domingo, 25 de agosto de 2019

UMBANDA & ORIXÁS

A Umbanda acredita que os Orixás não tiveram vida corpórea na terra; mas são a representação da energia, força oriunda da natureza, e é tal força que auxilia os seres humanos nas dificuldades do dia a dia. Na Umbanda, os orixás também não incorporam (diferentemente do Candomblé), o que se vê é a manifestação dos Falangeiros dos Orixás, que são os Guias ou Entidades que trabalham sob ordens de um determinado Orixá. Cada pessoa recebe a influência de um Orixá, que será seu protetor por toda a vida.
PRINCIPAIS ORIXÁS DA UMBANDA
Para os principiantes ou simplesmente visitantes, duas dúvidas são bastante recorrentes: “Quantos orixás existem?” e “Quais são os orixás da umbanda?”. Entretanto, para essa pergunta há diversas respostas. Basicamente, existem cinco orixás presentes em todas as correntes de Umbanda, que são: Oxalá, Xangô, Iemanjá, Ogum e Oxossi. Além desses, apresentaremos o perfil e história de mais quatro: Oxum, Iansã, Omulú e Nanã.
OXALÁ
Oxalá é o maior Orixá da Umbanda, estando abaixo apenas de Olorum, Deus Supremo. Foi criado a partir do ar, que havia no início dos tempos, e das primeiras águas, pelo mesmo Deus Supremo, Olorum. Representado por uma estrela de cinco pontas, é sincretizado como Jesus Cristo e representa a paz e a fé. Na umbanda, sua tarefa foi a de criação do ser humano. Ele envia vibrações que estimulam a fé individual, assim como irradiações que geram sentimentos de religiosidade. É aquele que determina o fim da vida de cada ser humano, é o momento de partir em paz. Representa o amor, bondade, pureza espiritual, e tudo aquilo que indica positividade.
FILHOS DE OXALÁ
Os filhos deste orixá são pessoas responsáveis, calmas, tranquilas, até mesmo nos momentos mais difíceis. São pessoas amáveis e pensativas. Marcam sua presença por onde passam, pois possuem a aura de autoridade e poder de Oxalá.

Cores: branco e cristalino
Habitat: praia deserta ou colina
Data comemorativa: 25 de dezembro
Dia da semana: sexta-feira
Ervas: Camomila, Cravo, Coentro, Arruda, Erva Cidreira, dentre outras
Signo: Aquário
Cores da Guia: contas brancas, leitosas ou de cristal
Saudação: Êpa Êpa Babá!
OXUM
Pedras CachoeiraPedras Cachoeira Oxum é a Orixá que domina as mulheres, orixá da fertilidade, do amor e do ouro. Protetora das gestantes e da juventude, é a senhora das águas doces. Representa a beleza e a pureza, a moral e o modelo de mãe. Muitas vezes é evocada em prol da limpeza fluídica dos seguidores e do ambiente dos templos. Segundo a Umbanda, ela é o exemplo de mãe que nunca desampara seus filhos e ajuda a qualquer pessoa.
FILHOS DE OXUM
Os filhos de Oxum amam espelhos (a figura de Oxum carrega um espelho na mão), jóias, ouro e se mostram sempre de forma impecável. Tratam as pessoas com um carinho maternal e são muito sentimentais e românticos. O próprio lar é o lugar preferido dos filhos de Oxum.

Cores: azul ou amarelo ouro
Habitat: cachoeira, rios e lagos
Data comemorativa: 08 de dezembro
Dia da semana: sábado
Ervas: Camomila, Gengibre, Erva Cidreira, dentre outras
Signo: Câncer
Cores da Guia: contas de cristal azul claro
Saudação: Ora iêiê ô!
OGUM
Ogum ClipartOrixá guerreiro, Ogum é aquele que representa todas as batalhas da vida. Representado por São Jorge, é o orixá protetor contra as guerras e contra diversas demandas espirituais; Ogum é a força do movimento. É ele quem protege os seguidores da Umbanda e as pessoas que sofrem perseguições espirituais ou materiais. Ogum também é o senhor das estradas, é a jornada do dia a dia e sua responsabilidade é a manutenção da lei e da ordem.
FILHOS DE OGUM
Os filhos de Ogum geralmente não se mantem fixos em apenas um lugar, portando gostam de viagens, do novo, de mudanças. Apreciam a tecnologia, são curiosos e resistentes. Cheios de vontade, podem ser violentos. Sabem dar respostas de prontidão e tem grande capacidade de concentração. Coragem e franqueza são características absolutas.

Cores: vermelho e branco
Habitat: mata fechada
Data comemorativa: 23 de abril
Dia da semana: terça-feira
Ervas: Aroeira, Como Ninguém Pode, Espada de São Jorge, dentre outras
Signo: Áries
Cores da Guia: contas vermelhas
Saudação: Ogunhê!
IEMANJÁ
Orixá mais popular do Brasil, a rainha do mar é a mãe de todos os Orixás, é o trono feminino da geração, a protetora dos marinheiros, pescadores, das viagens pelo mar, e também sobre toda a flora e fauna marinhas. E além disso, atua no amparo à maternidade, rege de forma absoluta o lar e a família. Dona dos mares e oceanos, águas essas que, através de sua força, tem o papel de devolver vibrações e trabalhos, pois creem que o mar devolve tudo que nele for jogado e vibrado.
FILHOS DE IEMANJÁ
Maternais e impotentes, os filhos de Iemanjá são pessoas dignas, majestosas e fecundas. Não perdoam facilmente uma ofensa, e quando perdoam, nunca esquecem. Com o rigor de uma mãe, às vezes podem parecer arrogantes. Apreciam ambientes confortáveis e mesmo quando pobres, mantem um certo nível de sofisticação em seus lares. Amizade e companheirismo são características fundamentais.

