sábado, 28 de maio de 2022

ORIXÁS E ENTIDADES DA UMBANDA E DO CANDOMBLÉ

O conhecimento da religião dos Orixás, mostrando lendas, curiosidades e mistérios da nossa religião.

Os Caboclos, na Umbanda, são entidades que se apresentam como indígenas e incorporam representando todo seu folclore e seu jeito tribal.

As entidades denominadas de Caboclos que apresentam-se nos terreiros são espíritos com um grau espiritual muito elevado, existem diversas linhas de atuação que um caboclo pode se apresentar diante de seu médium. A Linha refere-se as essências da hierarquia de DEUS, os Sagrados Orixás. Se muito evoluídos diante os ditames de DEUS, em sua prática efetiva da benevolência Divina, podem, inclusive, atuar sob a outorga de mais de um Orixá essencial, ou seja, apresentando-se como um Caboclo de Oxóssi, Ogum e Xangô ao mesmo tempo, atuante nas três vibrações ou mais. Na Umbanda a linha de Caboclo e a linha de Preto Velho, são as únicas fundamentalmente capacitadas, diante seu grau de evolução, apresentar-se como mentores de um médium, ou seja, são as únicas entidades que podem responder diretamente ao (Orixá de Cabeça) de um médium, sem desequilibrar a vida disciplinar dele.

Em todas as linhas de Umbanda, os caboclos são hierarquicamente organizados, existindo chefes de falange e subordinados, são muito espertos e rápidos quando o assunto é doença e para a cura com ervas, pois conhecem profundamente muitos tipos de folha sagrada, sabem para que elas servem e como devem ser usadas, tornando-se uma gira que traz muita bondade, paz, tranquilidade e principalmente amor.

A FALANGE DOS CABOCLOS
Os caboclos, são muito conhecidos na umbanda, pelos seus passes aliviadores e relaxantes, pela sua inteligência quanto a doenças, e por muitas outras coisas.
Todo caboclo tem uma vibração originária de orixá masculino e toda cabocla tem uma vibração originária de Orixá feminino, mas como falange, eles(as) podem penetrar em todas as vibrações de Orixás e do Oriente.

Para explicar melhor, citaremos o exemplo da Cabocla Jurema: toda cabocla Jurema tem vibração originária de Iansã, mas poderemos encontrar a mesma entidade trabalhando em outras vibrações como Jurema da Praia, na vibração de Iemanjá; Jurema da Cachoeira, na vibração de Oxum; Jurema da Mata, na vibração de Oxóssi, e assim sucessivamente. É a mesma entidade, com vibração originária de Iansã, penetrando em outras vibrações de Orixás.

Assobios e brados.

Quem nunca viu caboclos assobiarem ou darem aqueles brados maravilhosos, que parecem despertar alguma coisa em nós? Muitos pensam que são apenas uma repetição dos chamados que davam nas matas, para se comunicarem com os companheiros de tribo, quando ainda vivos. Mas não é só isso. Os assobios traduzem sons básicos das forcas da natureza. Estes sons precipitam assim como o estalar dos dedos, um impulso no corpo Astral do médium para direcioná-lo corretamente, afim de liberá-lo de certas cargas que se agregam, tais como larvas astrais, etc. Os assobios, assim como os brados, assemelham-se à mantras; cada entidade emite um som de acordo com seu trabalho, para ajustar condições especificas que facilitem a incorporação, ou para liberarem certos bloqueios nos consulentes ou nos médiuns.
Seu dia é 20 de janeiro pois como são índios que vem da linha de Oxóssi sincretizado como “São Sebastião” claro com suas derivações de cada Orixá.

A FALANGE DOS CABOCLOS DETALHADA
Habitat: matas e ambientes da vibração originária
Libação: água de côco, mate, mel com água, caldo de cana, vinho tipo moscatel
Ervas: cipó cabeludo, cipó caboclo, eucalipto, guiné caboclo, guiné pipi, samambaia
Flores: girassol, flor de ipê, palmas de diversas cores, conforme a vibração originária
Essências:
Para os caboclos: eucalipto, girassol.
Para as caboclas: eucalipto, pinho, tintura de tolu
Fitas: verde, vermelha e branca
Pedras: quartzo verde
Metal: da vibração originária
Dia da semana: Quinta-feira ou o dia da vibração originária
Dia da Lua: não tem dia específico
Saúde: não tem área de saúde específica
Ímãs para trabalho: de acordo com a orientação da entidade
Objetivo: vigor, pujança, energia.

CABOCLOS DE OMULÚ
São espíritos dos antigos “pajés” das tribos indígenas. Raramente trabalham incorporados, e quando o fazem, escolhem médiuns que tenham Obaluaiê como primeiro Orixá. Sua incorporação parece um Preto-velho, em algumas casas locomovem-se apoiados em cajados. Movimentam-se pouco. Fazem trabalhos de magia, para vários fins.

Arranca Toco, Acuré, Aimbiré, Bugre, Guiné, Giramundo, Yucatan, Jupurí, Uiratan, Alho d’Água, Pedra Branca, Pedra Preta, Laçador, Caboclo Roxo, Grajaúna, Bacuí, Piraí, Surí, Serra Verde, Serra Negra, Tira Teima, Folha Seca, Sete Águias, Tibiriçá, Viramundo, Ventania, etc.

CABOCLAS DE IANSÃ
São rápidos e deslocam muito o médium. São diretos para falar e rápidos também, muitas das vezes pegam a pessoa de surpresa. Geralmente trabalham para empregos e assuntos de prosperidade, pois Iansã tem grande ligação com Xangô. No entanto sua maior função é o passe de dispersão (descarrego). Podem ainda trabalhar para várias finalidades, dependendo da necessidade.

Bartira, Jussara, Jurema, Japotira, Maíra, Ivotice, Valquíria, Raio de Luz, Palina, Poti, Talina, Potira, etc.

CABOCLAS DE IEMANJÁ
Incorporam de forma suave, porém mais rápidos do que os de Oxum, rodam muito, chegando a deixar o médium tonto. Trabalham geralmente para desmanchar trabalhos, com passes, limpeza espiritual, conduzindo essa energia para o mar.
Diloé, Cabocla da Praia, Estrela d’Alva, Guaraciaba, Janaína, Jandira, Jaci, Sete Ondas, Sol Nascente, etc.

