sábado, 29 de janeiro de 2022

EXÚ DO LODO: EXÚ DE UMBANDA

O Exu do Lodo é uma falange de Exus ligados as Almas, ao Orixá Omulu, mas que poucos sabem é que ele está intimamente ligado a Nanã e a Iemanjá, pois sua energia telúrica se funde coma energia aquosa.

Os espíritos desta linha se apresentam curvos e com dificuldades pois sua energia é pesada e todos usam aparência de velhos, velhos feiticeiros. A maioria dos espíritos desta linha foram, Padres, Bispos, Bruxos, Magos e Feiticeiros.

Exu do Lodo história - Umbanda

São grandes curadores e tem um grande poder de alquimia, são protetores dos cientistas e dos alquimistas. É difícil achar médiuns que entrem em contato com esta energia pois é bem pesada e requer muito dos seus médiuns.

Exu do Lodo é um dos sentinelas das almas, enviado direto de Omulu que trabalha na transmutação de energias, transformando o chumbo em ouro, o lado negativo em positivo. Motivo de usar muito a cor preta que representa a transformação.

Ligado também aos Orixás das Águas, Yemanjá, Oxum e Nanã, a Umbanda é onde esta entidade mais se encontra, mas no Candomblé também podendo trabalhar caso o Ilê axé tenha raízes na Umbanda. Trabalha com as coisas que estão estagnadas, manipula as energias paradas, os processos sem andamento, sem horizontes. Promove grande limpeza e descarrego tirando as pessoas das doenças, principalmente as de pele, e das misérias. Possui grande poder mágico pois trabalha no encontro das águas com a terra e as pedras onde se forma o lodo, tirando destes elementos todo subsídio.

Lenda de Exu do Lodo

Diz a lenda, que uma vez estabelecida a Kimbanda, Exu Rei e sua esposa, decidiram andar pelo mundo para verificar o trabalho que realizavam seus súditos (ou seja, os Exus) e dessa maneira, comprovar se eles eram fiéis no cumprimento as regras ou não. Para fazer isso, disfarçaram-se, ocultando seu ricos adornos para poderem passar despercebidos.

Em uma ocasião, Pomba Gira Rainha caminhando por uma trilha, defrontou-se com um enorme pântano, sujo e podre, o que lhe impediu de continuar sua ronda. (Não se esqueça que os Exus nunca voltam para trás, eles não caminham sobre os seus próprios passos).

Enquanto decidia como fazer para atravessa-lo, apareceu a sua frente um homem de estatura média, com o perfil de um ermitão, bastante despenteado e aparentando ser anti social. Apesar de sua imagem sombria, coberta por uma enorme capa escura, parecia não coexistir com aquele lugar.

Ela se assustou bastante a principio, mas ficou lisonjeada com o gesto educado daquele homem, que rapidamente retirou a sua capa e jogou sobre o lago que ela pudesse passar, podia ver nos olhos dele um interminável desolação.

A Rainha caminhou por sobre a longa capa e seguiu seu caminho sem olhar para trás. Atônito, fascinado pela beleza desta estranha mulher que nunca tinha visto, mas ele estava certo, nunca se esqueça de, pela primeira vez tinha sido no amor. Ele não sabia quem era ELA. Ela não pode imaginar a sua ansiedade: não foi fácil ser o guardião daquele lugar. Nenhuma mulher gostaria de acompanha-lo no seu esforço. Como recompensaria sua educação e respeito ? de que maneira poderia melhorar a sua vida?

Após a conclusão da sua viagem, chegou ao palácio e disse ao seu marido o que ela tinha descoberto. "Existe um ser nobre - lhe digo - que cuida de um pantanal imundo. Quando uma pessoa chega a esse charco pestilento, do nada ele vem e te ajuda a pessoa a superar obstáculos tremendos. Eu vi a tristeza em seus olhos para ter uma local como aquele para atendimento, mas, no entanto, faz o seu trabalho com cuidado e sem soluçar. Sua figura, curva, malcheirosa e bruto, mas é humilde e cortes.

Interessado no vizinho, Exú Rei queria convida-lo para uma celebração que iria fazer em sua casa para no final do mês. Sua intenção era premia-lo por sua abnegada dedicação à missão que lhe tinha sido encomendada e pelo respeito a sua esposa. E em sua busca, ordenou ao general de seu exército, Senhor Exú Tranca Ruas.

Uma vez reunidos na Mansão Real, qual não seria a surpresa de Exu do Lodo ao notar que a esposa de seu soberano era a mulher que ele amou profundamente! E a dor, ao mesmo tempo, porque, em menos de uma fração de segundo deveria ser retirado de sua mente. Não podia sequer imaginar que, uma vez que ele sentindo-se atraído por ela.

Naquela noite, Exu Rei o condecorou e lhe deu a honra de se sentar-se à sua direita. E desde então ocupa este lugar, mantendo a base do trono de seu monarca.

Pomba Gira Rainha, em seguida, dá-lhe um lenço perfumado com seu aroma, e solicita que você guarde suas lágrimas, e depois, ao retornar para o seu local, jogue-o no meio do pântano. Ela lhe agradece pela respeito e ternura, e promete ajudá-lo a sair da solidão em que se encontra.

Naquela noite, enquanto voltava para o seu território, cabisbaixo, pensou: Como poderia ser feliz vivendo no lodo! nenhuma mulher queria juntar-se a mim em meu trabalho. Ao chegar, jogou o lenço sobre a lama e ficou a observar a lua que o cobria com a sua luz prateada. Saiam do lenço todas as suas lágrimas e espalharam-se por sobre o pântano, espalhadas como um colar de pérolas que desmanchava. Na manhã seguinte, ao observar o local onde ele tinha atirado o lenço tinha começado a crescer uma planta, e que as suas lágrimas dispersas, eram botões florais que começaram a pressagiar uma nova era. Era fim de inverno, e a primavera produzia milagres mesmo através da lama.

