segunda-feira, 2 de maio de 2022

ERVAS DE OGUM

Nas oferendas e pedidos feitos à este Orixá, algumas são as ervas de Ogum que podem ser utilizadas em diversas finalidades, seja para cura doenças, purificar ou fortificar.




Açoita-cavalo – Ivitinga: Erva de extraordinários efeitos nas obrigações, nos banhos de descarrego e sacudimentos pessoais ou domiciliares. Muito usada na medicina caseira para debelar diarreias ou disenterias, e usada também no reumatismo, feridas e úlceras.




Açucena-rajada – Cebola-cencém: Sua aplicação nas obrigações é somente do bulbo. Esta cebola somente é usada nos sacudimentos domiciliares. A medicina caseira utiliza as folhas como emoliente.





Agrião: Excelente alimento, devido a sua grande quantidade de ferro em sua composição é ligada diretamente ao Orixá Ogum. Sem uso ritualístico. Tem um enorme prestígio no tratamento das doenças respiratórias. Usado como xarope põe fim às tosses e bronquites, é expectorante de ação ligeira.




Arnica-erca lanceta: É empregada em qualquer obrigação de cabeça, nos abô de purificação dos filhos do orixá Ogum. Excelente remédio na medicina caseira, tanto interna como externamente, usado nas contusões, tombos, cortes e lesões, para recomposição dos tecidos.




Aroeira: É aplicada nas obrigações de cabeça, e nos sacudimentos, nos banhos fortes de descarrego e nas purificações de pedras. Usada como adstringente na medicina caseira, apressa a cura de feridas e úlceras, e resolve casos de inflamações do aparelho genital.




Cabeluda-bacuica: Tem aplicações em vários actos ritualísticos, tais como ebori, simples ou completo, e é parte dos abô. Usado igualmente nos banhos de purificação.



Cana-de-macaco: Usada nos abô de filhos, que estão recolhidos para feitura de santo. Esses filhos tomam duas doses diárias. Meio copo sobre o almoço e meio sobre o jantar.




Cana-de Brejo – Ubacaia: Seu uso se restringe nos abô e também nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro e das artes manuais. Na medicina caseira é usado para combater afecções renais com bastante sucesso. Combate a anuria, inflamações da uretra e na leucorréia. Seu princípio activo é o estrifno. Há bastante fama referente ao seu emprego anti-sifilítico.




Canjerana – Pau-santo: Em rituais é usada a casca, para constituir pó, que funcionará como afugentador de eguns e para anular ondas negativas. Seu chá actua como antifebril, contra as diarreias e para debelar dispepsias. O cozimento das cascas também é cicatrizador de feridas. Também tem fama em seu emprego como emprego anti-sifilítico.




Carqueja: Sem uso ritualístico. A medicina caseira aponta esta erva como cura decisiva nos males do estômago e do fígado. Também tem apresentado resultado positivo no tratamento da diabetes e no emagrecimento.




Crista-de-galo – Pluma-de-princípe: Não tem emprego nas obrigações do ritual. A medicina caseira a indica para curar diarreias.





Comigo ninguém pode: Dienffenbachia Amoena. Erva da linha de Ogum. Seu nome se dá por ser uma planta altamente venenosa.




Dragoeiro – Sangue-de-dragão: Abrange aplicações nas obrigações de cabeça, abô geral e banhos de purificação. Usa-se o suco como corante, e toda a planta, pilada, como adstringente.




Erva-tostão: Aplicada apenas em banhos de descarrego, usando-se as folhas. A medicina popular a utiliza contra os males do fígado, beneficiando o aparelho renal.




Espada de São Jorge (OGUM): Mais uma erva bastante usada ritualisticamente, conhecida por todos e ao mesmo tempo requer muitos cuidados, tanto no sentido litúrgico como medicinal. Seu uso litúrgico é bastante vasto, principalmente como amuleto e banhos. É reconhecidamente uma erva fortemente positivadora e faz parte das sete ervas mais comumente usadas na Umbanda.




Estrela de Ogum ou Coroa de Ogum: Suas folhas são usadas para quase tudo que se refere à purificação de pessoas e ambientes e proteção, trabalhos de sacudimento, banhos e também em amacis dos filhos desse Orixá. É conhecida popularmente por proteger os ambientes, sendo plantada sempre à frente das casas,Não tem uso medicinal.




Grumixameira: Aplicado em quaisquer obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos do orixá. A arte de curar usada pelo povo indica o cozimento das folhas em banhos aromáticos e na cura do reumatismo. Banhos demorados eliminam a fadiga nas pernas.




Guarabu – Pau-roxo: Aplicado em todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação dos filhos de Ogum. Usa-se somente as folhas que são aromáticas. A medicina caseira indica o chá das folhas, pois este possui efeito balsâmico e fortificante.




Helicônia: Utilizada nos banhos de limpeza e descarrego e nos abô de ori, na feitura de santo e nos banhos de purificação dos filhos do orixá Ogum. A medicina caseira a indica como debelador de reumatismo, aplicando-se o cozimento de todas a planta em banhos quentes. O resultado é positivo.




Jabuticaba: Usada nos banhos de limpeza e descarrego, os banhos devem ser tomados pelo menos quinzenalmente, para haurir forças para a luta indica o cozimento da entre casca na cura da asma e hemoptises.




Jambo-amarelo: Usado em quaisquer as obrigações de cabeça e nos abô. São aplicadas as folhas, nos banhos de purificação dos filhos do orixá do ferro. A medicina caseira usa como chá, para emagrecimento.




Jambo-encarnado: Aplicam-se as folhas nos abô, nas obrigações de cabeça e nos banhos de limpeza dos filhos do orixá do ferro. Tem uso no ariaxé (banho lustral).




Japecanga: Não tem aplicação nas obrigações de cabeça, nem nos abô relacionados com o orixá. A medicina caseira aconselha seu uso como depurativo do sangue, no reumatismo e moléstias de pele.




Jatobá – Jataí: Erva poderosa, porém sem aplicação nas cerimónias do ritual. Somente é usada como remédio que se emprega aos filhos recolhidos para obrigações de longo prazo. Ótimo fortificante. Não possui uso na medicina popular.



Jucá: Não tem emprego nas obrigações de ritual. No uso popular há um cozimento demorado, das cascas e sementes, coando e reservando em uma garrafa, quando houver ferimentos, talhos e feridas.




