quarta-feira, 27 de abril de 2022

INVEJA

Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status quo, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu modo-contínuo.

Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brico ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros. As mulheres, e que me perdoem as mulheres, elas são pródigas nesse tipo de expediente.

COBIÇA E BEM-ESTAR

Torna-se necessário, contudo, diferenciar a inveja, a cobiça, da busca do bem-estar. Não há nada de errado em trabalhar para se conquistar o conforto necessário à subsistência e às condições materiais imprescindíveis, visando o aprimoramento e a eficiência em determinada atividade, sem causar prejuízo ao próximo. Se alguém possui um objeto ou uma virtude que nos falta, desejá-los com humildade e sinceridade não é inveja.

Todavia ela surge, graciosa e sedutora, quando sentimos uma sensação de perda, um vazio não preenchido pelo objeto de desejo, principalmente quando, numa formulação mental mesquinha e destrutiva, nos consideramos muito mais dignos do que aquele que possui o que não temos.

É repreensível cobiçar a riqueza com o desejo de praticar o bem?

— O sentimento é louvável, sem dúvida, quando puro. Mas esse desejo é sempre bastante desinteressado? Não trará oculta uma segunda intenção pessoal? A primeira pessoa a quem se deseja fazer o bem não será muitas vezes a nossa? (O Livro dos Espíritos - Ed. LAKE)

A acepção desta pequena palavra, contida no dicionário Aurélio, é deveras interessante. “Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio.” Os Espíritos que perturbam a nossa relativa felicidade, erroneamente chamados de obsessores, a fim de nos ver nivelados ao seu estado de inferioridade moral, agem movidos pela inveja.

Invejosos eram os fariseus e os saduceus na época de Jesus de Nazaré. Invejoso foi Judas. E Barrabás, ao se ressentir do carisma que o mestre possuía naturalmente em profusão, sem precisar lançar mão de artifícios, poses e posturas afetadas, às vezes até necessárias para um político profissional.

Quantos reis e rainhas não foram massacrados, mortos em circunstâncias misteriosas, efeito direto dessa viciação moral? A chamada “puxada de tapete”, que ocorre nas empresas, nos vários locais de trabalho, inclusive na família e onde quer que se reúnam pessoas, sempre acontece sob inspiração desse vício hediondo e asqueroso.

TRIO DE FERRO

A vaidade e o orgulho, esses dois gigantes da imoralidade, filhos diletos do egoísmo, combinados proporcionalmente com a inveja, formam um trio de ferro corrosivo, uma espécie de três mosqueteiros às avessas. Um triunvirato repugnante e nauseabundo, espécie de tríade repulsiva e sinistra.

Se nos consideramos mais merecedores do que o próximo que tenha aquele belo carro do ano, imaginando que seria mais “justo” que aquele objeto fosse de nossa propriedade, essa fantasia traz consigo um ranço de origem, proporcionado pela inveja.

Em função desse sentimento mesquinho, muitos grupos espíritas se dividem (aliás, o movimento espírita cresce mais por divisão do que por uma multiplicação previamente planejada) na busca tresloucada de espaços de trabalho, na direção de determinadas atividades, no exercício do poder. É muito comum vermos subgrupos dentro de um mesmo grupo, a popular panelinha, um tipo de trincheira, um gueto mesmo, que se arma contra os que conquistaram, ao longo do tempo, o seu espaço por mérito moral e intelectual.

Esses grupelhos promovem fofocas, queimam pessoas, malham as legítimas lideranças como se fossem Judas, desmerecem o trabalho realizado e promovem intrigas. Tudo por inveja. Não há dor de cotovelo que suporte o sucesso alheio. É por isso que a cobiça, a avidez desmesurada e destrutiva proporcionam um quadro de morbidez e infelicidade para aquele que se alimenta desse sentimento maligno.

O INVEJOSO EM AÇÃO

O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.

O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.

Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro de obsedados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.

Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?