Foi a primeira vez reparou as flores. Considerou um presente de sua Sra. Rainha e pôs-se a aspirar a fragrância do seu amor. Era o mesmo perfume de sua soberana, o qual, cuidaria a cada primavera.

Depois de algum tempo, a história repetiu-se com outro protagonista. Uma mulher que circulava por aquele mesmo caminho, e de repente estava próxima ao charco. Solicito como sempre, Exú do Lodo saiu de seu esconderijo e ofereceu-lhe o casaco dele. Ao olha-la, descobriu em seus olhos a simpatia que ele tanto buscava, e sem pensar duas vezes, cortou algumas de suas flores e ofereceu-as a linda mulher. Ela as aceitou, por sua vez, lançou uma gargalhada. Era, Pomba Gira Maria Molambo, que desde então, passa a ser sua parceira e ficou a viver ao seu lado.

A moral desta história nos permite compreender os sentimentos mais profundos.

Quantas vezes devemos renunciar a alguns sonhos, reconhecendo que não podemos alcançá-los! E, que afortunados somos se podemos faze-lo, nos livramos de tantas dores de cabeça, de tantos contratempos, e que ao final, nos aguardam outras flores que possuem uma fragrância que ao senti-la, queremos tê-la sempre ao nosso lado.

A Educação, a obediência, o respeito e a renuncia de Exú do Lodo foram premiadas. Não somente se tornou o braço direito de Exu Rei, como também de toda a Kimbanda. Mas ele poderia encontrar o amor e punha um fim a seus dias de pessimismo.

Isso aconteceu, de acordo com as entidades próximo ao inicio da primavera. Portanto, a celebração ocorre a cada 21 de setembro em todos os templos que tem como protetores os Reis da Encruzilhada.

Esta noite a festa é especial. Exú Rei volta a cada ano para reafirmar a sua atribuição ao seu leal súdito e o destaca com uma banda. Permanece junto a algum tempo e, no momento de despachar, eles caminham juntos para a porta do Terreiro, onde a direita do monarca, e sempre ajoelhado, espera a chegada da Pomba Gira Rainha. Uma vez que Exu Rei deu o passe a sua companheira, Exú do Lodo a toma pelo braço e juntos ingressam no salão de baile. sob uma chuva de pétalas de flores que os filhos de santo soltam no ar no momento, Saravando a presença de sua rainha, e aplaudindo, em ambas as entidades a quem paga seu tributo nesse dia à noite.



SER PAI, MÃE DE SANTO NA UMBANDA

Antes vamos observar apenas a palavra "Pai".

Ser Pai é algo tão sublime como ser Mãe, apesar de muitas pessoas darem uma importância suprema a palavra "Mãe".

E entendo esse exaltar, entendo o amor pela palavra Mãe, mas dou a mesma importância ao Pai. E falo isso por mim mesmo, pois sou pai. Um pai na doce expressão de ser realmente um pai.

O pai que cuida, educa, se preocupa, ama seu filho acima de tudo. O pai que se levanta nas madrugadas frias para verificar se seu filho não passa frio, o pai que vela pelo sono tranquilo de seu protegido em noites de tempestade, o pai que se desespera pelo pequeno atraso de seu menino já crescido, o pai que chora com o choro de sua eterna criança, o pai que ri das piadas sem graça de seu comediante mirim.

Enfim, o pai que ama seu filho como se ele fosse o único ser existente na face da terra.

Acredito que todos os pais deveriam ter esse sentimento, essa preocupação, esse amor.

E alguns pais, que amam seus filhos, se estendem com essa
nomenclatura de "Pai" para algo um tanto maior, pois levam esse amor tão imenso para dentro da religião que ama, como por exemplo a nossa linda e sagrada Umbanda. E a partir daí se tornam nossos Pais de Santo, que na maioria das vezes são tão importantes para nós como nossos pais consanguíneos.

Abaixo gostaria de anexar um texto que recebi para melhor demonstrar o amor de um Pai de Santo aos filhos de seu Terreiro. Em um tom de desabafo, esse texto é uma verdadeira demonstração de amor aos Filhos de Santo, e que muitos desses filhos que frequentam uma casa de Umbanda, não entendem ou não percebe o imenso carinho e amor que um Pai de Santo, e gostaria nessa frase também mencionar as queridas Mães de Santo, pois o amor é igual, tem por seus amados Filhos de Santo.

DESABAFO DE UM PAI DE SANTO

"Queridos filhos de santo que hoje se reúnem para falar mal de pais e mães de santo, Gostaria em nome de meus co-irmãos pedir-lhes desculpas por termos abertos nossas portas para recebê-los sem muitas vezes conhecê-los profundamente.

De perdermos nossas noites de sono tentando arrumar uma solução para os problemas que vocês criaram para suas vidas, de nos privar de algumas coisas em nossas vidas pessoais porque precisávamos ajudar um filho que não fez sua parte na casa.

De ampará-los, de brigarmos com vocês achando que nossos conselhos iriam lhe encaminhar para o melhor, de suas vidas terem melhorado um pouquinho, mais para vocês não ser o suficiente, de nos importarmos em querer o melhor para vocês.

Simplesmente desculpem, continuaremos aqui, muitas vezes magoados com suas atitudes e falhas, porém com a certeza de que daqui há pouco passará e faremos tudo novamente pois o nome disso é MISSÃO. Reflitam!".

Esse relato em forma de desabafo demonstra bem que até mesmo alguns filhos de Santo de uma casa não compreendem, não percebem e não valorizam seus verdadeiros Pais de Santo.

E o que podemos entender como "verdadeiro Pai de Santo"?

O Pai de Santo é aquele que vemos como um caminho a seguir, é aquele que não usa de seu título para induzir seus filhos a errar, é aquele que mostra que a Umbanda é uma religião não um comércio da fé, é aquele que protege seu terreiro e seus consulentes contra médiuns prepotentes, vaidosos, mentirosos e mistificadores, é aquele que abraça seu Filho de Santo como abraça um filho consanguíneo, educando-os, encaminhando-os e amando-os.
Gosto de frisar para deixar muito claro, que nem todas as pessoas que estão a frente de um Terreiro, que vestidos com o branco de nossa Umbanda, que paramentado com Guias de contas sejam Pais de Santo, pois, um Pai de Santo não é feito por roupas ou guias, ele é feito de um intenso grau de mediunidade, honestidade, caráter, humildade e amor.

