quinta-feira, 30 de maio de 2019

HISTÓRIA DE PAI JOSÉ DE ANGOLA

Em uma prosa informal, Pai José contou sua história com simplicidade, bem típica dele. Aqui está à história deste Preto Velho tão querido, transcrita por mim da maneira mais fiel possível para que todos possam compreender…
Em Angola de 1640 nasceu o Pai Jose de Angola, hoje com 371 anos de “vida”. Em sua cidade natal foi escravizado por volta dos seus 30 anos de idade e trazido ao Brasil nos chamados ‘Navios Negreiros’. 

Nesta longa viajem viu muitos amigos e conhecidos morrerem por doenças ou fraquezas e serem lançados ao mar, mas sua fé nos Orixás era o que o fortalecia. Ao chegar ao Brasil, percebeu que a língua falada aqui era a mesma de sua cidade, o português.

Como era um negro muito sadio e forte, com dentes brancos e bons, foi vendido como escravo para ser um ‘reprodutor’, pois naquela época pensavam que os negros não tinham amor, não tinham sentimentos. E assim foi trabalhar na colheita de café e
cana de açúcar em uma fazenda.

Na senzala encontrou uma linda escrava, Maria Conga, pela qual se apaixonou. Seu romance foi complicado, pois ela trabalhava na casa principal da fazenda, acompanhante da sinhazinha, filha do coronel da fazenda.

Entre o trabalho escravo nas colheitas e ser um escravo reprodutor, teve filhos incontáveis na senzala, alguns permaneceram ao passar dos anos na mesma fazenda, outros morreram ou foram vendidos.

Como sempre foi um escravo que não se conformava com a situação da escravidão porque não se conformava em viver como um animal tentou realizar várias revoluções, mas mudar a cabeça e o pensamento das pessoas sempre foi muito difícil, não tendo sucesso em seus movimentos, ficou marcado pelos capitães do mato e pelo coronel da fazenda onde era escravo.

Os escravos que estavam fracos ou doentes e que tentavam fugir eram lhes dado melancia e leite, o que supostamente faria mal aos escravos e morreriam, mas na verdade era somente uma desculpa para serem mortos pelos capitães do mato.

Mesmo quando alguns escravos conseguiram a Carta de Alforria, Pai José com aproximadamente 70 anos ainda tentou fazer mais uma revolução com filhos e outros negros da fazenda. Desta vez os escravos conseguiram fugir, indo à direção ao tão falado Quilombo de Palmares. Porém, já com a idade avançada não tinha o mesmo pique dos seus filhos que ainda o acompanhavam e os escravos que participaram desta fuga. Em muitos momentos o carregaram para que conseguisse acompanhar a fuga.

Enquanto isso os capitães do mato os perseguiam com cachorros e a cavalo para a captura dos escravos fugitivos, já que os Coronéis para manter sua fama e “estatus” não podiam deixar que qualquer escravo fugisse e/ou escapasse vivo destes feitos.
Pai José pediu aos seus companheiros para seguirem em frente e o deixarem para trás, pois só atrasaria os outros escravos, que seriam capturados e castigados. Esconde-se no meio de algumas pedras (buraco) através de uma fenda. Seu azar foi que tinha pouco tempo e ali também estava escondido um gato. Pai José contou que os escravos naquela época costumavam enganar o faro dos cachorros colocando cinzas em sua volta para enganar o cheiro, mas devido aos fatos, os cachorros acabaram seguindo o gato e seu verdadeiro faro, capturando o escravo na fenda em meio às pedras. Pai José descobriu mais tarde que um escravo capturado havia denunciado seu trajeto de fuga, provavelmente em troca de sua vida. (Pai José não demonstrou rancor ao relatar este fato e nem citou o nome do escravo).

Na fazenda os feitores como castigo, amarraram-no em uma pedra por sete dias e sete noites ao tempo. Seu castigo pela fuga e por acharem que ele era o principal incentivador da revolução e fuga foi muito severo, cortaram pedaços de seu corpo, como dois dedos das mãos e recebeu muitas chibatadas, ficou sem nada para comer ou beber. Os feitores tinham a intenção que o escravo contasse onde estavam escondidos os outros escravos fugitivos. Mesmo com a severa punição, o Preto Velho não desistiu de sua vida nem dedurou os outros escravos, principalmente pela fé em Oxalá, na natureza e pela ajuda de Maria Conga, sua companheira, que nas madrugadas levava para seu querido preto uma ‘canja aguada’ com restos de comida que conseguia na fazenda.

Como os feitores tinham certeza que o escravo era o revolucionário que havia comandado a fuga, com a ordem do ‘sinhozinho’ Pai José foi liberto, para morrer ou com a intenção de que os outros escravos fugitivos o encontrassem, acabando com a fuga e a revolução. Naquela época os feitores precisavam capturar todos os escravos fugitivos vivos ou mortos para mostrar a sociedade e continuar com sua força, fama, liderança e com suas fazendas. Após os escravos fugitivos serem capturados e muitas vezes mortos, seus corpos eram expostos à sociedade e em seguida jogados no manto.

Pai José muito debilitado pelo massacre em seu corpo e pela franqueza, saiu por trás de uma casa muito antiga e em uma emboscada encontrou uma cumbuca cheia de bolachas (ele descreveu-as como as nossas atuais bolachas de natal), como a fome
estava grande, não pensou e as comeu, e cada vez que comia mais uma bolacha queria comer mais, chegou a comer toda a cumbuca (as bolachas estavam envenenadas) e em seguida foi se sentindo muito mal, com dores fortes no peito até que sua respiração parou, findando assim a vida terrena do escravo Pai José de Angola.

No final de nossa prosa, Pai José falou sobre seu nome, disse que naquele tempo não havia nomes diferentes como os de hoje em dia e sim muitos Antônios, Josés e Marias; assim existiam vários escravos com o mesmo nome e o seu é Pai José de Angola.

Disse finalizando e com pressa de “ir embora” que se no passado não existissem os escravos, não teríamos hoje a nossa religião Umbanda.

Pai José de Angola.



