públicos, como bancos, hospitais e restaurantes.
Ainda assim, o problema é frequente no país. Algumas denúncias se referem à destruição de imagens de orixás do candomblé ou de santos católicos. Ficou famoso no Brasil o então pastor da Igreja Universal do Reino de Deus Sérgio Von Helder, que, em 1995, chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em rede nacional de TV. Há também casos de testemunhas de Jeová que são processadas por não aceitarem que parentes recebam doações de sangue, de adventistas do Sétimo Dia a quem não são dadas alternativas quando não trabalham ou não fazem prova escolar no sábado e de medidas judiciais que impedem sacrifício de animais em ritos religiosos.
A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir) também não possui dados específicos sobre violações ao direito de livre crença religiosa. No entanto, o ouvidor do órgão, Carlos Alberto Silva Junior, diz que o número de denúncias de atos violentos contra povos tradicionais (comunidades ciganas, quilombolas, indígenas e os professantes das religiões e cultos de matriz africana) relatadas à Seppir também cresceu entre 2011 e 2012.
Muitas agressões são cometidas pela internet. Segundo a associação SaferNet, em 2012, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos recebeu 494 denúncias de intolerância religiosa praticadas em perfis do Facebook. O mundo virtual reflete a situação do mundo real. De 2006 a 2012, foram 247.554 denúncias anônimas de páginas e perfis em redes sociais que continham teor de intolerância religiosa.
A tendência é de queda: de 2.430 páginas em 2006 para 1.453 em 2012. Mas a tendência não significa que o número de casos reportados de intolerância religiosa tenha diminuído. “Uma das razões é a classificação feita pelo usuário. Mesmo páginas reportadas por possuir conteúdo racista, antissemita ou homofóbico têm, também, conteúdo referente à intolerância religiosa”, explica Thiago Tavares, coordenador da central.
Os dados foram divulgados pela Agência Brasil este ano no Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro. A data foi instituída em 2007 pela Lei 11.635, em homenagem a Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, de Salvador. A religiosa do candomblé sofreu um enfarte após ver sua foto no jornal evangélico Folha Universal, com a manchete “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada a indenizar os herdeiros da sacerdotisa.
O comitê terá 20 integrantes, sendo 15 deles representantes da sociedade civil com atuação na promoção da diversidade religiosa. Ainda sem data definida para começar efetivamente a funcionar, o comitê depende de um edital que selecionará os integrantes.
Já a Lei 9.459, de 1997, considera crime a prática de discriminação ou preconceito contra religiões. Ninguém pode ser discriminado em razão de credo religioso. O crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) e imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo).
Uma pesquisa mundial feita em 2009 e 2010 indicou o aumento da intolerância religiosa. Segundo o Instituto Pew Research Center, com sede nos Estados Unidos, 5,2 bilhões de pessoas (75% da população mundial ) vivem em locais com restrições a crenças.
No período, passou de 31% para 37% a proporção de países com nível elevado ou muito alto de restrições. Entre os países com as maiores restrições governamentais (leis, políticas e ações para limitar práticas religiosas), estavam Egito, Indonésia, Arábia Saudita, Afeganistão, China, Rússia e outros que somaram 6,6 pontos ou mais em um índice de máximo 10. Os que mais sofrem são os que pertencem a minorias religiosas. O Brasil aparece, junto com Austrália, Japão e Argentina, em nível baixo, entre os países com 0 a 2,3 pontos, o que denota bom nível de liberdade religiosa.
O assunto vem sendo discutido também no âmbito da proposta de reforma do Código Penal, tema de comissão especial do Senado. Um grupo de juristas preparou o anteprojeto, posteriormente apresentado como projeto (PLS 236/2012) por José Sarney (PMDB-AP). A intolerância religiosa está relacionada a assuntos do Código, como os crimes contra os direitos humanos e os que podem ser praticados pela internet.
O QUE É QUIMBANDA OU KIBANDA
A Quimbanda ou Kimbanda não é simplesmente mais uma das linhas existentes dentro dos cultos afro-brasileiros, suas influências não são somente Bantu, Nagô e Yorubá, também abrangem em larga escala vários aspectos da Religião Indígena, Católica, o Espiritismo moderno, a alquimia, o estudo da natureza fundamental da realidade e Correntes Orientais.