Cores: azul claro, branco e prata
Habitat: calunga grande (mar)
Data comemorativa: 15 de agosto
Dia da semana: sexta-feira
Ervas: Trevo, Pata de Vaca, Erva Quaresma, dentre outras
Signo: Peixes
Cores da Guia: contas brancas e azul claras ou transparentes
Saudação: Odoiá!
XANGÔ
Xangô é o Orixá da justiça e da sabedoria, simboliza a lei de causa e efeito, responsável a dar a quem merece o devido castigo e a vitória aos que foram injustiçados. É quem dá solução às pendências. A maioria dos seguidores que recorrem ao Xangô são os que sofrem de injustiças, perseguições espirituais e materiais. Desse Orixá, emanam também o saber e a autoridade, é o protetor de todos que tem contato com as práticas da lei.
FILHOS DE XANGÔ
Teimosos, impulsivos e conquistadores, os filhos de Xangô dificilmente aceitam opiniões contrárias às suas e estão sempre fazendo seus julgamentos e executando suas leis. São voluntariosos, enérgicos e possuem uma elevada autoestima. São conscientes de sua importância e suas opiniões serão decisivas em qualquer discussão.

Cores: marrom
Habitat: pedreiras, grutas de pedras
Data comemorativa: 30 de setembro
Dia da semana: quarta-feira
Ervas: Folhas de Mangueira, Erva Lírio, Folhas de Limoeira, Folhas de Café, dentre outras
Signo: Leão
Cores da Guia: contas marrons
Saudação: Caô Cabecilê!
IANSÃ
Iansã é a Orixá dos ventos e das tempestades. Rainha dos raios, é responsável pelas transformações e pelo combate à feitiçarias feitas aos seus seguidores. Guerreira, é conhecida também como guardiã dos mortos, pois exerce domínio sobre os eguns. A força de sua magia afasta todas as influências do mal e negativas, pois tem o poder de anular os males e cargas de enfeitiçamento.
FILOS DE IANSÃ
Cores: amarelo-ouro

Habitat: bambuzal
Data comemorativa: 04 de dezembro
Dia da semana: quarta-feira
Ervas: Erva de Santa Bárbara, Cordão de Frade, Açúcena, Folhas de Rosa Branca, dentre outras
Signo: Sagitário
Cores da Guia: contas amarelas
Saudação: Eparrei Oyá!
OXOSSI
Oxossi é o Orixá conhecido como senhor dos caboclos e das matas. É o caçador de almas de homens e dele emana altivez. Encoraja e dá segurança a todos seus seguidores; protetor dos animais, é conhecido por aliar sua grande força com o bom senso. Assim como Ogum, é um lutador, grande guerreiro, está sempre pronto para defender aqueles que se colocam sob sua guarda.
FILHOS DE OXOSSI
Os filhos de Oxossi são pessoas mais fechadas e reservadas. Gostam de apreciar a natureza e geralmente são muito desconfiados, mas quando confiam, são amigos para todos os momentos. São trabalhadores e conseguem manter a mesma expressão, estando felizes ou tristes, pois dificilmente exteriorizam seus sentimentos. São sempre notados, mesmo que não se esforcem para que isso aconteça.

Cores: verde
Habitat: mata fechada
Data comemorativa: 20 de janeiro
Dia da semana: quinta-feira
Ervas: Folhas de Aroeira, Folhas de Samambaia, Folhas de Palmeira, Erva Cidreira, Folhas de Laranjeira, Folhas de Maracujá, Folhas de Abacateiro, dentre outras
Signo: Touro
Cores da Guia: contas verdes
Saudação: Okê Arô!
OMULÚ
Cemitério TúmulosOrixá da saúde, atua sobre os doentes, hospitais e cemitérios. Senhor da morte e das doenças, costuma ser muito temido, porém da mesma forma que traz a doença, ele leva embora também. Muito respeitado, é um orixá exigente e grande feiticeiro. Omulú é a manifestação idosa de Obaluaiê. Os médiuns ao manifestarem a presença de Omulú, se curvam aproximando-se o máximo da terra, do chão. Representa a transformação do ser, morrer para o pequeno e renascer para o grande.
FILHOS DE OMULÚ
Os filhos de Omulú são pessimistas, autodestrutivos, fechados e até desajeitados. Costumam exibir seus sofrimentos e dores. Hipocondríacos, possuem forte resistência e prolongam os esforços. Melancólicos, depressivos e amargos, são pessoa solitárias capazes de desanimar até os mais otimistas, porém às vezes podem ser doces. Acreditam que são os únicos que sofrem e que ninguém os compreende. São lentos, porém firmes como rocha e não apresentam grandes ambições.

Cores: preto e branco
Habitat: calunga pequena (cemitério)
Data comemorativa: 16 de agosto
Dia da semana: segunda-feira
Ervas: Alfazema, Babosa, Coentro, Jenipapo, Musgo, dentre outras
Signo: Capricórnio
Cores da Guia: contas pretas e brancas
Saudação: Atotô!
NANÃ
Orixá mais velho do panteão africano, que nenhuma pesquisa conseguiu identificar suas origens. Dona da alma do fundo dos rios, lama esta que serviu para modelar os homens, é misteriosa e também possui forte relação com a morte; pois é o nascimento, a vida e a morte. Nanã é uma expressão que significa “Mãe” em diversos dialetos na África, portanto, Nanã é a mãe do destino.
FILHOS DE NANÃ
Os filhos de Nanã são calmos, gentis, benevolentes e agem como se tivessem a eternidade toda para tal. Tendem a viver do passado, gostam de crianças e gostam de educar com extrema doçura, assim como as avós. São pessoas que, tanto no aspecto físico como no aspecto psicológico aparentam ter mais idade. São teimosas e às vezes podem ser ranzinzas, porém agem com segurança e equilíbrio.

