terça-feira, 22 de agosto de 2023

ANO NOVO, VELHOS HÁBITOS!

Existem diversas superstições acerca da virada do ano. Tem gente que usa branco, tem gente que associa cores das roupas aos desejos e expectativas, tem gente que come lentilha, uva, romã, tem gente que pula 7 ondas, que joga alfazema e rosas brancas no mar. No Brasil, o que não nos faltam são crenças e ritos de passagem marcantes. Porém, o que muito já sabe, mas que se finge não saber, é que a maioria dessas crenças é oriunda das religiões afro-brasileiras. Todo mundo ama falar do mar de Yemanjá e saudá-la como Rainha e figura mais importante do sincretismo existente entre as religiões cristãs e afro. Todo mundo é batizado na Igreja, mas tem uma seiva de alfazema no banheiro de casa, que é utilizada para atrair bons fluidos, boas energias e prosperidade, além de associar o banho de mar à limpeza espiritual, principalmente na passagem do ano.

Parte dessas crenças vem da Umbanda e Candomblé, em que na década de 70, rituais eram vistos na última noite do ano nas praias do litoral do Rio de Janeiro, e os membros dessas religiões vestiam branco, cor que é remetida à herança do período da escravidão. Na época dos grandes engenhos e plantações, as roupas utilizadas pelas pessoas escravizadas eram as mesmas utilizadas em seus rituais religiosos, ou seja, os turbantes brancos, as saias rodadas brancas, as calças, mesmas vestes nos trabalhos da Casa Grande. Isso foi se adequando e sendo ressignificado ao longo do tempo, mas a cor branca também tem essa relação de acessibilidade ao que era possível ser feito na época, visto que todos os rituais tiveram que sofrer adaptações e resistir às proibições e desumanidades feitas pela sociedade escravocrata.

Os sete pedidos e sete ondas relacionam-se também à Umbanda, religião que possui 7 linhas de trabalho ligadas às divindades e entidades cultuadas, e para cada uva comida ou onda pulada, há o pedido a cada uma dessas sete linhas. Ou seja, seria mais fácil se o sincretismo atuasse de maneira agregadora, porém, a nossa herança violenta não permite que ele seja ressignificado e repensado na sociedade como uma incorporação de hábitos culturais. A mesma pessoa que veste branco e faz pedidos à beira-mar, é a mesma que faz o sinal da cruz ao passar por uma encruzilhada com os ebós para Exu, ou que associa as religiões afro-brasileiras ao negativo, ruim, mau.

Quando eu falo que não conheço o santo católico A ou B, ou que não me interesso por determinadas orações católicas, ou quando afirmo que não irei batizar meu filho no catolicismo, sou alvo de muitas críticas, olhares, inclusive já ouvi que estava reproduzindo o preconceito que tanto me esforço para combater em relação à minha religião. A grande diferença nisso tudo é que a origem do batismo católico é a imposição, a destruição de inúmeras culturas, a ameaça à cidadania, e isso não é um exagero meu, isso é História. A diferença é que não expor apoio às religiões afro, quando se utilizam de tantos dos seus rituais, é ser conivente com a perpetuação da violência a essas religiões. Por que esses simpatizantes têm vergonha em dizer que já procurou uma cartomante, uma mãe de santo, que já tomou uma limpeza no Candomblé, que já fez ebó, mas não sentem vergonha em falar que são batizados numa Igreja cujo alicerce foi feito com escravidão, violência e estupro?

A crítica pela crítica, para mim, não constrói. A culpa não é do catolicismo, protestantismo, espiritismo etc. As religiões não devem ser culpadas pela conduta de seus religiosos, mas é necessário refletir em como, realmente, respeitar os caminhos e escolhas que não são suas. O Candomblé e a Umbanda não são religiões fechadas e exclusivas a seus membros, mas, é necessário que essa rede de curiosos que acredita apoiar e ter afinidades com a religião, mesmo sem adentrar, de fato, em sua ritualística, assuma e saia em defesa nos momentos em que o silêncio ecoa diante de uma agressão a essas manifestações religiosas.

Lembrem-se que o silêncio é uma arma poderosa para o bem e para o mal. Silenciar diante de uma situação de injustiça, de violência, de descaso, é estar de acordo com o opressor. O medo da fala é o mesmo medo que mata todos os dias os sonhos, os corpos, é o medo que oprime, que cala e que destrói a coletividade, a diversidade em nossas vidas. Pensem nisso, construam novos hábitos a cada ano, e incorporem o sincretismo de maneira real, justa e colaborativa. O silêncio é ouro, mas é a atitude que necessita reluzir.

Axé!



O PERFIL DE CADA SIGNO

Saiba tudo sobre o perfil de cada signo, suas características, seus gostos, sua personalidade, o que lhe suscita interesse, e muito mais…

ÁRIES

21 de Março - 20 de Abril

Planeta regente: Marte.

Primeiro signo do Zodíaco, Áries simboliza o começo de tudo. É o signo dos inícios, que projeta no tempo presente, com sua enorme pulsação de vida, a ideia ou o desejo. Áries simboliza o momento do nascimento e a luta pela vida. É lutando que se conquista algo e Áries gosta de uma boa briga, em que possa concentrar toda a sua fé e sua mente.

A força do instinto, que abre caminho entre as dificuldades, movida apenas pela vontade de se impor. Diante da ponderação, Áries dá de ombros: o que importa é o entusiasmo do combate por algo que precisa acontecer. Daí, o estouvamento, a impaciência, a afirmação de um desejo independente, que não obedece a regras e a recusa à classificação.

Apesar de extrovertido e um tanto precipitado, Áries é um pioneiro, um visionário que respeita o que sente. Em algum campo da vida, o Áries tem de se projetar, impor na vida o fogo que inspira sua vida, e para sentir que está vivo, é capaz de remar contra todas as correntes.

É por isso que este é um signo que poucas vezes se curva às vontades alheias, às considerações de adequação - isso pode se manifestar na firmeza de convicções e na independência de comportamento. A mentira o desconcerta e a hipocrisia o confunde. Um objetivo pelo qual lutar confere esperança e ânimo a este ser decidido que almeja o arrebatamento em todos os campos da vida.

Na saúde, Áries rege a cabeça e o cérebro. Neste, existe um centro de energia (chakra= círculo ou centro) relacionado com Áries, que é o do poder que vem da certeza de que se é alguém, de que a pessoa existe no mundo. É comum encontrar um Áries brigando anos a fio com ataques de enxaqueca ou dores de cabeça, quase sempre motivadas pela frustração de um desejo, ou porque teve de se forçar a andar no ritmo de outras pessoas - seja no trabalho ou em outro campo. As febres altas, as doenças agudas - tudo o que exige intervenção rápida e esquenta é do domínio de Áries.

Áries fica mais feliz nas profissões de risco, em que precise comandar e sair à frente, controlando seu próprio tempo e a maneira de cumprir sua agenda. Como o princípio fundamental de Áries é a ação imediata que obedece ao impulso, sem maiores considerações, é fácil compreender porque é tão difícil para ele controlar seu próprio jeito de agir, submetendo-se às ordens alheias.

No amor, é emotivo e impulsivo, não despreza o romantismo da conquista amorosa, mas não gosta de esperar. Não é de meias palavras. Segue reto e adiante em busca do objeto de desejo - como em outros campos da vida.

É no amor e na amizade que Áries demonstra toda a sua generosa disposição de vida, sendo capaz de ir até o fim do mundo para demonstrar seus sentimentos, e enfrentar a opinião de toda a comunidade para ter o que deseja. Porém, como em outros campos da existência, sofre de um excesso de candura e inocência. O impulso do desejo cega a sua visão, e ele pode se confundir a respeito de quem ama. O resultado é a decepção - e aí Áries se entrega a um sentimento de profundo desânimo e melancolia, tornando-se caótico, agressivo e furioso.

Seu elemento é o Fogo, sua pedra é o rubi e a granada, seu metal é o ferro, sua cor é o vermelho e branco e todas as cores do Sol quando surge na manhã.