Lança de Ogum: Suas folhas são usadas para quase tudo que se refere à purificação de pessoas e ambientes e proteção, trabalhos de sacudimento, banhos e também em amacis dos filhos desse Orixá. É conhecida popularmente por proteger os ambientes, sendo plantada sempre à frente das casas,Não tem uso medicinal.




Limão-bravo: Tem emprego nas obrigações de ori e nos abô e, ainda nos banhos de limpeza dos filhos do orixá. O limão-bravo juntamente com o xarope de bromofórmio, beneficia brônquios e pulmões, pondo fim às tosses rebeldes e crónicas.



Losna: Emprega-se nos abô e nos banhos de descarrego ou limpeza dos filhos do orixá a que pertence. É usada pela medicina caseira como poderoso vermífugo, mais particularmente usada na destruição das solitárias, usando-se o chá. É energético tónico e debela de febres.




Óleo-pardo: Planta utilizada apenas em banhos de descarrego. De muito prestígio na medicina caseira. Cozimento da raiz é indicado para curar úlceras e para matar vermes de animais.




Piri-piri: A única aplicação litúrgica é nos banhos de descarrego. É extraordinário anti- hemorrágico. Para tanto, os caules secos e reduzidos a pó, depois de queimados, estancam hemorragias. O mesmo pó, de mistura com água e açúcar extermina a disenteria.




Poincétia: Emprega-se em qualquer obrigação de ori, nos abô de uso externo, da mesma sorte nos banhos de limpeza e purificação dos filhos do orixá. A medicina caseira só o aponta para exterminar dores nas pernas, usando em banhos.




Porangaba: Entra em quaisquer obrigações e, igualmente, nos abô. No tratamento popular é usada como tônico e importante diurético.




Sangue-de-dragão: Tem aplicações de cabeça, nos banhos de descarrego e nos abô. Não possui uso na medicina popular.




São-gonçalinho: É uma erva-santa, pelas múltiplas aplicações ritualísticas a que está sujeita. Na medicina caseira usa-se como anti térmico e para combater febres malignas, em chá.






Tanchagem: Participa de todas as obrigações de cabeça, nos abô e nos banhos de purificação de filhos recolhidos ao ariaxé. É axé para os assentamentos do orixá do ferro e das guerras. Muito aplicada no abô de ori. A medicina popular ou caseira afirma que a raiz e as folhas são tônicas, antifebris e adstringentes. Excelente na cura da angina e da caxumba.




Vassourinha-de-igreja: Entra nos sacudimentos de domicílio, de local onde o homem exerce actividades profissionais. Não possui uso na medicina popular.

quarta-feira, 27 de abril de 2022

INVEJA

Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu modo-contínuo.

Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.

COBIÇA E BEM-ESTAR

Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.

Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.

É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?

— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)

A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.

Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.

Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração desse vício hediondo e asqueroso.

TRIO DE FERRO

A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.

Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.

Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.

Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.

O INVEJOSO EM AÇÃO

O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.

O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.

Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.

Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?

INSTINTO DEGENERADO

A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.

“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”

Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.

O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.

Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.

A VIRTUDE

Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.

Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.

Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.

Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).

A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).

Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.

A EDUCAÇÃO

O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.

A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.

O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)

A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.

Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.

(Texto originalmente publicado no jornal de cultura espírita Abertura, em julho de 1998).



terça-feira, 26 de abril de 2022

YOBÁ A YAGBÁ...

Família Yorimá, vocês sabiam que Yoba (obá) é filha de Afefé com Iroco e alguns afirmam que é irmã gêmea de Iansã? É a senhora das estrelas e encarregada de mandar luminosidade para aureolar os seres na terra. Senhora do cobre e da cor do sangue, é em respeito a esse Orixá que todas as mulheres dentro do candomblé usam torços que escondem as orelhas, deixando assim todas iguais.

Yoba sempre foi guerreira, mas, ao contrário da irmã, não se propunha a andar pelo mundo, preferia ficar em casa dedicando-se aos seus afazeres. Sempre foi a Yabassê do reino, pois a culinária é o que mais lhe agrada. Orixá do rio Níger, terceira mulher de xangô. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos orixás masculinos. Só perdeu pra Ogum porque ele usou um Amalá com quiabo pra enganar Yoba, por isso no culto Yorubá Yoba não come quiabo, eles dizem que é um erro dar quiabo a ela; já no Candomblé costumam oferecer-lhe essa iguaria! Yoba divindade feminina, guerreira que às vezes é também citada como caçadora. Irmã de Óya (Iansã). Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.

Bastante conhecida (pela "lenda") pelo fato de ter seguido um conselho da Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para Sàngò (Xangô) na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela; Yobá se vinga da Oxun entornando sobre seus pés um caldeirão de dendê fervendo, por isso que dizem que se conhece uma pessoa de Oxun pelos pés.

Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada (Idà) e um escudo sobre uma coroa, Yoba é considerada rainha guerreira. Sua saudação é oba xí ou öba xire.

Significa rainha poderosa! Yoba — orixá guerreira e das águas revoltas ! A história de Yoba está normalmente associado a uma quizila mal usada sobre como foi enganada por Oxum, que a fez acreditar que se cortasse uma de suas orelhas e servisse num amalá ao rei Xangô ele iria preferir seu amor! Quanto ao sentido desta quizila não é mostrar Yobá como um orixá tolo, mas sim, dedicado, decidido, apaixonado, que não mede esforços e sacrifícios para atingir seus objetivos, sendo extremamente altruísta e que inicialmente confia nas pessoas e somente depois se estas lhe falham descarrega sua força e ira. Yoba é um Orixá temível, aquela que luta pelo prazer da guerra e não pelo objetivo de sua guerra.

Yoba nunca desiste de uma guerra, por isso a ela se entrega as causas impossíveis, os amores inatingíveis, ou os amores sofridos e de incompreensão... quando se recorreu a todos Orixás e não se obteve êxito, entregue a Yoba! Yoba significa: rainha cor, rubi intenso e cobre saudação: obá xirê! - rainha poderosa, forte elemento: fogo e águas revoltas comida: raízes de cor vermelha, frutas da mesma cor e todas as comidas de Yansã. Dia consagrado a Yoba é a segunda-feira e o dia festivo é 30 de maio, sincretiza com santa Joana D’arc, mineral o cobre, domínio: águas revoltas, quizila: o cogumelo, peixes de água doce!