INSTINTO DEGENERADO

A inveja é uma das facetas do instinto de destruição degenerado, estagnado, pois ela conduz o invejoso ao extermínio, ao transtorno e à ruína de si mesmo.

“Puxa, que belo quadro, gostaria de tê-lo pintado!”
“Que livro interessante, desejaria tê-lo escrito!”
“Caramba, que sacada, por que não tive essa idéia antes!”

Se o sentimento de surpresa diante de uma obra, de um feito ou de uma rara virtude for digno e generoso, não há inveja. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir quadros mais belos se formos artistas, textos mais requintados se formos escritores, tortas mais saborosas se formos um mestre-cuca.

O Espiritismo nos ensina que as pessoas que agem de modo desinteressado, com benevolência e ternura, de forma natural, sem afetações, sem hipocrisia, são como velhos guerreiros que no passado já autoconstruiram e conquistaram sua grandeza moral. Ter o desejo de se comportar como essas pessoas não é inveja. Se fosse, seria uma inveja deveras singular.

Daí que o modelo de virtude eleito pelo Espiritismo, Jesus de Nazaré, torna-se ao menos para nós, ocidentais, uma referência longínqua e ao mesmo tempo muito próxima, uma baliza, um marco para a busca necessária da virtude, de uma ética condizente com as leis naturais.

A VIRTUDE

Segundo Platão e Sócrates, virtude não se ensina. A virtude (aretê) nada tem de opiniático. Trata-se de um dom ofertado por Deus, segundo a concepção socrática. Mas virtude é conhecimento, e como tal, segundo os gregos, não pode ser ensinada. Ou seja, não é uma técnica, um conhecimento formal, que possua o mesmo sentido lógico e racional de uma equação matemática ou mesmo de um teorema. Esse aforismo conhecer a si mesmo, a grande máxima inscrita no Templo de Delfos e adotada por Sócrates, é um dos fundamentos de sua doutrina.

Com Sócrates e Platão entendemos que aprender é recordar, relembrar, é rever, revisitar. Eles eram reencarnacionistas e inauguraram uma concepção toda nova do que se convencionou chamar de alma (psiquê), algo imponderável e que sobrevive à matéria. Não foi à-toa que Allan Kardec os considerou, e com razão, como precursores do Espiritismo.

Essa questão da virtude, na história da filosofia, é uma das muitas questões ainda em aberto. Os neo-platônicos, existencialistas, marxistas, positivistas, neo-evolucionistas, e outros istas não se entendem em relação a essa questão. Nem mesmo os espiritistas. Intelectuais espíritas, de mentalidade cristã e formação religiosa, possuem pontos de vista nem sempre compatíveis com espíritas de mentalidade laica e formação mais filosófica e científica.

Segundo o Espiritismo, a evolução moral nem sempre acompanha a evolução intelectual. No processo evolutivo é necessário primeiramente o conhecimento do bem e do mal, somente possível em função do desenvolvimento do livre-arbítrio, consequência natural do aprimoramento intelectivo. A evolução moral é uma consequência da evolução intelectual. “A moral e a inteligência são duas forças que não se equilibram senão com o tempo” ( LE - p. 780-b).

A virtude, segundo o Espiritismo, é uma qualidade primária, um atributo, uma característica variável em função do nível evolutivo do Espírito, o sujeito pensante, que sente, reflete e age. A virtude é uma propriedade moral adquirida, consquistável. Segundo Kardec, “aquele que a possui a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições” (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Introdução - LAKE).

Para se combater os vícios, nada melhor do que aprimorar as virtudes, com conhecimento de causa. Aí está a chave da questão. O ato de reprimir as viciações é sempre louvável, mas se não vier acompanhado de um processo de autoconhecimento, de autopercepção, não terá sentido. Sem uma atitude racional, sem o devido bom senso, o que temos é a hipocrisia, a repressão cega e insensata com o verniz da virtude piedosa, uma usina produtora de sepulcros caiados.

