quarta-feira, 4 de maio de 2022

LEBARA...

Pomba Gira Dama da Noite a Lebará dos últimos tempos!


Nos últimos tempos está sendo vivenciado com mais frequência a manifestação desta Lebará nos terreiros de Umbanda e Candomblé. Este é uma página dedicada a todos que assim como eu, carregam consigo o Axé da Pomba Gira Dama da Noite ou que simplesmente a admira. Onde venho compartilhar as minhas pesquisas sobre a mesma.

Não é nenhuma espécie de demônio relativo a prostituta. E sim uma entidade do Candomblé e Umbanda que em yorubá (língua africana) se chama Lebará. É uma entidade (espirito) feminina que trás a força sexual e amor há ambos sexos. Fazendo sempre a caridade. Adora rosas vermelhas e champanhe, também fuma cigarro e adora dançar.

O sinônimo é Pomba gira. O antônimo da palavra "Lebará" é "Exu ".
Lebará é esposa de Elegbará, dividindo o mesmo plano com ele, ela é a senhora da sedução, comanda a sexualidade feminina, a vaidade e o amor. Esbanjando sensualidade, encanta os homens com facilidade e resolve os problemas de amor mais difíceis, ajudando também aqueles que recorrem a ela.

Envolve-se na vida dos seres humanos, tem um grande coração com quem a agrada e respeita, mas se mostra vingativa com aqueles que a desafiam. Vive em busca de alegria, aventura, festa e sexo. Protetora dos cassinos, prostíbulos e das mulheres.

Sabe-se que é uma entidade que trabalha na linha de Oxum (Todas as pomba giras assim como exus, caboclos, pretos velhos, e Erês e etc. São irradiados por um orixá, que o mesmo dará vibração para que elas possam trabalhar) Ou seja não quer dizer que são apenas filhos da Oxum que receberão esta entidade, podendo ser filho de qualquer Orixá (Nanã, Yemanjá, Yansã, Ewá, Ogum, etc...)

Muitas histórias são ditas sobre a incorporação da Pomba Gira Dama da Noite. Erroneamente diziam que não era uma entidade presente em médiuns masculinos, sendo isto um fato falso. Pois , na maioria das vezes os filhos que recebem essa entidade são masculinos, por ser uma pomba gira ao contrário das outras mais discreta, densa e obscura ainda sim sendo doce e gentil e bem humoradas, onde passa a sensação de alegria e descontração ao médium.

Pode se manifestar em qualquer ponto cantado relacionado a Pomba Gira.
Por ser da linha de Oxum vem sempre a dançar e rodar muito, sempre com um ar de misteriosa e sedutora, sendo sempre o centro das atenções pela sua postura sofisticada e de realeza. Também é observadora, caminhando e rodando de ponta a ponta do terreiro sempre descarregando.

Diferente das outras sua roupagem não predomina o vermelho e preto, sendo apenas escura, de um preto brilhoso tipo seda elas usam detalhes dourado por trabalharem para a Oxum. Mas sempre simples sem muitos babados e panos, são as verdadeiras Damas com vestidos estilos medievais.

Uma característica muito marcante, é o cheiro forte de perfume quando chega em terra, um cheiro de perfume Dama da Noite que exala no ar sendo doce e agradável.

As entidades que atendem pelo nome Dama da Noite, pertencem á todas as falanges, mas diferentes das outras não tem uma denominação em nome, como por exemplo: Dama da noite do Cabaré, Dama da noite da Estrada, Dama da noite da Calunga.... Isso não quer dizer que ela trabalhe em todos os campos, o que não é verdade pois cada uma tem a sua especialidade, podendo ser em Encruzilhadas, Cemitérios (Campo Santos), Cruzeiros, Matas, Estradas, Calungas entre outras. Á diferença é que não carregam em seu nome sua especialidade, pois todo o médium deve saber onde será entregue suas oferendas e trabalhos.

Geralmente deixam suas vestes em sonhos, vindo vestida ou o médium com a roupa. Podendo também dar intuições na hora da compra.

Nada de diferente das outras gosta de:

Apetrechos: Vestes negras e sedosas com tons dourados e anéis, brincos e pulseiras dourados de pedras pretas e com brilhantes assim como de princesas.

Bebidas: Champanhes, Vinho Rose, Martini e bebidas em tom rosa e vermelho sangue.

Comidas: Cerejas e Morangos.

Fuma; Cigarros e Cigarrilhas.