Não se deixem enganar pelos falsos Pais e Mães de Santo que transformaram sua missão em poço de vaidade ou em um modo de adquirir bens econômicos enganando seus semelhantes.

Por várias vezes as pessoas me perguntam se eu acho agradável ser um Pai de Santo, e por mesmo número de vezes eu não sei bem o que responder. Não porque não ache agradável, em alguns casos até poderia dizer que sim, pois a Umbanda é algo tão sublime em suas demonstrações de amor e fé, que extremamente agradável fazer parte desses grupos, e mais ainda de ser uns dos que está a frente dessa disseminação de caridade e fé.

Dentro da Umbanda não há um tradicionalismo, como em outras religiões, pois não tendo regras escritas dando poderes de líder ao Pai de Santo, estando ele a frente de uma casa de Umbanda, será ele que vai dirigir o terreiro, sendo assim sua palavra tem uma grande força nas decisões tomadas dentro daquela casa.

O fato é que, em muitas casas, ele não é nomeado nem eleito, ele tem fiéis seguidores que aceitam e acreditam no que é pregado pelo mentor da coroa dele.

O Pai ou Mãe de Santo são os chefes da comunidade de fiéis que buscam ajuda, desenvolvimento mediúnico, tratamento espiritual e abrigo sobre o teto de seu Terreiro.

O Orixá do Pai de Santo será sempre o chefe espiritual da casa. Ele marca a linha de trabalho do terreiro e a entidade dessa linha que incorpora nele sempre será o chefe espiritual do terreiro que ditará todas as normas e regras para o seu funcionamento.

Finalizando, o Pai de Santo é um Médium extremamente preparado, mas é um médium como todos os Médiuns frequentadores de uma casa de Umbanda. Foi desenvolvido mediunicamente e espiritualmente para ser "O Pai de Santo", o que vai mostrar caminhos, o que vai buscar ajudar ao filho que necessita, o que vai trabalhar para o desenvolvimento dos Filhos de Santo. E isso além de missão é uma obrigação.

Então não é necessário que idolatre um Pai de Santo, mesmo que ele exija isso.

Pai de Santo não é para ser idolatrado, apenas basta respeitá-lo como líder da religião, que é tão linda e sagrada, a nossa Umbanda.

Saravá todos os Pais, Mães e Filhos de Santo de nossa Umbanda!



quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

ORIENTAÇÕES PARA VISITANTES A UM TERREIRO DE UMBANDA

É fundamental que o consulente, visitante saiba que existem situações que não devem ser expostas ou pedidas às entidades.

Um Terreiro de Umbanda é um complexo formado por varias situações, desde as entidades que se manifestam até os médiuns que são os intérpretes dos espíritos. Achar o equilíbrio deste complexo mundo é um desafio a qualquer dirigente de Terreiro. Obviamente cada um deles tem suas normas, formas e maneiras de atender aqueles que buscam solução para suas dificuldades. Falar com as entidades, ouvir seus conselhos e buscar a cura física ou espiritual é o objetivo daqueles que têm fé.

Para que aja um entendimento correto, algumas situações devem ser colocadas, dentre as quais a importância que tem o público visitante como sustentáculo do Terreiro. Pouca gente sabe, mas terreiro sem público não tem como se manter. Se o objetivo das entidades é fazer a evolução dela e de seu cavalo através da caridade, sem as consultas eles ficariam sem ação. É importante que isso seja dito.

Como dissemos em outras publicações, cada terreiro tem suas próprias regras, mas vou mencionar como é feito o atendimento no Terreiro do Pai Maneco, que de certa forma não foge à norma geral.

Quando o visitante entrar no Terreiro, do lado esquerdo existe uma casinha fechada chamada Tronqueira (local destinado à ser feita a segurança primeira do Terreiro e localiza-se de frente para a rua, do lado esquerdo de quem entra), é onde ficam as seguranças da Casa. Ao passar em frente o visitante deve saudar com todo o respeito essa Tronqueira.

Na chegada a pessoa – dependendo do Terreiro - recebe ou não uma senha e será oportunamente chamada para a consulta com a entidade. Diante da entidade o seu comportamento deverá ser de espera, aguardando a iniciativa da entidade ou do Cambone. Inicia-se a conversação e a consulta propriamente dita. O consulente não deve ter intimidade com a entidade, ser respeitoso e expor os problemas na medida em que for convidado para fazer isso. Jamais deve o consulente perguntar o que a entidade tem a dizer. Isso é condenável por parecer que a entidade está sendo testada. Qualquer dúvida deve ser dirimida pelo Cambone que é o auxiliar da entidade, interprete do consulente e ainda o fiscal do Terreiro.

OS LIMITES DO CONSULENTE

Todos devem saber que uma entidade incorporada tem um limite de ação que vai até a capacidade e a qualidade do médium. Comentamos em outra ocasião que quem responde as consultas é a 3ª energia criada com a união dos espíritos do médium e da entidade. A entidade em sua sabedoria e informações é ilimitada, mas ao se unir com o espírito do médium tem a sua limitação até a capacidade, como disse do próprio médium. É fundamental que o consulente saiba que existem situações que não devem ser expostas ou pedidas às entidades. Tudo que ferir o bom senso, a ética, o respeito e a honestidade não podem ser pedidos. Coisas às vezes triviais até são atendidas com certo carinho pelos espíritos, porque a eles o que interessa é fazer o bem, mesmo que seja uma banalidade. Mas os limites existem e não devem ser questionados. Não deve consultar na mesma gira com duas entidades. Seria a mesma coisa que tomar dois remédios diferentes para a mesma doença.