TOURO

21 de Abril - 20 de Maio

Planeta regente: Vênus.

Segundo signo do Zodíaco, Touro tem a função de estabilizar as conquistas e os caminhos abertos por Áries, e por isso mantém os pés bem firmes na terra, aguentando com paciência o que muitos outros abandonam pela metade.

Quer uma vida simples, que pode chegar ao conformismo, pois é um signo um tanto preguiçoso na hora de mudar. É ele quem tem o papel de concentrar, nas realizações terrenas, todo o impulso e o desejo iniciados por Áries. Para fazer isso, só mesmo sendo muito ligado nas coisas da terra - um ser sensual por excelência, Touro compreende a beleza, aspira a ela e tem a obstinação necessária para superar todos os entraves à realização, no mundo concreto, de uma idéia, projeto ou inspiração. Daí, Touro torna-se teimoso, turrão, tem de levar à frente um projeto, de qualquer jeito.

É fácil compreender que, se o objetivo básico do Touro é realização e consolidação, é só a partir do valor que reconhece em algo que se torna capaz de se esforçar para realizá-lo. Daí que a palavra "valor" é mágica para Touro. Sem vislumbrar o valor de um projeto, ele pouco se anima a sair de sua posição. Essa necessidade de descobrir o valor de tudo está na base de sua preferência amorosa, profissional e existencial. Mas quando percebe o valor de algo - e isso implica em fazer uma escolha entre mil outras possibilidades - daí vai até o fim.

Para fazer isso, precisa ter um apuro e um refinamento com a natureza, uma intimidade com as formas da realidade que o torna alguém que conhece os meios corretos para tornar o que faz digno da admiração alheio. Confiável e sólido, sabe fazer frutificar algo belo. Uma das características do Touro é ter "boa mão para plantar", um dos indícios evidentes de um dom que pode se manifestar em muitas outras áreas de sua vida.

Na saúde, Touro rege a garganta e a tireoide. A garganta está relacionada com um centro de energia (chakra = centro) de sentimento, responsável pela aceitação e assimilação da expressão e do valor (pessoal), dois temas básicos do Touro, este signo da expressão artística e dos valores - material e imaterial.

Sem sentir que tem algum valor ou que pode expressar-se de maneira criativa, Touro adoece. Também é um centro de energia relacionado com o sentido do eu dentro da sociedade e da profissão que adotamos, o valor que damos ao que fazemos e a nossa capacidade de gerar valor com ele. Por isso, distúrbios nesses setores podem provocar alterações nessas áreas, até mesmo de quem não nasceu com o signo solar em Touro, mas possui o Ascendente ou a Lua posicionados ali.

Por ser um realizador muito firme, Touro se dá bem nas profissões artísticas (em todos os setores), naquelas em que se dedica à produção e à manutenção de um organismo ou sistema e nas profissões em que um trabalho imenso precisa ser feito. Ao contrário de Áries, prefere o conhecido, não gosta de se arriscar no desconhecido.

No amor, é sensual e pacífico, prefere usufruir o bem-estar dos sentidos, ao invés de se lançar em aventuras desconhecidas. Para Touro, a sensualidade dá o tom maior, e por isso busca as relações estáveis, que atravessem o tempo sem grandes complicações. Forte e sensível, é aquele amigo fiel que sempre tem uma observação realista e sabe cuidar muito bem das pessoas queridas.

Seu elemento é a Terra, sua pedra é a safira e o lápis-lázuli, seu metal é o cobre, sua cor é a da terra e o ocre, os tons de bege e cru, bem naturais, mas também o azul.


GÉMEOS

21 de Maio - 20 de Junho

Planeta regente: Mercúrio.

Terceiro signo do Zodíaco, a função básica de Gêmeos é disseminar e difundir o que Touro criou e consolidou a partir do impulso de Áries. O movimento da criação de algo passa sempre, no Zodíaco, por um processo trifásico, ou seja: um signo manifesta um impulso, em seguida outro a estabiliza e concentra e em seguida um outro a distribui, dissemina para que outro processo tenha início.

Aqui, temos a conclusão do primeiro processo trifásico da ordem universal. Em Gêmeos, tudo já foi manifestado e trata-se agora de espalhar a notícia de que algo existe. Ou, em outras palavras, é chegado o momento de entrar em contato com o meio em que o que foi criado se manifestou. Neste contato com o meio, algo necessariamente irá mudar, se alterar, se transformar, para dar início a um novo impulso, que terá lugar em Câncer.

Então, Gêmeos chega para levar a notícia, para informar a todos de algo novo que foi criado e que agora existe. Por isso, Gêmeos não existe para consolidar, nem para impor nenhum desejo. Ele tem a curiosidade e a maleabilidade necessárias para fazer com que aquilo que foi criado e manifestado entre em contato com um todo maior, o meio. Daí a relação de Gêmeos com a notícia, a informação, a variedade, a troca, em uma palavra. O que entra e o que sai de qualquer organismo é função de Gêmeos. Tudo é movimento, nada é constância.

Quem nasceu para levar e trazer notícias e informações não pode carregar um fardo pesado que o imobilize, assim Gêmeos é: agente de ligação, repórter da vida, chefe do intercâmbio, aprendiz de tudo, falante de muitas línguas, mestre da mágica de convencer pela palavra. Isso também tem sua contrapartida na vida de Gêmeos: é duro ter de se conformar com alguns poucos caminhos, pois as opções são tantas e tão ricas. Os destinos podem ser tantos, a vida é um jogo de relacionamentos, excitante e cheia de aventura.

A distração e a dispersão se tornam os maiores problemas na vida de Gêmeos.

Na saúde, Gêmeos rege os pulmões, os braços e as mãos, o que é óbvio, pois são órgãos de troca com o meio (os primeiros) e de locomoção (os outros dois). As afecções pulmonares se relacionam com as funções geminianas - o ar é o elemento que representa o pensamento, e a falta de troca de ideias pode provocar tantos preconceitos que afoga a pessoa em tristezas porque ela não enxerga mais de um ponto de vista.

As mãos e os braços apresentam problemas quando se tornam veículos que não promovem a comunicação e sim a mera repetição de atos sem sentido claro.

Na profissão, Gêmeos se destaca em todas elas que exigem alto grau de informação, variedade e troca de conhecimento com outras pessoas. Gêmeos é o jornalista, mas também o comerciante que convence pela palavra, assim também os tradutores de qualquer língua (até da linguagem da astrologia!) e os filósofos e matemáticos.

No amor, é a variedade e a curiosidade que contam, alguém que alimente seu cérebro com informações novas, que promova viagens - intelectuais ou físicas - e que não tenha conta da fidelidade física.

Seu elemento é o Ar, sua pedra é o citrino, o quartzo azul, e a sodalita, seu metal é o mercúrio, sua cor é o azul-turquesa e todas as cores do céu durante a primeira parte do dia.


CANCER

21 de Junho - 22 de Julho

Planeta regente: não é um planeta, mas nosso satélite, a Lua.

Em Câncer, é preciso digerir tudo o que foi feito anteriormente, assentar a criação em uma base firme, integrá-la no ambiente coletivo em que todos vivem para que ela possa ser incorporada, e também deixar suas sementes para um futuro que não se conhece ainda. E exatamente isso é que Câncer faz e assim irá agir na vida: interiorizando o que vive, assentando em sua vida o que aprendeu, criando um apoio para as pessoas que considera iguais - e daí criando o conceito de uma família, ou tribo - onde irá gestar e nutrir, acalentando sonhos, o futuro de toda a coletividade.

Instável como as marés, relacionada a este signo, que está sob a regência da Lua, o astro regente, Câncer se move de acordo com seu instinto de proteção, seu sentimento e suas emoções. Essa internalização é que corresponde ao tipo Câncer, que é sonhador, um pouco tímido, ligado no cuidado da prole, preocupado com o futuro, mas com um olho no passado, um signo de silêncio, de autoproteção, pois a semente precisa estar cercada de cuidados para poder germinar na proteção do escuro, longe dos olhares e dos comentários.