Galinha branca e Taioba. Sua quizila geral é a mentira. Obá representa o lado esquerdo preeminentemente feminino, ligada as Iyamís, ostenta seu poder apontando com a mão esquerda em riste na direção de sua orelha esquerda e com a mão direita empunha como num coice sua espada, dança esplendidamente. Chefe da sociedade Elekô e Gueledé onde homem não entra, guerreira amazona, padroeira da Guerra. Yobá é da água barulhenta dos rios, do fogo e da terra.

Armas: adaga. Plantas: folhas de jabuticaba, mangueira, mangericão e rosas laranjas e vermelhas! Falam de algumas qualidades de Yoba: 1) obá gideô (por ser mais velha ela demora a escolher suas filhas) obá xirê rewá (é a princesa guerreira, valente e colérica, essa em especial come com Xangô, mora com Xangô e é uma geledé). Yobà Syìó; - YObà Lòdè; YObà Lóké; YObà Térà; e YObà Lomyìn. Em qualquer das suas qualidades ou nomes pelo qual é conhecida, é uma guerreira destemida, mas ressentida. Há quem diga que Yobá não tem qualidades que é única. É Orixá progenitora feminino, não vem a cabeça de homens em hipótese alguma. Yobá personifica a MULHER, guerreira, dona de casa, do dia a dia, apaixonada, sonhadora, trabalhadora.

Homem não pode com ela! Veste-se de vermelho, branco e amarelo. Carrega Ofá, espada e escudo. Gosta de acarajé de formato único, aberém, feijão fradinho, cabras, galinhas, coquéns e no Brasil seu amalá é especial. Yobá tem ligação positiva com Oyá.

Tudo relacionado a Yoba é envolto em um clima de mistério quando Yoba se manifesta em alguma das suas iniciadas, leva a mão para cobrir a orelha esquerda, ou ata-se um torço (turbante), a fim de esconder uma das orelhas.

Quando ela esta no terreiro, vai buscar uma das filhas de Oxum pra que elas guerreiem uma das mais belas danças de candomblé! O arquétipo de Yoba: as pessoas pertencentes a este orixá são lutadoras, bravas, um tanto agressivas, o que as levam a serem pouco incompreendidas. Frequentemente tendem a terem experiências infelizes e amargas. 

Mas não são tolas, quando resolvem que alguém não serve pra sua confiança essa pessoa é descartada sem o menor problema! São ciumentas, pois são muito zelosas com tudo que lhe pertencem. E se revoltam facilmente! 

Porém, são pessoas de grande valor e dedicação. Tendem a alcançar seus ideais.

Yobá, a mais valente...

É muito temperamental e violenta, não recusa uma batalha. Divindade das pedras das encostas. Senhora do cobre e da cor do sangue!... É em respeito a esse orixá que todas as mulheres dentro do candomblé usam torços que escondem as orelhas, deixando assim todas iguais. Identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá. Divide seus fundamentos com Oyá, Óxóssì, Xangô e Iemanjá. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Xangô e Orumilá. 

Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles. Obá teria derrotado Exú, Oxumarê, Omolú e Orunmilá, e tornou-se temida por todos os deuses, tendo sido derrotada apenas por Ogun, por sua envergadura física e força, tornou-se uma guerreira, a única mulher capaz de desafiar Ogum para uma luta, e por ser Obá extremamente forte e destemida, Ogum se viu obrigado a usar de um truque contra ela, espalhando quiabo amassado no chão, e atraindo Obá para aquele canto, onde a guerreira escorregou e não apenas perdeu a luta como foi possuída à força por Ogum, que se tornou seu inimigo. No culto yorubá yoba não come quiabo; é um erro dar quiabo a ela, come acarajé e abará.

Identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá.. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Xangô e Orumilá. Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles.

Yoba é um orixá temível, aquela que luta pelo prazer da guerra e não pelo objetivo de sua guerra. Também citada como caçadora.

Existem algumas versões do grande encontro de Xangô e de Obá, em uma dessas versões ela é a líder de todas as mulheres e a rainha de Elekô, mas em todas, as evidências dizem que o amor entre os dois era desmedido e que nada ofuscava a relação dos dois.

Embora, em suas lendas, Obá tenha se transformado em um rio ela também é relacionada ao fogo. Yobá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o coronário inevitável do amor, portanto, Yobá é a deusa do Amor e da Paixão incontrolável, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Yobá tem ciúme porque ama. Yobá é a deusa da guerra e do poder, seu culto está relacionado ao rio Yobá, as águas em seu culto faz referência ao poder, a força incontrolável das águas.

Seu culto no Brasil é confundido ao de Oyá, alguns chegam a insinuar que elas sejam irmãs, irmãs gêmeas, o que é uma inverdade; outros dizem que Obá seria uma Oyá mais velha, o que é mais absurdo ainda! Yobá possui uma forte ligação com o fogo.

Yobá quando em fúria transborda, agita-se; Oba é a senhora da sociedade Elekô. Tudo relacionado a Yobá é envolto em um clima de mistérios. Obá nasceu do ventre rasgado de Iemanjá após o incesto de Orugan. Obá era cultuada como a grande Deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudada como Ìya Agbà e mantém estreitas relações com as Iyá-Mi.

Yobá é a Iyámi Egbé, ela é a Iyá Abiku, desta forma é ela a encarregada de enviar ao mundo as crianças que nascem como castigo para seus pais. O que Xangô representa para os mortos masculinos, Obá representa para as mulheres mortas. Ela assim como Xangô é a representante suprema da ancestralidade feminina.

QUALIDADES:

O termo qualidade é incorretamente aplicado não só a Deusa Obá, mas também a qualquer outro Orixá. Alguns dos títulos atribuídos à Obá são os seguintes:

- Obà Syió;
- Obà Lodè;
- Obà Loké;
- Obà Terà;
- Obà Lomyìn;
- Obà Gideó;
- Obà Rewà.

As mais conhecidas são: Obá gideô (por ser mais velha ela demora a escolher suas filhas) obá xirê rewá (é a princesa guerreira, valente e colérica).
oloje iku ike obarainan.



domingo, 20 de março de 2022

O QUE SIGNIFICA ENFEITIÇAMENTO VERBAL

O enfeitiçamento ou a bruxaria, na realidade, pode efetivar-se pela força do pensamento, das palavras e através de objetos imantados, que produzem danos a outras criaturas. O enfeitiçamento verbal resulta de palavras de crítica antifraterna, maledicência, calúnia, traição à amizade, intriga, pragas e maldições. A carta anônima e até mesmo a reticência de alguém, quando, ao falar, dá azo a desconfiança ou dúvida sobre a conduta alheia, isso é um ato de enfeitiçamento. O seu autor é responsável perante a Lei do Carma e fica sujeito ao “choque de retorno” de sua bruxaria verbal, segundo a extensão do prejuízo que venha a resultar, das palavras ou gestos reticenciosos desfavoráveis ao próximo.