CABOCLOS DE OGUM
Sua incorporação é mais rápida e mais compactada ao chão, não rodam. Consultas diretas, geralmente gostam de trabalhos de ajuda profissional. Seus passes são na maioria das vezes para doar força física, para dar ânimo.

Águia Branca, Águia Dourada, Águia Solitária, Araribóia, Beira-Mar, Caboclo da Mata, Caiçaras, Guaracy, Icaraí, Ipojucan, Itapoã, Jaguarê, Rompe Aço, Rompe Ferro, Rompe Mato, Rompe Nuvem, Sete Matas, Sete Ondas, Tabajara, Tamoio, Tupuruplata, Ubirajara, etc.

CABOCLOS DE XANGÔ
São guias de incorporações rápidas e contidas, geralmente arriando o médium no chão. Trabalham para: emprego; causas na justiça; imóvel e realização profissional. Dão também muito passe de dispersão. São diretos para falar.

Araúna, Caboclo do Sol, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Girassol, Goitacaz, Guará, Guaraná, Janguar, Juparã, Mirim, Sete Cachoeiras, Sete Caminhos, Sete Estrelas, Sete Luas, Sete Montanhas, Tupi, Treme Terra, Sultão das Matas, Cachoeirinha, Urubatão, Urubatão da Guia, Ubiratan, etc.

CABOCLOS DE OXOSSI
São os que mais se locomovem, são rápidos e dançam muito. Trabalham com banhos e defumadores, não possuem trabalhos definidos, podem trabalhar para diversas finalidades. Esses caboclos geralmente são chefes de linha.

Arruda, Aimoré, Arapuí, Boiadeiro, Caboclo da Lua, Caçador, Flecheiro, Folha Verde, Guarani, Japiassú, Javarí, Paraguassu, Mata Virgem, Pena Azul, Pena Branca, Pena Verde, Pena Dourada, Rei da Mata, Rompe Folha, Sete Flechas, Serra Azul, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Ubá, Sete Encruzilhadas, Junco Verde, Tapuia, etc.

CABOCLAS DE NANÃ
Assim como os Pretos-velhos são mais raros, mas geralmente trabalham aconselhando, mostrando o karma e como ter resignação. Dão passes onde levam eguns que estão próximos. Sua incorporação igualmente é contida, pouco dançam.
Assucena, Inaíra, Juçanã, Janira, Juraci, Luana, Muiraquitan, Sumarajé, Xista, Paraguassú, etc.

CABOCLAS DE OXUM
Incorporam de forma suave, são calmas e gostam de tratar da saúde.
Iracema, Yara, Imaiá, Jaceguaia, Juruema, Juruena, Araguaia, Estrela da Manhã, Tunuê, Mirini, etc.



quarta-feira, 18 de maio de 2022

LOGUNEDÉ

Sem sombra de dúvida Logunedé é depois do orixá Bará o orixá que carrega consigo mais preconceitos e falta de conhecimento por parte dos adeptos e iniciados no culto.

Logunedé é tido como andrógeno, patrono dos homossexuais, orixá iorubano, tendo como elemento terra e água dominando rios, cachoeiras e matas.

É considerado orixá "métametá", em ioruba, menta significa "três" e métametá traduz-se a melhor guiza como: três ao mesmo tempo. Apesar da sua história, é preciso esclarecer que Logunedé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um Orixá do sexo masculino.

A sua dualidade dá-se à nível de manifestação de energia comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum, e em outras, sério e solitário como Odé.

Logunedé congregando a natureza do pai: Odé Erinlè e da mãe Oxum Opandá e congregando a natureza sua, própria. Um encantador, realizador de prodígios, protetor dos navegantes de água doce, caçadores e protetor dos amores duradouros.

Grande feiticeiro.

Veste saiote amarelo e um pano [ojá] azul-turquesa amarrado ao ombro, cruzado com outro cor branca, também pode usar na cabeça um capacete dourado com plumas azul, amarela, branca e verde. Lógico que a forma de manifestação varia muito considerando a região, cultura e educação dos zeladores, a maneira colocada acima é folclórica, tradicional e repassada a título de conhecimento geral.

Usa damatá e abebé de latão, carrega couraça, capanga e um berrante.
Suas contas são de miçangas leitosas.
AZUIS: mistério, prudência, respeito aos mais velhos.
AMARELO: luz da riqueza.
VERDE: alegria, prudência.
BRANCA: temperança, paciência.
Sua influência é marcante, mistura jovialidade e irresponsabilidade.
Logunedé sabe ser rude e doce ao mesmo tempo.
Logunedé, também é um guerreiro entre os orixás.
Surge como divindade dentro do runcó, camarinha, onde é feito a junção Odé com Oxum, passando este a ser mensageiro e protetor dos dotes de Oxum.
Caçador habilidoso, em terra firme se alimenta de caça e, submerso se alimenta de peixe.

É portanto, uma divindade que domina o poder da mutação e transforma-se no que quiser. Simultaneamente caçador e pescador, Logunedé é o herdeiro dos axés de Oxum e Odé que se fundem e se mesclam como mistério da criação, trata-se de um orixá que tem a graça, a meiguice e a faceirice de Oxum e à expansão, firmeza e paciência de Odé.

Se Oxum confere a Logunedé axés sobre a sexualidade, a maternidade, a pesca e a prosperidade, Odé lhe passa os axés da fartura, da caça, da habilidade, do conhecimento, e também da resignação, para isso lembramos o dito popular: um dia da caça e outra do caçador... desesperar, por que?
Essa característica de unir o feminino de Oxum ao masculino de Odé, muitas vezes o leva a ser representado como uma criança, um menino pequeno ou adolescente, formando mais uma trindade sagrada na História das religiões.
Com Logunedé, completa-se o triângulo iorubá pai, mãe e filho, egípcia Ísis, Osíris e Hórus, hindu, e tantas outras da antiguidade e que também se repete na trilogia católica, Pai, Mãe e Espírito Santo.