Daí que dizemos que quando um projeto está sendo gestado, é melhor guardar segredo, não expor a notícia ao mundo, aguardando quando ela romper a terra e mostrar seus primeiros galhinhos verdes. Essa é a natureza Câncer. Para cumprir com essa função, de sentir o que é preciso para garantir a gestação, Câncer se torna ou um eterno sonhador, sedentário e apegado demais à pátria, à família ou às tradições, cheio de manias que considera fundamentais, ou se inibe, tornando-se resignado e melancólico.

Este signo inaugura o segundo processo trifásico dentro do ciclo maior de criação do universo, iniciado em Áries. (O primeiro processo trifásico compreende a ação e manifestação da ideia, que vai de Áries a Gêmeos).

Na saúde, Câncer rege os seios - que nutrem e alimentam - e o estômago - que processa o alimento digerido. Este último órgão é relacionado com um centro de energia (chakra=círculo) de sentimento responsável pela percepção do papel da pessoa dentro do universo, que tem direta relação com a germinação de uma semente - é preciso ter certeza de seu papel no todo maior que é o universo. Doenças e distúrbios nessas áreas refletem alterações nessas funções.

Na profissão, Câncer se destaca naquelas em que seu lado sonhador possa ser aproveitado. A história também é um campo privilegiado para Câncer, assim como todas as que se dedicam à proteção: da arquitetura (que projeta formas de proteção à família) até a psicologia (que promove o bem-estar da pessoa com seu mundo interno), passando pela decoração (que propicia o conforto no lar) e a gastronomia (que fortalece o organismo).

No amor, Câncer é o romântico por excelência, sentimental, que gosta da privacidade e dos pequenos momentos passados na companhia de quem ama, apenas sentindo o prazer da companhia. Imaginativo, Câncer sempre procura conservar o que tem e daí pode se tornar possessivo e carente de atenções quando relegado a segundo plano por causa de outros afazeres.

Seu elemento é a Água, sua pedra é o abalone, a madrepérola, a pérola e todas as leitosas e furta-cores, seu metal é a prata, sua cor é o branco-leitoso e o os tons pálidos e lavados do azul, do verde e do cinza.


LEÃO

23 de Julho - 22 de Agosto

Astro regente: Sol.

O quinto signo do zodíaco tem como função básica a fixação da germinação que ocorreu no escuro silencioso e protegido de Câncer, o signo anterior. Leão significa o momento em que os primeiros frutos dão rebentos, uma vez que a semente foi bem plantada. O produto é bom e forte se a semente recebeu o ambiente propício para se fortalecer. Signo fixo, Leão simboliza a força da criação, os primeiros resultados que irrompem, a despeito de todas as dificuldades. Daí a analogia do signo com o desafio e com a autoafirmação.

Desafiar o ambiente externo, que pode ser hostil e inóspito é algo que precisa ser feito com coragem, focalizando apenas o desejo de ser, a despeito de todo o movimento em contrário que possa existir. O Leão é conhecido pela força - até mesmo autoritária e tirânica - com que impõe sua vontade, curvado que é à paixão de realizar seu próprio destino: florescer, frutificar, criar, com toda a nobreza e honra que algo criado possui.

Dizem que o Leão é o rei dos animais e ele bem que simboliza essa qualidade leonina da honra, mas também do amor à prole, pois é signo gregário, que protege a cria - afinal, ele sabe a importância da luta pela vida. Para poder lutar pela sobrevivência e se impor enquanto ser existente, o leão precisa ser centrado em si mesmo, alguém que precisa ser admirado - pela simples razão de existir da melhor maneira.

O Leão é também o educador, aquele que dá o exemplo de si como lição de vida a outros. Apesar de gostar de ser admirado e apreciado, sabe ser magnânimo e dar seu amor. Um temperamento ardente e apaixonado, que precisa ser aceito e para isso explora com maestria suas capacidades, assim é o Leão, que pode até almejar o poder para conseguir ter mais destaque na comunidade. Contudo, irá fazer o melhor para o bem comum.

Na saúde, Leão rege o coração - onde se encontra um centro de energia (chakra=círculo) responsável pelo amor altruísta - os olhos, que têm o conhecimento direto da intuição que move o signo, que é uma característica do Fogo, e o sistema sanguíneo, responsável por levar a vida a todos os órgãos.Afecções nessas áreas sempre identificam dificuldades em dar ou receber amor, por motivos os mais variados, causados por um sentimento de impotência, ou até mesmo problemas na visão, que indicam a incapacidade de ver, ou seja, de seguir a própria intuição. O desânimo diante da rejeição é algo que o leão recebe mal, tornando um dos maiores problemas de saúde para ele, que se torna deprimido e melancólico.

Na profissão, Leão se adapta muito bem às atividades de liderança, risco e desafio, em que possa explorar seus atributos e continuamente se superar. A educação também lhe cai bem, pois é um mestre nato, que só ensina o que pratica e só compreende a educação como uma forma de desenvolver as habilidades de cada pessoa ao máximo. Por ser um signo fixo, movido a intuição, Leão não costuma abandonar a batalha pelo meio, teimando até o fim na sua realização.

No amor, Leão se destaca muito com seu romantismo, dramaticidade e sensualidade. Signo do amor cortês, da conquista e das provas de amor, mais parece um cavaleiro andante quando está amando. Faz de tudo para ser o centro das atenções, mas também trata como uma pessoa especial o ser amado. Galante e possessivo, o que mais o atordoa é a rejeição, o descaso e a frieza.

Seu elemento é o Fogo, sua pedra é o olho-de-tigre, a pirita, o crisólito, seu metal é o ouro, sua cor é o dourado, o amarelo e todos os tons do fogo quando forte.


VIRGEM

23 de Agosto - 22 de Setembro

Astro regente: Mercúrio.

Virgem assinala aquele momento em que o homem, depois de provar seu valor, sua capacidade e seu poder em Leão, percebe que é preciso colocar tudo isso às ordens de um sistema maior, pois vive em comunidade. E mais: que ainda é necessário aprimorar-se, aperfeiçoar o que criou, aceitando humildemente que não sabe nem pode tudo e que faz parte de um organismo maior.

Virgem possui um temperamento instável e nervoso, pois a própria condição de estar atento ao que precisa ser reformulado e reciclado provoca a perpétua sensação de que algo pode ser diferente, melhor, mais adequado. Apesar de poupar esforços e energia, sabe empregar onde é necessário para fazer tudo de forma diferente.

Virgem é o signo que analisa, disseca, e nesse processo, estabelece as relações com o meio em que está. Virgem é o signo do cálculo - que exacerbado leva às considerações calculistas quando inseguro - da engenhosidade, da disciplina e moderação, com pouca espontaneidade na demonstração do que sente ou pensa.Daí o interesse na alimentação, nas dietas, na saúde, medicina.

Sem uma rotina precisa e clara, se perde, tornando-se aflito, nervoso, serviçal - pois tem de encontrar um local onde possa ser útil. O ceticismo, necessário para um bom analista que percebe e observa tudo, marca sua visão de mundo. Por ser assim, a conseqüência lógica é que precisa ser crítico, muito crítico com o mundo, os sistemas e a comunidade em que vive, bem como com as pessoas com quem trabalha ou convive. O problema é que busca a perfeição, que inexiste. E ao perceber que possui falhas e pode ser também criticado, se fecha, se torna suscetível.

Na saúde, Virgem rege o intestino delgado, o órgão responsável pela quebra de moléculas dos alimentos, e a posterior distribuição, "separando o joio do trigo". As afecções desse órgão - como a colite, por exemplo - sempre manifestam um nervosismo e uma preocupação por antecipação que cerca o signo, possibilitando o aparecimento de doenças digestivas, pois possui um temperamento nervoso em que a vida mental prevalece.