HISTÓRIA DE UMA PRINCESA BANTU

CONHEÇA A VIDA DA ESCRAVA ANASTÁCIA


Escrava Anastácia (Pompeu, 12 de maio de 1740, data e local de morte incertos) é uma personalidade religiosa de devoção popular brasileira, adorada informalmente pela realização de supostos milagres. A própria existência da Escrava Anastácia é colocada em dúvida pelos estudiosos do assunto, já que não existem provas materiais da mesma.
seu culto foi iniciado em 1968 (Ano Internacional dos Direitos Humanos decretado pelas Nações Unidas), quando numa exposição da Igreja do Rosário do Rio de Janeiro em homenagem aos 90 anos da Abolição, foi exposto um desenho de Étienne Victor Arago representando uma escrava do século XVIII que usava máscara de ferro (método empregado nas minas de ouro para impedir que os escravos engolissem o metal).
No imaginário popular, a Escrava Anastácia foi sentenciada a usar a máscara por um senhor de escravos despeitado com a recusa de Anastácia em manter relações sexuais com ele. A máscara seria retirada apenas para que ela fizesse as refeições, e a escrava terminou por morrer de maus-tratos, em data ignorada.

 ESCRAVA ANASTÁCIA 

Nos meios que militam as lideranças negras, femininas ou masculinas, é comentado muito sobre quem foi e como teria sido a vida e a história da Escrava Anastácia, que muitas comunidades religiosas afro-brasileiras, particularmente, as ligadas à religião católica apostólica romana, gostariam de propor a sua Santidade, o Papa, para que fosse beatificada ou santificada, dentro dos preceitos e dos ritos canónicos que regem este histórico e delicadíssimo processo.
Pelo pouco que se sabe desta grande mártir negra, que foi uma das inúmeras vítimas do regime de escravidão, no Brasil, em virtude da escassez de dados disponíveis a seu respeito, pode-se dizer, porém, que o seu calvário teve início em 9 de abril de 1740, por ocasião da chegada na Cidade do Rio de Janeiro de um navio negreiro de nome “Madalena”, que vinha da África com carregamento de 112 negros Bantus, originários do Congo, para serem vendidos como escravos nesse País.
Entre esta centena de negros capturados na sua terra natal, vinha, também, toda uma família real, de “Galanga”, que era liderada por um negro, que mais tarde se tornaria famoso, conhecido pelo nome de “Chico-Rei”, em razão da sua ousada atuação no circuito aurífero da região que tinha por centro a Cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Delmira, Mãe de Anastácia, era uma jovem formosa e muito atraente pelos seus encantos pessoais, e, por ser muito jovem, ainda no cais do porto, foi arrematada por uns mil réis. Indefesa, esta donzela acabou por ser violada, ficando grávida de um homem branco, motivo pelo qual Anastácia, a sua filha, possuía “olhos azuis”, cujo nascimento se verificou em “Pompeu”, em 12 de maio, no centro-oeste mineiro.
Antes do nascimento de “Anastácia”, a sua Mãe “Delmira” teria vivido, algum tempo, no Estado da Bahia, onde ajudou muitos escravos, fugitivos da brutalidade, a irem em busca da liberdade. A história se repete. Anastácia, por ser muito bonita, acabou também, sacrificada pela paixão bestial de um dos filhos de um feitor, não sem antes haver resistido fortemente o quanto pode a tais assédios, depois de ferozmente perseguida e torturada, a violência sexual aconteceu. Apesar de toda a circunstância adversa, Anastácia não deixou de sustentar a sua costumeira altivez e dignidade, sem jamais permitir que lhe tocassem, o que provocou o ódio dos brancos dominadores, que resolvem castigá-la ainda mais colocando-lhe no rosto uma máscara de ferro, que só era retirada na hora de se alimentar, suportando este instrumento de supremo suplício por longos anos da sua dolorosa, mas heroica existência.
As mulheres e as filhas dos senhores de escravos eram as que mais incentivavam a manutenção de tal máscara, porque morriam de inveja e de ciúmes da beleza da “Negra Anastácia”. (Onde o seu espírito, combate a inveja, ciúmes e a injustiça). Anastácia já muito doente e debilitada, é levada para o Rio de Janeiro onde vem a falecer, sendo que os seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário que, destruída por um incêndio, não teve como evitar a destruição também dos poucos documentos que poderiam nos oferecer melhores e maiores informações referente à “Escrava Anastácia” — “A Santa” (assim, é venerada dentro da Religião Afro-Brasileira), além da imagem que a história ou a lenda deixou em volta do seu nome e na sua postura de mártir e heroína, ao mesmo tempo.
Descrita como uma das mais importantes figuras femininas da história negra, Escrava Anastácia é venerada como santa e heroína em várias regiões do Brasil. De acordo com a crença popular, a Escrava Anastácia continua a operar milagres. 

UMA PRINCESA BANTU 

Versão extraída do livro ”Anastácia escrava e mártir negra”, de António Alves Teixeira (neto) da editora Eco.
Descoberto que foi o Brasil, em 1500 vieram logo os primeiros colonizadores e os governantes, necessário se fazia, desde então o desenvolvimento da terra, especialmente a lavoura. Daí o terem vindo os célebres Navios Negreiros aprisionando os pobres negros africanos, para aqui serem entregues como escravos e vendidos. Eram os infelizes negros oriundos da Guine, Congo e Angola. Entre eles vieram Anastácia uma princesa Bantu, destacando-se pelo seu porte altivo, pela perfeição dos traços fisionómicos e a sua juventude.
Era bonita de dentes brancos e lábios sensuais, olhos azuis onde se notava sempre uma lágrima a rolar silenciosa. Pelos seus dotes físicos, presume-se tenha sido aia de uma família nobre que ao regressar a Portugal, a teria vendido a um rico senhor de Engenho. Pelo seu novo dono, foi ela levada para uma fazenda perto da Corte, onde a sua vida sofreu uma brutal transformação. Cobiçada pelos homens, invejada pelas mulheres, foi amada e respeitada pelos seus irmãos na dor, escravos como ela própria bem como pelos velhos que nela sempre encontraram a conselheira amiga e alguém que tinha “poderes” de cura para os males da alma e corpo.
Serena, submissa aos algozes até morrer, sempre viveu ela. Chamavam-na Anastácia, pois, não tinha documentos de identificação, por ela deixados na pátria distante. Trabalhava durante o dia na lavoura, certo dia veio a vontade de provar um torrão-de-açúcar. Foi vista pelo malvado do feitor que, chamando-a de ladra, colocou-lhe uma mordaça na boca. Esse castigo era infame e chamara a atenção da Sinhá Moça, vaidosa e ciumenta que ao notar a beleza da escrava, teve receio que o seu esposo por ela se apaixonasse, mandou colocar uma gargantilha de ferro.
Coisas do destino o filho do fazendeiro cai doente sem que ninguém consiga curar, em desespero recorrem a escrava Anastácia e pedem a sua cura, o qual se realiza para o espanto de todos. Não resistindo por muito tempo a tortura que lhe fora imposta tão selvaticamente, pouco depois a escrava falecida, com gangrena, muito embora trazida para o Rio de Janeiro para ser tratada. O feitor e a Sinhá Moça se sentiram arrependidos por um sentimento tão forte, que lhe foi permitido o velório na capelinha da fazenda. O seu senhor, também levado pelo remorso, providenciou-lhe um enterro como escrava liberta depois de morta. Foi sepultada na Igreja construída pelos seus irmãos de dor e acompanhada por dezenas de escravos.