De culto diferenciado, é um Orixá de extremo bom gosto.

Seus objetos devem permanecer junto aos assentos de Oxum ou Odé, dependendo de sua feitura, e sempre quando agradado devemos agradar sua mãe.

Tem predileção ao dourado, é um Orixá muito vaidoso, é considerado o mais elegante de todos.

Mitologia

Logunedé, Logun Edé, lógunèdè, Ólòlún Ode, é o Orixá da riqueza e da fartura, filho de Oxum e Odé, deus da guerra e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos Orixás do Candomblé, já que a beleza é uma das principais características dos seus pais.

Quase tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade
Apesar de sua história, é preciso esclarecer que Logun Edé não muda de sexo a cada seis meses, ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade se dá em nível comportamental, já que em determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como Oxum e em outras, sério e solitário como Odé.

Logunedé é um orixá de contradições, nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do inesperado.

No entanto, existem outras versões acerca de sua filiação. Se na maioria dos mitos, Logunedé surge como filho de Oxum e Odé, tendo ele três irmãos: Odé Ifá, ligado ao ar, afilhado de Oxalá; Odé Issambô, ligado às plantas, afilhado de Ossaim e Odé Ilê, afilhado de Bará, em outros mitos, um pouco mais raros, aparece como filho de Ogun e Iansã.

Há, ainda, histórias que contam a lenda de Logunedé como filho desses quatro Orixás, apresentando-o como uma representação dos Orixás gêmeos, Ibeji.

Na Nigéria, a cidade de Logunedé chama-se Ilesa e é uma das mais ricas e prósperas da África, mas o seu culto na região está em via de extinção. Para recuperar um pouco de sua história é preciso voltar à sua cidade, onde encontram-se seu palácio e seus principais sacerdotes.

Na África negra, dizem que Logunedé seria na verdade Ólòlún Ode, o guerreiro caçador, o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles, inclusive de Oxóssi.

E se observarmos a cantiga de Odé, veremos que expressão Omo odé, ou seja, filho do caçador, é constante, podendo interferir na lógica nas histórias contadas pelos africanos.

Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé
O filho do caçador é o senhor,
Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé.
O filho o caçador é o senhor.

Todavia, não podemos desconsiderar o processo cultural que deu origem ao Candomblé e as diferenças fundamentais que existem entre os cultos aos orixás no Brasil e na África.

O Candomblé atual no Brasil, é um resumo de toda a África mística. Muitos deuses que na África mantinham a sua autonomia, no Brasil foram reunidos em um único Orixá e divididos em diversas qualidades.

Oxum Yéyé Ipondá e Odé Erinlé são, respectivamente, as qualidades de Oxum e Odé que se consideram os pais de Logunedé.

Há quem diga na África que Logunedé é, na verdade, uma altiva versão masculina da própria Oxum:

Lógunèdé? Òsun ni!
Logunedé? Ele é Oxum!
Quanto a ligação dele com Odé temos:
Silêncio!
Permaneçam em silêncio,
Ele é o caçador.
Senhor orixá afogue-me, não me fira,
Afogue-me com o entendimento do culto,
Orixá caçador das florestas.
Aquele que só usa uma flecha
E que jamais erra.
Somos filhos de Erinlé,
Somos filhos daquele que mata a caça.
Caçador das florestas
Que foi o primeiro a obter riquezas,
O primeiro a tornar-se rico,
Pai, caçador das florestas,
Seu arco e sua flecha
Originam-se da mais alta tradição.

A história revela que Odé, feliz pelo filho vindouro, declarou a Oxum o seu amor e pediu a ela posse do menino:

-Oxum, por amor a você, quero que Logunedé fique comigo, vou ensiná-lo a caçar. Comigo ele aprenderá os segredo da floresta.
Mas Oxum também amava Logunedé e por maior que fosse seu amor por Odé ela não poderia separar-se de seu filho.

Obatalá interferiu declarando :

- Logunedé viverá seis meses com sua mãe e seis meses com o seu pai, comerá do peixe e da caça.
De Oxum, sua mãe, Logunedé herdou o lado belo e vaidoso, pois Oxum lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais rica e a mais reverenciada.

De Erinlé, seu pai, herdou o dom da caça pois Erinlé é da família dos Odé e seu símbolo é o ofá, a lança de caça e o dogue.

Mas se, em várias tradições, ele é considerado um orixá masculino, em algumas é confundido com a homossexualidade ou a bissexualidade, o que ocorre quando se interpreta ao pé da letra o mito que afirma viver Logunedé seis meses como homem e seis meses como mulher.

Logunedé está encantado nos pequenos animais, como o coelho, o porquinho-da-índia e os pequenos pássaros, no mato baixo, nas matas pouco densas e principalmente nos rios, sua morada predileta.
Está ligado às artes de pintar, esculpir, escrever, dançar, cantar como o seu pai Odé e ligado ao banho, pois também é filho de Oxum, deusas das águas doces.

Existem templos para Logunedé em Ilesa, seu lugar de origem, onde em alguns itans é citado como um corajoso e poderoso caçador, que tamanha coragem é relacionada a de um leopardo. Casado com três esposas.

ARQUÉTIPO

As características dos filhos e filhas de Logunedé é marcada por eles se sentirem presos numa armadilha do destino como mostra as diversas lendas.
São extremamente sensíveis a dor e ao sofrimento, que lhes dão, a sensação de que o mundo está de cabeça para baixo ou pernas para o ar.

Os filhos de Logunedé embora façam amigos com facilidades, não se envolvem profundamente com eles. Podem ser masculinos ou femininos, eles sentem grande orgulho de sua beleza, de seu corpo. Trato social fácil, bem humorados, calmos, educados. Ambiciosos, dão muito valor ao conforto material. Tendem a paixão pelo debate, e as vezes falam e discutem sem parar, principalmente sobre coisas que lhes agradam.

Mas não raro precisam se isolar, interiorizar-se. Nessa fase, seu interesse pelo ocultismo e pela religião se sobressai. Otimistas os filhos de Logunedé perseguem seus objetivos com precisão e procuram gastar energia em coisas que gostam. Mas são como camaleão, costumam mudar de personalidade e de atitudes como quem muda de roupa.