Na profissão, Virgem se destaca como um trabalhador fiel, aplicado, que procura dar o melhor de si nas atividades em que seja preciso analisar, usar as mãos - pois tem alta habilidade manual - e a engenhosidade. Dono de uma percepção aguda e senso de observação desenvolvido, Virgem se dá bem em atividades relacionadas com a catalogação, em qualquer setor que seja preciso dar mostras de perspicácia, paciência. Virgem ordena, organiza e também coloca a serviço de um organismo um conhecimento, portanto sabe aplicar muito bem as teorias. A medicina e a veterinária são campos privilegiados, por causa de seus dotes naturais.

No amor, apesar de ter vontade de um relacionamento seguro, este signo sensual (mais do que romântico) é um pouco instável, procura sempre satisfazer sua curiosidade a respeito das pessoas, o que torna a palavra fidelidade um pouco elástica em sua vida. Por ser um signo que preza demais a razão, pouco afeito às demonstrações de afeto e carinho, chega a criticar tanto as pessoas que gosta, no seu afã de melhorá-las, que acaba ferindo quem ama.

Às vezes, a forte emoção descontrola seu poder de análise e critério, deixando-o totalmente à mercê de si mesmo, o que surpreende os que o conhecem pouco.Virgem precisa sempre de palavras de consolo para diminuir sua insegurança e nervosismo permanente, precisando também aprender que um pouco de romantismo aquece qualquer relação.

Seu elemento é a Terra, sua pedra é a turmalina verde, o jaspe e o quartzo esfumado, seu metal é o mercúrio, sua cor é o alaranjado.


LIBRA- BALANÇA

23 de Setembro - 22 de Outubro

Astro regente: Vênus.

O sétimo signo do Zodíaco marca a fronteira entre o mundo individual e particular- que começa em Áries e termina em Virgem - e o início da vida na coletividade, a socialização, o momento em que, após ter se aprimorado, organizado o ritmo da vida, começa a troca com a comunidade maior em que vive.

Libra simboliza o contato com o outro por meio da fluidez, da justiça e do equilíbrio nas relações, em que mais vale a harmonia do relacionamento em si, do que os dotes da pessoa com a qual se relaciona. Como um signo que marca mudança de estação, (cardinal) é um dos que movimentam a vida. Aqui, o movimento é primaveril, no hemisfério sul.

Libra é um signo mental. É hora de florescer, de fazer arte, de equilibrar, daí o esteticismo de Libra, que procura harmonizar até os elementos mais diversos em um todo que não choque, não afete ninguém. Para fazer isso, é preciso julgar, avaliar, e Libra teme o julgamento, daí hesita, pois precisa ser o mais equilibrado e ele pode se enganar.

Libra identifica a natureza sutil, o meio-termo, a complementação, os semitons, a beleza e a justiça, e daí sua inspiração nas artes. O espírito vibra acima da matéria e este signo sociável procura se realizar por meio de sua relação com as pessoas que o cercam. Jovial, simpático, ligado ao mundo e generoso nas causas sociais que abraça, propenso ao acordo, torna-se gracioso e adaptável, buscando o refinamento, ao contrário do signo que se opõe a ele e lhe é complementar, Áries, a força do eu.

Na saúde, Libra rege os rins, um dos filtros mais importantes do organismo.Doenças relacionadas implicam no medo sentimental, que destrói o equilíbrio desse par, pois Libra pensa o mundo em pares.

Na profissão, todas as relacionadas com as artes e a expressão, que possam ser executadas sem competições, pois Libra é frágil na hora de fazer valer seu ponto de vista. Diplomacia e artes plásticas, música e direito, são composições que Libra pode fazer em uma mesma vida, com todo o sucesso.

Sensibilidade e justiça estão entre suas preocupações e ele procura construir uma vida harmoniosa e agradável, onde possa se cercar de gente que entende seus valores e sentimentos. Por causa de seu espírito voltado à associação e à cooperação, e seu senso inato para a arbitragem, pode tornar-se um advogado de valor, principalmente nos assuntos ligados à cultura, às relações externas e à vara de família. Como signo cardinal, prefere viver com rapidez, movimento e detesta a mesmice.

No amor, Libra resplandece. Muito sensível à beleza, inclusive a física, evita a paixão desenfreada, buscando o equilíbrio e para isso forma contratos, propõe acordos, atende e é gentil. Sua natureza calma e sociável é atraída para a vida social, que quer compartilhar com quem elege como parceiro. Libra quer o compromisso e irá fazer de tudo para conseguir isso, mas sempre respeitando seu profundo senso de justiça e igualdade.

Seu elemento é o Ar, sua pedra é a safira, a turquesa, a turmalina rosa e verde, seu metal é o cobre, sua cor é o azul e todos os tons pastéis e profundos, agradáveis ao olhar.


ESCORPIÃO

23 de Outubro - 21 de Novembro

Astro regente: Marte (tradicionalmente) e Plutão (modernamente).

Chega a vez de mais um signo de estabilidade e fixação, desta vez voltado para o relacionamento e seus produtos: o filho, as posses em comum, a criatividade.

A posse e a propriedade - do corpo, do afeto, dos bens - se manifesta com toda a intensidade neste signo que busca o propósito. Escorpião quer saber o final de tudo que foi feito até Libra. Quer conhecer o que está além e não se contenta com as aparências, pois pressente os recursos ainda não manifestos da força conjunta.

Daí, a tremenda capacidade do Escorpião revelar os segredos, traduzir as mensagens subliminares, "reagir com o estômago" a tudo o que ameace a estabilidade e a fixidez necessárias para o cumprimento de um propósito. A atenção fiel que Escorpião dá a seus parceiros é prova disso, como também é a extrema fidelidade - a pior coisa que se pode fazer a ele é a traição.

Dinâmico, administrador de crises, para as quais sempre encontra soluções, detesta perder o controle dos fatos, da realidade, pois confia demais em sua intuição animal. Dizem que escorpião é um signo relacionado ao sexo e à morte e o paralelo é que o sexo em seu ápice é como a pequena morte que marca uma etapa além da qual, todos se transformam. Daí a necessidade de intensidade, de experiências transformadoras, a coragem de enfrentar as perdas e a grande paixão pelas ideias, pessoas ou causas que abraçam, nas quais mergulham até o fim para conseguir sua realização.

Na saúde, Escorpião rege o sistema reprodutivo e excretor, duas funções básicas que desempenha na vida: a reprodução e a criatividade e o corte de tudo o que está apodrecido. Nessa região do corpo está um centro de energia (chakra=círculo) responsável pelo sexo e as afecções aí resultam do desequilíbrio entre a vontade de perpetuar e o medo de liberar, medo de perder a posse.

Nas profissões, Escorpião se destaca como um pesquisador nato, cheio de sagacidade que vai em busca dos mistérios das origens e das finalidades. A cirurgia, porque sabe extirpar os corpos estranhos, a sociologia e a ciência política, porque sabe fazer isso no corpo social, a psicologia porque favorece o mergulho nos mares remotos e infinitos do psiquismo humano. Na administração pública, porque Escorpião sabe gerir os recursos alheios em prol do bem comum, e assim também todas as finanças, pois sabe fazer render a riqueza gerada por outros.

No amor, é a paixão intensa, a sexualidade sagrada, o mergulho de corpo e alma no outro a quem dá a fidelidade e o afeto, embora prefira saber onde pisa. Pode guardar certos segredos, porque no fundo teme perder o controle, mas tem sempre uma força capaz de virar um relacionamento que parece estar no fim para que ganhe nova vida. Nesse sentido, as "dores-de-cotovelo" do Escorpião são terremotos, nos quais afunda com toda a sua alma para depois renascer, mais sábio e mais forte.

Seu elemento é a Água, sua pedra é a granada, seu metal é o ferro, sua cor é o vermelho-sangue e vermelho-arroxeado.


SAGITÁRIO

22 de Novembro - 21 de Dezembro

Astro regente: Júpiter.