ESCRAVATURA EM PORTUGAL

Na época anterior à formação de Portugal como reino existe registo da prática de escravatura pelos Romanos, pelos Visigodos e durante o Al-Andaluz a escravidão dos cristãos capturados e dos Saqaliba. Depois da independência de Portugal tem-se conhecimento de ataques de piratas normandos a vilas costeiras, das razias que Piratas da Barbária faziam entre a população costeira e das ilhas. As vilas ficavam geralmente desertas e a população era vendida no mercado de escravos do norte de África. Havia chefes corsários que vinham do norte de África até à península que eram elches, “renegados” da fé cristã ou mouriscos capturados que mudavam de “lado”. Os prisioneiros de guerra capturados na península tornavam-se escravos. Só em 6 de julho de 1810 com a assinatura do primeiro tratado luso-argelino de tréguas e resgate, confirmado em 1813, com a assinatura do Tratado de Paz, acabou a razia nas vilas costeiras de Portugal e captura de portugueses para a escravatura no norte de África. Antes de 1415, através do resgate de cativos portugueses fizeram-se os primeiros contactos com comércio de escravos na cidade de Ceuta.
Resgatar familiares era obrigação cuja falta de cumprimento poderia originar pesadas penas. As igrejas mantinham caixinhas de peditório para resgate dos cativos. Crianças e mulheres tinham prioridade de serem resgatadas. Quando em 1415 Portugal conquistou Ceuta havia aí um importante centro comercial onde confluíam rotas de escravos trazidos da África subsariana por comerciantes beduínos. A conquista de Ceuta pelos portugueses, levou os traficantes de escravos a desviar as suas rotas de comércio para outras cidades. Ceuta perdeu então importância comercial, mas tornou-se importante ponto estratégico-militar de vigilância ao comércio de outras mercadorias entre as costas europeias do Atlântico e a península itálica.
Com a presença portuguesa no ocidente do Norte de África, o comércio de escravos não mais recuperou a importância que havia tido sob o domínio muçulmano. Os portugueses, nas viagens que fizeram ao longo da costa na direção do sul de África, contactaram também aí com o comércio de escravos. O primeiro lote de escravos africanos transportados para Portugal foram os que a tripulação do navegador Antão Gonçalves comprou na costa do Argüim (hoje Mauritânia) em 1441. Quando, passado cerca de meio século, os primeiros Portugueses começaram a chegar à Guiné, contactaram também com o tráfico negreiro aí existente, mas nessa altura o objetivo dos portugueses era já a Índia das especiarias.
O desenvolvimento do comércio de escravos, com envolvimento de portugueses, só veio a acontecer no século XVII em competição com holandeses, ingleses e franceses, vindo a ter o seu auge no Século XVIII com o comércio dos escravos africanos para o Brasil. No entanto, o corpo legislativo emanado das chancelarias régias portuguesas é abundante em diplomas destinados a reprimir a escravatura e a proteger os indígenas: provisões de D. João II, de 5 de abril e 11 de junho de 1492, e alvarás de 18 de julho e 10 de dezembro de 1493; a célebre lei de 20 de março de 1570 sobre “a liberdade dos gentios das terras do Brasil, e mais Conquistas”, a provisão de 20 de setembro de 1570, onde o rei D. Sebastião ordena que “Portugues algum nam possa resgatar nem catiuar Iapão, e sendo caso, que resgatem, ou catiuem alguns dos ditos Iapões, os que assim forem resgatados, ou catiuos, ficaram livres…”.
Os alvarás de 5 de junho de 1605, de 3 de julho de 1609, e o alvará com força de lei de 8 de maio de 1758, vão no mesmo sentido. No século XVIII foi, aliás, Portugal a tomar a dianteira na abolição da escravatura. Decorria o Reinado de D. José I quando, em 12 de fevereiro de 1761, esta foi abolida pelo Marquês de Pombal no Reino/Metrópole e na Índia. No Século XIX, em 1836, o tráfico de escravos foi abolido em todo o Império. Os primeiros escravos a serem libertados foram os do estado, por decreto de 1854, mais tarde, os das Igrejas, pelo decreto de 1856. Com a lei de 25 de fevereiro de 1869 proclamou-se a abolição da escravatura em todo o Império Português, até ao termo definitivo de 1878.









DESCOBRINDO O SEU ORIXÁ!

Membros da família Yorimá, consulentes e outros, nos procuram com dúvidas disso ou aquilo sobre a religião, tem uma dúvida, talvez a mais perguntada dentre várias, seja por irmãos que se desenvolvem em terreiros, seja por pessoas curiosas, seja por pessoas de outras religiões, enfim, por qualquer tipo de pessoa que nos contactam para entender um pouco mais sobre a nossa amada Umbanda, e essa pergunta é: Como faço para saber meu Orixá de Coroa, ou Ori, ou mesmo ainda de Cabeça?


Dentre essas pessoas, muitas delas já vem com uma resposta predefinida, ou porque alguém olhou para ela e disse que você é filho de tal Orixá, ou que a pessoa tem afinidade por tal Orixá, e dai já é filho desse Orixá, ou mesmo ainda que alguém pegou sua data de nascimento e daí disse que seu Pai de Coroa era tal, sua Mãe de Ori tal Orixá. Mas infelizmente, a verdade não é tão simples assim.

Acreditando que seu Orixá de Coroa seja aquele que alguém lhe disse sem ter buscado essas informações de uma maneira correta, ou que você buscou em sites que lhe prometem uma informação verdadeira sobre esse fato, ou mesmo se você acreditou que por sua data de nascimento já está com a resposta de quais são seus Orixás, melhor rever tudo isso, mesmo se tem uma paixão pelo Orixá informado. Claro que esse carinho pelos Orixás não tem porque mudar, mas acreditar que o que você tem esse amor seja seu Pai ou Mãe de cabeça é um erro que pode deixar algumas marcas grandiosas em sua vida espiritual.

Portanto não custa nada saber a verdade de uma forma expressiva e sem rodeios, saber de verdade quem são nossos Orixás de Coroa, e mesmo assim, amar todos os Orixás, sempre respeitando cada um como assim nos compete.