Velas; Pretas, Vermelhas e Brancas.

Símbolos: Punhal, Tridente e gatos pretos.



segunda-feira, 2 de maio de 2022

ERVAS DE OGUM

Nas oferendas e pedidos feitos à este Orixá, algumas são as ervas de Ogum que podem ser utilizadas em diversas finalidades, seja para cura doenças, purificar ou fortificar.




Açoita-cavalo – Ivitinga: Erva de extraordinários efeitos nas obrigações, nos banhos de descarrego e sacudimentos pessoais ou domiciliares. Muito usada na medicina caseira para debelar diarreias ou disenterias, e usada também no reumatismo, feridas e úlceras.




Açucena-rajada – Cebola-cencém: Sua aplicação nas obrigações é somente do bulbo. Esta cebola somente é usada nos sacudimentos domiciliares. A medicina caseira utiliza as folhas como emoliente.





Agrião: Excelente alimento, devido a sua grande quantidade de ferro em sua composição é ligada diretamente ao Orixá Ogum. Sem uso ritualístico. Tem um enorme prestígio no tratamento das doenças respiratórias. Usado como xarope põe fim às tosses e bronquites, é expectorante de ação ligeira.




Arnica-erca lanceta: É empregada em qualquer obrigação de cabeça, nos abô de purificação dos filhos do orixá Ogum. Excelente remédio na medicina caseira, tanto interna como externamente, usado nas contusões, tombos, cortes e lesões, para recomposição dos tecidos.




Aroeira: É aplicada nas obrigações de cabeça, e nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. Usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras, e resolve casos de inflamações do aparelho genital.




Cabeluda-bacuica: Tem aplicações em vários actos ritualísticos, tais como ebori, simples ou completo, e é parte dos abô. Usado igualmente nos banhos de purificação.



Cana-de-macaco: Usada nos abô de filhos, que estão recolhidos para feitura de santo. Esses filhos tomam duas doses diárias. Meio copo sobre o almoço e meio sobre o jantar.




Cana-de Brejo – Ubacaia: Seu uso se restringe nos abô e também nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro e das artes manuais. Na medicina caseira é usado para combater afecções renais com bastante sucesso. Combate a anuria, inflamações da uretra e na leucorréia. Seu princípio activo é o estrifno. Há bastante fama referente ao seu emprego anti-sifilítico.




Canjerana – Pau-santo: Em rituais é usada a casca, para constituir pó, que funcionará como afugentador de eguns e para anular ondas negativas. Seu chá actua como antifebril, contra as diarreias e para debelar dispepsias. O cozimento das cascas também é cicatrizador de feridas. Também tem fama em seu emprego como emprego anti-sifilítico.




Carqueja: Sem uso ritualístico. A medicina caseira aponta esta erva como cura decisiva nos males do estômago e do fígado. Também tem apresentado resultado positivo no tratamento da diabetes e no emagrecimento.




Crista-de-galo – Pluma-de-princípe: Não tem emprego nas obrigações do ritual. A medicina caseira a indica para curar diarreias.





Comigo ninguém pode: Dienffenbachia Amoena. Erva da linha de Ogum. Seu nome se dá por ser uma planta altamente venenosa.




Dragoeiro – Sangue-de-dragão: Abrange aplicações nas obrigações de cabeça, abô geral e banhos de purificação. Usa-se o suco como corante, e toda a planta, pilada, como adstringente.




Erva-tostão: Aplicada apenas em banhos de descarrego, usando-se as folhas. A medicina popular a utiliza contra os males do fígado, beneficiando o aparelho renal.




Espada de São Jorge (OGUM): Mais uma erva bastante usada ritualisticamente, conhecida por todos e ao mesmo tempo requer muitos cuidados, tanto no sentido litúrgico como medicinal. Seu uso litúrgico é bastante vasto, principalmente como amuleto e banhos. É reconhecidamente uma erva fortemente positivadora e faz parte das sete ervas mais comumente usadas na Umbanda.




Estrela de Ogum ou Coroa de Ogum: Suas folhas são usadas para quase tudo que se refere à purificação de pessoas e ambientes e proteção, trabalhos de sacudimento, banhos e também em amacis dos filhos desse Orixá. É conhecida popularmente por proteger os ambientes, sendo plantada sempre à frente das casas,Não tem uso medicinal.




Grumixameira: Aplicado em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos do orixá. A arte de curar usada pelo povo indica o cozimento das folhas em banhos aromáticos e na cura do reumatismo. Banhos demorados eliminam a fadiga nas pernas.