SITUAÇÕES PROIBIDAS

Aqui nesse ciberespaço, que se resume única e simplesmente prestar informações sobre a nossa sagrada Umbanda e não menos sagrado Candomblé, não concordamos com alguns tipos de de atendimentos em alguns Templos: (são proibidas) como insinuar traições conjugais, prever acidentes com o consulente ou seus parentes, insinuações de traições de amizades e principalmente previsões de morte com o consulente ou com seus parentes. 

Em alguns Terreiros se essas regras forem violadas o médium deverá ser afastado definitivamente desse Terreiro. Essa é nossa posição, que todos tomem conhecimento.

DESCONFIEM DOS MÉDIUNS QUE:

• Espírito que estiver ingerindo álcool em demasia. O espírito não precisa beber e se isso ele faz é para amortecer o médium.

• Espírito que fica baforando charuto na cara do consulente. Uma entidade com a sua alta sabedoria e sensibilidade deve saber que isso faz mal e não é o único processo para limpar eventuais miasmas do consulente.

• Espírito que para transmitir energia fica apalpando o consulente. É falta de conhecimento e intromissão do médium. A entidade sabe o limite do períspirito do consulente que é onde devem ser depositadas as energias curadoras.

• Espírito que manda acender velas de outras linhas. Por exemplo, um Preto Velho manda acender vela de Exu, ou Caboclo manda acender vela de Preto Velho. Cada entidade manda acender, ser for o caso, a vela da cor de sua linha. O que ele pode é sugerir ao consulente que consulte em outra linha, mesmo assim sem compromisso com o cavalo que está usando. Isso seria nova consulta direcionada, o que não deve ser nos Terreiros de Umbanda.

• Espírito que indica haver trabalho pesado. Claro que isso pode acontecer, mas existem sintomas com o consulente. Nesse caso só quem pode desmanchar um trabalho feito são as entidades da esquerda, para onde a entidade deve encaminhar o consulente, mesmo assim só como sugestão.

• Espírito que conversa sobre vidas passadas ou acontecimentos futuros. Isso é um assunto altamente perigoso e que deve ser evitado pelo médium. Quando isso acontece é o caso do cambono, como fiscal do Terreiro, comunicar a direção material do Terreiro.

• Espírito que manda acender vela em Igrejas ou usar água benta. Infelizmente isso ainda existe dentro da Umbanda.

ORIENTAÇÃO PARA MELHOR CONDUÇÃO DO SEU ATENDIMENTO

Ter a oportunidade de conversar com uma entidade incorporada em um médium comprometido com a espiritualidade é um privilégio para o consulente, para o médium e até mesmo para o próprio guia. Independentemente da condição em que nos encontramos todos, sem exceção, estamos em evolução e o que diferencia a evolução de cada um são nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações, enfim, as atitudes e posturas do nosso cotidiano. Quando vamos ao terreiro sempre vamos em busca de algo e muitas vezes esquecemos que esse algo não vai vir de fora, não vai cair do céu. Com certeza vai depender do nosso merecimento e do nosso trabalho. Outra coisa comum de esquecer-se é que nenhuma situação se forma da noite para o dia.

São longos períodos sem ação e sem reflexão que exigem persistência e equilíbrio para superação das condições adversas. Dificilmente uma situação que demorou muito tempo para se formar se resolverá numa única consulta mediúnica. Dependendo da ótica que você lê esse texto pode ficar a impressão de passividade e de que sempre estamos errados. Que temos que ter paciência, que temos que ser resignados. Sim, temos que trabalhar tudo isso, mas se você, assim como nós prefere ter uma atitude mais participativa, mais ativa, podemos pensar em algumas ideias para melhorar nossos atendimentos com os guias espirituais. Algumas sugestões:

1) Seja bem-vindo, mas venha com boa fé – Nosso terreiro não se pratica jogos de adivinhação, cartas, tarô ou qualquer outro meio. Praticamos Umbanda, isso significa que a consulta é única e exclusivamente feita com a entidade que está incorporada em seu médium. Não fazemos trabalhos de amarração ou desfazemos famílias, se você não tem a capacidade de conquistar alguém por si próprio, não será através de magia que isso irá acontecer. Não cobramos absolutamente nada na consulta. Se algum integrante da corrente mediúnica pedir dinheiro, favor, material em troca de consulta, comunique o terreiro e seus dirigentes imediatamente, pois qualquer tipo de cobrança vai contra a conduta da casa. A casa realiza ações, para manter suas atividades.

2) Organize seus pensamentos e sentimentos – Antes mesmo de chegar ao Terreiro vá pensando nas suas prioridades. Durante a abertura dos trabalhos concentre-se e reflita (obviamente em silêncio) sobre o que você almeja e o que realmente você foi fazer lá. Na frente do guia sabemos que muitas vezes dá o “branco” e nem sabemos direito o que falar, mas se já é difícil para gente imagina para o guia entender o que passa dentro da nossa cabeça tendo ainda o médium como intermediário. Não duvide da capacidade da entidade, porém se podemos facilitar pra quê complicar? Uma boa consulta não é aquela que demora horas e sim aquela que é objetiva. Abra seu coração, exponha seus medos, angústias e peça a ajuda, deixando o orgulho de lado. Caso não tenha o que pedir, simplesmente peça uma benção e agradeça pela oportunidade.

3) Para fazer algo a alguém, temos que estar bem com nós mesmo primeiro. Estamos sempre pensando nos outros, nos nossos familiares, amigos ou mesmo inimigos. Concentre-se em você. Não, isso não é egoísmo, é um caminho para solução dos problemas, primeiro porque você não interfere no livre arbítrio de terceiros e segundo porque é você quem está lá e não os outros. Sei que pode parecer cruel “deixar de pensar nas pessoas”, mas não dá para tirar os outros do buraco se você ainda estiver dentro dele. O máximo que vai acontecer é os outros subirem sobre você para tentarem sair do buraco. De forma prática, acenda somente suas velas, prepare somente seus banhos, faça somente suas orações e trabalhe seu íntimo. Nem precisa dizer que trocar informações sobre sua consulta com o próximo é tão errado quanto usar a receita médica de outro paciente para curar a sua doença. Não sejamos hipócritas, se um quinto das pessoas realmente pensasse e agisse em prol do próximo nossa a sociedade seria outra.