A palavra tem força, pois é o veículo de permuta do pensamento dos homens, os quais ainda não se entendem pela telepatia pura, conforme acontece noutros planetas adiantados. 1 Consoante a significação, a intensidade e o motivo da palavra, ela também se reveste de igual cota de matéria sutilíssima do éter-físico, sobre aquilo que ela define. Quando a criatura fala mal de alguém, essa vibração mental atrai e ativa igual cota dessa energia das demais pessoas que a escutam, aumentando o seu feitiço verbal com nova carga malévola. Assim, cresce a responsabilidade do maledicente pelo caráter ofensivo de suas palavras, à medida que elas vão sendo divulgadas e apreciadas por outras mentes, atingindo então a vítima com um impacto mais vigoroso do que o de sua força original. O malefício verbal segue o seu curso, pessoa por pessoa, assim como a bola de neve se encorpa lançada costa abaixo!

Evidentemente, a pessoa que fala mal de outrem só por leviandade, há de ser menos culpada espiritualmente do que quem o faz por maledicência, inveja, sarcasmo, ódio ou vingança. No primeiro caso, as palavras não possuem a força molesta própria de uma deliberação malévola consciente. A criatura leviana é menos responsável do que a maldosa; porém, aquela que se concentra na ação deliberada de prejudicar alguém pelo pensamento, pela palavra ou pela bruxaria através de objetos preparados, movimentando forças tenebrosas contra o próximo, elabora ou cria o seu próprio infortúnio.

Já no sentido contrário a palavra amorosa, construtiva e catalisadora de forças e emoções superiores, como é a expressão verbal “Deus-te-abençoe”, vigoroso “mantram”, que dinamiza na criatura a esperança e o júbilo espiritual. Assim como a praga ou a maldição de mãe, a de madrinha é força tenebrosa e mais destrutiva do que a proferida por estranhos, a bênção, no mesmo caso, também produz resultados mais sublimes e benfeitores. Com o magnetismo energético e hipnótico das palavras, podemos despertar energias e promover transformações miraculosas. Jesus levantava paralíticos com sua palavra criadora, desatando energias adormecidas e produzindo verdadeiros milagres. Há médicos inteligentes, que obtêm curas extraordinárias de seus pacientes, mobilizando palavras criadoras e dinamizando “formas-pensamentos” vigorosas, que combatem e destroem as acumulações fluídicas enfermiças. Cada letra, ou sílaba, além de sua ação vibratória no campo mental, astral e etérico do homem, ainda repercute em determinada região ou zona do seu corpo físico, onde produz as modificações mais sensíveis. Aliás, diz a ciência do mundo que o homem põe em movimento 72 músculos do corpo, cada vez que pronuncia uma só sílaba.



sexta-feira, 18 de março de 2022

Ikú - A Morte, na concepção do Candomblé

IKÚ O ÚNICO ORIXÁ QUE PEGA TODAS AS CABEÇAS!

Os yorubás, como os demais grupos africanos, creem na existência ativa dos antepassados. A morte não representa simplesmente um fim da vida humana, mas a vida terrestre se prolonga em direção à vida além-túmulo, exatamente em algum dos nove espaços do Òrun, o domínio dos seres desprovidos do Èmì. Assim, a morte não representa uma extinção, mas mudança de uma vida para outra.

Os antepassados ou ancestrais são denominados Òkú Òrun e Àgbagbà, ou ainda pelo título de Ésà, usado para reverenciar os ancestrais nos ritos de Ìpàdé, dos candomblés do Brasil. Um antepassado é alguém de quem uma pessoa descende, seja através do pai ou da mãe, em qualquer período do tempo, e que o ser vivente conserva relações filiais afetuosas. Somente alcançarão a condição de ancestral com merecimento de culto aqueles que atingiram uma idade avançada, com uma vida de boa qualidade e trabalho expressivo para a sociedade, além de terem deixado bons filhos.

Para os yorubá, um casamento sem filho é algo mal sucedido. Na verdade, seu sistema de valores tem por base três coisas: Owó (Dinheiro), Omo (Filhos) e Àíkú (Vida longa). A Vida Longa é considerada a mais importante porque proporciona a oportunidade que pode tornar possível as duas outras.

São esses e toda a linhagem de gerações passadas que, depois da morte se transformam, para seus familiares. Embora os ancestrais compreendam membros masculinos e femininos das gerações anteriores, os ancestrais masculinos são os mais importantes.

Ao seguirem para o Òrun, os ancestrais são libertos de todas as restrições impostas pela terra, dessa forma, adquirem potencialidades que podem ser usadas para beneficiar seus familiares que ainda estão na terra. Por essa razão, é necessário mantê-los num estado de paz e contentamento.

Quando dissemos que existe um culto ao ancestral, queremos dizer que o que existe de fato é uma manifestação de relacionamento familiar indestrutível entre o familiar que partiu e seus descendentes que aqui ficaram. A palavra culto então colocada tem o significado de homenagem que melhor expressa o nosso entendimento sobre o assunto.

O encaminhamento do espírito, depois dos rituais realizados, corresponde a passar de volta pelo portão do Oníbodè em direção a Olódùmarè, para receber o julgamento de seus atos na terra. De acordo com o Órun ao qual foi destinado, continuará a exercer suas funções familiares, agora de modo mais poderoso sobre seus descendentes que a ele continuam a se referir como Bàbá mi(Meu pai), ou Ìyá mi(Minha mãe). Esta forma salienta o amor e a afeição que caracterizam as relações de ambos.

Trazendo ao exemplo: “Eu vou falar com o espírito de meu pai”, mas sim, “Eu vou falar com o meu pai”, numa comprovação de que eles continuam a ter o título de relacionamento que tinham enquanto chefes de família.

O fim da vida na terra envolve a questão a respeito do que se transforma o homem após a vida atual.

Toda religião encara isto: Nascimento, Vida e Morte( Ìbí, Ìyé, Àti Ikú), o Pós- Vida (Iyè Lébìn Kú), o Julgamento Divino (Ìdájó ti Olórun) e o possível retorno em outra vida, sucessivamente (Àtúnwa).