A EDUCAÇÃO

O Espiritismo nos oferece uma compreensão racional muito bem fundamentada na observação, na experimentação. A base de todas as viciações se acha no abuso das paixões. “As paixões são como um cavalo que é útil quando governado e perigoso quando governa.” (LE - p. 908).
O princípio das paixões não é um mal. O mal está no exagero, nos excessos e nas consequências nefastas que possam existir quando há o abuso. Segundo o provérbio latino, “o abuso não desmerece o uso”.

A saída que o Espiritismo propõe é a educação. Nesse sentido, podemos afirmar que, ao contrário dos filósofos clássicos, a virtude pode ser ensinada, não no sentido tecnológico, formal, mas como um conjunto de caracteres passíveis de serem moralmente formatados.

O comentário de Allan Kardec, a esse respeito, é bem elucidativo: “A educação, se for bem compreendida, será a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los, da mesma maneira como se endireitam plantas novas. Essa arte, porém, requer muito tato, muita experiência e uma profunda observação. É um grave erro acreditar que basta ter a ciência para aplicá-la de maneira proveitosa.” (LE - p. 917)

A educação segundo o Espiritismo é moralizante. O moralismo hipócrita não cabe em seus princípios. A educação espírita é libertária sem ser libertina. Ela não é religiosa; é cultural, reflexiva e tolerante.

Trabalho, solidariedade e tolerância, o lema que Kardec adotou para si se constitui, em termos sintéticos, numa atitude entusiasta e viril diante da vida. Sentimentos viciosos como a inveja, o orgulho, a hipocrisia, dentre tantos outros, se esvaem, tendem a se diluir e se reordenar diante do processo de transformação moral que o Espiritismo propõe, na incessante busca da sabedoria e da virtude.

(Texto originalmente publicado no jornal de cultura espírita Abertura, em julho de 1998).



terça-feira, 26 de abril de 2022

YOBÁ A YAGBÁ...

Família Yorimá, vocês sabiam que Yoba (obá) é filha de Afefé com Iroco e alguns afirmam que é irmã gêmea de Iansã? É a senhora das estrelas e encarregada de mandar luminosidade para aureolar os seres na terra. Senhora do cobre e da cor do sangue, é em respeito a esse Orixá que todas as mulheres dentro do candomblé usam torços que escondem as orelhas, deixando assim todas iguais.

Yoba sempre foi guerreira, mas, ao contrário da irmã, não se propunha a andar pelo mundo, preferia ficar em casa dedicando-se aos seus afazeres. Sempre foi a Yabassê do reino, pois a culinária é o que mais lhe agrada. Orixá do rio Níger, terceira mulher de xangô. Orixá, embora feminina, temida, forte, energética, considerada mais forte que muitos orixás masculinos. Só perdeu pra Ogum porque ele usou um Amalá com quiabo pra enganar Yoba, por isso no culto Yorubá Yoba não come quiabo, eles dizem que é um erro dar quiabo a ela; já no Candomblé costumam oferecer-lhe essa iguaria! Yoba divindade feminina, guerreira que às vezes é também citada como caçadora. Irmã de Óya (Iansã). Esposa de Ogum e, posteriormente, terceira e mais velha mulher de Xangô.

Bastante conhecida (pela "lenda") pelo fato de ter seguido um conselho da Oxum e decepado a própria orelha para preparar um ensopado para Sàngò (Xangô) na esperança de que isto iria fazê-lo mais apaixonado por ela; Yobá se vinga da Oxun entornando sobre seus pés um caldeirão de dendê fervendo, por isso que dizem que se conhece uma pessoa de Oxun pelos pés.

Quando manifestada, esconde o defeito com a mão. Seus símbolos são uma espada (Idà) e um escudo sobre uma coroa, Yoba é considerada rainha guerreira. Sua saudação é oba xí ou öba xire.