Cores: roxo
Habitat: calunga pequena (cemitério)
Data comemorativa: 26 de julho
Dia da semana: terça-feira
Ervas: Hortência, Folhas de Samambaia, dentre outras
Signo: Escorpião
Cores da Guia: contas roxas
Saudação: Saluba Nanã!

sábado, 24 de agosto de 2019

PRETOS VELHOS ( HISTÓRIA)

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma. Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França. Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros:
Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc.
Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo financiando as guerras e fazendo dos vencidos escravos.
No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII. Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês. A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro; em quatro séculos, do XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituíam uma parte selecionada da população.
Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três "pês": Pau, Pano e Pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães-do-mato e proprietários.
Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A "macumba" era, e ainda é um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana.
Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi (protegido de Ogum). Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande(escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, do Ventre livre e, enfim, pela Lei Áurea (libertação dos escravos).
OS NOMES DOS PRETOS-VELHOS
Há muita controvérsia sobre o fato de o nome do Preto-Velho ser uma miscelânea de palavras portuguesas e africanas. Voltemos ao passado, na época que cognominamos "A Idade das Trevas" no Brasil, dos feitores e senhores, senzalas e quilombos, sendo os senhores feudais brasileiros católicos ferrenhos (devido à influência portuguesa) não permitiam a seus escravos a liberdade de culto.
Eram obrigados a aprender e praticar os dogmas religiosos dos amos. Porém eles seguiram a velha norma: contra a força não há resistência, só a inteligência vence. Faziam seus rituais às ocultas, deixando que os déspotas em miniatura acreditassem estarem eles doutrinados para o catolicismo, cujas cerimônias assistiam forçados. As crianças escravas recém-nascidas, na época, eram batizadas duas vezes. A primeira, ocultamente, na nação a que pertenciam seus pais, recebendo o nome de acordo com a seita. A segunda vez, na pia batismal católica, sendo esta obrigatória e nela a criança recebia o primeiro nome dado pelo seu senhor, sendo o sobrenome composto de cognome ganho pela Fazenda onde nascera (Ex.: Antônio da Coroa Grande), ou então da região africana de onde vieram (Ex.: Joaquim D'Angola).
O termo "Velho", "Vovô" e "Vovó" é para sinalizar sua experiência, pois quando pensamos em alguém mais velho, como um vovô ou uma vovó subentendemos que essa pessoa já tenha vivido mais tempo, adquirindo assim sabedoria, paciência, compreensão. É baseado nesses fatores que as pessoas mais velhas aconselham. No mundo espiritual é bastante semelhante, a grande característica dessa linha é o conselho. É devido a esse fator que carinhosamente dizemos que são os "Psicólogos da Umbanda". Eis aqui, como exemplo, o nome de alguns Pretos-Velhos:
Pai Cambinda (ou Cambina), Pai Roberto, Pai Cipriano, Pai João, Pai Congo, Pai José D'Angola, Pai Benguela, Pai Jerônimo, Pai Francisco, Pai Guiné, Pai Joaquim, Pai Antônio, Pai Serafim, Pai Firmino D'Angola, Pai Serapião, Pai Fabrício das Almas, Pai Benedito, Pai Julião, Pai Jobim, Pai Jobá, Pai Jacó, Pai Caetano, Pai Tomaz, Pai Tomé, Pai Malaquias, Pai Dindó, Vovó Maria Conga, Vovó Manuela, Vovó Chica, Vovó Cambinda (ou Cambina), Vovó Ana, Vovó Maria Redonda, Vovó Catarina, Vovó Luiza, Vovó Rita, Vovó Gabriela, Vovó Quitéria, Vovó Mariana, Vovó Maria da Serra, Vovó Maria de Minas, Vovó Rosa da Bahia, Vovó Maria do Rosário, Vovó Benedita.
Obs: Normalmente os Pretos-Velhos tratados por Vovô ou Vovó são mais “velhos” do que aqueles tratados por Pai, Mãe, Tio ou Tia).
ATRIBUIÇÕES
Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.
Com seus cachimbos, fala pausada, tranquilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. São extremamente pacientes com os seus filhos e, como poucos, sabem incutir-lhes os conceitos de karma e ensinar-lhes resignação.
Não se pode dizer que em sua totalidade esses espíritos são diretamente os mesmos Pretos-Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de Preto-Velho. Outros, nem negros foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma. Outros foram até mesmo Exus, que evoluíram e tomaram as formas de um Preto-Velho.
Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do dharma e da causa e efeito.
Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos.
Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega.
Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo como encare seu destino e os acontecimentos de sua vida: "Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento pode tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro.
Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS" (Pai Cipriano).
CARACTERÍSTICAS:
Linha e Irradiação. 
Todos os Pretos-Velhos vêm na linha de Obaluaiê, mas cada um vem na irradiação de um Orixá diferente. Fios de Contas (Guias). Muitos dos Pretos-Velhos gostam de guias com contas de Rosário de Nossa Senhora, alguns misturam favas e colocam Cruzes ou Figas feitas de Guiné ou Arruda.

Roupas Preta e branca; carijó (xadrez preto e branco). As Pretas-Velhas às vezes usam lenços na cabeça e/ou batas; e os Pretos-Velhos às vezes usam chapéu de palha.
Bebida
Café preto, vinho tinto, vinho moscatel, cachaça com mel (às vezes misturam ervas, sal, alho e outros elementos na bebida).
Dia da semana: 
Segunda-feira

Chakra atuante: 
básico ou sacro

Planeta regente: 
Saturno

Cor representativa: preto e branco; 
Saudação:

Cacurucaia, (termo muito usado nos terreiros para designar a pessoa (encarnada ou desencarnada) muito idosa), deve sempre ser respondida com “Adorei as Almas”.
Fumo: cachimbos ou cigarros de palha.
Obs: Os Pretos-Velhos às vezes usam bengalas ou cajados.
Pretos-Velhos De Oxum
São mais lentos na forma de incorporar e até falar. Passam para o médium uma serenidade inconfundível. Não são tão diretos para falar, enfeitam o máximo a conversa para que uma verdade dolorosa possa ser escutada de forma mais amena, pois a finalidade não é "chocar" e sim, fazer com que a pessoa reflita sobre o assunto que está sendo falado. São especialistas em reflexão, nunca se sai de uma consulta de um Preto-Velho de Oxum sem um minuto que seja de pensamento interior. Às vezes é comum sair até mais confuso do que quando entrou, mas é necessário para a evolução daquela pessoa.
Pretos-Velhos De Xangô
Sua incorporação é rápida como as de Ogum. Assim como os caboclos de Xangô, trabalham para causas de prosperidade sólida, bens como casa própria, processo na justiça e realizações profissionais. Passam seriedade em cada palavra dita. Cobram bastante de seus médiuns e consulentes.
Pretos-Velhos De Iansã
São rápidos na sua forma de incorporar e falar. Assim como os de Ogum, não possuem também muita paciência para com as pessoas. Essa rapidez é facilmente entendida, pela força da natureza que os rege, e é essa mesma força lhes permite uma grande variedade de assuntos com os quais ele trata, devido a diversidade que existe dentro desse único Orixá. Geralmente suas consultas são de impacto, trazendo mudança rápida de pensamento para a pessoa. São especialistas também em ensinar diretrizes para alcançar objetivos, seja pessoal, profissional ou até espiritual. Entretanto, é bom lembrar que sua maior função é o descarrego. É limpar o ambiente, o consulente e demais médiuns do terreiro, de eguns ou espíritos de parentes e amigos que já se foram, e que ainda não se conformaram com a partida permanecendo muito próximos dessas pessoas.
Pretos-Velhos de Oxossi
São os mais brincalhões, suas incorporações são alegres e um pouco rápidas. Esses Pretos-Velhos geralmente falam com várias pessoas ao mesmo tempo. Possuem uma especialidade: a de receitar remédios naturais, para o corpo e a alma, assim como emplastros, banhos e compressas, defumadores, chás, etc... São verdadeiros químicos em seus tocos. Afinal não podiam ser diferentes, pois são alunos do maior "químico": Oxossi.
Pretos-Velhos De Nanã
São raras, sua maneira de incorporação é de forma mais envelhecida ainda. Lenta e muito pesada. Enfatizando ainda mais a idade avançada. Falam rígido, com seriedade profunda. Não brincam nas suas consultas e prezam sempre o respeito, tanto do médium quanto do consulente, e pessoas à volta como: cambonos e pessoas do terreiro em geral e principalmente do pai ou da mãe de santo. Cobram muito do seu médium, não admitem roupas curtas ou transparentes. Seu julgamento é severo. Não admite injustiça. Costumam se afastar dos médiuns que consideram de "moral fraca". Mais prezam demais a gratidão, de uma forma geral. Podem optar por ficar numa casa, se seu médium quiser sair, se julgar que a casa é boa, digna e honrada. É difícil a relação com esses guias, principalmente quanto há discordância, ou seja, não são muito abertos a negociação no momento da consulta. São especialistas em conselhos que formem moral, e entendimento do nosso karma, pois isso sem dúvida é a sua função. Atuam também como os de Inhasã e Obaluaiê, conduzindo Eguns.
Pretos-Velhos De Obaluaiê
São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral. Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros. Agarram-se a seus "filhos" com total dedicação e carinho, não deixando, no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar. Devido à elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos-Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento. Como trabalha para Obaluaiê, e este é o "dono das almas", esses Pretos-Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos. Sua "visão" é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual. Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo tudo que lhes for pedido, apenas confiando nesses Pretos-Velhos. Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.
Pretos-Velhos De Yemanjá
São belos em suas incorporações, contudo mantendo uma enorme simplicidade. Sua fala é doce e meiga. Sua especialidade maior é sem dúvida os conselhos sobre laços espirituais e familiares. Gostam também de trabalhar para fertilidade de um modo geral, e especialmente para as mulheres que desejam engravidar. Utilizando o movimento das ondas do mar, são excelentes para descarregos e passes.
Pretos-Velhos De Oxalá
São bastante lentos na forma de incorporar, tornam-se belos principalmente pela simplicidade contida em seus gestos. Raramente dão consulta, sua maior especialidade é dirigir e instruir os demais Pretos-Velhos. Cobram bastante de seus médiuns, principalmente no que diz respeito a prática de caridade, bom comportamento moral dentro e fora do terreiro, ausência de vícios, humildade; enfim o cultivo das virtudes mais elevadas.
Você Aprendeu:
Quem são os Pretos-Velhos. 
Como a falange de Pretos-Velhos se formou na Umbanda. 
Sobre os nomes dos Pretos-Velhos.
As atribuições dos Pretos-Velhos. 
A Mensagem dos Pretos-Velhos.
As Características da Falange dos Pretos-Velhos. 
As comidas oferecidas aos Pretos-Velhos. 
As diferentes apresentações e especialidades dos Pretos-Velhos de cada irradiação.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE SÃO CIPRIANO - O FEITICEIRO