4) Vista-se adequadamente – Grande parte da população normalmente usa trajes de acordo com a situação ou ocasião. No matrimônio utilizam-se roupas de casamento, para nadar utilizam-se trajes de banho e é assim para o trabalho, para dormir, para passear no parque ou praticar esportes. Seguindo o mesmo raciocínio seria natural ir ao templo religioso com roupas adequadas para isso, ou seja, claras, de tamanho adequado para o ambiente, sem marcar calcinha fio dental, bermudas, camisetas e sem decotes. Sim, vivemos num país predominantemente tropical e o calor beira ao absurdo, mas nada impede você de levar uma camiseta branca na sua bolsa ou mala e vesti-la instantes antes do atendimento. Não fique preocupado se essa camiseta extra, combina com o restante de seu traje, o atendimento é para o espírito e não para a etiqueta da vestimenta. Terreiro não é passarela ou lugar de “azaração”.

5) Preste atenção na sua consulta – Durante o atendimento procure prestar o máximo de atenção no que está sendo dito para você. Não tente escutar conversas de outras consultas e nem fique olhando para o que acontece do lado, mesmo que seja um descarrego daqueles “bem barulhentos”. Quanto mais atenção você prestar no guia que está falando com você mais rápida e eficiente será sua consulta, você terá menos dúvidas e, de quebra, você não leva para casa carga dos outros consulentes devido ao merecimento por ser xereta. Não saia da frente da entidade com dúvidas. Pergunte ao Cambone que está auxiliando no passe todo o tipo de dúvida que tiver.

6) Seja franco e verdadeiro. Se você não puder fazer os banhos, defumações, oferendas e tudo mais, diga logo ao guia. Ele não vai te bater e nem ficar ofendido. Juntos vocês vão buscar outras alternativas viáveis. Agora se você se comprometeu a fazer o que lhe foi proposto então FAÇA e FAÇA DIREITO. Tudo que lhe é passado para fazer em um atendimento tem um propósito, um objetivo e muito provavelmente tem prazo de validade. Não dá para fazer neste carnaval o que foi pedido na Páscoa do ano passado. Ah, e tem outra… Não fazer e falar que fez é tão infantil quanto dizer que estudou pra prova e na hora H ganhar aquele zero. Mais cedo ou mais tarde a verdade aparece e quem sofre as maiores consequências é você e as pessoas que gostam realmente de você.

7) Vibre sempre energias positivas – O número da sua ficha de atendimento é 80 e ainda estão chamando o número 10? Parabéns! Isso significa que você terá mais tempo para refletir e pensar em como melhorar sua vida rezando num templo religioso! Reclamar, ficar levantando para fazer nada, cochichar e falar sobre futilidades é um grande favor que você faz ao baixo astral. Sim, toda energia trabalhada tem que fluir para algum lugar e graças à lei da afinidade você pode entrar no terreiro com um probleminha e sair com 80 novos problemões. Seja esperto, vibre sempre energias positivas, em silêncio e no seu quadrado.

8) Acabou a consulta, fique em oração ou vá fazer suas coisas. Encontros sociais, conversas com parentes, discussões sobre política, religião e futebol ou mesmo matar saudade de conhecidos são coisas para serem feitas em lugares mais apropriados como uma lanchonete, um churrasco de domingo ou mesmo lá na padaria ou no café do supermercado 24 horas. O baixo astral é persistente e age sempre na sutileza, portanto, quanto menos brechas você der melhor será para você e para os guias que se esforçaram bastante para buscar soluções no seu atendimento. Se quiser ver o fechamento da gira, fique em silêncio e oração.

9) Procure saber mais a respeito. Há quanto tempo você é assistido num terreiro? Muito? Parabéns de novo! Ou você está com medo de responsabilidade ou então está acomodado demais esperando os “banhos da semana”. Procure cursos, participe dos grupos de estudos, leia um bom livro, vá estudar! Entendendo mais sobre o assunto aumentam as chances de você fazer mais e melhor. Os problemas não vão acabar, mas quanto mais desafios você superar nesta vida mais pleno ficará seu espírito e maior será sua contribuição para a evolução dos seres.

10) Contribua com doações para famílias carentes. Nosso terreiro ajuda várias famílias carentes e instituições assistenciais do município de Itaquaquecetuba com cestas básicas, roupas e material escolar. Por isso pedimos à assistência que ajude contribuindo com alimentos não perecíveis, caixas de leite, roupas e tudo mais que puder ajudar alguma família mais necessitada. Converse com os responsáveis pelo seu terreiro e veja como você pode contribuir. A sua boa vontade e compreensão de que o trabalho espiritual é grandioso e deve alcançar seu irmão, o seu próximo.

11) Você é médium de outra casa ativo ou não, seja bem-vindo, mas… se você é médium ativo de outra casa e está apenas visitando, seja bem-vindo e que venha com muita luz. Temos a postura e propósito que a Umbanda precisa da integração e amizades entre Terreiros para fortalecer a religião. Caso tenha vindo para pedir ajuda, primeiro tenha a consciência que tem um dirigente na casa que você está que também pode te ajudar. Veja primeiro se as regras de sua casa lhe permite estar em outra. Avise sua casa que está indo em outra e traga-o também para nos conhecer. Caso você seja um médium desligado e está procurando em nossa a conduta para a continuidade de sua mediunidade, venha tomar o passe, conhecer nossos dirigentes, entidades e a corrente. Veja se realmente está com o propósito de assumir uma nova responsabilidade e mais, saia do seu antigo terreiro pela mesma porta que entrou, dá frente e bem resolvido. O trabalho espiritual é voltado para quem realmente precisa, acredita, trabalha.