Significa rainha poderosa! Yoba — orixá guerreira e das águas revoltas ! A história de Yoba está normalmente associado a uma quizila mal usada sobre como foi enganada por Oxum, que a fez acreditar que se cortasse uma de suas orelhas e servisse num amalá ao rei Xangô ele iria preferir seu amor! Quanto ao sentido desta quizila não é mostrar Yobá como um orixá tolo, mas sim, dedicado, decidido, apaixonado, que não mede esforços e sacrifícios para atingir seus objetivos, sendo extremamente altruísta e que inicialmente confia nas pessoas e somente depois se estas lhe falham descarrega sua força e ira. Yoba é um Orixá temível, aquela que luta pelo prazer da guerra e não pelo objetivo de sua guerra.

Yoba nunca desiste de uma guerra, por isso a ela se entrega as causas impossíveis, os amores inatingíveis, ou os amores sofridos e de incompreensão... quando se recorreu a todos Orixás e não se obteve êxito, entregue a Yoba! Yoba significa: rainha cor, rubi intenso e cobre saudação: obá xirê! - rainha poderosa, forte elemento: fogo e águas revoltas comida: raízes de cor vermelha, frutas da mesma cor e todas as comidas de Yansã. Dia consagrado a Yoba é a segunda-feira e o dia festivo é 30 de maio, sincretiza com santa Joana D’arc, mineral o cobre, domínio: águas revoltas, quizila: o cogumelo, peixes de água doce!

Galinha branca e Taioba. Sua quizila geral é a mentira. Obá representa o lado esquerdo preeminentemente feminino, ligada as Iyamís, ostenta seu poder apontando com a mão esquerda em riste na direção de sua orelha esquerda e com a mão direita empunha como num coice sua espada, dança esplendidamente. Chefe da sociedade Elekô e Gueledé onde homem não entra, guerreira amazona, padroeira da Guerra. Yobá é da água barulhenta dos rios, do fogo e da terra.

Armas: adaga. Plantas: folhas de jabuticaba, mangueira, mangericão e rosas laranjas e vermelhas! Falam de algumas qualidades de Yoba: 1) obá gideô (por ser mais velha ela demora a escolher suas filhas) obá xirê rewá (é a princesa guerreira, valente e colérica, essa em especial come com Xangô, mora com Xangô e é uma geledé). Yobà Syìó; - YObà Lòdè; YObà Lóké; YObà Térà; e YObà Lomyìn. Em qualquer das suas qualidades ou nomes pelo qual é conhecida, é uma guerreira destemida, mas ressentida. Há quem diga que Yobá não tem qualidades que é única. É Orixá progenitora feminino, não vem a cabeça de homens em hipótese alguma. Yobá personifica a MULHER, guerreira, dona de casa, do dia a dia, apaixonada, sonhadora, trabalhadora.

Homem não pode com ela! Veste-se de vermelho, branco e amarelo. Carrega Ofá, espada e escudo. Gosta de acarajé de formato único, aberém, feijão fradinho, cabras, galinhas, coquéns e no Brasil seu amalá é especial. Yobá tem ligação positiva com Oyá.

Tudo relacionado a Yoba é envolto em um clima de mistério quando Yoba se manifesta em alguma das suas iniciadas, leva a mão para cobrir a orelha esquerda, ou ata-se um torço (turbante), a fim de esconder uma das orelhas.

Quando ela esta no terreiro, vai buscar uma das filhas de Oxum pra que elas guerreiem uma das mais belas danças de candomblé! O arquétipo de Yoba: as pessoas pertencentes a este orixá são lutadoras, bravas, um tanto agressivas, o que as levam a serem pouco incompreendidas. Frequentemente tendem a terem experiências infelizes e amargas. 

Mas não são tolas, quando resolvem que alguém não serve pra sua confiança essa pessoa é descartada sem o menor problema! São ciumentas, pois são muito zelosas com tudo que lhe pertencem. E se revoltam facilmente! 

Porém, são pessoas de grande valor e dedicação. Tendem a alcançar seus ideais.

Yobá, a mais valente...