Ikú – Morte
É visto como um agente criado por Olodumaré para remover as pessoas cujo tempo na Terra tenha terminado.

A morte é denominada Ikú, e trata-se de um personagem masculino. Sua lógica é para as pessoas mais velhas e que dadas certas condições, devem viver até uma idade avançada.

Para os Yorubas Iku também é um Orisa. Iku não mata, somente toca as pessoas, com este toque a pessoa se desliga deste mundo acordando no outro.

Por isso , quando uma pessoa jovem morre, o fato é considerado tragédia, por outro lado, a morte de uma pessoa idosa é ocasião para se alegrar. Sobre isto, costuma-se dizer: Ikú Kí pani, ayò I’o npa ni – “a morte não mata, são os excessos que matam”.
O odú Òyèkú Méji revela, em um de seus ìtàn, que a morte somente começou a matar, depois que sua mãe foi espancada e morta na praça do mercado de Ejìgbòmekùn. Ele gritou enfurecido. Fez do elefante a esposa do seu cavalo. Ele fez do búfalo a sua corda. Ele fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para lutar.

“No dia em que a mãe da morte foi espancada
No mercado de Ejìgbòmekùn
A morte ouviu
E gritou alto, enfurecida
A morte fez do elefante a esposa de seu cavalo
Ele fez do búfalo sua corda
Fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para a luta”
Posteriormente, a morte foi subjugado depois que seus inimigos conseguiram que ela comesse o que era proibido comer, segundo o conceito do èwò, visto anteriormente,só conhecido através do jogo de ifá. Neste relato, é a esposa de Ikú, Olójòngbòdú, que revela este segredo:
“Nós consultamos Ifá para Olójòngbòdú

Mulher de Ikú
Ela foi chamada cedo, pela manhã
Eles perguntaram o que seu marido não podia comer
Que o tornasse capaz de matar outros filhos de pessoas ao redor?
Ela disse que a Morte, seu marido, não podia comer ratos
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse ratos?
Ela disse que as mãos da morte tremeriam sem parar
Ela disse que a Morte, seu marido, não podia comer peixe
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse o peixe?
Ela disse que os pés da Morte tremeriam sem parar
Ela disse que a morte, seu marido, não podia comer ovo de pata
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse ovo de pata?
Ela disse que a morte vomitaria sem parar”.

A conclusão deste odú é que foram dados á morte todos os alimentos proibidos, o que a fez acalmar e impedir a sua tarefa que estava sendo feita sem qualquer critério, ou seja, a Morte foi subjulgada apenas depois que seus inimigos conseguiram que ele comesse o que era proibido comer. Verificamos novamente a importância do respeito às coisas proibidas, éwò, cujo conhecimento só é possível através do sistema de ifá.
Devemos registrar que, no processo de divinização de ifá, ocorrendo a caída deste odú, irá revelar vitória de qualquer pessoa sobre a morte.

Embora a morte seja inevitável, e imprevisível, vimos que ele pode sofrer alterações através da intervenção de Orunmyilá ou de qualquer outro Orixá junto a Olodumaré, e isto é previsto em outro mito, quando Exú consegue subornar o filho de Ikú, que revela o modo pelo qual Ikú matava com o uso de uma clava a fonte indispensável de seu poder. Sem essa clava , Ikú tornava-se impotente.

Exú foi ajudado pôr Ajàpàá, a tartaruga, que conseguiu o que desejava, conforme o dito: Ajàpàá gbé òrúkú I’owó Ikú – “A tartaruga tirou a clava das mãos de Ikú”.

Posteriormente, fez um pacto com Orunmyilá, com a condição dele ajudá-lo a recobrar a sua clava; em troca, Ikú só levaria aqueles que não se colocarem sob a proteção de Orunmyilá ou aqueles que estivessem com a data já determinada para o fim de suas vidas na terra. Isto reflete a necessidade de um constante acompanhamento da situação de uma pessoa através do jogo. Daí o provérbio: Arùn I’a wò, a Ki Wo Ikú – “A doença pode ser curada a morte não pode ser remediada”. E ainda o odú Irò-sùn – oso revela:

“Se Ikú não chegar, adoremos Oxum
Se Ikú não chegar, adoremos Orixá
Se ikú realmente chegar, não adianta Ikú receber sacrifício”

Ìsinkú – Ritos Funerários
A circunstância que cerca a morte de uma pessoa, a idade, condição social e o seu relacionamento religioso são fatores importantes que impõem a forma dos rios funerários. No Brasil, para os indicados das religiões de etnia yorubá, os ritos são denominados Àsèsè – retorno às origens. O falecimento de um indicado é marcado pela retirada, com o corpo já no ataúde do elemento central de sua iniciação, o osù. Trata-se de uma retirada simbólica de algo, agora abstrato, juntamente com alguns fios de cabelo do alto da cabeça, no lugar onde foi colocado o osù.

Outros elementos são utilizados neste ritual: efun (Pó branco); eyin (ovo); èiè eiyelé (sangue de pombo); acassá (Pudim de milho branco enrolado em folha verde); òwú (algodão), com o qual tudo é recolhido e despachado.

Posteriormente , o jogo do obí tudo confirmará . Em alguns casos, o ritual é feito em cima de um igbá, uma meia cabeça. O manipulador deste ritual deve ser sempre uma pessoa com orô mais antigo que o falecido, ou , pelo menos com a mesma expressão religiosa.

Após o enterro é iniciada uma seqüência de cerimônias noturnas, idênticas e diárias, que duram sete dias, sendo que, no sexto dia, deverão ser feitos os sacrifícios propiciatórios e o Erù Éégún – “Carrego do Morto”. No último dia, denominado “arremate”, cantar – se com o dia claro.

Somente no ritual de Àsèsè, o Ìpàdé é realizado à noite, com exceção do último dia, quando é feito de dia. Durante todo o Àsèsè, os toques são feitos em cima do igbá, uma meia cabeça, ou do akèrègbè, uma cabaça inteira.

Somente no último dia os atabaques são utilizados. Todos os presentes se vestem de branco, aso òkè, cobrindo toda a parte de cima do corpo até o pescoço. No pulo amarra-se uma tira de palha da costa (ìko) e nas pálpebras, passa-se um pouco de efun, pó branco, assim como também na nuca, fronte e peito.