12) Confie em você mesmo e tenha fé, ninguém é obrigado a ficar em um Terreiro onde não se sinta bem, mas ficar indo em vários terreiros ao mesmo tempo é igual a iniciar o tratamento de uma doença em diversos médicos simultaneamente: além de gastar tempo e dinheiro seu corpo sofre com medicamentos diferentes. Terreiro não é hotel cuja classificação se faz por estrelas. É preciso ter fé, acreditar, ser racional e paciente, portanto confie na sua escolha, analise e seja crítico consigo mesmo para não perder o seu tempo, o tempo dos médiuns e o tempo dos guias. Ir em 7 terreiros diferentes na mesma semana significa que você, no mínimo, ocupou o lugar de outros 6 irmãos que precisam de consulta. Não seja egoísta.

13) Incorporação de consulente em alguns Terreiros, tem a política do seguinte: Se incorporar, não haverá consulta com nossos guias. Mas porque, não é um Terreiro? Sim, somos um terreiro, mas quem precisa de passe é você, consulente e não seu guia. Caso seu guia tenha vindo em terra para te limpar, não precisará de nossos guias então. Se o seu guia já faz e fez o que tem que ser feito, não a necessidade de um segundo e está pronto. Mas você pode dizer: – “Preciso me desenvolver”. Concordo se tem mediunidade aflorada, precisa desenvolver mesmo. Mas desenvolvimento não ocorre indo uma vez ou outra no terreiro, incorpora, sai e vai para o barzinho, churrasco, motel, etc. O desenvolvimento se dá praticando a Umbanda, trabalhando, participando da abertura da gira, defumação, oração, cambonando e quem sabe o dia que for permitido, incorporando e atendendo e encerrando a gira.
Começo, meio e fim. Alguns terreiros prometem e dão cargos, pedem missões e missões a serem feitas para mostrar que estão agindo para lhe ajudar, falam isso e aquilo para convencer a você a participar de seu corpo mediúnico e fazer volume em sua corrente mediúnica. Grande erro, um terreiro não é medido por quantidade de médiuns ou consulentes e sim pelo Axé e seriedade que leva a religião. Portanto, resumindo, quer desenvolver? Procure um terreiro que lhe atenda nas suas expectativas e coloque a roupa branca. Quer tomar somente passe? Venha tomar seu passe, falar e conversar e só.

14) Escolha de passe. Nos Terreiros acredita-se que todas as entidades e seus médiuns são capazes na mesma vibração e energia em lhe proporcionar algo de bom. Portanto, não permitimos que seja escolhido passe. Se percebermos a troca (de fichas) entre consulentes para passar com esse ou aquele guia, iremos atuar na hora podendo inclusive proibir a entrada para consulta.

15) Regras de bem estar a todos. Mantenha o silêncio, Não fume no recinto, Não pegue nada que não tenha sido oferecido, Não traga animais, Evite fofocas e conversas de futilidades, afinal terreiro não é clube, tomadas fotográficas e filmagens somente com a DEVIDA AUTORIZAÇÃO DOS DIRIGENTES DA CASA.

Precisamos sair da passividade e assumir uma postura mais centrada e inteligente para fazer da nossa Umbanda uma religião de respeito. Clareza e verdade é bom pra todo mundo e disciplina, ao contrário do que muita gente pensa, não é escravidão, é liberdade!

Axé Irmãos!



SALVE OXALÁ!

Oxalá Orixá masculino, de origem Ioruba (nagô) bastante cultuado no Brasil, onde costuma ser considerado a divindade mais importante do panteão africano. Na África é cultuado com o nome de Obatalá. Quando porém os negros vieram para cá, como mão-de-obra escrava na agricultura, trouxeram consigo, além do nome do Orixá, uma outra forma de a ele se referirem, Orixalá, que significa, orixá dos orixás. Numa versão contraída, o nome que se acabou popularizando, é OXALÁ.

Esta relação de importância advém de a organização de divindades africanas ser uma maneira simbólica de se codificar as regras do comportamento. Nos preceitos, estão todas as matrizes básicas da organização familiar e tribal, das atitudes possíveis, dos diversos caminhos para uma mesma questão.

Para um mesmo problema, orixás diferentes propõem respostas diferentes - e raramente há um acordo social no sentido de estabelecer uma das saídas como correta e a outra não. A jurisprudência africana nesse sentido prefere conviver com os opostos, estabelecendo, no máximo, que, perante um impasse, Ogum faz isso, Iansã faz aquilo, por exemplo. Assim, Oxalá não tem mais poderes que os outros nem é hierarquicamente superior, mas merece o respeito de todos por representar o patriarca, o chefe da família. Cada membro da família tem suas funções e o direito de se inter-relacionar de igual para igual com todos os outros membros, o que as lendas dos Orixás confirmam através da independência que cada um mantém em relação aos outros. Oxalá, porém, é o que traz consigo a memória de outros tempos, as soluções já encontradas no passado para casos semelhantes, merecendo, portanto, o respeito de todos numa sociedade que cultuava ativamente seus ancestrais.

Ele representa o conhecimento empírico, neste caso colocado acima do conhecimento especializado que cada Orixá pode apresentar: Ossâim, a liturgia; Oxóssi, a caça; Ogum, a metalurgia; Oxum, a maternidade; Iemanjá, a educação; Omolu, a medicina - e assim por diante. Se por este lado, Oxalá merece mais destaque, o considerá-lo superior aos outros (o que não está implícito como poder, mas sim merecimento de respeito ao título de Orixalá) veio da colonização européia. Os jesuítas tentavam introduzir os negros nos cultos católicos, passo considerado decisivo para os mentores e ideólogos que tentavam adaptá-los à sociedade onde eram obrigados a viver, baseada em códigos a eles completamente estranhos. A repressão pura e simples era muito eficiente nestes casos, mas não bastava. Eram constantes as revoltas. Em alguns casos, perceberam que o sincretismo era a melhor saída, e tentaram convencer os negros que seus Orixás também tinham espaço na cultura branca, que as entidades eram praticamente as mesmas, apenas com outros nomes.