É importante lembrar que o sincretismo entre Exu e o Diabo
existe, salvaguardando várias confusões ao verificar que atualmente muitas
pessoas pensam que a Quimbanda é um culto satanista, tendo aquele sentimento de
dualidade aonde as pessoas vêem o bem e o mal em uma luta eterna confundindo a
figura do Diabo com tudo de ruim sem lembrar que Ele já teve seu martírio e foi
vencido por Deus que é Quem determina o espectro e a liberdade de suas ações
desde o princípio dos tempos.
O conceito de polaridades, positiva e negativa não se
encaixa no plano material, aonde não quer dizer o mesmo que atitudes, positiva
e negativa, principalmente tratando-se de energia pura. É como disse o
sábio preto velho Pai Maneco, falando da importância dos Exus, apontou uma
lâmpada e disse: Aquela é resultado do perfeito encontro entre o positivo e o
negativo.
É bom deixar claro também que o Exu da Quimbanda não é o
mesmo Exu do Candomblé aonde ele é um Orixá menor da cultura Yorubá, o Exu da
Quimbanda é geralmente um Egum sendo que na maioria dos casos é a Alma de
alguém que pertenceu ao culto, conscientemente ou não, e agora trabalha como
mensageiro dos Orixás, como Exu, mais ou menos o mesmo que ocorre em outras
Linhas e Bandas dedicadas a algum Orixá, por exemplo como na Linha de Ogum
trabalham Espíritos de Índios e Negros que em vida foram guerreiros, usaram
espada e de alguma forma pertenceram ao culto, como sabemos que Seu Ogum Sete
Espadas e Ogum Sete Ponteiras do Mar não são o mesmo que o Orixá maior Ogum.
Os Espíritos, Exus, com os quais estamos tratando tiveram
em sua maioria encarnações aqui na Terra em finais do século XIX e princípios a
meados do século XX, daí vêm as suas vestimentas e a forma de seu
comportamento.
Ainda na questão do sincretismo é muito importante frisar
que os autores que até hoje discorreram sobre o assunto usaram um organograma básico
para apresentar o que muitos pensam ser a verdadeira organização hierárquica da
Quimbanda mas é somente a cópia de um livro antigo de evocação e cultos
diabólicos da cultura ocidental que fala sobre os demônios, suas hierarquias e
poderes, o Grimorium Verum.
Considerando que este livro já existia muito antes do
descobrimento do Brasil e que a Quimbanda como conhecemos é uma religião
brasileira afirmo que é errado basear-se neste organograma como base para
estudarmos este assunto porém não devemos esquecê-lo pois os Exus, como nós,
tiveram já várias encarnações, alguns inclusive viveram nos primórdios da nossa
civilização como por exemplo Exu Tata Caveira que foi um Sacerdote no Egito
antigo ou inda mais longe Exu Caveira que a 30.000 anos atrás era um nômade bruxo
e curandeiro, outrora estes Espíritos já trabalharam no plano astral nesta
mesma Linha e alguns até ajudaram a escrever o Grimorium.
A Umbanda não vive sem a Quimbanda, como a árvore não vive
sem a copa ou sem a raiz, então com base em estudos e prática na Quimbanda
podemos afirmar que o culto como o conhecemos é o mesmo praticado na maior
parte dos Terreiros de Umbanda do Brasil que para obterem equilíbrio em seus
trabalhos cultuam as Sete Linhas da Umbanda e as Sete Linhas da Quimbanda,
desta forma podemos discorrer aqui sobre o assunto de uma forma mais ampla e
que leve a implementar os atuais conhecimentos sobre os Exus.
Quimbanda não é sinônimo de satanismo e de jeito nenhum
pode ser ligada a obscuridade, é apenas um termo usado no Espiritismo é uma
forma de estar na vanguarda do Espiritismo e da magia trabalhando a
espiritualidade como um todo, uma ferramenta destinada a evolução espiritual
através do poder e dos conselhos destes nossos guias protetores, os Exus, que
tanto nos auxiliam nas horas de aflição.
Embora não devamos julgar sabemos sim que lamentavelmente
existem pessoas inescrupulosas e de má índole que usam a magia da Quimbanda
para a prática do mal mas isto é culpa exclusiva do homem e não das entidades,
não podemos culpar o veneno por matar e sim aquele que o utiliza como arma, não
podemos culpar o Exu por fazer o que lhe é pedido mas sim quem se aproveitou
deste contato espiritual para pedir que praticasse o mal. Nunca podemos
esquecer da imutável Lei do Karma, tudo o que você fizer volta pra você.