É muito temperamental e violenta, não recusa uma batalha. Divindade das pedras das encostas. Senhora do cobre e da cor do sangue!... É em respeito a esse orixá que todas as mulheres dentro do candomblé usam torços que escondem as orelhas, deixando assim todas iguais. Identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá. Divide seus fundamentos com Oyá, Óxóssì, Xangô e Iemanjá. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Xangô e Orumilá. 

Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles. Obá teria derrotado Exú, Oxumarê, Omolú e Orunmilá, e tornou-se temida por todos os deuses, tendo sido derrotada apenas por Ogun, por sua envergadura física e força, tornou-se uma guerreira, a única mulher capaz de desafiar Ogum para uma luta, e por ser Obá extremamente forte e destemida, Ogum se viu obrigado a usar de um truque contra ela, espalhando quiabo amassado no chão, e atraindo Obá para aquele canto, onde a guerreira escorregou e não apenas perdeu a luta como foi possuída à força por Ogum, que se tornou seu inimigo. No culto yorubá yoba não come quiabo; é um erro dar quiabo a ela, come acarajé e abará.

Identificada no jogo do merindilogun pelos odu odi, obeogunda e ossá.. Ela também controla o barro, aguá parada, lama, lodo e as enchentes. Embora feminina, energética, temida, e forte, considerada mais forte que muitos Orixás masculinos, vencendo na luta Oxalá, Xangô e Orumilá. Segundo suas lendas, Obá lutou contra inúmeros Orixás, derrotando vários deles.

Yoba é um orixá temível, aquela que luta pelo prazer da guerra e não pelo objetivo de sua guerra. Também citada como caçadora.

Existem algumas versões do grande encontro de Xangô e de Obá, em uma dessas versões ela é a líder de todas as mulheres e a rainha de Elekô, mas em todas, as evidências dizem que o amor entre os dois era desmedido e que nada ofuscava a relação dos dois.

Embora, em suas lendas, Obá tenha se transformado em um rio ela também é relacionada ao fogo. Yobá é saudada como o Orixá do ciúme, mas não se pode esquecer que o ciúme é o coronário inevitável do amor, portanto, Yobá é a deusa do Amor e da Paixão incontrolável, com todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar. Yobá tem ciúme porque ama. Yobá é a deusa da guerra e do poder, seu culto está relacionado ao rio Yobá, as águas em seu culto faz referência ao poder, a força incontrolável das águas.

Seu culto no Brasil é confundido ao de Oyá, alguns chegam a insinuar que elas sejam irmãs, irmãs gêmeas, o que é uma inverdade; outros dizem que Obá seria uma Oyá mais velha, o que é mais absurdo ainda! Yobá possui uma forte ligação com o fogo.

Yobá quando em fúria transborda, agita-se; Oba é a senhora da sociedade Elekô. Tudo relacionado a Yobá é envolto em um clima de mistérios. Obá nasceu do ventre rasgado de Iemanjá após o incesto de Orugan. Obá era cultuada como a grande Deusa protetora do poder feminino, por isso também é saudada como Ìya Agbà e mantém estreitas relações com as Iyá-Mi.

Yobá é a Iyámi Egbé, ela é a Iyá Abiku, desta forma é ela a encarregada de enviar ao mundo as crianças que nascem como castigo para seus pais. O que Xangô representa para os mortos masculinos, Obá representa para as mulheres mortas. Ela assim como Xangô é a representante suprema da ancestralidade feminina.

QUALIDADES:

O termo qualidade é incorretamente aplicado não só a Deusa Obá, mas também a qualquer outro Orixá. Alguns dos títulos atribuídos à Obá são os seguintes:

- Obà Syió;
- Obà Lodè;
- Obà Loké;
- Obà Terà;
- Obà Lomyìn;
- Obà Gideó;
- Obà Rewà.

As mais conhecidas são: Obá gideô (por ser mais velha ela demora a escolher suas filhas) obá xirê rewá (é a princesa guerreira, valente e colérica).
oloje iku ike obarainan.



JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...