Sagitário tem a função de espalhar e acomodar, adaptando as descobertas feitas em Escorpião a um mundo mais amplo, onde a força aglutinada possa ser posta a serviço de uma inspiração, de um rumo social maior.

De todos os signos do Zodíaco, Sagitário é o que mais deseja alargar a visão, sair do mundo fechado e intenso do Escorpião, para ganhar não mais o bairro nem a cidade, mas outro país, outra cultura. Daí, a enorme necessidade, tão natural nesse signo, de viajar, conhecer países e pessoas completamente diferentes do lugar onde nasceu.

Ele precisa testar as verdades do Escorpião, tem que colocar em prática a propaganda do que acredita, ver se a fé em algo invisível realmente pode levá-lo a alcançar patamares melhores e maiores. Assim, Sagitário quer sempre mais - e melhor. E, de quebra, tudo feito com generosidade e alegria, porque ele não deseja guardar apenas para si suas descobertas, mas precisa reparti-las com a comunidade.

Sua natureza é essencialmente propagadora e otimista, as vezes até sem pé nem cabeça. A força da fé, do espírito (é um signo do elemento Fogo) é tanta que o Sagitário pode esquecer do corpo, a não ser quando se dedica aos esportes, pois é um signo gregário que adora fazer algo em grupo.

Sua inteligência se manifesta em todos os campos da vida e sabe se adaptar às circunstâncias mais inóspitas, sempre mantendo o pensamento firme num amanhã melhor. A tal ponto que acaba dispersando suas energias em projetos mirabolantes que jamais se concretizam, o que depois faz com que Sagitário se torne melancólico porque descobre que o mundo não é aquele lugar de sonho que imaginava.

É um signo justiceiro, que luta pelos fracos e oprimidos, mas também impõe a lei, gosta de fazer justiça com seu exemplo e seu julgamento. Nas competições, estabelecem estratégias brilhantes - um recurso particularmente importante no esporte.

Na saúde, Sagitário rege as coxas e o fêmur, pois as pernas é que fazem caminhar e ganhar os grandes espaços que as mãos (regidas pelo signo oposto, Gêmeos) não alcançam. O fígado é órgão que antigamente se relacionava ao sentido de expansão na vida, um tema do Sagitário por excelência. Por vezes, Sagitário se descuida do corpo, pois o fogo do entusiasmo é maior que tudo - e depois, exauridos pelos excessos de todas as ordens, pois deseja experimentar mais e mais de tudo, o organismo se desequilibra. Dietas apropriadas servem para restaurar o equilíbrio.

Nas profissões, Sagitário se destaca na propaganda, porque é um divulgador nato, na editoração, pelas mesmas razões, mas também no direito - porque detesta a injustiça. Nos esportes, porque a vida ao ar livre entusiasma e faz bem ao seu enorme vigor. Por outro lado, também as profissões relacionadas com a espiritualidade, a educação formal - Sagitário sabe usufruir o melhor lado do bem-estar social da comunidade e se dá bem na transmissão das informações, mas é legalista e tende a reforma, mais do que à revolução.

No amor, o que importa é explorar, conhecer, saciar a curiosidade, mais do que a estabilidade e a rotina. Sagitário foge da rotina, porque almeja o mundo livre do espírito e com isso vai passando pela vida, colecionando grandes amores, sem contudo se fixar em nenhum. Às vezes pode acontecer, caso existam fatores astrológicos na carta mais estabilizantes, mas é raro. Paixões estremecedoras, grande vontade de viver sonhos, forte sensualidade, e uma fidelidade antes de tudo filosófica, mais do que sexual.

Seu elemento é o Fogo, sua pedra é o berilo e o quartzo verde, seu metal é o estanho, sua cor é o azul-real e o azul-arroxeado e o verde-azulado profundo.


CAPRICORNIO

22 de Dezembro - 20 de Janeiro

Astro regente: Saturno.

Décimo signo do zodíaco, o Capricórnio inaugura uma estação - o verão no hemisfério sul e o inverno no hemisfério norte. Cardinal, portanto movimentador, senhor do tempo e dos grandes projetos, surge o capricórnio, cujo maior objetivo é a construção de algo que almeje o bem maior.

Como todo signo social (acima do horizonte), este é um signo mais devotado ao mundo das relações humanas do que ao mundo interno. Não que Capricórnio seja sociável como o é Libra, ou Sagitário, mas é dedicado ao social na medida em que deseja realizar obras para a posteridade, colocando todo seu potencial a serviço da sociedade, daí seu grande controle pessoal sobre as paixões e sentimentos, essa característica que o torna um tanto frio ou distante aos outros.

Mais do que devotado ao que considera sua obrigação ou tarefa (o melhoramento das pessoas e das estruturas que atendem às necessidades humanas) Capricórnio se reveste de uma grande capacidade de resistir às frustrações, de se submeter às condições mais inóspitas para conseguir realizar um objetivo de longo prazo. Talvez por isso deseje tanto ver o reconhecimento social de seus méritos e de seu esforço.

O trabalho que faz e a segurança que deseja criar são consequências compreensíveis de seu modo de ser leal e determinado. Algumas vezes, Capricórnio parece tranquilo, calmo até demais, mas no fundo um turbilhão pode estar agitando a alma sensível deste signo, cujo glifo é a cabra-peixe, um animal fabuloso que relembra sua ligação com as águas do sentimento ancestral.

Observador, de difícil aproximação, Capricórnio despreza a subserviência, a bajulação e o servilismo. Ao ponto de preferir "morrer de pé" do que ceder ao seu orgulho ferido. Fiel e confiável, sério e responsável, este signo tem lá suas pequenas loucuras, que podem se traduzir de diversas formas.

Na saúde, Capricórnio rege os joelhos, que flexionamos em sinal de respeito ou auto-humilhação diante dos cultos, acenando para o atributo da obediência a uma lei maior, ainda que invisível, que move profundamente o signo. Os ossos e a coluna vertebral - aquilo que simboliza a estrutura do corpo humano, se relaciona ao Capricórnio, pois é da ordem de sua natureza a própria estrutura que mantém outras menores, assim como a coluna pé o que nos coloca de pé, na posição vertical.

Nas profissões, é o signo dos grandes administradores, dos políticos e de todos os que constroem projetos de enorme envergadura social. O Capricórnio está almejando sempre alcançar e permanecer no alto de uma montanha altíssima, onde possa olhar de cima o mundo e sua feira de vaidades, que no fundo despreza.A história e arqueologia, a administração pública, a pesquisa intelectual e acadêmica são preferenciais, pois criam o ambiente mais condizente com seu temperamento mais retirado e solitário. Todas as ciências humanas exercem grande atração para o Capricórnio, que aprende com elas a lidar melhor com os sistemas e estruturas que compõem a sociedade. Mas, em qualquer campo,Capricórnio deseja se destacar como o melhor, o "faixa-preta" em sua área, mesmo pagando um preço alto por isso, como a diminuição do tempo de lazer.

No amor, é um signo controverso. Sensual, gosta de carinho, mas teme quem se aproxima de repente; é fiel e constante e não deseja perder o que conquistou, pois demora muito a abrir seu espaço emocional e se fere com muita facilidade quando enganado em seus bons princípios. Altamente sexualizado, só consegue se expressar em um ambiente de confiança e amor, desprezando os aspectos frívolos da relação. Leva tudo à sério e assim espera ser tratado.

Seu elemento é a Terra, sua pedra é a ágata, o ônix, o diamante, o jaspe e todas as pedras marrons e negras, seu metal é o chumbo, sua cor é o marron e o negro.


AQUÁRIO

21 de Janeiro - 19 de Fevereiro

Astro regente: Saturno (clássico) e Urano (moderno).

Depois de ter construído algo na sociedade, chega a vez de consolidar o conhecimento de tudo o que foi construído para um grande número de pessoas. E assim chegamos, outra vez, ao último signo fixo da sequencia zodiacal, o Aquário, cuja função é encontrar os meios mais racionais para que a maior quantidade possível de pessoas possa, igualmente, usufruir de tudo o que foi criado no Capricórnio.