Cipriano (denominado "o Feiticeiro" para distinguir-se do célebre Cipriano, Bispo de Cartago), nasceu na Antióqia, situada entre a Síria e a Arábia, pertencente ao governo da Fenícia. Seus pais idólatras e providos de copiosas riquezas, vendo que a natureza o dotara de talentos próprios para conciliar a estimação dos homens, o destinaram para o serviço das falsas divindades, fazendo-o instruir em toda a ciência dos sacrifícios que se ofereciam aos ídolos, de modo que ninguém, como ele, tinha tão profundo conhecimento dos profanos mistérios do bárbaro gentilismo.
Na idade de trinta anos, fez ele uma viagem ao país da Babilônia para aprender a astrologia judiciária e os mistérios mais ocultos dos supersticiosos caldeus. E sobre a grave culpa de empregar em tais estudos o tempo que lhe era concedido para conhecer e seguir a verdade, aumentou Cipriano a sua malícia e a sua maleficência. Se deu inteiramente ao estudo da magia, para conseguir por meio desta arte um estreito comércio com os demônios; praticando ao mesmo tempo uma vida impura e absolutamente escandalosa.
E, conquanto um verdadeiro cristão chamado Eusébio, que havia sido seu companheiro de estudos, lhe fizesse muitas vezes vigorosas censuras sobre a sua má vida, procurando arrancá-lo do abismo profundo que o via precipitado, só não desprezava Cipriano as suas exortações e censuras, mas também ainda se valia do infernal engenho para ridicularizar os sacrossantos mistérios e virtuosos professores da lei cristã, por ódio a qual chegou a unir-se com os bárbaros perseguidores para obrigar os cristãos a renunciarem ao Evangelho e renegarem a Jesus Cristo.
Tinha chegado a este estado a vida de Cipriano, quando a infinita misericórdia de Deus se dignou iluminar e converter esse infeliz vaso de injúrias e infâmias em vaso de eleição e de honra; valendo-se e servindo-se da sua divina graça para obrar no coração de Cipriano este prodigioso milagre da sua onipotência.
Vivia em Antioquia uma donzela por nome Justina, não menos rica do que bela, a quem seu pai Edeso e sua mãe Cledônia educaram com muito cuidado nas superstições do paganismo. Porém Justina, dotada como era, de um claro engenho, assim que ouviu as pregações de Prailo, diácono de Antioquia, abandonou as extravagâncias gentílicas e, abraçando a fé católica, conseguiu converter dali a pouco os seus próprios pais.
Constituída cristã, a ditosa virgem tornou-se ao mesmo tempo uma das mais perfeitas esposas de Jesus Cristo, consagrando-lhe a sua virgindade e procurando adquirir todos os meios de conservar essa delicada virtude, para cujo efeito observava cuidadosamente a modéstia entregando-se às orações e ao retiro. Não obstante isto, vendo-a, um pobre mancebo, de nome Aglaide, lhe captou tanto os agrados, que logo pediu a seus pais para esposa, ao que eles deram consentimento; e só não pôde obter o consenso da própria Justina.
Aglaide então procurou Cipriano, o qual, com efeito, empregou todos os meios mais eficazes da sua diabólica arte para satisfazer ao amigo. Ofereceu aos demônios muitos abomináveis sacrifícios e eles lhe prometeram o desejado sucesso, investindo logo a santa com terríveis tentações e horríveis fantasmas. Porém ela, fortalecida pela graça de Deus, que tinha merecido com orações contínuas, rigor e, sobretudo com o patrocínio da Santíssima Virgem (a quem ela chamava sua mãe santíssima), ficou sempre vitoriosa. Cipriano indignado por não poder vencê-la, se levantou contra o demônio, que estava presente, e lhe falou desta maneira: "Pérfido, já veio a tua fraqueza, quando não podes vencer a uma delicada donzela, tu, que tanto te jactas do teu poder de obrar prodigiosas maravilhas! Diz-me logo de onde procede esta mudança, e com que armas se defende aquela virgem para deixar inúteis os teus esforços?"
Então o demônio, obrigado por uma divina virtude, lhe confessou a verdade, dizendo-lhe que o Deus dos cristãos era o supremo Senhor do Céu, da Terra e dos infernos; e que nenhum demônio podia obrar contra o sinal da cruz com que Justina continuamente se armava. De maneira que por este mesmo sinal, logo ele lhe aparecia para tentar, era obrigado a fugir.
- "Pois se isso assim é - replicou Cipriano - eu sou bem louco em não me dar ao serviço de um Senhor mais poderoso do que tu. E assim, se o sinal da cruz, em que morreu o Deus dos cristãos, te faz fugir, não quero já servir-me dos teus prestígios, antes renuncio inteiramente a todos os teus sortilégios, esperando a bondade do Deus de Justina que haja de me admitir por seu servo".
Irritado então o demônio de perder aquele por meio do qual fizera tantas conquistas, se apoderou do seu corpo. Porém (diz São Gregório) foi logo obrigado a sair, pela graça de Jesus Cristo, que estava Senhor do seu coração. Teve pois, Cipriano, de manter vigorosos combates contra os inimigos de sua alma; mas o Deus de Justina, a quem ele sempre invocava, lhe valeu com o seu auxílio e o fez ficar vitorioso.
Concorreu também muito para este efeito o seu amigo Eusébio, a quem Cipriano procurou logo, e disse com muitas lágrimas: "Meu grande amigo, chegou para mim o ditoso tempo de reconhecer meus erros e abomináveis desordens, e espero que o teu Deus, que já confesso ser o único e verdadeiro, me admitirá no grêmio dos seus íntimos servos, parar maior triunfo da sua benigna misericórdia".
Muito satisfeito Eusébio por uma tão prodigiosa mudança abraçou afetuosamente o seu amigo e lhe deu muitos parabéns pela sua heróica resolução, animando-o a confiar sempre na infalível verdade do puríssimo Deus, que nunca desampara os que sinceramente o procuram. E assim fortificado, o venturoso Cipriano pôde resistir com valor a todas as tentações diabólicas.
Para este efeito, fazia ele sem cessar o sinal da cruz, e tendo sempre nos lábios e no coração o sacrossanto nome de Jesus, não cessava de invocar a assistência da Santíssima Virgem. Vendo, pois, os demônios inteiramente frustrados todos os seus artifícios, aplicaram o seu esforço maior em o tentar de desesperação, propondo-lhe com viveza de espírito estes e outros tais discursos e reflexões:
Que o Deus dos cristãos era sem dúvida o único Deus verdadeiro, mas que era um Deus de pureza, um Deus que punia com severidade extrema ainda os menores crimes, de que a maior prova eram eles mesmos, que por um só pecado de soberba foram condenados a uma pena extrema.
Como haveria perdão para eles, que pelo número de gravidade das suas culpas tinha já um lugar preparado no mais profundo do inferno? E que, portanto, não tendo misericórdia que esperar, cuidasse em se divertir, satisfazendo à rédea larga todas as paixões da sua vida.

Na verdade esta tentação veemente pôs em grande perigo a salvação de Cipriano. Mas o amigo Eusébio, a quem ele se referiu, o animou e consolou, propondo-lhe em eficácia a benigna misericórdia, com que Deus recebe e generosamente perdoa aos pecadores arrependidos, por maiores que sejam os seus pecados. Depois o mesmo Eusébio o conduziu à assembléia dos fiéis, onde se admitiam as pessoas que desejavam instruir-se em tão luminosos mistérios.
Afirma o próprio São Cipriano, no livro da sua Confissão, que à vista do respeito e piedade de que estavam penetrados os fiéis, adorando o verdadeiro Deus, o tocou vivamente no coração. Diz ele: "Eu vi cantar naquele coro os louvores de Deus e terminar cada verso dos salmos com a palavra hebraica Aleluia; tido com atenção tão respeitosa e com tão suave harmonia, que me parecia estar entre os anjos ou entre os homens celestes".