Existe muita confusão a respeito do termo Macumba e acho
importante esclarecer isto, este nome deriva do Banto ma-quiumba que quer
dizer espíritos da noite, também este nome era usado no sul do país para
definir mulheres negras no tempo da escravidão, por isso o uso do nome ainda
hoje é usado de forma preconceituosa por pessoas ignorantes a respeito do
assunto.
A Macumba pelo que sabemos é o mais primitivo culto
sincretista do Brasil e originou-se na região sul dada a sua maior
predominância da nação Banto, é desta nação que descendem a maior parte dos
cultos afro-brasileiros com influências da Igreja Católica, Indígenas e das
nações do Congo, Angola e Nagô.
A principal razão do culto ser denominado como Macumba foi
justamente por motivo de os rituais serem realizados à noite em razão de os
trabalhos serem feitos com Eguns e porque durante o dia os negros trabalhavam
sem descanso, vem daí a interpretação errada do ritual pelos leigos, os negros
que praticavam a Maquiumba ou como ficou conhecida Macumba eram geralmente
menosprezados, perjuriados e mal interpretados pelos que os escravizaram em
razão de sua fé.
A Igreja também condenava estes cultos com influências
indígenas ou africanas dizendo que praticavam beberagens e até orgias. É
verdade que as entidades bebem e até pitam e que as curimbas, danças, as vezes
são bastante sensuais mas venhamos e convenhamos que entre isto e orgias e
beberagem há uma grande diferença.
Quando os grupos de nações começaram a procurar e a
valorizar mais a sua natureza e identidade cultural é que a Macumba se dividiu,
surgiu então o Candomblé de Angola, o Candomblé do Congo, o Candomblé de
Caboclo ou dos Encantados e o Catimbó, no final do século XIX surgiu a Macumba
Urbana que tinha participação de brancos pobres e descendentes de escravos,
finalmente no inicio do século XX surgiram a Umbanda e a Quimbanda com uma
forte influência do Espiritismo e com o sincretismo religioso.
A formação da Quimbanda teve uma forte influência dos
escravos e índios que sincretizaram Exu com o Diabo por este ser inimigo dos
brancos e por não aceitarem os Santos Católicos, identificando-se assim mais
uma vez com o Diabo. Com o advento da Umbanda começou o trabalho de Quimbanda
em Terreiros de Umbanda o que deu sustentação firme aos trabalhos com os, Compadres,
Exus e assim formatou-se o atual culto da Quimbanda.
Na verdade pode-se dizer que a Quimbanda como a conhecemos
atualmente nasceu juntamente com a Umbanda em 15 de novembro de 1908 pois uma
Linha completa o outra formando esta força que nos da vida e este reino cheio
de luz.
A Quimbanda esta organizada hierarquicamente em sete
grandes reinos, as Sete Linhas da Quimbanda, sendo que na Quimbanda também é
Oxalá quem manda, o Sr. Omolu é o Rei, coroado por Oxalá, este delega os
poderes aos Exus Chefes de Falange:
1. Linha das Encruzilhadas: Exu
Tiriri
2. Linha dos Cruzeiros: Exu Meia Noite
3. Linha das Matas: Exu Arranca Toco
4. Linha da Calunga Pequena (cemitérios): Exu Caveira
5. Linha das Almas: Exu Tranca Ruas das Almas
6. Linha da Lira: Exu Sete Liras
7. Linha da Calunga Grande (praia): Exu do Lodo
É importante lembrar que quando o Exu, qualquer um Deles,
estiver incorporado no Pai de Santo, no dirigente dos trabalhos, Ele esta
trabalhando com a Coroa e por este motivo é o Chefe dos trabalhos da Gira de
Quimbanda tendo liberdade de movimento entre os Reinos através do contato com
os outros Exus presentes no trabalho. Trabalhar com os, “compadres”, Exus
requer muito respeito e consideração por parte dos dirigentes, médiuns e
consulentes pois são Entidades muito poderosas, de muito Axé.
terça-feira, 18 de agosto de 2020
SER MÉDIUM UMBANDISTA
Ser médium, de forma geral, é uma grande dádiva que nos é concedida por Deus, sempre no sentido do nosso aprimoramento espiritual.
O importante, como afirmam os amigos espirituais, não é ser médium, é ser um bom médium.