Alguns escravos neles acreditaram. Outros se aproveitaram da quase obrigatoriedade da prática dos cultos católicos, para, ao realizá-los, efetivarem verdadeiros cultos de Umbanda, apenas mascarados pela religião oficial do colonizador. Esclarecida esta questão, não negamos as funções únicas e importantíssimas de Oxalá perante a mitologia ioruba. É o princípio gerador em potencial, o responsável pela existência de todos os seres do céu e da terra.

É o que permite a concepção no sentido masculino do termo. Sua cor é o branco, porque ela é a soma de todas as cores. Por causa de Oxalá a cor branca esta associada ao candomblé e aos cultos afro-brasileiros em geral, e não importa qual o santo cultuado num terreiro, nem o Orixá de cabeça de cada filho de santo, é comum que se vistam de branco, prestando homenagem ao Pai de todos os Orixás e dos seres humanos. Se essa mesma, gostar e quiser usar roupas com as cores do seu ELEDÁ (primeiro Orixá de cabeça) e dos seus AJUNTÓ (adjutores auxiliares do Orixá de cabeça) não terá problema algum, apenas dependendo da orientação da cúpula espiritual dirigente do terreiro. Segundo as lendas, Oxalá é o pai de todos os Orixás, excetuando-se Logunedé, que é filho de Oxóssi e Oxum, e Iemanjá que tem uma filiação controvertida, sendo mais citados Odudua e Olokum como seus pais, mas efetivamente Oxalá nunca foi apontado como seu pai.

O seu campo de atuação preferencial é a religiosidade dos seres, aos quais ele envia o tempo todo suas vibrações estimuladoras da fé individual e suas irradiações geradoras de sentimentos de religiosidade. Fé! Eis o que melhor define o Orixá Oxalá. Sim, amamos irmãos na fé em Oxalá. O nosso amado Pai da Umbanda é o Orixá irradiador da fé em nível planetário e multidimensional. Oxalá é sinônimo de fé.

Ele é o Trono da Fé que, assentado na Coroa Divina, irradia a fé em todos os sentidos e a todos os seres. Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana.

No Candomblé, Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô. A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira. Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações.

A vibração de Oxalá habita em cada um de nós, e em toda parte de nosso corpo, porém velada pela nossa imperfeição, pelo nosso grau de evolução. É o Cristo interior, e, ao mesmo tempo, cósmico e universal; O que jamais deixou sem resposta ou sem consolo um só coração humano, cujo apelo chegasse até ele. O que procura, no seio da humanidade, homens capazes de ouvir a voz da sabedoria e que possam responder-lhe, quando pedir mensageiros para transmitir ao seu rebanho: "Estou aqui; enviai-Me". Oxalá é Jesus ? A imagem de Jesus Cristo é figura obrigatoriamente em lugar de honra em todos os Centros, Terreiros ou Tendas de Umbanda, em local elevado, geralmente destacada com iluminação intencionalmente preparada, de modo a conformar uma espécie de aura de luz difusa à sua volta.

Homenageia-se Oxalá na representação daquele que foi o "filho dileto de Deus entre os homens"; entretanto, permanece, no íntimo desse sincretismo, a herança da tradição africana: "Jesus foi um enviado; foi carne, nasceu, viveu e morreu entre os homens"; Oxalá coexistiu com a formação do mundo; Oxalá já era antes de que Jesus o fosse. Oxalá, assim como Jesus, proporciona aos filhos a melhor forma de praticar a caridade, isto é, dando com a direita para, com a esquerda, receberem na eternidade e assim poderem trilhar o caminho da luz que os conduzirá ao seu Divino Mestre.



domingo, 23 de janeiro de 2022

OXUM"

É destemida diante das dificuldades enfrentadas pelos seus. Ela usa sua sensualidade para salvar sua comunidade da morte. Dança com seus lenços e o mel, seduzindo Ogum até que ele volte a produzir os instrumentos para a agricultura. Assim a cidade fica livre da fome e miséria. Oxum enfrenta o perigo quando Olodumare, Deus supremo, ofendido pela rebeldia dos orixás, prende a chuva no orum (Céu), deixando que a seca e a fome se abatam sobre o aiê (a Terra). Transformada em pavão, Oxum voa até o deus maior, para suplicar ajuda. Mesmo tornando-se abutre pelo calor do sol, que queima-lhe, enegrecendo as penas, ela alcança a casa de Olodumare. Indignada por se perceber excluída da reunião de orixás masculinos, Oxum torna estéreis todas as mulheres até que ela seja convidada para o encontro.


Uma demonstração de que com ela é assim: bateu, levou. Não tolera o que considera injusto e adora uma pirraça. Da beleza à destreza, da fragilidade à força, com toque feminino de bondade, é assim o jeito dessa deusa-heroína. Sensível à condição de fraqueza, Oxum se dispõe a aliviar o sofrimento alheio. Assim ela o faz quando Oxalá tem seu cajado jogado ao mar e a perna ferida por Iansã. Oxum vem para ajudar o velho, curando-o e recuperando seu pertence. Ela é adorada por Oxalá. A deusa do amor parte com um ebó até Olodumare, para que não haja mais seca na Terra. No caminho ela não hesita em repartir os ingredientes da oferenda com o velho Obatalá e as crianças que encontra, e mesmo assim alcança seu objetivo pela comoção de Olodumare. Com grande compaixão, Oxum intercede junto a Olodumaré para que ele ressuscite Obaluaiê, em troca do doce mel da bela orixá. E ela garante a vida alheia também ao acolher a princesa Ala, grávida, jogada ao rio por seu pai. Oxum cuida da recém-nascida, a querida Oiá.

Com suas jóias, espelhos e roupas finas, Oxum satisfaz seu gosto pelo luxo. Ambiciosa, ela é capaz de geniais estratagemas para conseguir êxito na vida. Vai à frente da casa de Oxalá e lá começa a fazer escândalo, caluniando-o aos berros, até receber dele a fortuna desejada para então calar-se. E assim Oxum torna-se "senhora de tanta riqueza como nenhuma outra Yabá (Orixá femíneo) jamais o fora".