No fim da função admiraram-se os assistentes de que um tal presbítero, como era Eusébio, introduzisse a Cipriano naquele sagrado congresso. E o mesmo bispo, que estava presidindo, muito mais o estranhou, porque não julgava sincera a conversão de Cipriano. Porém, ele dissipou logo essas dúvidas, queimando, na presença de todos, os seus livros de magia, e introduzindo-se no número dos catecúmenos, depois de haver distribuído todos os seus bens aos pobres.
Instruído, pois Cipriano, e com suficiente disposição, o bispo o batizou, e juntamente a Aglaide, apaixonado por Justina, que, arrependido da sua loucura, quis emendar a sua vida e seguir a fé verdadeira. Justina então tocada por estes dois exemplos da divina misericórdia, cortou os seus cabelos em sinal de sacrifício que fazia a Deus da sua virgindade, e repartiu também pelos pobres todos os bens que possuía.
Cipriano, depois disto, fez maravilhosos progressos nos caminhos do Senhor; e sua vida ordinária foi um perene exercício na mais rigorosa penitência. Via-se muitas vezes na igreja, prostrado por terra, com a cabeça coberta de cinza, rogando a todos os fiéis que implorassem para ele a divina misericórdia. E para mais se humilhar e suprimir a sua antiga soberba, obteve, a força de muitos pedidos, que lhe dessem o emprego de varredor da igreja.
Ele morava em companhia do presbítero Eusébio, a quem venerou sempre como a seu pai espiritual. E o divino Senhor que se digna ostentar os tesouros da sua clemência sobre as almas humildes e sobre os grandes pecadores verdadeiramente convertidos, lhe concedeu a graça de realizar milagres. Isto junto a sua natural eloqüência concorreu muito para converter à fé um grande número de idólatras, servindo-se para isso do famoso escrito da sua Confissão, na qual, fazendo públicos os seus crimes e enormes excessos, animava à confiança, não só os fiéis, mas os maiores pecadores.
Entretanto, o nome de São Cipriano o seu zelo e as numerosas conquistas que fazia para o reino de Jesus Cristo não podiam ser ignoradas pelos imperadores. Diocleciano, que então se achava em Nicomédia, informado das maravilhas que realizava São Cipriano, e da perfeita santidade da virgem Justina, passou ordem para que fossem presos, o que logo executou o Juiz Eutolmo, governador da Fenícia.
Conduzidos pois à presença desse juiz, responderam com tanta generosidade e confessaram, com tanta eficácia, a fé em Jesus Cristo que pouco faltou para converterem o ímpio bárbaro. Mas, para que não se julgasse que ele favorecia os cristãos, mandou logo açoitar, com duas cordas, a Santa Justina, e despedaçar com pentes de ferro as carnes de São Cipriano tudo com tamanha crueldade que até mesmo aos pagãos causou horror!
Vendo então o tirano que nem promessas nem ameaças, nem aquele rigoroso suplício, nada abatia a firme constância dos generosos mártires, mandou lançar a cada um em uma grande caldeira cheia de pês, de banha e cera a ferver. Mas o prazer e a satisfação, que se admirava no rosto e nas palavras dos mártires, davam bem a conhecer que nada padeciam com aquele tormento. E o caso é que até se percebia que o mesmo fogo, que estava debaixo das caldeiras, não tinha o mínimo calor.
O que visto por um grande sacerdote dos ídolos, grande feiticeiro, chamado Athanásio (que algum tempo fora discípulo do mesmo Cipriano), julgando que todos aqueles prodígios procediam dos sortilégios do seu antigo mestre e, querendo ganhar nome e reputação maior entre o povo, invocou os demônios com suas cerimônias mágicas e se lançou deliberadamente na mesma caldeira donde Cipriano foi extraído. Porém, logo perdeu a vida, e se lhe despregou até a carne do osso. E chegando naquela ocasião um bom cristão chamado Teotiso a falar em segredo a Cipriano, foi Teotiso condenado logo a ser também degolado. Era esse venturoso homem um marinheiro que, vindo das costas da Toscana, desembarcara próximo a Mitínia. Os seus companheiros, que eram todos cristãos, tendo notícia daquele sucesso, vieram de noite apreender os corpos dos três mártires e os conduziram a Roma onde estiveram ocultos na casa de uma pia senhora, até que no tempo de Constantino, o magno, foram transladados para a Basílica de São João Latrão (Fonte: "Livro de São Cipriano" 20ª edição (ed. Eco).

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

ESPIRITISMO, UMBANDA, CANDOMBLÉ – QUAL A DIFERENÇA?

Não, não é tudo igual!