Além disso, é o signo fixo que usa a racionalidade e confia na mentalidade das pessoas enquanto coletividade, age para essa coletividade muito mais do que em relações interpessoais. Ao contrário do signo oposto, leão, Aquário almeja a fragmentação do poder central e a impessoalidade, a seu ver único jeito de ser justo e racional. Daí, a grande inclinação a incorporar as novidades tecnológicas que possam libertar o ser humano da prisão que as estruturas criaram, pela própria existência.

Amante da humanidade, o Aquário ainda assim é um solitário, que antevê o futuro do que ainda não foi inteiramente criado mas que já pode ser pensado e inventado. Para ousar inventar, precisa ter a mente aberta ao novo, a tudo que significa a mudança de um padrão atual para outro, que ele julga sempre ser melhor.

Signo da produção em série, da moda e das ideologias reformadoras, Aquário trata de igual para igual o mais humilde e ao mais importante membro da sociedade humana, pois percebe em cada um deles a única humanidade que ambos possuem em comum, e em prol da qual é capaz de comprar as brigas mais feias e acabar sofrendo a perseguição dos mais conservadores.

O aquariano acredita no que pode compreender e busca razões até mesmo para as emoções, um campo complicado em sua vida, pois muito distante de seu jeito de encarar a vida. Aquário precisa de espaço para ir e vir, trocando informações, pois é signo de Ar, portanto é sociável. Trata amigavelmente a todos, sem se fiar em ninguém e preza demais sua liberdade, a vida ao ar livre, onde possa exercer sua lógica fria e inovadora, sem estar amarrado às razões afetivas que, ao seu ver, anuviam o julgamento límpido.

Aquário quer ser diferente, mas odeia ser encarado como diferente, quer ser o igual entre os iguais, a tal ponto que pode se tornar errático e autoritário quando não vê esse seu desejo inato ser atendido.

Na saúde, Aquário governa os tornozelos e o sistema nervoso periférico, sendo este o seu ponto de maior vulnerabilidade, pois apesar de adotar um estilo de vida frenético e ousado, nem sempre tempera bem sua necessidade mental com os limites orgânicos, advindo daí alguns desequilíbrios.

Nas profissões, o Aquário está na linha de frente da empresa de montagem de tecnologia de ponta, colocando sua mente aguda a serviço da inovação, antes de mais nada tentando descobrir um jeito de fazer com que o maior número de pessoas tenha acesso as descobertas científicas. Também na política, com suas ideias francamente revolucionárias, que até mesmo podem chocar os mais conservadores, embora preze a democracia enquanto ideal, pois muitas vezes acaba resvalando em uma atitude autoritária e dominadora, cruel até, pois movida pela mente e sem nenhum sentimento.

Apesar de pacífico, o Aquário chega a propor e defender soluções violentas para os problemas sociais. Na melhor das hipóteses, Aquário é um inventor, alguém que está sempre adiante de seu tempo, na moda, na literatura, na política e na história, seus campos privilegiados de auto-realização.

No amor, Aquário ama a liberdade pessoal de ir e vir, não gostando de pessoas dependentes, muito emotivas ou que exijam provas de afeto. No sexo, tudo depende de vários fatores. Há os que só se acendem depois que a identidade intelectual foi acionada, outros para quem isso não importa. Apesar de amarem a autonomia, são capazes de grande fidelidade e devotamento a uma pessoa, quando assim o decidirem. Têm muito pudor e uma certa vergonha até, e não gostam que sua vida intima seja devassada por olhares estranhos. Por serem ousadas e gostarem de novidades, tem sempre uma porta aberta para as aventuras, o que pode impedir um casamento mais conservador.

Seu elemento é o Ar, sua pedra é o quartzo azul e as pedras azuladas, mas também o ônix e o diamante; seu metal é o chumbo e o urânio se diz estar associado a ele também, sua cor é o azul-céu e o negro-azulado.


PEIXES

20 de Fevereiro - 20 de Março

Astro regente: Júpiter(clássico) e Netuno (moderno).

Último signo do Zodíaco, Peixes também é o último da série dos signos mutáveis, aquele que dispersa e distribui tudo o que todos os signos anteriores construíram e criaram no ciclo de manifestação. Assim como ele se dedica ao entendimento geral de tudo, porque sabe que tudo tem um fim, também sabe que está na fronteira de dois mundos. Um mundo que termina, outro que deve começar dentro em pouco. Nesse limiar, Peixes permanece, sentindo e pressentindo o que ainda virá, e o que já foi, tentando ensinar ao mundo a lição de todos somos partes de um mesmo organismo, que não há separação.

No mar de emoções instáveis como o oceano, governado por Peixes, está este signo que acompanha todos os que estão se despedindo de um ciclo, daí sua relação com os internatos, os que saíram do convívio humano, aspirando uma ordem ainda invisível. Os hospitais, onde muitos passam de um plano para outro, também é o lugar relacionado com peixes, assim como os portos, onde se vê ao longe a possibilidade de um mundo que se desconhece, mas que se pressente.

Peixes representa o consequente escapismo, a fuga do mundo, o devaneio e o ar vago, a modéstia e um certo ar de vítima do mundo que às vezes exibe. Com a enorme empatia que sente pelos desfavorecidos, Peixes quer a justiça, mas a divina, pois "seu reino não deste mundo" e ele entra pela porta dos fundos em todas as situações, mas acaba sempre dando seu recado, porque o céu fala por sua boca.

Assim é Peixes, que às vezes é saltimbanco na vida, sem saber muito bem como anda e para onde vai, sempre seguindo com fé sua intuição e sua sensibilidade artística, principalmente musical. Peixes vê com os olhos amplos, fixos no horizonte e pouco lhe interessam os detalhes. "Navegar é preciso" é um lema deste signo, lítico, incompreendido, sentimental ao extremo, capaz das maiores loucuras e das maiores provas de compaixão humana. Almeja o transcendente, como Sagitário ou Escorpião, mas à sua especial maneira - sem fazer alarde, sem querer convencer ninguém, mas com uma força de alma que é conhecido pela sua "reza forte", que cai como uma bênção nas almas aflitas.

Na saúde, Peixes rege os pés, esse órgão que carrega todo o peso do corpo, o fim e o limite, o mais humilde, mas sem o qual não podemos nos locomover. A analogia entre as ordens religiosas dos pés descalços, que demonstram extrema humildade e abandono das vaidades do mundo tem toda a relação com este signo, que também rege o sistema linfático e o centro de energia coronário. É comum ver o Peixes com problemas nos pés - ele não vê direito onde anda, pois seus olhos são os olhos da alma, e os problemas daí decorrentes devem-se á inclinação inata de se desprender deste plano terrestre e alcançar uma dimensão mais espiritual da vida.

Na profissão, o Peixes está onde ninguém mais está: no laboratório de pesquisa física, tentando desvendar o que há mais além do universo conhecido, mas também no mercado, vendendo produtos de origem longínqua, que alargam a visão do consumidor. Mestre da arte mágica, vendedor do bizarro, poeta, cineasta porque almeja outra existência e outra ordem, literato, porque relata a vida e seus sentidos - ou a falta deles - músico e dançarino, santo, louco e médico, religioso ou mestre mais alto de uma ordem secreta espiritual, é aquele que segue com seu passinho os desígnios de um mundo que ainda não nos foi revelado, mas só a ele.

No amor, é o mais lítico e romântico de todos os signos, aquele que dá a vida por quem ama, que se compraz até na dor porque assim quem sabe alcança essa dimensão maior da vida invisível. Peixes deseja tão somente o encontro de almas, mais nada lhe serve e não menos exige. Se contrariado, chora e comove, ao ponto de se tornar a vítima que consegue o que quer graças ao seu poder de sedução, charme e mistério, que exibe sem querer. Por ser romântico, mas instável como o oceano, curioso e explorador, pode não se adaptar muito bem à vida do casamento, mas sua sensualidade e sexualidade, com fortes cargas românticas, o torna um dos amantes mais devotados a quem ama e à sua prole.