Ser um bom médium é, certamente, estar em sintonia o mais perfeitamente possível com os planos do Cristo Jesus na ação de redimir e conduzir as pessoas à uma vivência real da sua existência, que é a de ascender, destruindo a ignorância, mãe da superstição e crendice, para uma vida em conformidade com o Plano de Deus para o ser humano, encontrar-se, encontrando Deus em si, para encontrar a felicidade tão almejada e inata em todos.
Não existe possibilidade de ser um bom médium se não se adota como regras essenciais de sua vivência mediúnica o estudo e a disciplina.
O conhecimento desmitifica o mediunismo, e mostra o quão natural é o processo mediúnico; a disciplina facilita o afastamento do excesso de animismo e assenta o médium na humildade.
Mediunidade não é fenômeno sobrenatural ou mágico, é o uso natural do aparelho físico do médium, a partir do consentimento do mesmo, para que juntos possam, médium e guia, espalhar a palavra de conforto, ensinamento, e de ajuda através das manipulações energéticas, sempre no sentido de mostrar a grande misericórdia de Deus e a necessidade de reforma íntima, de aprimoramento moral, para se conquistar a real paz e alegria, que é a felicidade almejada, mesmo que inconscientemente.
Ora, se oferecemos o nosso aparelho físico para ser usado pelos amigos desencarnados é preciso que o aparelhemos, para que possa ser hábil e apto às comunicações dos Guias e Mentores.
Ilusão mentirosa pensar que o guia faz tudo sozinho, pois a mediunidade psicofônica (incorporação) é uma mediunidade de efeito intelectual, ou seja, é realizada na intelectualidade do médium, no uso de seu cérebro físico como receptor, decodificador e transmissor das mensagens espirituais.
Não havendo códigos doutrinários, evangélicos, racionais formados pelo conhecimento adquirido, o médium será deficiente na possibilidade de decodificar intelectualmente as mensagens doutrinárias e evangélicas dos Guias e, pior, em se tratando de médium fantasista e supersticioso, essas mensagens serão fonadas cheias de deturpações e vícios supersticiosos de propriedade do medianeiro.
Se o trabalho mediúnico é feito a dois, médium – guia, a contribuição do médium será um fracasso no que concerne ao plano critico de esclarecimento e elevação mental e espiritual, através do mecanismo mediúnico.
Não existe milagre na mediunidade, mas um evento natural de ligação mental entre o medianeiro e o irmão espiritual a se comunicar, seja através da palavra, dos gestos ou das manifestações físicas.
Muitas vezes médiuns verdadeiros, mas atacados de escrúpulos, o que é outro grande erro prejudicial ao desenvolvimento mediúnico, nos falam da sua excessiva preocupação com o famoso e famigerado animismo.
Vejam bem, existe sempre animismo em qualquer tipo de mediunidade, pois o aparelho que está sendo usado é o corpo físico do médium, que está “habitado”, ligado ao espírito do mesmo.
As atuações, ideias etc., do espírito comunicante passam pela vivência, conhecimento e experiência do médium para chegarem ao mundo físico, portanto sempre haverá animismo, ou seja, a presença da “anima”, da alma do médium.
Esse, como diz Ramatis, é um animismo sadio, quando o médium é maduro, consciente da sua responsabilidade e aparelhado com conhecimentos doutrinários e evangélicos que afastem da sua memória intelectiva as sombras da ignorância, das crendices e superstições, que podem até fascinar as pessoas sem conhecimento e maturidade espiritual, mas não ajuda, não eleva, não conduz à libertação, razão da mediunidade nos Planos do Cristo.
Esse seria um animismo pernicioso e ruim.
Voltando a Ramatis, lembramos o seu ensinamento a respeito da mediunidade sem sombras de superstições e ilusões. Ele compara a mediunidade a uma xícara que contém café com leite.
O café é o médium, o leite o guia.
Ocorre a mistura, o café não é mais apenas café e o leite não mais apenas o leite, trata-se de café com leite.
Agora, a maior ou menor quantidade de café ou de leite na xícara, que seria o medianeiro, depende do médium. Da sua seriedade, maturidade, fé, confiança e conhecimentos.
A mediunidade se processa de forma natural quando, nos momentos competentes e nos lugares certos, o guia envolve o perispírito do médium com suas energias mentais e emocionais.