Guarabu – Pau-roxo: Aplicado em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos de Ogum. Usa-se somente as folhas que são aromáticas. A medicina caseira indica o chá das folhas, pois este possui efeito balsâmico e fortificante.




Helicônia: Utilizada nos banhos de limpeza e descarrego e nos abô de ori, na feitura de santo e nos banhos de purificação dos filhos do orixá Ogum. A medicina caseira a indica como debelador de reumatismo, aplicando-se o cozimento de todas a planta em banhos quentes. O resultado é positivo.




Jabuticaba: Usada nos banhos de limpeza e descarrego, os banhos devem ser tomados pelo menos quinzenalmente, para haurir forças para a luta indica o cozimento da entre casca na cura da asma e hemoptises.




Jambo-amarelo: Usado em quaisquer as obrigações de cabeça e nos abô. São aplicadas as folhas, nos banhos de purificação dos filhos do orixá do ferro. A medicina caseira usa como chá, para emagrecimento.




Jambo-encarnado: Aplicam-se as folhas nos abô, nas obrigações de cabeça e nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro. Tem uso no ariaxé (banho lustral).




Japecanga: Não tem aplicação nas obrigações de cabeça, nem nos abô relacionados com o orixá. A medicina caseira aconselha seu uso como depurativo do sangue, no reumatismo e moléstias de pele.




Jatobá – Jataí: Erva poderosa, porém sem aplicação nas cerimónias do ritual. Somente é usada como remédio que se emprega aos filhos recolhidos para obrigações de longo prazo. Ótimo fortificante. Não possui uso na medicina popular.



Jucá: Não tem emprego nas obrigações de ritual. No uso popular há um cozimento demorado, das cascas e sementes, coando e reservando em uma garrafa, quando houver ferimentos, talhos e feridas.




Lança de Ogum: Suas folhas são usadas para quase tudo que se refere à purificação de pessoas e ambientes e proteção, trabalhos de sacudimento, banhos e também em amacis dos filhos desse Orixá. É conhecida popularmente por proteger os ambientes, sendo plantada sempre à frente das casas,Não tem uso medicinal.




Limão-bravo: Tem emprego nas obrigações de ori e nos abô e, ainda nos banhos de limpeza dos filhos do orixá. O limão-bravo juntamente com o xarope de bromofórmio, beneficia brônquios e pulmões, pondo fim às tosses rebeldes e crónicas.



Losna: Emprega-se nos abô e nos banhos de descarrego ou limpeza dos filhos do orixá a que pertence. É usada pela medicina caseira como poderoso vermífugo, mais particularmente usada na destruição das solitárias, usando-se o chá. É energético tónico e debela de febres.




Óleo-pardo: Planta utilizada apenas em banhos de descarrego. De muito prestígio na medicina caseira. Cozimento da raiz é indicado para curar úlceras e para matar vermes de animais.




Piri-piri: A única aplicação litúrgica é nos banhos de descarrego. É extraordinário anti- hemorrágico. Para tanto, os caules secos e reduzidos a pó, depois de queimados, estancam hemorragias. O mesmo pó, de mistura com água e açúcar extermina a disenteria.




Poincétia: Emprega-se em qualquer obrigação de ori, nos abô de uso externo, da mesma sorte nos banhos de limpeza e purificação dos filhos do orixá. A medicina caseira só o aponta para exterminar dores nas pernas, usando em banhos.




Porangaba: Entra em quaisquer obrigações e, igualmente, nos abô. No tratamento popular é usada como tônico e importante diurético.




Sangue-de-dragão: Tem aplicações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô. Não possui uso na medicina popular.




São-gonçalinho: É uma erva-santa, pelas múltiplas aplicações ritualísticas a que está sujeita. Na medicina caseira usa-se como anti térmico e para combater febres malignas, em chá.






Tanchagem: Participa de todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação de filhos recolhidos ao ariaxé. É axé para os assentamentos do orixá do ferro e das guerras. Muito aplicada no abô de ori. A medicina popular ou caseira afirma que a raiz e as folhas são tônicas, antifebris e adstringentes. Excelente na cura da angina e da caxumba.




Vassourinha-de-igreja: Entra nos sacudimentos de domicílio, de local onde o homem exerce actividades profissionais. Não possui uso na medicina popular.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

INVEJA

Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu modo-contínuo.

Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.

COBIÇA E BEM-ESTAR

Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.

Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.