Antes de tudo frisemos que já ouvimos várias pessoas falando que seu Orixá é tal, visto em um jogo de Búzios. Em sendo assim perguntamos: E os outros Orixás, quais são?

Normalmente a pessoa fica sem resposta, pois isso não foi dito por quem lhe fez o Jogo de Búzios.

Então vamos iniciar assim: todos nós temos três Orixás na Coroa, que tem que ser apresentados como o Pai, a Mãe e o Terceiro Santo de nosso Ori. Na junção desses três Orixás se forma o triângulo da Coroa, sendo em cada vértice um Orixá, tendo a base composta do Pai e a Mãe de sua Coroa, e na ponta seu Terceiro Santo. Imaginemos um triângulo na qual as vértices da base desse triângulo entrelacem as fontes, se interligando por uma linha imaginária entre eles, e mais duas linhas subindo em diagonal até o topo da cabeça, bem no centro, parte conhecida como coronário, se fechando em um só ponto, que seria a vértice superior do triângulo, que nesse caso seria o ponto do Terceiro Santo da Coroa, portanto se em um jogo de Búzios não for dito e especificado esses três Orixás, certamente esse jogador não está preparado para fazer um jogo sério e honesto para demonstração dos Orixás da Coroa de alguém.

Como foi dito acima muitas pessoas pregam que daria para verificar os Orixás através da data de nascimento, mas essa colocação é errônea, pois os Orixás são determinados no momento da concepção, ou seja, no mesmo instante em que o óvulo da mãe está sendo inseminado.

Os Orixás são forças da natureza que vibram tanto abaixo da atmosfera quanto acima dela. Essas forças giram de forma diagonal na camada terrestre, fazendo assim que volte e meia uma força dessas vibre com a outra ao passarem no mesmo ponto, e isso com a rotação terrestre faz com que essas forças se encontrem em diversos pontos de tempo e de espaço uma com as outras.

Explicando melhor, essas forças são chamadas de Orixás, vamos imaginar que em um certo ponto qualquer do planeta, e em certo momento qualquer do tempo, nesse giro de força e dentro da rotação do planeta, se encontre os Orixás Ogum, Oxum e Xangô, e nesse mesmo instante o óvulo de uma mulher esteja sendo inseminado, no momento exato dessa inseminação, ou seja na concepção de um novo ser, está sendo designado o Pai, a Mãe e o Terceiro Santo desse novo ser, que nesse exemplo dado seria Ogum, Oxum e Xangô. No caso não determinado em qual posição do triângulo da Coroa ficariam, pois isso dependeria do grau de irradiação e tempo de vibração de cada um dos Orixás no momento de concepção do novo ser.

Especificamos esses detalhes para que possam entender que a verificação dos Orixás de Coroa é algo extremamente complexo, sério e que está fora da inteligência humana, portanto é algo que só pode ser visto através de forças divinas como Entidades de Luz ou Jogo de Búzios (que também são respostas de forças divinas como Entidades e Orixás). Não devemos confiar em palavras de vaidade de pessoas que dizem saber seus Orixás sem uma colocação divina.

Frisemos outra colocação muito importante também a quem busca entendimento sobre Pai e Mãe de Coroa. Ouvimos pessoas dizerem que tal Exú, ou Pombo Gira, ou Caboclo, ou Preto Velho ou qualquer Entidade é Pai ou Mãe de sua Coroa, pois assim foi dito em tal Terreiro por tal Entidade. Isso também é um erro grandioso, primeiro porque Pai ou Mãe de nossa Coroa são Orixás, e Caboclos, Exús, Pombo Giras, Pretos Velhos, enfim, todas essas divindades são Entidades de Luz. Entidades de Luz trabalhadoras pela caridade, que vem ou não, em incorporação em um médium desenvolvido mediunicamente e espiritualmente, para fazer seus trabalhos de auxiliar a quem necessita, e eles estão ali por determinação do Pai Maior (Zambi ou Deus) e também pelos Orixás.

E quem rege nossa Coroa, sendo Pai, Mãe e Terceiro Santo, são os Orixás (Oxalá, Ogum, Xangô, Oxossi, Obaluaiê/Omulú, Oxum, Iansã, Iemanjá, Nanã Buruquê), e as Entidades de Luz estão extremamente cientes dessa forma de colocação, portanto nenhuma dessas Entidades de Luz diria a uma pessoa que tal Entidade fosse Pai ou Mãe de Coroa, se já ouviram isso em alguma casa de Umbanda vindo de algum médium se dizendo estar incorporado, ou esse médium não estava em um bom dia,
ou estava tomado pela vaidade, ou simplesmente mistificando e tentando enganar o consulente, mas jamais estaria com uma Entidade de Luz em em sua incorporação.

Bem, as três formas existentes de sabermos nossos Orixás de Coroa, isso claro se for autorizado a nos dizer e que esteja dentro do tempo de nos informar é da seguinte maneira:

Poderá ser em um jogo de Búzios, e esse jogo deverá ser feito com um jogador de extrema honestidade, que esteja preparado para tal trabalho. Digo honesto pois muitas pessoas se dizem jogadores de Búzios, mas infelizmente são charlatões, e se utilizam da nomenclatura "Pai de Santo Jogador" para absurdas cobranças em dinheiro, inventando, induzindo, mentindo a seus consulentes, e assim poder tirar mais dinheiro de uma forma extremamente desonesta, com uma agravante um tanto maior que é fazer o consulente crer que um possível Orixá rege sua Coroa, mesmo sem a certeza plena desse fato. Frisando que dessa forma o consulente deverá estar presente no momento do jogo de Búzios, portanto dessa maneira não teria como ser feito a distância como é pregado por muitas pessoas mal informadas.

Outra forma correta de ser mostrado os Orixás de Coroa é por um Zelador de Santo preparado mediunicamente, através do desenvolvimento do médium que deseja saber seus Orixás. Essa forma o médium em questão deverá fazer parte de uma casa de Umbanda como filho, deverá estar em desenvolvimento mediúnico e espiritual sobre o comando desse Zelador de Santo, e essa demonstração é feita através das informações dadas por Entidades de Luz como Pretos Velhos ou Caboclos, incorporados na Coroa do Zelador de Santo. Normalmente essas Entidades são Mentoras do Zelador, e podem ver esses Orixás através dos Búzios ou do modo de trabalho de cada uma dessas Entidades. Quando são feitos outros tipos de trabalhos para essa verificação, como verificação na água, na fumaça do cachimbo ou charuto, na própria cabeça do médium (analisando pontos da coroa que determinam os Orixás), normalmente após é feito o jogo de Búzios para a confirmação. É claro que como lógica o consulente que deseja saber sobre os Orixás de Coroa deve estar presente no momento dessas colocações.