O perispírito do médium, como é natural, projeta esse envolvimento ao Duplo Etérico do medianeiro que, automaticamente, pelas rasuras existentes na sua tela etérica comunica essas energias mentais e emocionais ao corpo físico desse médium, mediunizando-o, ou seja, tornando-o medianeiro, instrumento comunicador das ideias e sentimentos do guia comunicante.
Nada, portanto, de sobrenatural, apenas o exercício, planejado pela espiritualidade, de trabalho conjunto pela caridade, para ajudar na ascensão da humanidade.
Outro fator importantíssimo para a realização da mediunidade com Jesus é a disciplina.
Os guias são espíritos que estão inseridos num processo evolutivo já consciente e irmanados à vivência espiritual da busca de Deus.
São profundamente disciplinados, pois a ordem e o respeito são fatores preponderantes ao bom andamento evolutivo, que afasta a interferência das sombras, onde habitam espíritos indisciplinados, motivados pela ignorância.
Sempre digo que quando há movimentos de indisciplina, desrespeito à hierarquia e à filosofia da Casa onde médium-guia trabalham, não se trata do espírito comunicante e sim da interferência do médium.
Guia não invade o livre arbítrio do médium, não cria desordens, não atrapalha a evolução dos seus aconselhados, não perde tempo com futilidades, mas aproveita todas as oportunidades, quando presentes na mediunidade do encarnado, para doutrinar, ensinar e evangelizar.
Creio ser esse o sintoma prático de uma boa incorporação.
Diz o Pai Tomé que “Umbanda não é teatro e terreiro não é tablado para apresentação de irmãos carentes, desavisados e vaidosos”.
Daí a necessidade da disciplina num Templo Umbandista.
Disciplina que ensina, que ordena e organiza o trabalho religioso de um Templo, que deve ser Igreja onde se ora, Escola onde se ensina e Hospital onde se trata.
Como existir essa bela realidade sem disciplina que organiza e favorece a organização de uma Casa dedicada ao trabalho de caridade com Jesus?
Gosto da frase de André Luiz quando diz: Caridade sem disciplina é perda de tempo.
Médium que não aceita ou não quer se adaptar à disciplina do seu Templo, não está buscando espiritualidade e o intercâmbio sadio com o plano espiritual, mas sim preencher seus problemas carenciais e emocionais com a “religião” que satisfaça aos seus desejos e caprichos.
Trata-se de mais uma máscara do ego, que só plantará mais o indivíduo na superficialidade e sentimentalismo vazio. E isso não é mediunidade com Jesus.
A mediunidade será sempre uma oportunidade dada pela misericórdia divina para que reconquistemos oportunidades perdidas em encarnações passadas, ressarcindo as dívidas contraídas com a Lei Universal pela nossa inércia e preguiça de caminhar com Jesus, nos caminhos da evolução espiritual.
Quantos médiuns continuam a se perderem nos emaranhados da vaidade, do orgulho e da ignorância, pulando de Templo em Templo, sem se estabilizarem em nenhum e sempre culpando esses Templos sem se darem a oportunidade de, humildemente, enxergarem a sua vaidade e orgulho, quando não sua preguiça em se lançar na labuta do estudo, da disciplina e do trabalho.
Lembremo-nos que: “Tolo é aquele que naufragou seus navios duas vezes e continua culpando o mar” (Publio Siro).
Emmanuel dizia a Chico ser necessário para trabalhar com ele de disciplina, disciplina e disciplina.
Pai Ventania diz ser necessário para trabalhar com ele de austeridade, austeridade e austeridade.
Ele entende austeridade como seriedade no comportamento que implica em respeito e acatamento aos preceitos disciplinares contidos no Regimento Interno, respeito e acatamento à hierarquia constituída, respeito e acatamento ao ambiente que deve ser marcado pela religiosidade e fé, na busca da interioridade e crescimento espiritual.
Ele sempre nos alerta dizendo que:
“Todas as atividades num Templo que tenha a marca da espiritualidade, inclusive na Umbanda, devem ser realizadas no espírito de silêncio, seriedade, austeridade, prece e reflexão.
Em todos os aposentos de um Templo Umbandista os médiuns de sua corrente devem agir com esse mesmo espírito, não transformando o hospital, escola e igreja, que deve ser todo o ambiente do Templo, num lugar de conversas, exterioridades e conchavos.