Traços físicos harmoniosos, estatura mediana a alta, cabeça bem feita, rosto oval proporcional ao corpo, olhos de gato, que atraem e repelem ao mesmo tempo, nariz bem feito, bons dentes, voz agradável, tendência a engordar.
São pessoas de extremo charme e carisma, possuindo muitos amigos e admiradores.

Sentem imensa compaixão pelas pessoas que sofrem, sempre tentando ajudá-las. A sinceridade é a maior virtude, porém irritam-se com muita facilidade. Basta serem contrariados e sua fúria aparece, muitas vezes perdendo o controle de suas ações, custando muito a se acalmarem.
São perfeccionistas, querendo tudo ao seu modo. Não admitem erros de outras pessoas. Agem por impulso, aproveitando ao máximo tudo o que a vida lhes oferece.

São muito curiosos e espertos. Geralmente, quando crianças, adoram desmontar seus brinquedos para ver como são feitos. Na fase adulta, têm o dom de captar o íntimo das pessoas. Os filhos de Logunedé têm muito interesse em aprender e viver novas experiências, assim como o Orixá, adaptam-se a todo tipo de ambiente e sabem como agir em cada situação.
Machucam-se com facilidade as extremidades, mãos, pés e cabeça.

Desembaraçados, move-se com graça, elegância e refinamento.
Ciumentos e sedutores chamam a atenção de qualquer um. Super imaginativo destacam-se nas artes em geral, como música, teatro e dança.
São admirados por sua suavidade, inteligência e sensibilidade. Estão sempre elogiando as pessoas e cercado de bons amigos. Realmente sabem viver e aproveitar a vida, também disposto a deixarem que os outros vivam.
Estão sempre de bom astral, otimismo é a sua palavra chave.

Vontade firme e autoconfiança quase narcisista.
Embora possam assumir exteriormente um ar de indiferença às opiniões dos outros, na verdade se sentem abalados quando criticados.
São ternos com seus entes, mas poderão ser impiedosos com estranhos.
Apreciam o conforto material e colocarão seus desejos em primeiro lugar.
Ambiciosos, sempre alcançam seus objetivos.
Tem certa facilidade em aprender qualquer coisa e tendência a falar mais de um idioma.

Ser incomodado é algo que os aborrece, pois são atenciosos, modestos, corteses e gostam que os outros sejam assim também. Detestam que conversem em tom alto ou digam grosserias. Sempre se esforçam para serem delicados, mesmo com o seu pior inimigo.

Títulos

EDÈ APANAN - Come com Bará e Odé. Seus fundamentos estão em sua mãe de criação, Onira, sem ela Logunedé não caminha.
EDÈ LOKÓ - Tem fundamento com Baraaá.
ORIKIS
Orikis ou itãs (Itans) são orações faladas e não cantadas. Ori (Cabeça) Kì (Saudação).... São formas poéticas de agradar e reconhecer a potencialidade do orixá conforme sua essência.
Ganagana bi ninu elomi ninu
Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente
A se okùn soro èsinsin
É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga
Tima li ehin yeye re
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe
Okansoso gudugu
Ele é sozinho, ele é muito bonito
Oda di ohùn
Até a voz dele é agradável
O ko ele pé li aiya
Não se coloca as mãos sobre o seu peito
Ala aiya rere fi owó kan
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas
Ajoji de órun idi agban
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro
Ajongolo Okunrin
Homem esbelto
Apari o kilo òkò tímotímo
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente
O ri gbá té sùn li egan
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta
O tó bi won ti ji re re
Acordá-lo bem é o suficiente
A ri gbamu ojiji
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Okansoso Orunmila a wa kan mà dahun
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
O je oruko bi Soponna /
Ele tem um nome como Soponna /
Soro pe on Soponna e nià hun
É difícil alguém mau chamar-se Soponna
Odulugbese gun ogi órun
Devedor que faz pouco caso
Odolugbese arin here here
Devedor que anda rebolando displiscentemente
Olori buruku o fi ori já igi odiolodi
Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça
O fi igbegbe lù igi Ijebu
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu
O fi igbegbe lú gbegbe meje
Ele quebrou sete papos com o seu papo
Orogun olu gbegbe o fun oya li o
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)
Odelesirin ni ki o wá on sila kerepa
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada
Agbopa sùn kakaka
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente
Oda bi odundun
Ele é fresco como a folha de odundun
Jojo bi agbo
Altivo como o carneiro
Elewa ejela
Pessoa amável anteontem
O gbewo li ogun o da ara nu bi ole
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso
O gbewo li ogun o kan omo aje niku
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos
A li bilibi ilebe
Ele veste boas roupas
O ti igi soro soro o fibu oju adiju
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro
Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão
O já ile onile bó ti re lehin
Ele destroi a casa de um outro e com o material cobre a sua
A li oju tiri tiri
Ele tem olhos muito aguçados
O rí saka aje o dì lebe
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa
O je owú baludi
Ele é ciumento e anda "rebolando" displiscentemente
O kó koriko lehin
Ele recolhe as ervas atrás
O kó araman lehin
Ele recolhe as ervas atrás
O se hupa hupa li ode olode lo
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro
Òjo pá gbodogi ró woro woro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído
O pà oruru si ile odikeji
Ele mata o malfeitor na casa de um outro
O kó ara si ile ibi ati nyimusi
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz
Ole yo li ero
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes
O dara de eyin oju
Ele é belo até nos olhos
Okunrin sembeluju
Homem muito belo
Ogbe gururu si obè olori
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe
A mò ona oko ko n ló
Ele conhece o caminho runsun redenreden
A mo ona runsun rdenreden
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá
O duro ti olobi kò rà je
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer
Rere gbe adie ti on ti iye
O gavião pega o frango com as penas
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /
O bá enia jà o rerin sún
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente
O se adibo o rin ngoro yo
Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu
Ogola okun kò ka olugege li òrùn
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo
Olugege jeun si okurú ofun
O papudo come no inchaço de sua garganta
O já gebe si orún eni li oni
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui
O dahun agan li ohun kankan
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis
O kun nukuwa ninu rere
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça
Ale rese owuro rese / Ere meji be rese
Duas vezes assim coisa sagrada
Koro bi eni lo
Rápido como alguém que parte
Arieri ewo ala
A proibição do pássaro branco é o pano branco
Ala opa fari
Ele mexe os braços fantasiosamente
Oko Ahotomi
Marido de Ahotomi
Oko Fegbejoloro
Marido de Fegbejoloro
Oko Onikunoro
Marido de Onikunoro
Oko Adapatila
Marido de Adapatila
Soso li owuro o ji gini mu òrún
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço
Rederede fe o ja kùnle ki agbo
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro
Oko Ameri èru jeje oko Ameri
Marido de Ameri que dá mêdo
Ekùn o bi awo fini
Leopardo de pele bonita
Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade
O wi be se be
Assim ele diz e assim ele faz
Sakoto abi ara fini
Orgulhoso que possui um corpo muito belo.