A terceira forma de verificação dos Orixás de um consulente pode ser feita através de um Mentor de uma casa de Umbanda, incorporado na Coroa do Zelador dessa casa, e é feita através de um jogo de Búzios, mesmo sem a presença física do consulente que deseja saber sobre seus Orixás de Ori.

Esse caso é bem mais raro, e é só feito se o médium consulente estiver com uma extrema vibração dos Orixás, e após uma imantação sugerida pelo Mentor da casa, que está se buscando as respostas para esse consulente.

Normalmente essas imantações podem ser com banhos de ervas, velas de cores diversas, defumadores variados, nos dias e tempo determinado pelo Mentor que irá fazer o jogo de Búzios a distância, tudo isso dentro da autorização dos próprios Orixás a serem revelados. Esse tempo de imantação vai depender do grau de mediunidade, da verdadeira vontade em saber quais Orixás fazem parte da Coroa, da vibração de cada Orixá no Ori do Médium consulente, além da autorização a ser feito isso, claro.

Finalizando, gostariámos de frisar bem que de forma nenhuma teremos o prazer de saber nossos amados Orixás de Coroa de outra forma, nunca devemos deixar-nos enganar por pessoas de má fé, se dizendo Zeladores de Santo, e inventando Pais e Mães de Coroa somente por desejar mostrar algo, e desse algo fazer cobranças absurdas em dinheiro, ou apenas para demonstrar que pode fazê-lo, e assim nessa
enganação demonstrar poder, elevando a vaidade e o próprio ego.

Ter certeza dos Orixás de sua Coroa é algo maravilhoso. Vamos amar a todos os Orixás, mas os que estão tomando conta de seu Ori, demonstrando muitas vezes a personalidade que lhes acompanham, dando proteção e caminhos ao filho amado e um sinal de extremo respeito. Portanto não se deixem enganar para não desrespeitar nunca seus Orixás de Coroa.


SALVE TODOS OS ORIXÁS!





terça-feira, 28 de maio de 2019

NANÃ BURUKU, MATRIARCA AFRICANA E SUMA-SACERDOTISA

A DEUSA DA VIDA E DA MORTE

Nanã é um orixá feminino de origem daomeana, adotada da África que representa o dogbê (vida) e a doku (morte). Ela acolhe em seu ventre os ghedes (mortos) e os prepara para o leko (renascimento). Essa dualidade é representada por Nanã que personifica os pântanos. É neles que a mistura da água (vida) e da terra (morte), formando a lama, existe um portal entre as dimensões dos vivos e dos mortos. O pântano ou a lama, foi o local escolhido por Nanã para ser sua residência. Entretanto, para haver barro ou lama, tem que haver chuva, Nanã passou também a reger a chuva.

Nanã é conhecida por vários nomes, dependendo da região e do dialeto, mas em Dahomey (hoje Benin) na cidade de Domê onde está localizado seu principal templo, ela é conhecida como Nanã Buruku . Ela está fortemente ligada ao elemento terra e é chamada de "Senhora dos Pântanos", assinalando-a como uma Grande Mãe que é responsável pelo sopro da vida e conseqüentemente a morte.

Nanã sempre conduz os seres humanos com muita seriedade, justiça e determinação. Seus cânticos são súplicas para que a morte seja mantida afastada e que a vida seja preservada.

Sendo a personificação da "lama" ou da "chuva", Nana está sempre no principio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das questões humanas , de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também, freqüentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura (período neolítico).

MITOLOGIA
Nanã de origem daomeana, foi incorporada há séculos pela mitologia ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo do Dahomey (atual República do Benin) , assimilando sua cultura e incorporando alguns Orixás dos dominados à sua mitologia já estabelecida.

Nesse processo cultural, Oxalá (mito ioruba ou nagô) continuou sendo o pai de quase todos os Orixás. Iemanjá (mito igualmente ioruba) é a mãe de seus filhos (nagô) e Nanã (mito jeje) assume a figura de mãe dos filhos daomeanos. Os mitos daomeanos eram mais antigos que os nagôs (vinham de uma cultura ancestral que se mostra anterior à descoberta do fogo). Tentou-se, então, acertar essa cronologia com a colocação de Nanã e o nascimento de seus filhos, como fatos anteriores ao encontro de Oxalá e Iemanjá.

Muitas pesquisas apontam ainda que os iorubas começaram a ter um conceito de Deus Supremo antes inexistente, e que esse conceito pode ser conseqüência da influência dos maometanos do norte da África sobre a população negra mais próxima. Assim Nanã assume, como outros Orixás femininos, o conceito de maternidade como função principal.

É neste contexto, que Nanã apareceria como a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: Iroco (ou Tempo), Omulu (ou Obaluaê, orixá da varíola) e Oxumarê (orixá do arco-íris).

E teria tido uma filha, Ewá, nascida de uma relação entre Nanã e Oxóssi, ou ainda, entre Nanã e Orunmilá, conforme o mito.

NANÃ NO BRASIL
Aqui no Brasil, os escravos africanos introduziram com muito êxito suas divindades, como a Deusa Nanã, Oya, entre outras, nas religiões como o candomblé, a umbanda e o batuque. Essas religiões incluem a possessão por parte dos deuses. Quando Nanã se manifesta numa de suas iniciadas é saudada pelos gritos de Salúba!

SEUS INICIADOS
Seus sacerdotes e sacerdotisas são experientes à prática da medicina através das ervas, pois Nanã é detentora do conhecimento do uso terapêutico delas (ervas). Mas a Deusa explica ainda, que além do uso terapêutico das folhas e de alguns produtos animais, as doenças podem ter origem espiritual e portanto, requer tratamento nesse sentido. Mas, qualquer que seja a origem da doença, se a pessoa enferma recorrer à Nanã, obterá o remédio curador.

Muitas mulheres recorrem à essa Deusa quando não conseguem engravidar e Nanã ensina prontamente a mistura de ervas que deve tomar, assim como os "ebós" e oferendas que devem ser feitos. Caso sejam atendidas, é costume na África, em homenagem à Deusa, acrescentar ao nome da criança a palavra "nanã". Todos seus sacerdotes e sacerdotisas também usam na frente do nome esse prefixo.
O culto de iniciação dos "filhos" de Nanã requer uma série de cuidados especiais, tanto aqui no Brasil como na África. Durante um período é necessário abster-se de sexo, bebidas alcoólicas, qualquer tipo de droga ou vício, pelo menos por 2 meses antes. Nesse período são realizados vários "ebós" na casa do santo.