Seu elemento é a Água, sua pedra é a água-marinha e a ametista; seu metal é o estanho, sua core variável, do azul ao verde, com todas as tonalidades do oceano.





PRETOS VELHOS SOB OS ASPECTOS HISTÓRICOS

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc.; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros, mercadorias, objetos sem direitos ou alma.


Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França. Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros. Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África.


Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc, os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos, escravos.


No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.


Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.


A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituíam uma parte selecionada da população.


Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos. Em troca de seu trabalho os negros recebiam três “pês”: Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A “macumba” era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto e reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum).


Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea.


A Legião de espíritos chamados “Preto-Velhos” foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África.


Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.


Idosos mesmo, poucos vieram, já que os escravagistas preferiam os jovens e fortes, tanto para resistirem ao trabalho braçal como às exemplificações com o látego. Porém, foi esta minoria o compêndio no qual os incipientes puderam ler e aprender a ciência e sabedoria milenar de seus ancestrais, tais como o conhecimento e emprego de ervas, plantas, raízes, enfim, tudo aquilo que nos dá graciosamente a mãe natureza.


Mesmo contando com a religião, suas cerimônias, cânticos, esses moços logicamente não poderiam resistir à erosão que o grande mestre, o tempo, produz sobre o invólucro carnal, como todos os mortais. Mas a mente não envelhece, apenas amadurece.


Não podendo mais trabalhar duro de sol a sol, constituíram-se a nata da sociedade negra subjugada. Contudo, o peso dos anos é implacavelmente destruidor, como sempre acontece.


O ato final da peça que encarnamos no vale de lágrimas que é o planeta Terra é a morte. Mas eles voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto, utilizados desde tempos imemoriais, manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. Teriam que possuir a essência intrínseca da civilização que se aprimorou após incontáveis anos de vivência.




quinta-feira, 3 de agosto de 2023

A AGONIA NA UMBANDA

O título é forte, mas o momento urge providências.

Recentemente participamos de um debate no fórum da RBU – Rede Brasileira de Umbanda, onde surgiu novamente o assunto do crescimento ou diminuição do número de praticantes da religião umbandista.
Quem é umbandista atuante e não mero frequentador de Terreiros, já teve oportunidade de participar de debates semelhantes sobre esta questão, ou já ouviu de algumas lideranças que “existem milhões de umbandistas no Brasil”.

Quando buscamos dados mais consistentes sobre o número real umbandistas e as informações obtidas não confirmam a afirmação acima, a resposta é que o método utilizado pelo IBGE no censo é errado, ou que existe muito preconceito sobre a religião e as informações são manipuladas, ou que o Umbandista é preconceituoso e se esconde atrás de outras religiões, como a Católica ou o Espiritismo.

Existem aqueles que ainda se comportam como no mito do avestruz que enterra a cabeça no chão quando se sente acuado, não querem saber de nada, se escondem e acham que a Umbanda vai muito bem, que os Orixás cuidam de tudo, que tudo é bobagem, perda de tempo e etc.

Já faz alguns anos que pesquisamos sobre esta questão, em 2002 escrevemos um texto onde fazíamos um levantamento dos dados estatísticos do IBGE de 1991 e 2000.

Em 1991 segundo dados do Censo existiam no Brasil 648.463 pessoas que se diziam praticantes de Umbanda ou Candomblé, já em 2000 este número se reduziu para 571.329 o que mostrava uma redução significante de 11,89% no número dos praticantes.

É interessante registrar que nesta época o número de praticantes do Candomblé era bem inferior ao número de praticantes da Umbanda.
Mesmo com estas informações, que consideramos seguras, técnicas e que servem de base para diversas políticas públicas, nossos irmãos umbandistas continuavam a criticar as informações e defenderem o “mito” de que existiam milhões de umbandistas no Brasil.

É incrível como as pessoas se iludem e possuem resistência a aceitar informações reais, positivas e lógicas.Quando da realização do Censo de 2010 fizemos uma verdadeira campanha com vídeos, textos, e-mails para que os Umbandistas, que por algum motivo, se escondiam atrás de outras religiões que assumissem que eram Umbandistas e não Espíritas ou Católicos.

O resultado do censo 2010 saiu e para nossa decepção, o número de umbandistas continuava a diminuir.

Quando participamos recentemente deste debate no fórum da RBU, fizemos uma pesquisa rápida no Google e localizamos um texto de 2004 do professor Antônio Flávio Pierucci com o título de “Bye bye, Brasil” – o declínio das religiões tradicionais no Censo 2000.

Antônio Flávio Pierucci faleceu em junho de 2012, era sociólogo, professor e chefe do departamento de sociologia da USP, filósofo, autor de vários livros e artigos sobre religião, pesquisador do CEPRAB e secretário geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, ou seja, uma pessoa gabaritada para estudar e falar sobre as informações fornecidas pelo IBGE.

Neste artigo, Pierucci comenta sobre a retração numérica da Umbanda, reproduzimos abaixo um pequeno trecho:

“Nos anos de 1960 era comum nos meios intelectuais, acadêmicos ou não, referir-se à Umbanda como aquela, dentre as religiosidades afro-brasileiras, que parecia ter sido feita de encomenda não só para os negros, mas “para todos os brasileiros”. The Umbanda is for All of Us é o título de um mestrado defendido na Universidade de Wisconsin pela demógrafa e socióloga paulista Maria Stella Ferreira Levy. Isso foi em 1967.

Nesse mesmo ano, precisamente em 1967, o Serviço de Estatística Demográfica, Moral e Política do Ministério da Justiça informava a quem pudesse interessar que o número de umbandistas no Brasil estava na casa dos 240 mil – 240.088, para sermos exatos – e, além disso, mostrava que os brasileiros frequentadores de centros de Umbanda estavam aumentando de forma notável naquela década, quase triplicando, visto que os registros do mesmo órgão para o ano de 1964, só três anos antes, haviam chegado à existência de apenas 93.395 umbandistas.

Pelos estudos de Lísias Nogueira Negrão, especialista no tema, a década seguinte é que assistiria, particularmente no período de 1974 a 1976, “o momento culminante do crescimento da Umbanda”, religião que se queria “afro” porém “para todos”, noutras palavras: étnica e universal.

Desde que surgiu no Rio de Janeiro na década de 1920, e já nas décadas de 1930 e 1940 começava a se disseminar pelo tecido urbano mais moderno do País, o das cidades grandes da região mais desenvolvida, o Sudeste, a Umbanda foi vista como uma religião brasileira; para alguns, a religião que melhor encarnava a tradição sincrética nacional.

A perspectiva da construção de uma identidade nacional esteve sempre à mão entre os intelectuais, pelo menos desde a República, o que desde logo favoreceu toda uma boa vontade com a Umbanda. Afirmativamente afro e marcantemente popular, ela não se fechava etnicamente em sua negritude, mas se oferecia brasileiramente a todos os brasileiros.

Pensava suas raízes como plenamente brasileiras e não simplesmente africanas. E povoava o panteão de deuses africanos, os Orixás, com suas “linhas” de espíritos desencarnados de personagens tipicamente brasileiros: índios, caboclos, baianos, boiadeiros, etc. O africanismo brasileiro em sua forma umbandista desde sempre se apresentou e se representou como uma “mistura típica”, “bem nacional”, de ingredientes de proveniência diversa, porém, resignificados como autóctones.

Isso o imunizou de qualquer pudor de embarcar nas diferentes ondas de nacionalismo cultural que se manifestariam em nossa história republicana a partir dos anos de 1930.