FRASE DE IMPACTO: Ològún , fihòn awo / Funfun lóni,ni òla / Ó yióó filhòn dúdú .> Logun, mostra a pele que desejar, se mostrar pele clara hoje, amanhã mostrará pele escura.-
AFINIDADE > Comunicação, inteligência, comércio, artes.
ANIMAL > Peixe, raposa.
ANIMAL VOTIVO > Camaleão e pavão.
ARQUÉTIPO > Altruístas, abnegados, sinceros, simpáticos, tensos, austeros, possuem senso de coletividade, calmos, desprendidos, inconstantes, vaidoso e sonhadores.
ASTRO > Mercúrio.
ATIVIDADE > Caça e Pesca.
COMIDA > Odá, tatu, angolista, peixe, axoxó, omulucum, mandioca assada .
COR > Azul turquesa e o amarelo ouro.
DATA > 19 de abril.
DIA DA SEMANA > Quinta e sexta-feira.
DOENÇAS > Raquitismo, enxaqueca.
DOMÍNIOS > Riqueza, fartura e beleza.
ELEMENTO > Água -, terra+.
EMBLEMA > Ofá e abebé, cinco flechas em um mesmo arco que apontam para cima e oito folhas variadas.
FERRAMENTA > ofá em metal amarelo ogê ,um tipo de chifre de boi que é usado para emitir um som chamado Olugboohun , cuja tradução é O Senhor escuta minha voz, o Iru Kere ,cetro com rabo de cavalo, boi ou búfalo, que ele usa para manejar os espíritos da floresta.
FLORES > Lírios, rosas amarelas, palma, girassol e todas as flores miudinhas.
FOLHAS > Oripepê e todas as folhas de Odé e Oxum.
FRUTA > Melão, laranja, coco, ameixa amarela, manga, banana-maçã, mamão.
METAL > Cobre, ouro, latão, mercúrio, bronze .
NATUREZA > Instável, oscilante, dual.
NÚMERO > 04, 08, 16.
ODU QUE REGE > Obará e Osé.
PARTE DO CORPO > Aparelho respiratório, genital e nervoso, antebraço, braço, cabelo do corpo e pulmão, todo o rosto, o baixo ventre, o baço, às vezes o coração; patrono do ventre, da terceira visão e da circulação sangüínea.
PEDRAS > Topázio e turquesa.
PERFUME > Lavanda.
PLANTA > Salsa, malva, lavanda, verbena e as mesmas de Odé e Oxum.
REGIÃO DA ÁFRICA > Ilesá.
REPRESENTAÇÃO > Cavalo marinho.
SAUDAÇÃO > Logun ô akofá!!! ou Loci loci Logun !
SINCRETISMO > São Miguel Arcanjo.
SÍMBOLOS> Balança, ofá, abebè e cavalo-marinho.
TOQUE > Jexá e barra-vento.







terça-feira, 17 de maio de 2022

OSSAIN, O SENHOR DAS FOLHAS

Originário de Iraô, atualmente na Nigéria, não fazia parte dos 16 companheiros de Odùdùwa quando na chegada de Ifá (Orunmilá). Patrono da vegetação rasteira, das folhas e de seus preparos, defensor da saúde, é a divindade das plantas medicinais e litúrgicas. Cada Orixá tem a sua folha, mas só Ossain detém seus segredos. E sem as folhas e seus segredos não há axé, portanto sem ele nenhuma cerimônia é possível. Osanyin usa uma cabaça chamada Igbá-Osanyin. Fuma e bebe mel e pinga.

Osanyin também é um feiticeiro, por isto é representado por um pássaro chamado Eleyê, que reside na sua cabaça. As proprietárias do pássaro do poder são as feiticeiras. Ele carrega também sete lanças com um pássaro em cima da haste, o qual é seu mensageiro e voa para trazer-lhe notícias. Osanyin está extremamente ligado a Orunmilá, Senhor da Adivinhações. Estas relações, hoje cordial e de franca colaboração, atravessaram no passado período de rivalidade.

Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas. Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor. Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças e os acidentes. Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta. Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de suas iniciativas.

As folhas de Osanyin veiculam ao axé oculto, pois o verde é uma das qualidades do preto. As folhas e as plantas constituem a emanação direta do poder da terra fertilizada pela chuva. São como as escamas e as penas, que representam o procriado. O sague das folhas é um dos axés mais poderosos, que traz em si o poder do que nasce e do que advém.

OSANYIN existe em todas as folhas, por isso quando as queimam as matas ele fica revoltado com o ser humano, que destrói a força da natureza, que é a cura de todas as doenças que existem e que vão existir.
Lendas

... Ossain foi escravo

A história revela que Ossain era escravo de Orunmilá e recusava-se a cortar as folhas que teriam inúmeras utilidades na manutenção da saúde das pessoas: ervas que curam febre, as dores de cabeça e as cólicas. Tomando conhecimento do fato, Orunmilá quis ver quais eram as ervas de tão grande valor. Convencido do conhecimento de Ossain, Orunmilá percebeu que ele poderia lhe ser útil e o manteve para sempre a seu lado para as consultas.