É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?

— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)

A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.

Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.

Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração desse vício hediondo e asqueroso.

TRIO DE FERRO

A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.

Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.

Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.

Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.

O INVEJOSO EM AÇÃO

O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.

O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.

Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.

Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?

INSTINTO DEGENERADO

A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.

“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”

Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.

O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.

Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.

A VIRTUDE

Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.

Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.

Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.

Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).

A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).

Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.

A EDUCAÇÃO

O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.

A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.

O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)

A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.

Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.

(Texto originalmente publicado no jornal de cultura espírita Abertura, em julho de 1998).



terça-feira, 26 de abril de 2022

YOBÁ A YAGBÁ...

Família Yorimá, vocês sabiam que Yoba (obá) é filha de Afefé com Iroco e alguns afirmam que é irmã gêmea de Iansã? É a senhora das estrelas e encarregada de mandar luminosidade para aureolar os seres na terra. Senhora do cobre e da cor do sangue, é em respeito a esse Orixá que todas as mulheres dentro do candomblé usam torços que escondem as orelhas, deixando assim todas iguais.

Yoba sempre foi guerreira, mas, ao contrário da irmã, não se propunha a andar pelo mundo, preferia ficar em casa dedicando-se aos seus afazeres. Sempre foi a Yabassê do reino, pois a culinária é o que mais lhe agrada. Orixá do rio Níger, terceira mulher de xangô. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos orixás masculinos. Só perdeu pra Ogum porque ele usou um Amalá com quiabo pra enganar Yoba, por isso no culto Yorubá Yoba não come quiabo, eles dizem que é um erro dar quiabo a ela; já no Candomblé costumam oferecer-lhe essa iguaria! Yoba divindade feminina, guerreira que às vezes é também citada como caçadora. Irmã de Óya (Iansã). Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.

Bastante conhecida (pela "lenda") pelo fato de ter seguido um conselho da Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para Sàngò (Xangô) na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela; Yobá se vinga da Oxun entornando sobre seus pés um caldeirão de dendê fervendo, por isso que dizem que se conhece uma pessoa de Oxun pelos pés.

Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada (Idà) e um escudo sobre uma coroa, Yoba é considerada rainha guerreira. Sua saudação é oba xí ou öba xire.

Significa rainha poderosa! Yoba — orixá guerreira e das águas revoltas ! A história de Yoba está normalmente associado a uma quizila mal usada sobre como foi enganada por Oxum, que a fez acreditar que se cortasse uma de suas orelhas e servisse num amalá ao rei Xangô ele iria preferir seu amor! Quanto ao sentido desta quizila não é mostrar Yobá como um orixá tolo, mas sim, dedicado, decidido, apaixonado, que não mede esforços e sacrifícios para atingir seus objetivos, sendo extremamente altruísta e que inicialmente confia nas pessoas e somente depois se estas lhe falham descarrega sua força e ira. Yoba é um Orixá temível, aquela que luta pelo prazer da guerra e não pelo objetivo de sua guerra.

Yoba nunca desiste de uma guerra, por isso a ela se entrega as causas impossíveis, os amores inatingíveis, ou os amores sofridos e de incompreensão... quando se recorreu a todos Orixás e não se obteve êxito, entregue a Yoba! Yoba significa: rainha cor, rubi intenso e cobre saudação: obá xirê! - rainha poderosa, forte elemento: fogo e águas revoltas comida: raízes de cor vermelha, frutas da mesma cor e todas as comidas de Yansã. Dia consagrado a Yoba é a segunda-feira e o dia festivo é 30 de maio, sincretiza com santa Joana D’arc, mineral o cobre, domínio: águas revoltas, quizila: o cogumelo, peixes de água doce!

Galinha branca e Taioba. Sua quizila geral é a mentira. Obá representa o lado esquerdo preeminentemente feminino, ligada as Iyamís, ostenta seu poder apontando com a mão esquerda em riste na direção de sua orelha esquerda e com a mão direita empunha como num coice sua espada, dança esplendidamente. Chefe da sociedade Elekô e Gueledé onde homem não entra, guerreira amazona, padroeira da Guerra. Yobá é da água barulhenta dos rios, do fogo e da terra.