Na África as mulheres menstruadas são impedidas de entrar em seu templo ou fazer comida de santo. Nanã fala que a bogami (menstruação) é um sangue impuro e diz para as mulheres não cozinharem para seus maridos quando estiverem menstruadas. Aqui vemos claramente traços de um período muito arcaico (neolítico) em que o sangue da menstruação ainda era considerado impuro.

NANÃ E HÉCATE
Nanã é também uma Deusa da Lua Escura que muito se assemelha a Hécate nas funções de regente dos processos misteriosos da vida e da morte, das passagens difíceis da vida e da entrada nos caminhos árduos da transformação. A nível psíquico, essas passagens não podem ser eliminadas do curso normal da vida.

Nanã, assim como Hécate é a Deusa Terra primordial que dá nascimento às sementes e acolhe em seu seio os mortos. Tanto pode dar vida como a morte, seqüências da mesma realidade. É ainda, Dona da sabedoria e da justiça, que vem da natureza e a sua lei é implacável.

Nanã o Orixá feminino mais velho do panteão, pelo que é altamente respeitada. Veste-se de branco e azul. Suas contas são de louça branca com riscos azuis. Traz na mão o Ibiri, seu cetro, que é feito com palitos de dendezeiro e nasceu junto com ela, na sua placenta. O sincretismo de Nanã com Sant'Ana, avó maternal de Jesus, e padroeira dos professores, reforça a impressão de que ela é muito antiga e que sua chegada ao Brasil foi anterior à dos Yorubas.

A Deusa tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura. Os búzios, que simbolizam morte por estarem vazios e fecundidade porque lembram os órgãos genitais femininos, também pertencem a Nana.


Entretanto, o símbolo que melhor sintetiza o caráter de Nana é o "grão", pois ela possui o domínio da agricultura e todo "grão" tem que morrer para germinar.


MITOLOGIA
LENDA 1 (Mitologia Fon)

Na mitologia Fon, Nanã Buruku (ou Buluku) que deu nascimento ao gêmeos: Lisa e Mawu. Mawu era a Lua, que teve força ao longo da noite e viveu no oeste. Lisa era o Sol, que fez sua morada no Leste. Quando existia um eclipse dizia-se que Mawu e Lisa estavam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos. Eles eclipsaram várias vezes e tiveram no total sete casais de gêmeos (sempre um masculino e o outro feminino).

Mawu e Lisa chamaram seu filhos e os enviaram à Terra como os primeiros habitantes e para que esses os ajudassem a governar a Terra, deram a cada um uma atribuição. Os principais Voduns são: Loko; Gu; Heviossô; Sakpatá; Dan; Agbê; Águé; Ayizan; Agassu; Legba e Fa.

Com o nascimento desses filhos, Nana criou a dualidade que daria o equilíbrio ao mundo e aos seres viventes.

Mawu é o princípio feminino, a fertilidade, a suavidade, a compreensão, a ponderação, a reconciliação e o perdão. Já Lisa é o princípio masculino, o julgador, a impaciência, a força cósmica que castiga os homens errados e os corrige, a seriedade. Ele está sempre atento para que as leis de Mawu sejam cumpridas.

Os fons, ao chegarem no Brasil, eram chamados de "Jejes", implantaram aqui o seu culto, baseado na rica, complexa e elevada Mitologia Fon. Sua entrada no em nosso país ocorreu em meados do século XVII.

Djedje (jeje) é uma palavra de origem yoruba que significa estrangeiro, forasteiro e estranho; que recebeu uma conotação pejorativa como “inimigo”, por parte dos povos conquistados pelos reis de Dahomey e seu exército. Quando os conquistadores eram avistados pelos nativos de uma aldeia, muitos gritavam dando o alarme “Pou okan, djedje hum wa!” (olhem, os jejes estão chegando!).

Quando os primeiros daomeanos chegaram ao Brasil como escravos, aqueles que já estavam aqui reconheceram o inimigo e gritaram “Pou okan, djedje hum wa!”; e assim ficou conhecido o culto dos Voduns no Brasil “nação Jeje”.

NANÃ BURUKU
Nanã Buruku está associada com as Onze Energias cósmicas e é íntima delas compreendidas ma religião da Umbanda. É denominada como a "Avó de todos os Orixás". Nada acontece sem que ela tenha conhecimento, sempre presente, desde a criação incessante do universo até o desenrolar contínuo da atividade existencial de todos os seres e elementos que compõem o organismo vivo do nosso planeta. Soma-se com outras Energias para, juntas, comporem a forma mais sutil e perspicaz orixá: Oxumaré que personifica a curva do arco-íris.

Na Umbanda, Nanã é configurada pelos fiéis e "filhos de cabeça" como sendo fisicamente uma senhora sempre curvada pelo peso das eras e cujo rosto nunca é visto, porque está sempre encoberto. Sua imagem está projetada na figura de um devoto que canta e dança em seu louvor, mimeticamente, como se embalasse uma criança. Outras vezes com as mãos juntas como se socasse um pilão. Sua postura em muito se parece com o orixá Omolu com o qual parte e reparte suas próprias vibrações preferenciais e idiossincrásicas.

É conhecida também por: Bukuú (Togo), Naná Buluku (Benin, ex-Daomé), Borokô (candomblés de caboclo), Tobossi (fantiashanti), Kerê-Kerê (Angola e Congo) e mais as variantes Naná, Nanã, Nanã Buruquê, Buruku, Ananburuquê, Anaburuku, Naná Buku, Naná Brukung e, na língua yoruba como Nanã Buruiku.

LENDA 2
Dizem que quando Olorum, o ser Supremo, encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, Oxalá tentou vários caminhos.

Tentou fazer o Homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o Homem logo se desvaneceu. Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. De pedra, mas ainda a tentativa foi pior. Fez de fogo e o Homem se consumiu. Tentou azeite, água e até vinho de palma, e nada.

Foi então que Nanã veio em seu socorro e deu a Oxalá a lama, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as águas, que é Nanã. Oxalá criou o Homem, o modelou no barro. Com o sopro de Olorum ele caminhou. Com a ajuda dos Orixás povoou a terra.

Mas tem um dia que o homem tem que morrer.


O seu corpo tem que voltar a terra, voltar a natureza de Nanã. Nanã deu a matéria no começo, mas quer de volta no final tudo o que é seu.