... os segredos das folhas lhe pertence

Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso, irritado por não deter os conhecimentos secretos sobre a utilização das folhas, usou de um ardil para tentar usurpar de Ossain a propriedade das folhas. Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos. Explicou-lhe que, em certos dias, Ossain pendurava, num galho de Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas. "Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias", disse-lhe Xangô.

Iansã aceitou a missão com muito gosto. O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas, arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada. A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram. Os orixás se apoderaram de todas. Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossain permaneceu senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser pronunciadas para provocar sua ação. E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto. Graças ao poder (axé) que possui sobre elas.

... o nome das plantas

Òrúnmílá dá a Òsanyìn o nome das plantas. Ifá foi consultado por Òrúnmílá que estava partindo da terra para o céu e que estava indo apanhar todas as folhas. Quando Òrúnmílá chegou ao céu Olódùmaré disse, eis todas as folhas que queria pegar o que fará com elas? Òrùnmílá respondeu que iria usá-las, disse que, iria usá-las para beneficio dos seres humanos da Terra. Todas as folhas que Òrunmílá estava pegando, Òrúnmílá carregaria para a Terra. Quando chegou à pedra Àgbàsaláààrin ayé lòrun (pedra que se encontra no meio do caminho entre o céu e a terra) Aí Òrúnmílá encontrou Òsanyìn no caminho.

Perguntou: Òsanyìn onde vai? Òsanyìn disse; "Vou ao céu, disse ele, vou buscar folhas e remédios". Òrúnmílá disse, muito bem, disse, que já havia ido buscar folhas no céu, disse, para benefício dos seres humanos da terra. Disse, olhe todas essas folhas, Òsanyìn pode apenas arrebatar todas as folhas. Ele poderia fazer remédios (feitiços) com elas porém não conhecia seus nomes. Foi Òrúnmílá quem deu nome a todas as folhas. Assim Òrúnmílá nomeou todas as folhas naquele dia. Ele disse, você Òsanyìn carrega todas as folhas para a terra, disse, volte, iremos para terra juntos.

Foi assim que Òrúnmílá entregou todas as folhas para Òsanyìn naquele dia. Foi ele quem ensinou a Òsanyìn o nome das folhas apanhadas.

... livre para o mundo

Desde pequeno Òsanyìn andava metido mata adentro. Conhecia todas as folhas, sabendo empregá-las na cura de doenças e outros males. Um dia Òsanyìn resolveu partir pelo mundo. Por onde andava era aclamado como o grande curandeiro.

Certa vez salvou a vida de um rei, que em recompensa deu-lhe muitas riquezas. Òsanyìn não aceitou nada daquilo; disse que aceitaria somente os honorários que seriam pagos a qualquer médico.

Tempos depois, a mãe de Òsanyìn adoeceu. Sendo procurado por seus irmãos e para espanto destes, Òsanyìn exigiu o pagamento de sete cauris por seus serviços, pois não poderia trabalhar para quem quer que fosse no mundo, sem receber algo. Mesmo contrariados os irmãos pagaram-lhe os sete cauris e sua mãe foi salva. Òsanyìn curou a mãe e seguiu caminho, pois ele é a folha e tinha que estar livre para o mundo.

... novamente Sango

Òsanyìn havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em que Sangô se queixou à sua mulher, Yansan-Oyá, senhora dos ventos, de que somente Òsanyìn conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e que os outros deuses estavam no mundo sem possuir poder sobre nenhuma planta.

Oyá levantou as saias e agitou-as, impetuosamente. Um vento violento começou a soprar. Òsanyìn guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho de Iroco. Quando viu que o vento havia soltado a cabaça e que esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou "Ewê O!! Ewê O!" (Oh! as folhas!! Oh! as folhas!!)

As folhas voaram pelo mundo e os Orisás se apoderaram de algumas delas, mas Òsanyìn continuou dono do segredo das suas virtudes e dos cantos e palavras que devem se dizer para que sua força, Axé, apareça.





domingo, 15 de maio de 2022

CONVERSANDO SOBRE A UMBANDA!



Umbanda é prática da Caridade. Mas Caridade não é colocar as pessoas no colo e resolver os problemas delas. Caridade não é apenas consolar, mas também Esclarecer.

E a Umbanda para isso, coloca inúmeras ferramentas energéticas, magísticas, espirituais e conscienciais a nossa disposição. Nós umbandistas temos o dever de repassar essas ferramentas, de fazer com que não apenas os médiuns e integrantes da corrente conheçam as “mirongas de Umbanda”, mas de forma simples e prática, devemos também repassá-las para que a assistência para que ela também se beneficie, quebrando sua dependência em relação aos guias.

Umbanda é Esclarecimento. Pois ela também nos Esclarece em relação ao mundo espiritual, as leis karmicas, de afinidades, a respeito dos Orixás e da família espiritual de cada um e do nosso papel perante todas essas diversidades.

Tantos são os assuntos que poderiam ser ventilados dentro dos terreiros para melhor desenvolvimento pessoal de cada um, pena que a maioria dos umbandistas estão mais preocupados com os fenômenos e com a manifestação física, esquecendo de se voltar para a filosofia espiritualista para sua doutrina que está no âmago e na sustentação da religião de Umbanda.

As pessoas insistem em ficar culpando a espiritualidade por suas condições pessoais, buscando jogar a culpa nos “Diabos”, mas esquecem que o verdadeiro “diabo” não é rabudo e nem tem chifres. Não é vermelhinho, nem anda com tridente algum. No entanto, espeta como ninguém, principalmente quando usa a auto-culpa das pessoas como meio comum para suas estocadas ocultas.

O verdadeiro diabo não é ostensivo, pelo contrário, é discreto demais, mas é radical em seus propósitos. Ele age na calada oculta do ego, sempre estimulando as reações extremadas, mesmo aquelas disfarçadas de causas justas, ou aquelas revestidas de aparente raciocínio crítico. Ele gosta dos corações empedernidos no ódio e das mentes ressequidas de orgulho.