Constantemente ao ouvirmos irmãos de crenças semelhantes ouvimos “sou espírita umbandista” ou “sou espirita Kardecista”. Bom o termo kardecista não foi criado por Allan Kardec mas sim o termo espírita e o termo espiritismo. Acontece que inúmeras vezes nos deparamos com o termo kardecismo para indicar que uma pessoa é espírita que segue a doutrina dos espíritos codificada por Allan kardec.
Para entendermos esta questão pegaremos a introdução do livro dos espíritos no primeiro item quando kardec diz:
Para coisas novas, palavras novas são necessárias, assim o requer a clareza da linguagem, para evitar a confusão inseparável do sentido múltiplo dos mesmos termos. As palavras espiritual, espiritualista, espiritualismo, possuem uma acepção bem definida; dar-lhes uma nova para aplicá-las à Doutrina dos espíritos seria multiplicar as causas já tão numerosas de anfibologia.
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Neste trecho kardec nos salienta a necessidade de uma nomenclatura nova para algo novo. O espiritismo ao surgir não possuía precedentes históricos científicos o que causaria muito problema de interpretação e entendimento caso Kardec utilizasse nomes que já possuíam um significado definido e de conhecimento público. Como toda descoberta científica nova precisa de um nome, Allan Kardec criou a nomenclatura :
Espiritismo – Lei moral de Jesus, o consolador prometido por Jesus, trazida pelos espíritos e codificada por Allan Kardec.
Espírita – Aquele que segue a lei moral da revelação do espiritismo.
Conforme Kardec continua na sua introdução do Livro dos espíritos:
Com efeito, o espiritualismo é o oposto do materialismo; quem quer que acredite possuir em si outra coisa além da matéria é espiritualista; mas daí não se conclui que creia na existência dos espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em lugar das palavras ESPIRITUAL, ESPIRITUALISMO, empregamos, para designar essa última crença, as de espírita e de Espiritismo cuja forma lembra a origem e o sentido radical, e que por isso mesmo têm a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, reservando à palavra espiritualismo sua acepção própria. Diremos, portanto, que a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas.
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Portanto, toda doutrina que acredita em algo além da matéria é espiritualista, mas nem toda doutrina é espírita. Somente ao espiritismo cabe esta definição ao pé da letra, pois fora Kardec quem criou esta palavra a fim de melhor definir aquele que acredita na comunicação com os espíritos e na vida futura.
A confusão acontece pois muitas doutrinas confundem-se ao espiritismo devido à semelhanças muito grandes na base filosófica. É o caso da umbanda e do candomblé que possuem na sua base filosófica crenças em mundo espiritual, reencarnação, comunicação com os espíritos, para citar as principais semelhanças. Porém é preciso entender que são doutrinas diferentes e únicas e o termo geral espiritismo é empregado para engloba-las, todas, devido à melhor aceitação que as pessoas leigas tem à palavra espiritismo do que à umbanda e candomblé. Em suam devido a preconceitos de criaturas sem muito adiantamento moral as religiões afrodescendentes que possuem semelhanças ao espiritismo adotam emprestado o nome espiritismo e espírita.
De fato, atualmente, a população em geral conhece as 3 religiões como sendo espiritismo em diferentes vertentes. Esta ideia nada tem de conclusão acatada pela codificação de Kardec, porém é preciso entender que devido aos preconceitos sofridos tem sido um auxílio à estas religiões utilizar este nome e como a moral espírita nos diz para acolhermos a quem sofre devemos entender esta necessidade momentânea da evolução humana.
O termo criado pelas pessoas “Kardecismo” não é válido pois foi apenas um meio das pessoas se identificarem como seguidoras do pentateuco que é o espiritismo. não somos Kardecistas pois não foi Kardec o criador da doutrina mas sim os espíritos por isso somos espíritas. Ao falar Kardecismo estando dando méritos ao homem Kardec e não a toda plêiade de espíritos que trouxe-nos a doutrina espírita. Por isso se forem perguntados se são espiritas Kardecistas apenas esclareçam aos irmãos que não, somos espíritas tão somente.
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Existem inúmeras diferenças entre as 3 doutrinas principalmente nos quesitos de proceder mediúnico e nos rituais. O espiritismo não é adepto a nenhum tipo de ritual as outras duas religiões tem seus rituais e seus modos únicos de se proceder durante a mediunidade. São necessidades diferentes de cada encarnado que procura cada uma dessas 3 doutrinas, livre de uma ser melhor que a outra na verdade cada uma tem um público que precisa de cada tipo de religião.
Além dessas diferenças está as diferenças na comunicação com espíritos. Novamente reforçamos que não existe doutrina melhor que a outra apenas cada uma com uma necessidade especial diferente da outra, mas todas são importantes e necessárias à jornada evolutiva dos espíritos encarnados. No espiritismo comunica-se com espíritos, nas outras duas normalmente tem-se comunicações com entidades da natureza. São diferenças que parecem mínimas mas são a identidade de cada religião bem como o seu foco.
Sem nenhum tipo de julgamento, devemos respeitar esta intenção dos irmãos e entender que não existem disparidades das religiões, cada uma possui sua função necessária ao nosso processo natural de evolução e a verdade de Deus não foi confiada tão somente a uma delas. A sugestão deste artigo é apenas desmistificar esse entrelace. Não é tudo a mesma coisa, cada uma é uma e única, com suas diferenças, seus pormenores e suas crenças bem definidas. Sejamos claros ao expressar nossa religião até porque isto nos auxiliaria a informar melhor nossos irmãos ignorantes que costumam chamar tudo de “macumba” sem ter nenhum conhecimento do que se passa em cada uma destas religiões e nem o porquê.
Espiritismo – Doutrina de cunho filosófico-religioso voltada para o aperfeiçoamento moral do homem por meio de ensinamentos transmitidos por espíritos desencarnados que se comunicam com os vivos através de médiuns.
Umbanda – Religião com traços do catolicismo e de crenças africanas, nascida no brasil.
Candomblé – religião animista, original da região das atuais Nigéria e Benin, trazida para o Brasil por africanos escravizados e aqui estabelecida, na qual sacerdotes e adeptos encenam, em cerimônias públicas e privadas, uma convivência com forças da natureza e ancestrais.
Sim meus amados, não é tudo a mesma coisa, mas TODAS merecem o mesmo respeito, todas tem seu papel na sociedade e na espiritualidade. Esperamos entender esses significados a fim de esclarecer a todos os amigos das definições estabelecidas originalmente. Lembrando-se que estamos na religião que devemos estar, que nos conforta que nos esclarece e que nos faz pessoas melhores. A revelação divina é para todos e todos são filhos de Deus soberano, justo e bom, que este artigo tenha servido de inspiração e esclarecimento a todos os irmãos, Muita paz!





quinta-feira, 8 de agosto de 2019

CABOCLOS NA UMBANDA


As entidades assim denominadas que se apresentam nos terreiros de umbanda são espíritos com um certo grau espiritual de evolução. São considerados espíritos de índios que já morreram e que viraram guias de luz que voltam à Terra para prestar a caridade ao próximo. ... São espíritos sérios e bastante contidos.