Armas: adaga. Plantas: folhas de jabuticaba, mangueira, mangericão e rosas laranjas e vermelhas! Falam de algumas qualidades de Yoba: 1) obá gideô (por ser mais velha ela demora a escolher suas filhas) obá xirê rewá (é a princesa guerreira, valente e colérica, essa em especial come com Xangô, mora com Xangô e é uma geledé). Yobà Syìó; - YObà Lòdè; YObà Lóké; YObà Térà; e YObà Lomyìn. Em qualquer das suas qualidades ou nomes pelo qual é conhecida, é uma guerreira destemida, mas ressentida. Há quem diga que Yobá não tem qualidades que é única. É Orixá progenitora feminino, não vem a cabeça de homens em hipótese alguma. Yobá personifica a MULHER, guerreira, dona de casa, do dia a dia, apaixonada, sonhadora, trabalhadora.

Homem não pode com ela! Veste-se de vermelho, branco e amarelo. Carrega Ofá, espada e escudo. Gosta de acarajé de formato único, aberém, feijão fradinho, cabras, galinhas, coquéns e no Brasil seu amalá é especial. Yobá tem ligação positiva com Oyá.

Tudo relacionado a Yoba é envolto em um clima de mistério quando Yoba se manifesta em alguma das suas iniciadas, leva a mão para cobrir a orelha esquerda, ou ata-se um torço (turbante), a fim de esconder uma das orelhas.

Quando ela esta no terreiro, vai buscar uma das filhas de Oxum pra que elas guerreiem uma das mais belas danças de candomblé! O arquétipo de Yoba: as pessoas pertencentes a este orixá são lutadoras, bravas, um tanto agressivas, o que as levam a serem pouco incompreendidas. Frequentemente tendem a terem experiências infelizes e amargas. 

Mas não são tolas, quando resolvem que alguém não serve pra sua confiança essa pessoa é descartada sem o menor problema! São ciumentas, pois são muito zelosas com tudo que lhe pertencem. E se revoltam facilmente! 

Porém, são pessoas de grande valor e dedicação. Tendem a alcançar seus ideais.

Yobá, a mais valente...

É muito temperamental e violenta, não recusa uma batalha. Divindade das pedras das encostas. Senhora do cobre e da cor do sangue!... É em respeito a esse orixá que todas as mulheres dentro do candomblé usam torços que escondem as orelhas, deixando assim todas iguais. Identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá. Divide seus fundamentos com Oyá, Óxóssì, Xangô e Iemanjá. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Xangô e Orumilá. 

Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles. Obá teria derrotado Exú, Oxumarê, Omolú e Orunmilá, e tornou-se temida por todos os deuses, tendo sido derrotada apenas por Ogun, por sua envergadura física e força, tornou-se uma guerreira, a única mulher capaz de desafiar Ogum para uma luta, e por ser Obá extremamente forte e destemida, Ogum se viu obrigado a usar de um truque contra ela, espalhando quiabo amassado no chão, e atraindo Obá para aquele canto, onde a guerreira escorregou e não apenas perdeu a luta como foi possuída à força por Ogum, que se tornou seu inimigo. No culto yorubá yoba não come quiabo; é um erro dar quiabo a ela, come acarajé e abará.

Identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá.. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Xangô e Orumilá. Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles.

Yoba é um orixá temível, aquela que luta pelo prazer da guerra e não pelo objetivo de sua guerra. Também citada como caçadora.

Existem algumas versões do grande encontro de Xangô e de Obá, em uma dessas versões ela é a líder de todas as mulheres e a rainha de Elekô, mas em todas, as evidências dizem que o amor entre os dois era desmedido e que nada ofuscava a relação dos dois.

Embora, em suas lendas, Obá tenha se transformado em um rio ela também é relacionada ao fogo. Yobá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o coronário inevitável do amor, portanto, Yobá é a deusa do Amor e da Paixão incontrolável, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Yobá tem ciúme porque ama. Yobá é a deusa da guerra e do poder, seu culto está relacionado ao rio Yobá, as águas em seu culto faz referência ao poder, a força incontrolável das águas.

Seu culto no Brasil é confundido ao de Oyá, alguns chegam a insinuar que elas sejam irmãs, irmãs gêmeas, o que é uma inverdade; outros dizem que Obá seria uma Oyá mais velha, o que é mais absurdo ainda! Yobá possui uma forte ligação com o fogo.

Yobá quando em fúria transborda, agita-se; Oba é a senhora da sociedade Elekô. Tudo relacionado a Yobá é envolto em um clima de mistérios. Obá nasceu do ventre rasgado de Iemanjá após o incesto de Orugan. Obá era cultuada como a grande Deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudada como Ìya Agbà e mantém estreitas relações com as Iyá-Mi.