O verdadeiro diabo não criou inferno algum, pois ele já o encontrou plasmado dentro das pessoas cheias de medo e culpa. E, para sua própria surpresa, descobriu que o tal inferno não é um lugar, mas um estado de consciência, mantido pelas próprias pessoas. E ainda mais: descobriu que ali não é quente, pelo contrário, é um clima sombrio e frio, sem o calor da luz e sem o viço da alegria.

Pois é, o inferno é um estado de consciência, e o diabo não é uma entidade maléfica à parte do ser humano, nem mesmo um ser criado por Deus. Não mesmo!

O verdadeiro diabo se chama IGNORÂNCIA, e as pessoas o adoram, principalmente os fundamentalistas de qualquer área, seja religiosa, técnica ou espiritualista, que simplesmente são os seus maiores divulgadores.

Esse é o diabo que precisa ser exorcizado dos homens: a ignorância em qualquer de suas manifestações.

Cuidado pois a SABEDORIA pode também se tornar ignorante. È isso mesmo a majestosa sabedoria, que é o acúmulo de conhecimentos vivenciados, através de uma nova personagem que é a VAIDADE pode se tornar sim ignorante.

O Poder da vaidade é tamanho que quando iniciamos em uma nova trajetória de conhecimento e chegamos num determinado momento dessa aprendizagem, começamos a pensar se devemos continuar e desvendar os objetivos daquele ensinamento ou se não já sabemos o suficiente e devemos parar.

Mas qual é o papel da vaidade senão proteger-nos de uma sabedoria que, se atingida, nos dará a capacidade para reconhecê-la, transferindo para nosso consciente o saber de como reconhecer atitudes de pura vaidade, tanto as nossas e quanto as das outras pessoas.

Não subestime sua vaidade! Na maior parte do tempo acreditamos que a controlamos ou mesmo que não a possuímos. Mas o que é isso senão a vaidade de não nos vermos como pessoas soberbas.

Quando somos obrigados a abandonar algo, que reconhecemos como fonte de algum prazer, alegando, por exemplo, que não temos interesse, é a vaidade novamente salvando-nos, ao satisfazer o inconsciente com a falsa percepção de que não carecemos desse prazer e, por isso, não continuamos adiante. Nesse momento, a vaidade troca a batalha da sabedoria que nos impulsionaria a encontrar formas para atingir aquele prazer, direcionando-nos diretamente para as glórias da ignorância que nos permite “imaginar saber” como seria desfrutar daquele prazer.

Mas, ter sabedoria é bem diferente de obter informação, pois, enquanto a informação se resume em quanto conteúdo que alguém pode assimilar sobre um determinado assunto, mesmo sendo este conteúdo fruto a sabedoria do outro; a sabedoria, na realidade, representa o processo psíquico que organiza de forma racional qualquer fato, acontecimento, informação ou pensamento, permitindo que nós mesmos reconheçamos seu conteúdo, e o colocamos em prática no nosso dia-a-dia.

Por sua vez, a ignorância é bem diferente de desconhecimento, pois, enquanto o desconhecimento representa apenas tudo àquilo que ainda não foi vivenciado ou apreciado por nossa razão, incorporando-se ao nosso inconsciente como conhecimento ou enquanto forma de saber; a ignorância é a consciência que temos da ausência do conhecimento.

Mas o que a vaidade tem a ver com tudo isso?

A vaidade surge em nossas vidas ainda na infância, quando passamos a ter a percepção de nós mesmos e com o tempo, enquanto evoluímos, ela evolui também. O problema é que a vaidade pode evoluir mais, ou menos, que nós mesmos evoluímos enquanto seres humanos e de forma “independente”, posto que a vaidade é fruto de nossa “psique”.

Ficou confuso! Mas, é isso mesmo! A vaidade evoluindo mais ou menos que nossa personalidade (nós mesmos), sempre influenciará nossas atitudes e, por ser “independente”, subjuga nossa sabedoria ou desperta nossa ignorância, evitando, assim, que atinjamos o saber, e passamos a barganhar com nós mesmos ofertas de um pouco de conhecimento ou algo que nos dê prazer.

Assim, a IGNORÂNCIA é a prisão da SABEDORIA e a VAIDADE sua fiel sentinela.

Então, esse é o momento de adquirir conhecimentos para transformar as experiências da vida em sabedoria, para assim vencer a ignorância e desfrutar de todo prazer que puder obter. Não desista ainda, pois se você chegou até aqui é porque seu inconsciente (sabedoria) está interessado em evoluir e, assim, poder tirar suas próprias conclusões com base no conhecimento (do saber) vencendo a ignorância (do desconhecimento).

Acredito que agora você já esteja conseguindo identificar a diferença entre possuir uma informação e ter conhecimento.

Quem nunca presenciou debates onde os participantes buscam primeiro defender seus pontos de vista de modo a sobressair aos do outro! Onde está o debate em torno do tema?

O que vemos aí é apenas a vaidade de cada um que, escondendo a ignorância, luta com os mais ardentes argumentos para que suas informações (desconhecimentos) não sejam vistas como inverdades (ignorância).

Infelizmente, nós criamos o hábito de valorizar, por pura vaidade, aqueles que, de alguma forma, mesmo que reprováveis, conseguiram alguma posição ou prestígio social, e quando fazemos isso, não nos damos conta de que nosso próprio esforço, conhecimento, realizações, etc, somente terão o reconhecimento merecido quando, de alguma forma, estivermos de outro lado, em igual situação.

Devemos aprender a valorizar o saber, o conhecimento. Um sábio acaba frustrando nossa vaidade, pois nos obriga a pensar para chegar às nossas próprias conclusões, mesmo com o risco de fracassar, ao passo que o ignorante apenas afirma o que já sabemos, dando-nos a falsa impressão de possuir tanto saber quanto ele, não nos acrescenta nada, mas acabamos nos sentindo valorizados. Vaidade, vaidade, vaidade… tudo é vaidade.

Lembre-se: Tem coisas que nenhum passe, nenhuma magia, nenhum banho ou defumação irá resolver. Mas talvez uma boa conversa, um bom livro ou apenas uma nova visão em relação à vida ou a situação possa ajudar a mudar.