Os Caboclos pertencem à uma linha de muita força espiritual, são naturalmente guerreiros, poderosos e humildes. Sempre observadores e sábios procuram ajudar-nos em tudo que podem. Através de seus sotaques arrastados e com uma linguagem simples, eles nos passam ótimos direcionamentos.
Eles são sérios, quietos, diretos e muitas vezes grossos em seus pareceres. Mas isso nada mais é do que uma demonstração de sentimentos verdadeiros, pois são espíritos de luz e amor.
Os caboclos são mestiços de índios que habitam diversos lugares ao redor do mundo. Mas, quando nos referimos à Umbanda, estamos falando sobre aqueles que são de tribos que mesmo primitivas, trazem grande sabedoria espiritual, pois cultuam o equilíbrio através das forças da natureza.
Falar sobre Caboclos na Umbanda é trazer com riquezas de detalhes a humildade e espiritualidade. Eles atuam nos terreiros em diversas vibrações, cada um da sua maneira originária.
Vale à pena salientar que caboclo é um mestiço oriundo de raça branca e indígena, entretanto quando falamos dos guias espirituais, nós atribuímos para eles somente a energia e o conhecimento que encontramos nos povos indígenas. Ou seja, estes seres de Luz são pessoas que desencarnaram e para evoluírem ainda mais o seu espírito, destinaram-se a prestar auxílio aos homens, e todos os seus ricos conselhos são baseados em sua vida simples e experiências de vida na tribo.
Outro ponto importante é a atribuição do significado de xamanismo nessa cultura umbandista. Embora a prática de medicina natural seja um conceito xamânico, não são todos os terreiros de Umbanda que estabelecem essa ligação do tratamento com ervas e plantas que os guias Caboclos costumam receitar, como proveniente da cultura do xamanismo em si.
As características dos Caboclos
Eles são seres de Luz que agem na direita, através da Linha de Oxóssi. Por isso carregam a energia de grandes guerreiros que procuram sempre na mata a melhor maneira de estabelecer os processos naturais de cura.
Embora seja uma prática realizada com todos os tipos de espíritos indígenas, é mais comum notarmos nas giras de Umbanda a presença dos índios brasileiros.
Uma das principais características desses guias é o aconselhamento direto, com a indicação especialmente de banhos que fazem uso de ervas e plantas muito conhecidas entre esses povos. Eles também costumam atender para aplicar os passes, pitando cachimbos ou charutos.
Em um atendimento com os Caboclos, espere por respostas diretas e precisas, seus passes transmitem uma forte energia ligada à natureza de onde provém toda sua essência. Saiba que você receberá conselhos que puxam o máximo do seu verdadeiro “eu”, procurando sempre o real sentido do que significa ser feliz e viver em harmonia com o ambiente total, pois essa é a fonte de toda cultura indígena.
Nomes comuns de Caboclos na Umbanda
Bartira, Jussara, Jurema, Japotira, Maíra, Ivotice, Valquíria, Raio de Luz, Palina, Poti, Talina, Potira.
Características: rápidas, diretas e inspiradoras. Geralmente trabalham com assuntos de emprego, prosperidade ou descarrego.
Diloé, Cabocla da Praia, Estrela d’Alva, Guaraciaba, Janaína, Jandira, Jacira, Jaci, Sete Ondas, Sol Nascente.
Características: suaves, espertas e amorosas. Trabalham com limpeza e purificação espiritual e desmancham energia negativa.
Assucena, Inaíra, Juçanã, Janira, Juraci, Jutira, Luana, Muraquitan, Sumarajé, Xista, Paraquassu.
Características: são mais raras, geralmente contidas e não dançam. Trabalham com aconselhamentos e mostrando o karma.
Águia Branca, Águia Dourada, Águia Solitária, Araribóia, Beira-Mar, Caboclo da Mata, Icaraí, Caiçaras Guaraci, Ipojucan, Itapoã, Jaguaré, Rompe-mato, Rompe-nuvem, Sete Matas, Sete Ondas, Tamoio, Tabajara, Tupuruplata, Ubirajara, Rompe-Ferro, Rompe-Aço.
Características: rápidos, diretos e não gostam de rodar. Geralmente gostam de ajudar no profissional e em entregar ânimo.
Arranca-Toco, Acuré, Aimbiré, Bugre, Guiné, Gira-Mundo, Iucatan, Jupuri, Uiratan, Alho-d’água, Pedra Branca, Pedra Preta, Laçador, Roxo, Grajaúna, Bacuí, Piraí, Suri, Serra Verde, Serra Negra, Tira-teima, Seta-Águias, Tibiriçá, Vira-Mundo, Ventania.
Características: impacientes e se movimentam pouco. Gostam de tratas dores físicas, mentais e espirituais.
Caboclo da Lua, Arruda, Aimoré, Boiadeiro, Ubá, Caçador, Arapuí, Japiassu, Junco Verde, Javari, Mata Virgem, Pena Branca, Pena Dourada, Pena Verde, Pena Azul, Rompe-folha, Rei da Mata, Guarani, Sete Flechas, Flecheiro, Folha Verde,, Tupinambá, Tupaíba, Tupiara, Tapuia, Serra Azul, Paraguassu, Sete Encruzilhadas.
Características: rápidos e dançam muito. Adoram trabalhar com banhos e defumadores.
Iracema, Imaiá Jaceguaia, Juruema, Juruena, Jupira, Jandaia, Araguaia, Estrela da Manhã, Tunué, Mirini, Suê.
Características: Suaves, costumam rodar e estão atuando para depressão, desânimo e questões energéticas
Araúna, Cajá, Caramuru, Cobra Coral, Caboclo do Sol, Girassol, Guaraná, Guará, Goitacaz, Jupará, Janguar, Rompe-Serra, Sete Caminhos, Sete Cachoeiras, Sete Montanhas, Sete Estrelas, Sete Luas, Tupi, Treme-Terra, Sultão das Matas, Cachoeirinha, Mirim, Urubatão da Guia, Urubatão, Ubiratan, Cholapur.
Características: são rápidos, mas contidos, trabalham com emprego, casos que precisam de justiça e realizações.




JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...