Essa lenda descreve a natureza de Nanã como a Grande Mãe de onde tudo nasce e tudo retorna.


LENDA 3
Essa terceira lenda conta que Nanã foi conquistar o reino de Oxalá e acabou sendo conquistada por ele. Entretanto, o deus amava muito sua esposa, Iemanjá, e jamais se envolveria com Nanã. Essa então, o embriagou e o seduziu, engravidando. Desse ato adúltero nasceu Obaluiaê, uma criança muito feia e deformada que foi abandonada no mar. Iemanjá o encontrou meio morto e todo mordido pelos peixes e o cuidou até que ficasse curado. Para esconder as cicatrizes que permaneceram em seu corpo, ele foi coberto de palha. Assim cresceu Obaluaiê, sempre coberto por palhas, escondendo-se das pessoas, taciturno e compenetrado, sempre sério e até mal-humorado.

Um dia, caminhando pelo mundo, sentiu fome e pediu às pessoas de uma aldeia por onde passava que lhe dessem comida e água. Mas as pessoas, assustadas com o homem coberto desde a cabeça com palhas, expulsaram-no da aldeia e não lhe deram nada. Obaluaiê, triste e angustiado saiu do povoado e continuou pelos arredores, observando as pessoas.

Durante este tempo os dias esquentaram, o sol queimou as plantações, as mulheres ficaram estéreis, as crianças cheias de varíola, os homens doentes. Acreditando que o desconhecido coberto de palha amaldiçoara o lugar, imploraram seu perdão e pediram que ele novamente pisasse na terra seca. Ainda com fome e sede, Obaluaiê atendeu ao pedido dos moradores do lugar e novamente entrou na aldeia, fazendo com que todo o mal acabasse. Então homens o alimentaram e lhe deram de beber, rendendo-lhe muitas homenagens. Foi quando Obaluaiê disse que jamais negassem alimento e água a quem quer fosse, tivesse a aparência que tivesse. E seguiu seu caminho.

Chegando à sua terra, encontrou uma imensa festa dos orixás. Como não se sentia bem entrando numa festa coberto de palhas, ficou observando pelas frestas da casa. Neste momento Iansã, a Deusa dos ventos, o viu nesta situação e, com seus ventos levantou as palhas, deixando que todos vissem um belo homem, já sem nenhuma marca, forte, cheio de energia e virilidade E dançou com ele pela noite adentro. A partir deste dia, Obaluaiê e Iansã-Balé se uniram contra o poder da morte, das doenças e dos espíritos dos mortos, evitando desgraças aconteçam aos homens.

Essa lena nos aconselha a nunca negar auxílio, qualquer que seja, às pessoas que nos procuram. Além disso, nos diz para termos esperança, pois "não há mal que sempre dure.." e sempre há um recomeço, mesmo após um grande e penoso sofrimento.

LENDA 4
"Nanã era esposa de Ogum e ocupava o cargo de juíza no Daomé. Só julgava os homens, sendo muito respeitada pelas mulheres que eram consideradas Deusas.


Ela morava numa bela casa com jardim. Quando alguém apresentava alguma reclamação sobre seu marido, ela amarrava a pessoa numa arvore e pediu aos eguns para assustá-la.


Certa noite, Iansã reclamou de Ogum e ele foi amarrado no jardim. A noite, conseguiu escapulir e foi falar com ifá. A situação não podia continuar e, assim, ficou acertado que oxalá tiraria os poderes de Nanã. Ele se aproximou e ofereceu a ela suco de igbin, um tipo de caramujo. Ao beber o preparado, Nanã adormeceu. Oxalá então vestiu-se de mulher e, imitando o jeito de Nanã, pediu aos Eguns que fossem embora de seu jardim para sempre.

Quando Nanã acordou e percebeu o que Oxalá tinha feito, obrigou-o a tomar o mesmo preparado de igbin e seduziu o orixá. Oxalá saiu correndo e contou para Ogum o que havia acontecido. Indignado, este cortou relações com Nanã. E é por isso que nas oferendas a Nanã não é usado nenhum objeto de metal.

Uma outra lenda registra que, numa reunião, os orixás aclamaram ogum como o mais importante deles e que Nanã, não se conformando em ser derrotada por ele, assumiu que não mais usaria os utensílios de metal criados pelo orixá guerreiro (escudos e lanças de guerra, facas e setas para caça e pesca). Por isso, que ela não aceita oferendas em que apresentem objetos de metal."

Essa lenda, vem de encontro à tese de alguns historiadores que afirmam que a Deusa Nanã é anterior a Idade do Ferro.

DISPUTA ENTRE NANÃ BURUKU E OGUM 
(Segundo Pierre Verger)

"Nanã Buruku é uma velhíssima divindade das águas, vinda de muito longe e há muito tempo. Ogum é um poderoso chefe guerreiro que anda sempre à frente dos outros Imalés.

Um dia eles vão a uma reunião. É a reunião dos duzentos Imalés da direita e dos quatrocentos Imalés da esquerda. Eles discutem sobre os seus poderes. Eles falam muito sobre Obatalá, aquele que criou os seres humanos. Eles falam muito sobre Orunmilá, o senhor do destino dos homens. Eles falam sobre Exu:

-"Ah! É um importante mensageiro!"

Eles falam muita coisa a respeito de Ogum. Eles dizem:
-"É graças a seus instrumentos que nós podemos viver. Declaramos que é o mais importante entre nós!"
Nanã Buruku contesta, então:
-"Não digam isso. Que importância tem, então, os trabalhos que ele realiza?"
Os demais orixás respondem:
-"É graças a seus instrumentos que trabalhamos pelo nosso alimento. É graças a seus instrumentos que cultivamos os campos. São eles que utilizamos para esquartejar os animais".
Nanã concluiu que não renderá homenagem a Ogum.
-"Porque não haverá um outro Imalé mais importante?"
Ogum diz:
-"Ah!Ah! Considerando que todos os outros Imalés me rendem homenagem, me parece justo, Nanã, que você também o faça."
Nanã responde que não reconhece sua superioridade. Ambos discutem por muito tempo.
Ogum perguntando:
-"Você pretende que seja dispensável?"
Nanã garantindo que isto ela podia afirmar dez vezes.
Ogum diz então:
"Muito bem! Você vai saber que sou indispensável para todas as coisas".
Nanã, por sua vez, declara que, a partir daquele dia, ele não utilizará, absolutamente nada, fabricado por Ogum e, ainda assim, poderá tudo realizar.
Ogum questiona:
-"Como você o fará? Você não sabe que sou o proprietário de todos os metais? Estanho, chumbo, ferro, cobre. Eu os possuo todos".