A Umbanda está cheia de milagres e encantos, cheia de exemplos de superação, simplicidade e humildade. Mas esses milagres e encantos, esses exemplos são simples, acontecem a todo o momento, que acabamos por banalizá-los e não os percebendo. Faz-se necessário que deixemos nossa vaidade de lado, acabando com a ignorância, para que assim possamos seguir rumo a evolução proposta pela UMBANDA.

Então, escute, ouça, sinta… Seja um com Ele! Nisso reside todo Mistério.
Que Oxalá nos abençoe!



quarta-feira, 4 de maio de 2022

MENSAGEM PARA REFLETIR

Guardião da Meia Noite

Estava lendo o Jornal de Umbanda Sagrada e achei um texto muito interessante e com muito fundamento com o título: Uma mensagem do Guardião da Meia Noite recebida pela médium Angela Maria Gonçalves.


Boa noite, vocês estão aqui para ouvir e eu vou agradecer a quem escutar. Quando se vai em algum lugar, se deve levar alguma coisa boa. O que se recebe em qualquer lugar corresponde ao que você leva a ele.

Gosto do trabalho aqui... hehe, só chegam perto de mim santinhos... Ihahahahahaha!

Dizendo para minha banda que nada fizeram para merecer da vida o que tem vivido e que Exu dê jeito de abrir o caminho. Para esses dou a minha melhor gargalhada!

São seres de dupla medida: uma para si outra para as coisas que os contrariam. São seres medrosos que esquecem que deles mesmos depende as decisões e consequências.

Muitos vêm até a minha banda querendo isso ou aquilo e nada de realmente bom e perene nos trazem. Trazem lamúrias, trazem queixas, trazem pedidos. Mas dificilmente nos trazem aceitação, renovação, dedicação ou gratidão verdadeiras.

Muitos nos oferecem coisas perecíveis e passageiras para que possamos dar jeito de ajeitar suas vidas, camuflar as falhas que cometeram ou para satisfazer caprichos tratando a banda como mercenários a seu serviço. Pensam que o céu é para eles e para Exu só as podridões.

Dizem respeitar a banda porque querem nossos favores. Dizem respeitar a banda apenas porque tem medo do que a banda possa fazer.

Dizem respeitar a banda, mas ao menor embaraço começam a debandar e caçar outros que façam por eles o que eles mesmos não tem a ousadia de fazer. Dizem respeitar a banda e nos tratam como empregados a soldo de marafo e outras coisas. São seres que não sabe bem o que querem e exigem que Exu saiba. Exu sabe e por isso Exu faz! Porque quem sabe faz, e o que não sabe fazer, pede.

Trocamos, sim. Porque são ingratos e petulantes e pensam que o que vale nada, nada vale! São seres que querem por mágica que a banda dê jeito de melhorar suas vidas. Sem que nada tenham que melhorar em si mesmos.

Querem resguardo, pedem guarida para se manter pomposos e orgulhosos nos caminhos tortos que gostam de andar. Cheios de impáfia e sem a menor vontade de fazer algo por alguém. E nem tem vergonha de vir pedir para a banda fazer o que eles mesmos não fazem! São seres que acreditam que podem comparar Exu com umas porcarias que para nós nem tem muito valor. Por serem ovelhas que só querem o sustento de suas vontades. Seguem ao primeiro sanar qualquer necessidade. Achando mesmo que como são assim, Exu também, tem que ser.

Sem nem pestanejar entregam qualquer coisa que a banda quiser desde que consigam o que desejam sem para isso ter que se esforçar. Por isso tem muito rabo de encruza por aí a se fartar. Achando que o céu é perto, nenhum nem o outro quer se consertar.

São seres que dizem Laroiê sem fé e sem razão e Mojubá sem disso ter qualquer convicção. Para esses, meus ganchos são afiados.

Pedem proteção da banda para continuar os desmandos e com isso pensam poder continuar sem rumo ou comando abusando da liberdade que tem. Achando que cobrir um erro com outro vai fazer o acerto. Querem que Exu sempre fortaleça aquilo que não é conquista deles. Batem no chão e no peito dizendo: Eu tenho Exu! Será que nos têm mesmo ou somos nós que os temos?

Então, já que vem visitar minha banda trate de trazer o melhor que tiver. Não é marafo, não é charuto e muito menos sangue de piá! É ao menos a vergonha na cara, de vir para se melhorar. Se vier pedir demanda, demanda vai levar. Não aquela que pedir, mas aquela que eu mandar. Porque se seu coração é negro não sou eu que vou te clarear. Iahahahahahahaaaa!

Ganhei uma nova estrela e um potente cajado e garanto que não foi por ter ocorrido das lutas ou abandonado meu comando.

Então se vem até a minha banda, traga algo que preste, porque posso até facilitar alguns trajetos, mas, não vou desonrar minha jura a quem em mim confiou para manter o equilíbrio da minha banda.

Boa noite que já vou me retirar e no meu reino vou te esperar. Pense bem quando vier aqui me procurar, tenho pressa, ando rápido e posso muitas coisas estar fazendo. Então não gaste meu tempo com bobagens que você mesmo pode resolver.

Ajo rápido, ando longe mas não gosto de falação. Guarda bem o meu conselho. Respeite a si próprio e num vai ter do que reclamar. Se quer o respeito da minha banda, seja você o primeiro a se respeitar.

Salve o Grande! Porque é o Grande que mais pode! Salve a Minha Banda!

Agradeço a quem ouviu e agradeço mais a quem me escutou. Boa noite!

Essas sábias palavras servem para todo o tipo de gente, principalmente aqueles que pensam que Exu não é entidade e sim um amigo que lhe resolve tudo, que lhe dá o homem ou a mulher que deseja. E não é bem assim que as coisas funcionam, Exu é uma entidade que deve e muito ser respeitada. Eles não são nossos amigos de escola ou do trabalho que conversamos como se não fossem entidades. São entidades poderosas que podem virar tua vida de cabeça para baixo através das menores das brisas.

Bem, cada um reflita sobre si e veja se estas palavras não tem razão em muitas coisas!

Salve a Vossa Banda
Laroyê Exu,
Exu é Mojubá!


A paz de Oxalá!



JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...