Yobá é a Iyámi Egbé, ela é a Iyá Abiku, desta forma é ela a encarregada de enviar ao mundo as crianças que nascem como castigo para seus pais. O que Xangô representa para os mortos masculinos, Obá representa para as mulheres mortas. Ela assim como Xangô é a representante suprema da ancestralidade feminina.

QUALIDADES:

O termo qualidade é incorretamente aplicado não só a Deusa Obá, mas também a qualquer outro Orixá. Alguns dos títulos atribuídos à Obá são os seguintes:

- Obà Syió;
- Obà Lodè;
- Obà Loké;
- Obà Terà;
- Obà Lomyìn;
- Obà Gideó;
- Obà Rewà.

As mais conhecidas são: Obá gideô (por ser mais velha ela demora a escolher suas filhas) obá xirê rewá (é a princesa guerreira, valente e colérica).
oloje iku ike obarainan.



domingo, 20 de março de 2022

O QUE SIGNIFICA ENFEITIÇAMENTO VERBAL

O enfeitiçamento ou a bruxaria, na realidade, pode efetivar-se pela força do pensamento, das palavras e através de objetos imantados, que produzem danos a outras criaturas. O enfeitiçamento verbal resulta de palavras de crítica antifraterna, maledicência, calúnia, traição à amizade, intriga, pragas e maldições. A carta anônima e até mesmo a reticência de alguém, quando, ao falar, dá azo a desconfiança ou dúvida sobre a conduta alheia, isso é um ato de enfeitiçamento. O seu autor é responsável perante a Lei do Carma e fica sujeito ao “choque de retorno” de sua bruxaria verbal, segundo a extensão do prejuízo que venha a resultar, das palavras ou gestos reticenciosos desfavoráveis ao próximo.

A palavra tem força, pois é o veículo de permuta do pensamento dos homens, os quais ainda não se entendem pela telepatia pura, conforme acontece noutros planetas adiantados. 1 Consoante a significação, a intensidade e o motivo da palavra, ela também se reveste de igual cota de matéria sutilíssima do éter-físico, sobre aquilo que ela define. Quando a criatura fala mal de alguém, essa vibração mental atrai e ativa igual cota dessa energia das demais pessoas que a escutam, aumentando o seu feitiço verbal com nova carga malévola. Assim, cresce a responsabilidade do maledicente pelo caráter ofensivo de suas palavras, à medida que elas vão sendo divulgadas e apreciadas por outras mentes, atingindo então a vítima com um impacto mais vigoroso do que o de sua força original. O malefício verbal segue o seu curso, pessoa por pessoa, assim como a bola de neve se encorpa lançada costa abaixo!

Evidentemente, a pessoa que fala mal de outrem só por leviandade, há de ser menos culpada espiritualmente do que quem o faz por maledicência, inveja, sarcasmo, ódio ou vingança. No primeiro caso, as palavras não possuem a força molesta própria de uma deliberação malévola consciente. A criatura leviana é menos responsável do que a maldosa; porém, aquela que se concentra na ação deliberada de prejudicar alguém pelo pensamento, pela palavra ou pela bruxaria através de objetos preparados, movimentando forças tenebrosas contra o próximo, elabora ou cria o seu próprio infortúnio.

Já no sentido contrário a palavra amorosa, construtiva e catalisadora de forças e emoções superiores, como é a expressão verbal “Deus-te-abençoe”, vigoroso “mantram”, que dinamiza na criatura a esperança e o júbilo espiritual. Assim como a praga ou a maldição de mãe, a de madrinha é força tenebrosa e mais destrutiva do que a proferida por estranhos, a bênção, no mesmo caso, também produz resultados mais sublimes e benfeitores. Com o magnetismo energético e hipnótico das palavras, podemos despertar energias e promover transformações miraculosas. Jesus levantava paralíticos com sua palavra criadora, desatando energias adormecidas e produzindo verdadeiros milagres. Há médicos inteligentes, que obtêm curas extraordinárias de seus pacientes, mobilizando palavras criadoras e dinamizando “formas-pensamentos” vigorosas, que combatem e destroem as acumulações fluídicas enfermiças. Cada letra, ou sílaba, além de sua ação vibratória no campo mental, astral e etérico do homem, ainda repercute em determinada região ou zona do seu corpo físico, onde produz as modificações mais sensíveis. Aliás, diz a ciência do mundo que o homem põe em movimento 72 músculos do corpo, cada vez que pronuncia uma só sílaba.



JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...