Àsèsè , meus respeitos
Àsèsè, Àsèsè o (As escravas saúdam os mais antigos)
Os cânticos são acompanhados de danças individuais em frente a um igbá, colocado no chão, onde são depositadas moedas recebidas de todos os presentes, passadas antes em volta de suas cabeças . É o ” pagamento” de proteção para as pessoas não irem com a alma do morto.

Os cânticos são efetuados na modalidade Ketu e em duas outras etnias: Jêje e Angola – Congo, pois Égún existe em toda nação de Candomblé, não tem bandeira, muda de nome, mas é um só.

Quando, em vida, a pessoa morta teve seus assentamentos, Ìdí Orixá, acompanhados por quartinhas cheias de água , símbolo de vida ativa. Agora, sua quartinhas serão esvaziadas e emborcadas, como símbolo da vida que partiu. É o jogo que irá definir o que irá no carrego do morto e o que poderá ficar como Ojúbo da casa, ou seja, a permanência dos assentados e outros símbolos como elementos de culto e adoração.
Há um aspecto nos ritos de Àsèsè que devemos observar e que está ligado ao Orixá Oxóssi . Após os cânticos iniciais, é feita uma série de reverências a Ode Àrólé, um outro nome dado a Oxóssi, e ancestral míticos dos candomblés da nação Ketu no Brasil. Relacionado ao fato, vamos transcrever trechos de uma citação feita pela Iyalorixá – Stella de Oxóssi e posteriormente pôr Oba Ka Kanfó, ambos pertences ao Candomblé do Axé Opó Afonjá em Salvador Bahia:

“Uma outra denominação dada ao rito de Àsèsè é Àjèjé, que significa a vigília do caçador. Conta a tradição que Oduleke criou uma menina e que deu o nome de Oyá. Já crescida, se tornou mulher inteligente e altiva conhecendo todos os segredos da caça e artes de magia. Quando Odukele faleceu, Oyá lhe prestou uma homenagem. Reuniu os seus pertences, colocando-os numa grande trouxa e, durante 7 dias, dançou e cantou em homenagem ao pai adotivo. Ao final dos 7 dias, um grande cortejo foi depositar a grande trouxa aos pés de uma árvore sagrada. A este carrego foi dado o nome de Àjèjé e que deu nome também ao ritual. A princípio era praticado apenas pelos caçadores e, com o tempo, se entendeu a todas as pessoas recebendo o nome de Àsèsè”.

Uma das sequências das cantigas em louvor a Oxóssi nos fala sobre isto:
” O nascimento que nos trouxe o mundo

Ode Àrólé nos trouxe ao mundo”
O ritual de Àsèsè, descrito em parte é dedicado exclusivamente as pessoas iniciadas. Em fins do século passado, os descendentes de africanos no Brasil faziam esse ritual indistintamente. Em outra exposição de Oba Ka Kanfó sobre o assunto, destacamos o trecho:

“Os pêsames eram dados com um tabuleiro de akarajé, panela com èkuru, abara, acassá etc. Estas comidas ficavam em volta do corpo, na sala, e pertencia ao morto ou morta. Quando chegava um visitante, ele fazia a saudação. “E Kú àse o” e servia usando uma folha de mamona passada no fogo onde estavam sendo feitas as comidas, e comia. Depois jogava a folha num balaio e ia dançar em volta do corpo para pagar a comida que comera. Porque, geralmente, naquele tempo, o Àsèsè era feito em qualquer casa. Nos dias de hoje, é feito somente nos terreiros”.

Entre os yorubás, quando morre uma pessoa, o corpo é envolvido imediatamente numa mortalha branca. Antes ele é banhado. Se for uma mulher, o cabelo é devidamente penteado, e se for homem, algumas vezes é inteiramente raspado. A condição de estar devidamente limpo é para ser bem recebido na morada de seus ancestrais. Em algumas religiões, um pouco do cabelo, das unhas dos dedos dos pés e das mãos do falecido é cortado e guardado para “2º enterro”, que ocorrerá dias ou semanas depois.

Conhecedores da maneira de preservar o corpo, o mesmo pode ficar dois ou mais dias sem exalar mal cheiro e recebendo as honras devidas.

Os sacrifícios efetuados objetivam fortalecer o espírito, igualmente os alimentos e oferendas fortalecer o espírito, igualmente os alimentos e oferendas, que são colocados aos pés do morto como forma dele não sentir fome durante a jornada à terra dos ancestrais. Os parentes e amigos chegam para cantar, dançar e comer.

Antes do pôr do sol a dança pára e o corpo é envolvido em roupas pesadas e bonitas, tudo conduzido em procissão solene até a sepultura. Há o costume de se mandar recados para os antepassados que se foram antes, numa prova da crença no além e no poder dos antepassados.

Todo este conjunto de situações objetivas não perde o vínculo com os familiares e que a vida lá continue do mesmo modo que a vida na Terra. Em outros tempos, as sepulturas eram cavadas no interior da casa, mas o costume passou.

Vários dias após o funeral, há um outro rito conhecido como fífa éégún Òkùú wo lé – “Trazer o espírito falecido para a casa”. Um santuário é construído no canto da casa, onde são feitos os pedidos e oferendas, numa conversa íntima familiar. Este vínculo fortalece a condição deles tudo verem o que está acontecendo na Terra. Quando se diz Babá mimá sùn o – “Meu pai, não durma”, trata-se de um apelo ao falecido para ficar atento ás coisas da Terra. Em outras palavras, há uma comunhão constante e um apelo à vigilância.

Òrun
Há um lugar definido, fora desta terra, para onde os falecidos vão. O nome utilizado para este lugar é Òrun que, num sentido geral, significa Céu, o lugar onde Olodumaré, os Orisás e os espíritos diversos habitam. A denominação de todos esses habitantes do Òrun é Ara Òrun, cuja principal diferença entre eles e os araàiyé (habitantes da terra) é a de que aqueles não necessitam do èmí, a respiração, para sobreviver, no dizer de J. E dos Santos – “o òrun é todo espaço abstrato paralelo ao aiyé”. Outros alegam que o Òrun é muito longe, sendo por isso que o recém-morto tem que adquirir energia, consumido a comida e a bebida oferecidas durante a s cerimônias fúnebres, antes da ida para a longa viagem.

O Òrun é dividido em noves Céus de acordo com a evolução de cada pessoa.
Os nove céus são:

Orun Alàáfià. Espaço de muita paz e tranquilidade, reservado para pessoas de gênio brando, ou índole pacífica, bondosa, pacata.