Os filhos de Nanã eram caçadores. Para matar um animal eles passaram a se servir de um pedaço de pau, afiado em forma de faca, para esquartejá-lo. Os animais oferecidos a Nanã são mortos e decepados com instrumentos de madeira. Não se pode utilizar faca de metal para cortar sua carne, por causa da disputa que, desde aquele dia, opôs Ogum a Nanã".

(Lenda retirada do livro "Lendas Africanas dos Orixás" de Pierre Fatumbi Verger, págs. 62-64.)

DEUSA DA VIDA, DA MORTE E DO RENASCIMENTO
Nanã é uma Deusa que se inseri no período Neolítico ou até antes dele, onde não existe distinção alguma entre a Deusa que atrai a vida e a que atrai a morte, mas ambas se experimentam como uma unidade, através da Grande Mãe que engloba a totalidade da vida e da morte. A Deusa transforma a experiência da morte em como o renascimento à outra dimensão.

O período Neolítico foi uma fase de descobrimentos e o resultado disso foi uma nova relação com o universo. Foi nesse tempo que a humanidade compreendeu e passou a participar dos misteriosos processos de crescimento. Com a compreensão que certas sementes podiam ser convertidas em trigo e depois transformados em pão, e que certos animais vivendo perto das casas, poderia prover-lhes de leite, carne, surgiu um novo espírito que cooperação consciente entre os seres humanos e seu mundo. A vida do cosmos se converteu em uma história que incluía o homem como um de seus personagens.

Os povos deste período não puderam de realizar uma analogia de suas vidas com as das sementes que, plantadas na terra, incubavam e voltavam a emergir como grão verde ou dourado. Os rituais que evocavam o nascimento, que chorava a morte e que celebravam o renascimento da raiz mostra o quanto era vital essa analogia para a imaginação humana, pois situava a regeneração como o núcleo da vida. A fonte secreta da vida estava agora escondida nas profundezas da Terra (Útero da Deusa). Os seres humanos agora nascem dela, se alimentam dela e são acolhidos por ela.

As inumeráveis formas de cerâmica neolítica revelam o alcance imaginativo dos povos, que refletiam sobre o mistério do nascimento associando-o ao mais amplo mistério do nascimento de toda a vida mediante o "Corpo" da Deusa. As imagens da Deusa a mostram como o portal ou umbral através da qual penetra vida ou abandona esse mundo.

Toda a Grande Mãe, segundo Carl Jung, personifica o nosso inconsciente, portanto, um aspecto gerador, protetor e positivo, apesar do seu lado devorador e negativo. Todo o tipo de medo, como o medo da morte, do desconhecido, do novo, está ligado ao medo do inconsciente. O inconsciente, como a Grande Mãe, é a fonte primordial da criação, mas se o fascínio dela for forte demais, ela é o poder oculto que, em certas ocasiões, impede o livre desenvolvimento da comunicação normal. Mas, se encararmos essa realidade básica, podemos desistir de sermos tão agradáveis aos imperativos ideais do mundo patriarcal e atingirmos uma base sólida, de onde tudo isso parece irrelevante.

A DIFUSÃO DA DEUSA NEGRA
Dos tempos pré-históricos, em torno de trinta mil anos antes da era cristã, provém a Vênus negra de Lespugue, entalhada numa presa de mamute, agora preservada no Musée de l"Homme, em Paris. Por ser anterior a uma época em que não existia conhecimento algum de agricultura, ela é mais do que Terra, ela é a própria Vida.

Em Tindari, na costa do Mediterrâneo no leste da Sicília, uma estátua negra da Nossa Senhora possui a inscrição: "nigra sum sed formoso", ou seja, "Sou negra, porém formosa",do Cântico de Salomão 1,5. A Virgem Negra também é encontrada na França, na Espanha, na Suíça e na Polônia. Não poderia portanto ser essa Nossa Senhora negra a mais antiga das imagens da Deusa?

Há historiadores que postulam que da figura da Deusa Negra procedem todas as demais.Apesar de que a humanidade surgiu no noroeste da África, é possível que os temas dominantes que se repetem nos mitos e nos rituais de todo o mundo só se desenvolveram quando os povoadores já haviam trasladado à outras regiões.

Historiadores negros do século XX, como John G. Jackson, afirmam que os povos africanos da costa foram consumados marinheiros e exploradores que levaram à Ásia, Europa, América e Oceania a cultura matriarcal da Deusa. Portanto, as virgens negras presentes na Europa, que são interpretadas como representantes da "lua escura" ou ainda, uma "escura faceta" psicológica da Deusa, não são mais do que vestígios da época em a Deusa era realmente negra.

É inegável a vastíssima contribuição da cultura africana na cultura, na religião e nos costumes aqui do Brasil. Nada mais fácil sentir esse contribuição no que tange as religiões que hoje são afro-brasileiras. Deusas como Iemanjá, Iansã, Oxum, Nanã entre muitas outras também importantes, são muito populares em nosso meio, mas sempre é bom acrescentarmos um pouco mais de conhecimento sobre elas.

Sem nos atermos em questionamentos religiosos, essas Deusas Mães, estão presentes e ativas em nossas vidas, para não nos deixar esquecer que o melhor dos caminhos é o do coração e o da fé. Todas elas simbolizam a força maior, a fagulha divina dentro de nós, a energia que flui nos próprios processos da vida e do viver. Esse conceito da Deusa como processo de vida conduz a outro aspecto da espiritualidade feminina contemporânea, observado entre muitos grupos e indivíduos. Trata-se do sentido da conexão direta com a vida. Muitos são os que pensam que não estamos no topo da natureza, e sim, "somos" a natureza. Esse senso de Unidade, aflora constantemente em conversas e escritos. Isso nos ajuda a compreender que aquilo que poderíamos considerar simplesmente como compaixão ou apoio ou simpatia é o resultado do sentir, intuitivo, dessa ligação direta com a unidade. Essa sensação de Unidade com toda a vida leva muitas mulheres, de forma bastante natural, a uma compreensão direta do motivo pelo qual o sexismo, o racismo e outros "ismos" que criam uma sensação de separação, de "nós e os outros", realmente não fazem sentido.






JOGO DE BÚZIOS

Mérìndilogún – 16 Búzios. No Brasil foi introduzido o jogo de divinação feito com 16 Búzios (kawrís), sistema trazido e aperfeiçoado na Áfri...