Apesar da incensada “brasilidade” da Umbanda, apesar do desejado impacto demográfico que aos olhos dos estudiosos sua recepção mereceria ter para ela assim consolidar-se no concerto (multi)cultural das religiões em nosso País, ela começou a entrar em refluxo já na década de 1980. É o que informa Lísias Negrão. E desde então, ao que tudo indica, não parou mais de encolher aos poucos, recolhendo-se pouco a pouco, em sua fragilidade e modéstia.

Se analisarmos os números dos três últimos censos demográficos as porcentagens referentes aos principais conjuntos religiosos, comparece neste artigo antes de tudo pela informação agregada que fornece a respeito das religiões afro-brasileiras.

Impactados pelas diminutas cifras com que tanto a Umbanda quanto o Candomblé se mostram no censo 2000, vemos agora que a perda de seguidores no conjunto dos cultos afro-brasileiros é lenta, gradual e contínua nas duas últimas décadas do século XX.

Dos 0,57% de brasileiros que declaravam pertencer à Umbanda ou ao candomblé em 1980, apenas 0,44% o fazem em 1991 e em 2000 ainda menos: 0,34%.

A partir de 1991, quando o IBGE passou a separar a Umbanda do Candomblé, tornou-se possível discernir qual das duas está perdendo terreno: é a Umbanda, que cai de 541.518 em 1991 para 432.001 seguidores em 2000 (uma perda superior a cem mil adeptos), enquanto o Candomblé, no mesmo período cresce de 106.957 para 139.329 participantes (um acréscimo superior a trinta mil adeptos).

Confirmamos pelo artigo do professor Pierucci o que já tínhamos afirmado em 2002, o número oficial de umbandistas vem caindo gradativamente e para nós que somos umbandistas, que sabemos da beleza e da profundidade de conhecimentos e espiritualidade que esta religião possui, não podemos ficar inertes neste momento.

É preciso chamar mais uma vez os verdadeiros umbandistas a reflexão e a uma tomada de posição. Vale destacar, do que foi apresentado acima, alguns questões para reflexão e possível mobilização por partes dos interessados, que neste caso somos todos nós umbandistas.

a) Enquanto o número de adeptos das religiões afro-brasileiras e católica diminui, o número de adeptos das religiões protestantes aumenta, da mesma forma que aumentam o número dos que não possuem religião e dos espíritas. Qual o motivo que estaria afastando as pessoas das religiões ditas afro-brasileiras, neste caso representadas pelo Candomblé e pela Umbanda? O que estaria motivando as pessoas a seguirem os protestantes, os Espíritas ou deixarem de ter uma religião (o que não significa serem ateus). Esta reflexão seria interessante, pois poderíamos encontrar um caminho para estimular novos adeptos à religião de Umbanda e da mesma forma repensarmos algumas características da Umbanda.

b) Outra questão importante é registrar que no último Censo, o número de umbandistas diminuiu, enquanto o número de praticantes do Candomblé teve um pequeno aumento.
Qualquer um percebe que aumentou muito nos últimos anos os chamados Umbandomblés, que infelizmente acabam misturando fundamentos de religiões totalmente diferentes, gerando, em nossa humilde opinião, um monstro sem pés ou cabeças.
Particularmente acreditamos que este pequeno crescimento do número de adeptos do Candomblé foi em função do aumento das casas de Umbandomblé.
O que motivaria uma pessoa que segue uma religião a procurar outra e ainda querer continuar na antiga?
Seria a falta de fé nos seus guias e protetores?
Seria a falta de conhecimento sobre sua religião?
Seriam interesses financeiros, pois todos sabem que na Umbanda somente se pratica o amparo espiritual de forma gratuita, enquanto no Candomblé existem varias formas de cobranças, através de ebós, trabalhos diversos, jogos de búzios, etc.
Em 2007 fizemos uma reunião no Núcleo Mata Verde e recebemos a presença de alguns Babás de Umbanda e Candomblé onde tive a oportunidade de conversar com alguns.

Fiquei estarrecido com o que ouvi. Ao perguntar se o Pai comandava um Terreiro de Umbanda ou de Candomblé recebi de alguns a resposta: Sou de Candomblé mas também “toco” Umbanda. (particularmente não gosto desta expressão “toco Umbanda”)
Ao perguntar qual o motivo de fazer esta mistura respondiam “o povo gosta”, ou outra resposta muito comum, fiquei com alguns problemas e precisei me fortalecer no Candomblé.
Outra resposta muito comum era que “o Santo pediu” para ir para o Candomblé, mas acabei “carregando meu Caboclo e meus Exus” e agora preciso cuidar deles.
Aqui encontramos três questões importantes.

1) Não se deve seguir uma religião porque o povo gosta, da mesma forma que não se segue uma religião para atrair pessoas para cobrar, para viver financeiramente da fé e da carência humana.

Na Umbanda cada Dirigente possui sua profissão, seja ela qual for.
2) É um absurdo você passar por uma fase difícil em sua vida, e neste momento, que você necessita provar a sua fé, no momento que você precisa mostrar sua “firmeza”, você vai procurar outra religião por achar mais forte que a sua e se submeter a outra pessoa.
Lembramos que estamos nos referindo aos Dirigentes de Tendas e Terreiros de Umbanda e não a simples participantes ou médiuns iniciantes.

3) Outra questão absurda é você deixar de ser umbandista, ir para o Candomblé e “levar” seus Guias e protetores, e o pior de tudo, ter que cuidar dos seus guias.
Ora meus irmãos, não somos nós que cuidamos dos nossos guias, são eles é que cuidam de nós.
Com toda certeza esta pessoa que não tem fé na Lei da Umbanda e abandona seus Guias e Protetores, Caboclos e Pretos Velhos, não está levando Guia algum para o Candomblé.
Com toda certeza está “levando” um punhado de obsessores ou Kiumbas, que se fazem passar por Caboclos ou Pretos Velhos. Melhor seria dizer que está sendo conduzida por Kiumbas.

4) Quero tocar em mais uma questão delicada que exige cuidado dos Umbandistas.
Infelizmente existe no meio das religiões Afro-brasileiras, um movimento político que quer a todo custo relacionar a intolerância religiosa com o preconceito racial e também mobilizar os umbandistas para a questão da homossexualidade ou homoafetividade.
São questões sociais importantes, questões ligadas as liberdades individuas que devem ser discutidas, mas de forma adequada, independentes de religião e nunca relacionando a Umbanda com estas questões.
A Umbanda ensina e nos mostra uma vida espiritualizada, universalista, muito acima de questões materiais, de raças ou preferências sexuais.
Com toda certeza, estes movimentos radicais de minorias estão prejudicando, muito mais que ajudando no fortalecimento da Umbanda.

5) A última questão que acho importante para uma reflexão é a independência da Umbanda de outras religiões ditas de “Matriz Africana”.
Particularmente acredito que para fortalecemos a Umbanda é necessário urgentemente buscarmos a nossa individualidade como religião.
Já mencionei acima que existem diferenças enormes entre culto de Nação e Umbanda.

Culto de Nação tem como característica principal a questão cultural, a preservação da cultura africana, a tradição de um povo, dos seus valores, a valorização dos negros, o que deve ser assim e deve ter o apoio de todos nós brasileiros.

Já a Umbanda é uma religião de origem brasileira, universalista, não vinculada a nenhuma raça e aberta a todos.
Trabalhamos com espíritos que se manifestam em falanges de várias nacionalidades e características, e não somente do povo africano.
O próprio conceito de Orixá que é a parcela africana na Umbanda, é interpretado e cultuado na Umbanda de maneira bem diferente do Candomblé ou do culto original africano.

Já passou da hora de termos federações que sejam somente de umbandistas, que se preocupem somente com questões e interesses umbandistas e outras federações que sejam somente de Candomblé ou Nação e que se preocupem com questões que sejam somente do Candomblé.

Não é possível colocar na mesma mesa assuntos de ambas religiões, pois todos sabemos que existem fundamentos totalmente diferentes e com toda a certeza irão contrariar uma ou outra parte.
Em momentos que se façam necessários poderemos juntar forças, mas que cada uma tenha sua individualidade.




JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...