Orun Funfun. Reservado para os inocentes, sinceros, que tenha pureza de sentimento, pureza de intenções.

Orun Bàbá Eni. Reservado para os grandes sacerdotes e sacerdotisas, Babalorixás, yalorixás, Ogans, Ekedes, etc.

Orun Aféfé. Local de oportunidades e correção para os espíritos, possibilidades de reencarnação, volta ao Aiye.

Orun Ìsòlú ou Àsàlú. Local de julgamento por Olodumare para decidir qual dos respectivos oruns o espírito será dirigido.

Orun Àpáàdì. Reservado para os espíritos impossíveis de ser reparados.
Orun Rere. Espaço reservado para aqueles que foram bons durante a vida.
Orun Burúkú. Espaço ruim, ibonan "quente como pimenta", reservado para as pessoas más.

Orun Mare. Espaço para aqueles que permanecem, tem autoridade absoluta sobre tudo o que há no céu e na terra e são incomparáveis e absolutamente perfeitos, os supremos em qualidades e feitos, reservado à Olodumare, olorun e todos os orixás e divinizados.

Alguns dos òrun relacionados se equivalem pela finalidade que possuem.
O Òrun para onde iremos após a morte é baseado nos atos praticados na terra e devidamente registrados no orí inú, que retorna para Olódùmarè.

Àtúnwa – Reencarnação
Há diferentes caminhos para os antepassados voltarem à terra, e um dos mais comuns é que a alma seja reencarnada e nascida como um neto, bisneto, bisneta, etc… de um filho ou filha dos antigos pais, ou seja, processo de ida e vinda se dá entre o meio familiar do qual era oriundo. A isto é dado o nome de Àtúnwa (Reencarnação), aquele ou aquela que volta novamente.

O mundo, segundo os yorubá, é o melhor lugar onde vivemos. Isso é contrário ao ponto de vista de algumas tradições religiosas, que consideram o mundo um lugar de sofrimento e dor.

Existe um forte desejo por parte do ser vivo, em ver reencarnados seus pais logo depois da morte deles. Daí a expressão Babá / Ìyá á yà á tètè yà o – “Que seu pai ou sua mãe venha logo”. Este desejo é observado quando do nascimento, Ìbí, de uma criança; aos três meses de idade, um Babalaô é consultado para saber qual o antepassado que foi reencarnado, se a linhagem paterna ou materna. Esse ritual é conhecido como Mimò orí omo – “Conhecendo o orí da criança” ou Gbígbó orí omo – “Ouvindo o orí da criança”. É verificado o seu Orixá, seus ewò, tabus, e o tipo de espírito encarnado (Àbìkú etc.) A partir deste conhecimento, um determinado nomes passará a fazer parte de seu nome civil para lembrar constantemente à criança a sua origem.

A reencarnação de um ancestral é conhecida pelo nome de Yíya omo – “Voltar a ser criança ou tornar a encarnar”. Ao se constatar o fato, o nome da criança poderá ser alusivo ao fato. Alguns nomes yorubá evidenciam isto e relacionamos alguns:

Babátúndé – o pia voltou, ou seja um ancestral de linhagem paterna,
Ìyátúndé – a mãe voltou,
Babájídé – papai acordou e chegou
Ìyábò – a mãe retornou
Omotúndé – a criança voltou de novo.

Nesta visão da concepção yorubá sobre a reencarnação devemos salientar que , apesar de uma criança ser chamada de Babátúndé, o espírito do antepassado ainda continua a viver no mundo espiritual, onde é invocado de tempos em tempos. Em face disso, alguns entendem que, na verdade, há uma reencarnação parcial. Os vivos ficam satisfeitos ao verem parte de seus ancestrais nos filhos recém-nascidos, mas, ao mesmo tempo, são felizes por saberem que eles se acham no mundo espiritual , onde têm maior potencialidade no auxílio de seus familiares na terra.

Na tradição do culto à Xangô há um fato sugestivo sobre este assunto. Bayànnì é vista como a irmã mais velha de Xangô, que governou Oyó como regente, depois da abdicação ineficaz de Dada Àjaká, irmão mais velho de Xangô, governante ineficaz para época. A palavra Bayànnì é uma concentração da expressão Babá yàn mi, “Papai escolheu-me”, refere-se à crença de que o ancestral masculino escolheu-a para retornar à vida na forma corporal de Bayànnì. Sendo assim, esta seria a razão da coroa de búzios que usa, um símbolo de continuidade em termos de reencarnação.

Itan:(lenda)
A esposa da morte.
Ojontarigi era a única esposa da Morte.
Mesmo assim Orunmila quis arrebatá-la. À Orunmila foi dito para ele fazer sacrifício, E ele fez. Depois que ele terminou de fazer o sacrifício, Ele arrebatou Ojontagiri para longe da morte. Então a Morte pegou o seu Kumo, E foi para a casa de Orunmila. Ele viu Esu na frente da casa.

Esu disse: “Como vai você ?”, Iku Ojepe cujo artigo de vestuário é tingido em osun. Depois que eles trocaram saudações, Esu pergunta para ele: Onde você vai? Morte respondeu que ia para a casa de Orunmila.

Esu pergunta: Qual o problema? Morte disse que Orunmila levou sua esposa, E por isso tem que matá-lo. Esu, então, implorou para Morte se sentar. Depois que ele se sentou, Esu deu comida e bebidas.

Depois que Morte comeu até se satisfazer, Ele se levantou, Pegou seu bastão, E começou a ir.

Então, Esu perguntou novamente: “Onde você vai?”, Morte respondeu que ele ia para a casa de Orunmila.

Então Esu disse: “Como você pode comer a comida de um homem, e ao mesmo tempo querer matá-lo ?” Você não sabe, que a comida que a pouco você comeu, pertence à Orunmila? De repente morte não sabia o que fazer, Ele diz: “Diga para Orumila que ele pode ficar com a mulher” Assim Ikú ficou sozinho, sem filho e sem esposa!
Sendo o Orisa mais fiel a Òlòdumàré .

Por isso se recebemos uma pessoa em nossa casa, damos abrigo, alimentação, esta pessoa não poderá nos fazer mal, e se o fizer pagará com a própria vida por este ato.

Nem Ikú matou Òrumilá depois de comer sua comida.

Quem somos para fazer mal aquele que nos alimenta.



Kọ́jọ́dá – O Calendário Yorùbá dedicando cada dia a um Òrìsà!