Conta-nos uma lenda, que Oxum queria muito aprender os segredos e mistérios da arte da adivinhação, para tanto, foi procurar Bará. Bará, muito matreiro, falou à Oxum que lhe ensinaria os segredos da adivinhação, mas para tanto, ficaria Oxum sobre os domínios de Bará durante sete anos, passando, lavando e arrumando a casa do mesmo, em troca ele a ensinaria.

E, assim foi feito, durante sete anos Oxum foi aprendendo a arte da adivinhação que Bará lhe ensinará e consequentemente, cumprindo seu acordo de ajudar nos afazeres domésticos na casa de Bará. Findando os sete anos, Oxum e Bará, tinham se apegado bastante pela convivência em comum, e Oxum resolveu ficar em companhia desse Orixá. Em um belo dia, Xangô que passava pelas propriedades de Bará, avistou aquela linda donzela que penteava seus lindos cabelos a margem de um rio e de pronto agrado, foi declarar sua grande admiração para com Oxum. Foi-se a tal ponto que Xangô, viu-se completamente apaixonado por aquela linda mulher, e perguntou se não gostaria de morar em sua companhia em seu lindo castelo na cidade de Oyó. Oxum rejeitou o convite, pois lhe fazia muito bem a companhia de Bará. Xangô então irritado e contrariado, sequestrou Oxum e levou-a em sua companhia, aprisionando-a na masmorra de seu castelo. Bará, logo de imediato sentiu a falta de sua companheira e saiu a procurar, por todas as regiões, pelos quatro cantos do mundo sua doce pupila de anos de convivência. Chegando nas terras de Xangô, Bará foi surpreendido por um canto triste e melancólico que vinha da direção do palácio do Rei de Oyó, da mais alta torre. 

Lá estava Oxum, triste e a chorar por sua prisão e permanência na cidade do Rei. Bará, esperto e matreiro, procurou a ajuda de Òrùnmílá, que de pronto agrado lhe cedeu uma poção de transformação para Oxum desvencilhar-se dos domínios de Xangô. Bará, através da magia pode fazer chegar as mãos de sua companheira a tal poção. Oxum tomou de um só gole a poção mágica e transformou-se em uma linda pomba dourada, que voou e pode então retornar em companhia de Bará para sua morada.

Logo que todos os Orixás chegaram à terra, organizavam reuniões das quais mulheres não podiam participar. Oxum, revoltada por não poder participar das reuniões e das deliberações, resolve mostrar seu poder e sua importância tornando estéreis todas as mulheres, secando as fontes, tornando assim a terra improdutiva. Olodumaré foi procurado pelos Orixás que lhe explicaram que tudo ia mal na terra, apesar de tudo que faziam e deliberavam nas reuniões. 

Olodumaré perguntou a eles se Oxum participava das reuniões, foi quando os Orixás lhe disseram que não. Explicou-lhes então, que sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nada iria dar certo. Os Orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos e reuniões, e depois de muita insistência, Oxum resolve aceitar. Imediatamente as mulheres tornaram-se fecundas e todos os empreendimentos e projetos obtiveram resultados positivos. Oxum é chamada Iyalodê (Iyáláòde), título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre as mulheres da cidade.

A vontade de conhecer os segredos do destino faz com que Oxum, esperta que é, coloque seu poder de atração sexual em acordos para esse fim. Ela é especialista no toma-lá-dá-cá. É desse modo que aprende a arte da adivinhação com Exu, e as roupas de Obatalá, e as vestes do "Senhor do Pano Branco" pelo segredo do Ifá. Assim Oxum se torna senhora do jogo de búzios. Beleza, agilidade e astúcia são ingredientes do sucesso deste orixá.

No amor Oxum é ardorosa, de tão formosa e quente que é. Oxum luta para conquistar o amor de Xangô e quando o consegue é capaz de gastar toda sua riqueza para manter seu amado. Ela livra seu querido Oxósse do perigo e entrega-lhe riqueza e poder para que se torne Alaketu, o rei da cidade de Ketu. Oxum provoca disputa acirrada entre dois irmãos por seu amor: Xangô e Ogum, ambos guerreiros famosos e poderosos, o tipo preferido por ela. Xangô é seu marido, mas independente disso, se um dos dois irmãos não a trata bem, o outro se sente no direito de intervir e conquistá-la. Afinal Oxum quer ser amada e todos sabem que ela deve ser tratada como uma rainha, ou seja, com roupas finas, jóias e boa comida, tudo a seu gosto.

A beleza é o maior trunfo do orixá do amor. Como esposa de Xangô, ao lado de Obá e Oiá, Oxum é a preferida e está sempre atenta para manter-se a mais amada. Ela adora enganar Obá. Oxum induz Obá a cortar a própria orelha para cozinhar e servir para Xangô, dizendo ser o prato preferido do marido, que na verdade fica enojado e enfurecido. Ela também engana Eleguá que, a serviço de Obá para fazer um sacrifício, corta erradamente o rabo do cavalo de Xangô. Outra vez Obá queria agradar seu marido, mas acaba odiada por ele. Oxum definitivamente quer o fracasso de quem considera rival. Foi de Oxum a delicada missão dada por Olodumare de religar o orum (o céu) ao aiê (a terra) quando da separação destes pela displicência dos homens. Tamanho foi o aborrecimento dos orixás em não poder mais conviver com os humanos que Oxum veio ao aiê (a terra) prepará-los para receber os deuses em seus corpos.

Juntou as mulheres, banhou-as com ervas, raspou e adornou suas cabeças com pena de ecodidé (pena de um pássaro sagrado), enfeitou seus colos com fios de contas coloridas, seus pulsos com idés (pulseiras), enfim as fez belas e prontas para receberem os orixás. E eles vieram. Dançaram e dançaram ao som dos atabaques e xequerês. Para alegria dos orixás e dos humanos estava inventado o Candomblé. Os mitos da Oxum mostram o quão múltipla é sua personalidade.



JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...