Não transforme nunca o seu Templo num clube de amigos ou local de encontros, na ânsia insana de saciar a carência, ainda imatura, de aceitação e afetividade, o que, sem dúvida, acarretará, mais cedo ou mais tarde, fofocas e conversas fúteis, fáceis de serem aproveitadas pelos irmãos das sombras na sua ânsia de destruir as casas sérias e comprometidas com Jesus e a Alta Espiritualidade.
Cada médium, partícipe da corrente do Templo, deve agir de forma correta em sua posição e comportamento, e assim exigir de seus companheiros comportamento adequado à seriedade e crescimento espiritual que a espiritualidade exige.
Sejam, meus filhos, médiuns austeros e idealistas na construção e conservação do seu Templo espírita, que só será real e concreto se estiver plantado na disciplina, no estudo e no trabalho.
Você é responsável pelo Templo em que militas e, não se esqueça, responderá ante a Lei pela sua atuação e comprometimento com tudo aquilo que fuja do ideal de verdadeira fé, segurança e caridade.
O Templo pertence a Jesus e à Espiritualidade, e devemos estar nele respeitando os seus verdadeiros donos e agindo de acordo com suas orientações de disciplina, piedade, oração e trabalho. (Cab. Ventania de Aruanda).
O trabalho do médium é marcado pelo amor.
Esse amor, para ser real, se expressa através da humildade, esforço e confiança no chamado para o exercício mediúnico e nunca por meio de sentimentalismos e superficialidades de quem ouve, aceita mas, na hora da prática burla essa disciplina ou age como se a mesma não fosse para ele, parece que dá uma amnésia irresponsável que, com certeza vai repercutir no todo, pois somos elos de uma mesma corrente.
O importante não é só aprender, mas utilizar os conhecimentos para lhe fornecer segurança. Não adianta o Templo oferecer cursos e aprendizados, os dirigentes se esforçarem para esclarecer e apontar o caminho da austeridade e disciplina templária, se o médium não se liberta da sua insegurança e vivências passadas de superstições, crendices, vaidades e superficialidades.
Diz um ditado conhecido que Deus não chama os capazes, mas capacita aqueles que chama, quando se deixam capacitar.
O Templo oferece conhecimento, oportunidade de exercitar a disciplina, de ter um desenvolvimento mediúnico sadio e desprovido de fantasias, mas se o médium não se deixa capacitar, ouve, mas não transforma em sabedoria esse conhecimento, no exercício de suas atividades no Templo, é inútil, continuará na imaturidade religiosa e, portanto, num exercício mediúnico não sadio.
Esse médium não contribuirá para somar na Corrente em que se encontra e diz Pai Ventania que médiuns sem maturidade, ainda infantis na sua vivência religiosa e mediúnica, não serve para trabalhar com ele, na missão que tem na construção do Templo do Cruzeiro da Luz.
Não, mediunidade não assusta, somente aos fracos, e como sabemos, a felicidade não pertence aos fracos e covardes.
E, infelizmente, quantos se apresentam como fortes e desejosos de aprender e construir, mas que fica na superficialidade do aprendizado, não criando raízes profundas de humildade e serviço.
Vivem dizendo que estão felizes e carregam profunda tristeza e sofrimento em seus interiores.
Vivem de fachada, de exterioridades.
Pertencer a um Templo Espírita é assumir, com o coração e a vida, a filosofia, a disciplina e o trabalho da Casa.
É triste para o Dirigente de um grupo espiritualista quando ele se esforça, ensina, se doa, oferece seu tempo e amor no trabalho de fazer crescer os médiuns da sua casa em religiosidade, disciplina e serviço, e observa que determinados médiuns, embora estudem e ouçam, se mantêm na superficialidade deslizando na disciplina, na humildade, agindo de forma independente da vibração harmoniosa da Corrente.
Se o médium não entendeu, depois do Aspirantado, do período entre a Vinculação à Corrente até a Vinculação de Exu, que as normas do Templo visam a unificação, à concretização dos rituais da Umbanda, à vivência da religiosidade, é sinal que ainda está com excesso de máscaras do ego e fechou a brecha da humildade, através da qual poderá penetrar a luz do verdadeiro conhecimento e prática de intercâmbio mediúnico sadio.
Se existe uma hierarquia, que são aqueles que receberam “ordens e comando” do Guia Chefe do Templo para manter a espiritualidade e a disciplina em alta, é porque assim é na Umbanda.
Desde o Sacerdote Dirigente até os Pais, Mães Pequenos, Ogãs e Ekedis, são instrumentos nas mãos da Espiritualidade do Templo a serviço da seriedade, amor real e religiosidade do mesmo.