No mundo atual, nós estamos acostumados com o calendário de 7 dias na semana, conhecido como calendário Gregoriano. Esse calendário foi quase que imposto pela igreja Católica, é o calendário promulgado pelo Papa Gregório XIII em 1582 e adotado imediatamente por Espanha, Itália, Portugal, Polônia e, posteriormente, por todos os países ocidentais e consequentemente suas colônias.

Mas, sabemos que há outros modos de se contar o tempo e esse caso se aplica também ao povo Yorùbá e seu Kójódá. Geralmente ao perguntar para um nigeriano os dias da semana, ele irá responder assim: Aiku, Aje, Isegun, Ojoru, Ojobo, Eti e Abameta.

Mas há uma outra forma!

O ano do calendário iorubá (Kójódá) vai de 3 de junho a 2 de junho do ano seguinte. De acordo com este calendário, o ano Gregoriano de 2018 é o ano 10061 da cultura Yorùbá. A semana tradicional de iorubá tem quatro dias e não os sete mencionados acima que são adaptações do nosso.

Os quatro dias dedicados aos Òrìsà são os seguintes:

Ojo Ògún;
Ojo Jakuta;
Ojo Ose;
Ojo Awo.

O Significado das Semanas

Veremos agora o significado de cada dia e a quem, qual é o òrìsà é dedicado. Lembrando que não é um significado fixo, pois em cada cidade o significado muda e isso nos remonta ao que sempre digo: não há donos da verdade, há verdades diferentes para cada pessoa.

Ojo Ògún

Os Yorùbá contam esses quatro dias da semana a partir de Ojo Ògún (Dia de Ogum, o deus do ferro). Ojo Ògún é o primeiro dia da tradicional semana Yorùbá e é o dia em que o Ològún ou os adoradores e devotos de Ògún adoram esta divindade em particular.

Em Ojo Ògún, os Ològúns adoram e comemoram com vários alimentos considerados os favoritos de Ogum. Estes incluem ekuru (um tipo de pudim de feijão cozido no vapor), ewa (feijão) e iyan (inhame picado). No entanto, o item mais importante do sacrifício em Ojo Ògún é o cão – Ajá. Já que Ògún gosta de dieta balanceada, parece que Ojo Ògún será meu dia favorito da semana.

A propósito, em algumas outras partes das terras Yorùbá, também é chamado Ojo Osoosi, em homenagem a outro deus, Osoosi, que é considerado como o irmão de Ogum e Sango.

Esse dia também pode ser dedicado aos òrìsà: Sopanna, Iyaami, and the Egungun.

Ojo Jakuta

Depois de Ojo Ogun vem o segundo dia da semana. Ojo Jakuta também é chamado Ojo Sàngó. Sàngó é o deus yorùbá do trovão, raio e (eletricidade). O dia em algumas partes das terras Yorùbá é chamado Ojo Oya. Neste dia dedicado a Sàngó, seus adoradores saem vestindo roupas vermelhas e brancas brilhantes como essas são as cores favoritas de Sàngó e fazem o culto apresentando itens comestíveis como amala com sopa gbegiri, obí amargo e guguru. (Tudo isso em terras nigerianas e nenhuma relação com o Candomblé no Brasil).

Para Sàngó, o animal sacrificial mais importante é o carneiro. Jakuta significa “alguém que lutou com pedras”.

Ojo Ose

Este é o terceiro dia e é reservado para a adoração de Òrìsà Nlá (A Grande Deidade). O alimento favorito usado para este dia é o ake, mas os caracóis também são usados ​​para os sacrifícios. É um dia de grande respeito e que cada ato é bem planejado, respeitando principalmente o uso do branco e evita-se consumo de azeite de dendê e outras coisas que são èwo!

Neste dia especial, todos os adoradores de Òrìsà Nlá usam roupas brancas e limpam todas as suas casas e arredores. Este mesmo dia pode ser dedicado à adoração de Obatala, Sonponna (deus da varíola), Iyaami (as Mães ou Grandes Bruxas) e os Egungun (Máscaras).

Ojo Awo

Ojo Awo (Dia da Divindade) é o dia reservado para Ifá (Oráculo) e, assim como Òrìsà Nlá, Ifá também prefere iguarias feitas com a carne. Este mesmo dia também pode ser dedicado para a adoração de Èsù, Òsun e Orunmila.

Para se reconciliar com o calendário gregoriano, os yorùbá também medem o tempo em sete dias por semana e quatro semanas por mês. O calendário de quatro dias foi dedicado aos Òrìsà e o calendário de sete dias é para fazer negócios.

Mas os sete dias também possuem significado para cada Òrìsà ou para determinadas atividades, vejamos:

Domingo – ọjọ́ Àìkú/ọjọ́-ọ̀sẹ̀/àko-ọjọ́:
Dia da imortalidade – primeiro dia da semana.
Segunda-feira – ọjọ́ Ajé:
Dia do lucros, juros, ganhos. Dia em que Ajé veio a Terra.
Terça-feira – ọjọ́ Ìṣẹ́gun:
Dia da Vitória.
Quarta-feira – ọjọ́ rírú:
Dia do sacrifício.
Quinta-feira – ọjọ́ rúbọ;ọjọ́bọ:
Dia da nova criação, novo amanhecer.
Sexta-feira – ọjọ́ Ẹtì:
Dia de impasses.
Sábado – ọjọ́ Àbámẹ́ta:
Dia de três moções, dia das sugestões.
O meses em Yorùbá – Awon Oshu tabi OṢU KójóDÁ
1. ṠḔRḔ -Janeiro
2. ÈRÉLE (Irele) – Fevereiro
3. ḔRḔNA -Março
4. IGBE -Abril
5. ḔBÍBÍ -Maio
6. ÒKÙDÚ -Junho
7. AGḖMṐ (Agẹmọ) -Julho
8. ÒGÚN -Agosto
9. OWḖRḖ (Owewe) -Setembro
10. ṐWARO (Owara) -Outubro
11. BḔLU (Bẹlu) -Novembro
12. ṐPḖ (Ọpẹ) -Decembro

Acima podemos ver os meses em Yorùbá e abaixo deixo a disposição um calendário Yorùbá – Kójódá antigo, do ano de 2017, mas você pode notar como são divididos os dias e meses e as semanas! Isso ajuda muito quem joga e precisa fazer as oferendas nos momentos certos, principalmente quem é do culto a Ifá.



JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...