E, a esses irmãos que são cobrados pelo Plano Espiritual, doam seu tempo, energia e amor a serviço de seus irmãos, deve haver total respeito e acatamento, como centro de unificação e sacralização da religião, como representantes da espiritualidade responsável pelo Templo.
Eles não são Pais e Mães apenas dentro do Templo, mas em qualquer lugar em que estejam, sempre salvando-se o discernimento e respeito aos ambientes em que estivermos.
Pois o médium não é apenas umbandista no Templo e não são membros da Corrente, ou seja, da egrégora do Cruzeiro da Luz, apenas no Templo, mas em qualquer lugar em que estiverem.
Após a Vinculação, uma marca espiritual é impressa no médium. Onde estiver é vista pelo Plano Espiritual como membro dos Cavaleiros da Luz, pertencentes ao Cruzeiro da Luz.
O médium que se sente diminuído, ou que pela sua vaidade e escrúpulo, não toma a bênção aos Pais e Mães em qualquer lugar em que os encontre, com segurança e carinho, demonstrando seu respeito, amor e fidelidade à Corrente do Templo a que pertence, ainda está na superficialidade da sua vivência religiosa, principalmente como membro do Cruzeiro da Luz.
Tomar a bênção denota, com certeza, sua integração real e comprometimento destemido com o trabalho da Umbanda e do Cruzeiro da Luz.
Dizem os Mentores que na bênção dada pelos membros com “ordens e comandos”, existe “a eles a responsabilidade de abençoar e a quem pede o benefício de ser abençoado”, pois quando eles abençoam, têm o aval da espiritualidade superior da casa e, portanto, apenas canalizam para nós a benção dos Irmãos Espirituais Superiores.
Para mim é triste quando detecto médiuns do Cruzeiro da Luze encontrarem seus irmãos com cargo no seu Templo e se esquivarem de tomar a bênção, especialmente quando sinto a ponta da vaidade, do escrúpulo e da falta de fé na realidade ritualística e religiosa da Umbanda.
Principalmente quando sei e acontece que membros de outros Templos ao nos encontrarem, em qualquer lugar, seja pela internet ou na rua, logo tomam a bênção, pois sabem da importância canalizadora de energia e do ritual preceituado no Movimento Umbandista.
Para mim, médiuns que agem desse jeito, estão atrasando sua caminhada de serviço mediúnico e, pior, deixando que a vaidade e a superficialidade fale mais alto que o aprofundamento e vivência religiosa real e concreta.
Porque mediunidade é exercício religioso de doação, amor e vida.
É fácil de vivenciá-la, quando o irmão chamado a exercê-la se mune de intrepidez, humildade e comprometimento fiel.
Intrepidez para enfrentar os percalços naturais, as renúncias e a abnegação que faz desse exercício uma atividade sagrada, é o sacro ofício = sacrifício.
Humildade para aceitar a disciplina, as correções necessárias e as atividades ritualísticas de sua Casa de Trabalho.
Amando-a e assumindo-a como parte de sua vida.
Comprometimento para assumir, como sua família espiritual, a Corrente a que pertence.
A fidelidade ao Guia Chefe, ao Sacerdote-Dirigente, à Corrente composta de seus irmãos de trabalho espiritual só será realidade a partir da maturidade do médium, que se comprometerá com a mente, o coração e a vida a esse trabalho no Templo Umbandista que o acolhe, ensina e forma para uma vida religiosa e mediúnica sadia.
Comprometimento para trabalhar a sua mediunidade com uma única razão, que é a razão pela qual os guias abnegadamente assumem as formas perispirituais no movimento umbandista (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Exus), que é a de crescer, ajudando seus irmãos a crescerem espiritualmente, sendo assistidos pela misericórdia de Deus, no tratamento de suas dores e problemas.
Sim, ser médium na Umbanda é maravilhoso, é gratificante, só é necessário que entendamos que ela é uma religião disciplinada e ritualística, que é preciso ser compreendida, vivida e amada no Templo a que pertençamos.
Diz o Caboclo das Sete Encruzilhadas que “A Umbanda é uma árvore frondosa, que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los”.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2020
CAUSAS DA DESMOTIVAÇÃO DO MÉDIUM DE UMBANDA
AGONIA NA UMBANDA
JOGO DE BÚZIOS
Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...
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